A minha primeira escrava
Abril 14, 2008 por Vanderdecken
Sou um dominador desde que me lembro, pelo menos nas minhas fantasias. Já na minha primeira adolescência os meus devaneios eram de domínio sobre escravas belas como anjos e sensuais como gatas.
A minha primeira escrava foi também o meu primeiro amor. Não começámos como Senhor e escrava, começámos como qualquer outro par de namorados, descobrindo-nos reciprocamente a pouco e pouco, antecipando o momento em que nos veríamos nus, descobrindo juntos que chegara o momento de fazermos amor pela primeira vez…
Éramos ambos virgens, e nenhum de nós tinha alguma vez ouvido falar em BDSM. Tínhamos lido Sade e Sacher-Masoch, mas nessa época líamos tudo o que tivesse letras. Amar era para nós o suficiente, as confidências que tínhamos a fazer um ao outro eram muitas e o tempo para as fazer nunca chegava. Durante muitos meses não senti a necessidade de falar à minha namorada das fantasias de domínio que continuava a ter.
O que precipitou a conversa foi um pedido dela - vamos pôr-lhe um nome suposto: Sofia - enquanto fazíamos amor: que lhe batesse. Eu ouvi este pedido com algum alvoroço e satisfi-lo com prazer - mas um pouco a medo. Olhando para trás, considerando o quanto éramos jovens, lembrando-me que éramos os dois de esquerda, progressistas, feministas - admiro-me de ter aceite com tão poucas reservas bater na mulher que amava.
E a minha fantasia não era tanto provocar dor, era obter uma submissão consentida.
Mas não é difícil conciliar a fantasia dum homem que quer ter uma escrava com a fantasia duma mulher que quer ser castigada, principalmente se os dois se amarem e quiserem dar prazer um ao outro. Ao princípio havia como que uma troca, eu castigo-te como tu desejas e tu obedeces-me como eu desejo; mas com o tempo cada um aprendeu a integrar na sua fantasia a fantasia do outro.
Foi então que descobrimos a «História de O». Tornou-se a nossa bíblia, o nosso modelo. Fizemos um chicote artesanal, preto, que passei a usar nela regularmente - depois de lhe ter pedido que o usasse em mim uma única vez, para saber a dor que provocava (era intensa). Desenhei e pintei dezenasde retratos da Sofia vestida como O - de corpete apertado, seios nus, saias longas caindo em largas pregas. Íamos de férias ou de fim de semana, e eu inventava recados para a mandar fazer descalça - comprar-me cigarros, por exemplo.
Não sei qual de nós se lembrou pela primeira vez de a amarrar. Sei que foi com ela amarrada que a possuí analmente pela primeira vez. Na minha ignorância, não sabia ainda como fazê-lo sem dor, e a Sofia, que eu amava, andou dias a sentir a dor daquela penetração.
E pensar que ambos tivemos prazer nesse prolongamento!
Foi a minha primeira escrava. Foi o meu primeiro amor. Foi a minha primeira aprendizagem. Nunca a esquecerei, e nunca deixarei de lhe estar grato.
……………………………………………………………… (Publicado no Blogger a 21/03/05)
