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Arquivos para a Categoria ‘Os meus poemas’

Servidão

A minha mão aparta os teus cabelos.
É a direita: mão de dono ou mestre
Assim como quem colhe uma flor silvestre.
Evitas os meus olhos. Não queres tê-los
Fixos nos teus. Viras o rosto
E contemplas o chão no lado oposto.
Foges um pouco, indócil, ao meu toque;
Mas os lábios que busco, não mos negas
Na primeira de todas as entregas.
Num [...]

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Poema para Mariana

És bela no prazer. Leio-te a boca
Escrita entre dois vincos,
O discurso da carne entre silêncios.
O texto e a textura no decurso
Do sexo. Os passos todos.
É dolorosa a via decorrida.
Como não ter no rosto aberta a marca?
Como não ter no olhar impresso o rasto?
Porém és bela, e dóis-me.
O texto é [...]

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Isto te prometo, minha escrava:
Serás para mim a boca que beija e grita e geme e fala e cala.
Serás o vaso do meu prazer, em que derramo os sumos do meu corpo.
Serás a puta disponível que abre as pernas.
Serás a serva humilde que me serve.
Serás as lágrimas de raiva, as lágrimas [...]

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Ajoelha-te assim sobre o tapete,
Assim
Mesmo à Minha frente.
…….
……………..Sim, senta-te sobre os calcanhares
Como Eu te ensinei.
Abre as pernas. Mais.
Mais ainda,
Até doerem
Os tendões retesos das coxas.
………
………Mais. Abre mais.
………Quero ver tudo,
………A tua carne rosada e húmida,
………Exibida, mostrada,
Oferecida.
……..
………Não tapes o sexo. Não escondas
Nada.
………Deixa os braços caídos
………Ao lado do corpo,
………As palmas das mãos viradas
………Para Mim.
……………….. ……..Sim, morde o lábio,
…………………. ……Semicerra [...]

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Boca de mulher

……..A boca exige
……….a boca pede
……………… beijos.
……….
……….A boca desdenhosa
……….a boca sofrida
………a boca invadida
……….suplicante
……….mas sempre
…………………terna.
……….
……….A boca indefesa
……….vulnerável
……….ferida aberta
……….a boca
………………….pede.
……….
……….A boca oferece
………………..volúpias.
……….
……….A boca macia
……….a boca terna
……….
……………………geme
……….
………….sorri
…………….treme
……………….fala
………………….cala
…………………….suspira.
(Publicado no Blogger a 30/08/06)

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Fazer-te minha

Hei-de ordenar-te que Me esperes nua
E ao chegar hei-de olhar-te displicente
Com toda a segurança de quem sente
Que aquela que contempla é coisa sua.
E tu, que Me esperaste impaciente,
Atenta ao menor som vindo da rua,
E que lavaste com champô de lua
Os cabelos e a carne esplandecente,
Sentes, ao ver-Me livre e desprendido,
O coração tão fundamente ferido
Que maldizes [...]

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Naquele jardim secreto em que és a minha escrava,
O meu deslumbramento, quando te revejo,
É, como a dor, pungente, e enorme como um beijo
Que começa no fundo do tempo e não acaba.
Ali, envolta em véus translúcidos de linho,
Danças, obediente à voz do meu desejo.
Depois trazes baixelas, pratas, nozes, queijo
E serves-me descalça a fruta, o pão e [...]

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Vilancete

Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;
Vai formosa e não segura.
Traz uma bata estampada
Por sobre a saia de ganga,
T-shirt de meia manga,
Rosa no pé tatuada.
Tem a sola habituada
A pisar a pedra dura.
Vai formosa e não segura.
Dois garrafões transparentes
Que foram de água do Luso
Têm agora por uso
Ser bilhas sobressalentes.
Com estes recipientes
Parte em busca de água [...]

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Mulher

O passo descalço
Seguro e meigo
Sobre a terra.
As ancas como as velas
De um navio
No regresso.
O canto, a dor, o riso,
O choro
A completude
Da fêmea.
.
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.
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.
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(publicado no Blogger a 19/10/05)

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A uma Doce Amiga

Quero que sejas como o mar
Como a água salgada do mar
Que se abre à proa que a sulca e a envolve
E se fecha depois
Mas que tem segredos e naufrágios.
Quero que sejas como a terra
Depois da chuva morna
Ressumando
Que ergue para o céu as árvores e os homens
Mas oculta tesouros e histórias.
Quero que sejas a espera
A [...]

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Fazer-te Minha

Hei-de ordenar-te que me esperes nua
E ao chegar hei-de olhar-te displicente
Com toda a segurança de quem sente
Que aquela que contempla é coisa sua.
E tu, que me esperaste impaciente,
Atenta ao menor som vindo da rua,
E que lavaste com champô de lua
Os cabelos e a carne esplandecente,
Sentes, ao ver-me livre e desprendido,
O coração tão fundamente ferido
Que maldizes [...]

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