<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Rubáiyát</title>
	<atom:link href="http://omarkhayyam2.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com</link>
	<description>«Pés nus, olhos a rir, a boca em flor...» Assim veio ao meu encontro a primeira escrava. Este é um blog de jardins secretos, de fontes e de sombras, de escravas descalças e submissas, de Senhores generosos e firmes. Venha passear comigo neste jardim quem nele se sentir bem.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 23 Sep 2011 19:42:36 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='omarkhayyam2.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Rubáiyát</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://omarkhayyam2.wordpress.com/osd.xml" title="Rubáiyát" />
	<atom:link rel='hub' href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>O chicote</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2011/09/23/o-chicote-5/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2011/09/23/o-chicote-5/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Sep 2011 11:43:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos eróticos]]></category>
		<category><![CDATA[castigo]]></category>
		<category><![CDATA[chicote]]></category>
		<category><![CDATA[dor]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[noiva descalça]]></category>
		<category><![CDATA[obedecer]]></category>
		<category><![CDATA[pés nus]]></category>
		<category><![CDATA[penetração]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor]]></category>
		<category><![CDATA[vergasta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=1266</guid>
		<description><![CDATA[- Não sei se me poderás domar&#8230; Esta frase, meio desafio e meio apelo, dissera-lha a noiva no dia em que a pedira ao pai, no ano longínquo de 1959. Tal como ele, Helena pertencia a uma das famílias mais proeminentes da vila, mas não faltara quem o tentasse dissuadir do enlace. As comadres, sempre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1266&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omarkhayyam2.files.wordpress.com/2011/09/1950_dodge_coronet_a32.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1269" title="1950_Dodge_Coronet_A3" src="http://omarkhayyam2.files.wordpress.com/2011/09/1950_dodge_coronet_a32.jpg?w=180&#038;h=103" alt="" width="180" height="103" /></a></p>
<div style="color:#4c1130;">
<p>- Não sei se me poderás domar&#8230;</p>
<p>Esta frase, meio desafio e meio apelo, dissera-lha a noiva no dia em que a pedira ao pai, no ano longínquo de 1959. Tal como ele, Helena pertencia a uma das famílias mais proeminentes da vila, mas não faltara quem o tentasse dissuadir do enlace. As comadres, sempre ciosas dos bons costumes, viam na filha do notário uma liberdade nos modos, uma sensualidade no olhar e nos movimentos, que lhes despertavam as piores suspeitas.</p>
<p>- Sabe muito&#8230; &#8211; rosnavam.</p>
<p>- Passa a vida no café&#8230;</p>
<p>E se alguém lhes objectasse que Helena, quando entrava no café da vila, ia sempre acompanhada pelas suas colegas do Magistério Primário, não desarmavam:</p>
<p>- Já foi vista a fumar, em Braga&#8230; Também o pai, é do reviralho, deve ensinar-lhe essas liberdades.</p>
<p>O pai de Helena, tal como o de Bernardo, estava, com efeito, conotado com a oposição a Salazar; mas enganava-se quem supusesse que ao seu liberalismo político correspondia um igual liberalismo de costumes. Pelo contrário, inquietava-se com o comportamento da filha e com os zunzuns de cujos ecos se apercebia.</p>
<p>Não assim os Santaclara, salazaristas fiéis, no que respeita os filhos homens. Como proprietários rurais, excediam em fortuna a família de Helena somada à de Bernardo; mas nunca nenhum deles, apesar de várias gerações terem passeado por Coimbra a sua bravata, se tinha chegado a formar. E se o filho mais velho participava na administração das propriedades familiares, já o mais novo, Leandro, empregava o seu tempo em caçadas e arruaças, nos bordéis do Porto, e na perseguição às moças da terra.</p>
<p>Mas disto tudo, no seu regresso a Coimbra depois de pedir Helena ao pai, Bernardo só pensava nas palavras da noiva. Porque precisaria Helena de ser domada? Nada nela indicava uma natureza selvagem, apenas uma natural vivacidade que a ele o atraía. Adolescente ainda, Bernardo tinha visto no circo um homem que tirava, com um chicote comprido, o cigarro da boca de outro; e não descansara enquanto não aprendera a manejar esta arma com a mesma destreza. Começara por procurar o próprio artista, que, depois de o avisar que o chicote que usava era uma arma letal, não se recusara a vender-lhe um dos que tinha de reserva nem a dar-lhe as primeiras lições. Depois tivera que se ensinar a si próprio, treinando horas infinitas até transformar o chicote de três metros numa extensão do seu próprio braço e dos seus próprios dedos. Ao falar em ser domada, Helena fizera com que se estabelecesse no espírito do noivo uma ligação incómoda entre esta expressão e aquilo que nunca passara, para ele, duma habilidade de circo e de um desporto.</p>
<p>Nem pensou no chicote quando as cartas de Helena começaram a rarear e a apresentar um certo tom de desafio ou menosprezo. Mas veio-lhe imediatamente ao espírito quando alguém veio propositadamente a Coimbra para o avisar que Helena era vista frequentemente no café com Leandro e que este se gabava junto dos amigos de se ter já gozado dela.</p>
<p>- Não gozou, não&#8230; Eu conheço a Helena.</p>
<p>- Também penso assim &#8211; respondeu-lhe o amigo. &#8211; Mas também sei como ela é insatisfeita com a vida da aldeia, e como gosta do perigo. E o Leandro é perigoso que chegue para a atrair&#8230; Anda a dizer que se apareceres por lá a desafiá-lo te enfia, desculpa, uma bala nos cornos.</p>
<p>Nesse mesmo dia Bernardo despiu a capa e batina, envergou o fato com que viajava entre a vila e Coimbra e meteu-se no automóvel que o pai lhe tinha oferecido por completar com distinção o terceiro ano de Direito. Chegado à vila, perguntou por Helena. Estava no café. E acompanhada de Leandro, conforme Bernardo verificou ao entrar, de chicote na mão, neste estabelecimento.</p>
<p>- Com que então, gozaste-te da minha noiva &#8211; disse Bernardo.</p>
<p>- Eu nunca disse isso &#8211; defendeu-se Leandro, enquanto Helena olhava para ele como se o visse pela primeira vez.</p>
<p>- E enfiavas-me uma bala nos cornos&#8230; Tens aí com quê?</p>
<p>- Eu nunca disse isso&#8230;</p>
<p>- Se não tens, arma-te e anda ter comigo cá fora. Helena, já para o meu carro.</p>
<p>Leandro estava armado, com efeito, mas nunca se tinha servido do revólver para outra coisa que não fosse tiro ao alvo: latas, garrafas, cães  vadios e uma vez, bêbedo, um relógio de parede no café. Saiu para a praça com a arma na mão, nauseado com a ideia de ser obrigado a um duelo. Quando viu que Bernardo não tinha à vista mais que o chicote, apontou tão atabalhoadamente que o tiro foi atingir um dos bebedouros do jardim central, fazendo com que um repuxo de água se erguesse no ar e encharcasse os circunstantes.</p>
<p>Bernardo, por sua vez, só tinha utilizado o chicote em alvos inanimados, mas manteve o sangue-frio suficiente para enrolar o chicote no braço direito de Leandro e puxar, fazendo-o largar a arma. Depois, de cada vez que o outro se baixava para a apanhar aplicava-lhe um golpe nas costas que o desequilibrava e lhe rasgava a roupa, tingindo-a de sangue a pouco e pouco. Quando se cansou deste jogo, fez com que a ponta do chicote se enrolasse na pistola e puxou-a para si, segurando-a na mão esquerda.</p>
<p>- Não dispares, Bernardo! Não o mates! Não te desgraces, homem! &#8211; ouviu gritar de todos os lados.</p>
<p>Mas não era sua intenção matar Leandro. Com um golpe final de chicote retalhou-lhe a face esquerda, cortando tão fundo que lhe deixou os dentes à vista.</p>
<p>- Levem esse desgraçado ao hospital para o coserem, antes que sangre como um porco &#8211; ordenou. &#8211; Duma bela cicatriz já não se livra.</p>
<p>E enquanto os colegas de farra do adversário, que não o tinham defendido antes, se precipitavam agora para o socorrer, Bernardo voltou-lhes as costas e dirigiu-se ao automóvel onde Helena o esperava, encolhida no extremo do banco corrido. Tomou a estrada alcatroada que conduzia para fora da vila, virando logo a seguir para o caminho de terra batida que levava a uma das quintas da família. Helena, que sabia a casa abandonada e meio em ruínas, arriscou uma pergunta:</p>
<p>- Também me vais chicotear?</p>
<p>- Com este chicote? Não. Retalhava-te toda.</p>
<p>Ao chegar ao portão meio coberto de silvas, parou o carro e tirou o bolso um canivete suíço, que abriu numa lâmina com dentes como uma serra.</p>
<p>- Descalça-te e vai cortar uma vergasta naqueles bambus.</p>
<p>- Descalça porquê?</p>
<p>- Por penitência.</p>
<p>- Quer dizer que ainda me queres?</p>
<p>- Veremos. Vai lá.</p>
<p>No interior poeirento da casa, Helena sentiu-se tão incapaz de recusar o abraço de Bernardo como seria incapaz de recusar o castigo. Quando sentiu a mão dele levantar-lhe o vestido e insinuar-se-lhe entre as coxas, abriu um pouco as pernas; mas ele só lhe afastou as calcinhas para o lado para se certificar que estava molhada e para introduzir o dedo até onde foi possível.</p>
<p>- Bom. Ainda estás virgem.</p>
<p>- Perdoa&#8230; &#8211; murmurou Helena.</p>
<p>- Por estares virgem?</p>
<p>- Por te ter levado a pensar que&#8230;.</p>
<p>- E virgem vais continuar, até casarmos.</p>
<p>Mas mandou-a despir para o castigo. Tomada duma vertigem, Helena obedeceu. Quando ele terminou, mandou-a vestir e levou-a para casa. À ansiedade dos pais dela respondeu com a exigência de que a fizessem examinar por uma parteira para determinar se estava virgem. À saída da mulher, chamou-a de parte, passou-lhe discretamente para a mão uma nota de quinhentos escudos e murmurou-lhe ao ouvido:</p>
<p>- A quem lhe perguntar, Dona Ermelinda, conte o que viu, mas não tudo o que viu. Está-me a entender?</p>
<p>A mulher acenou que sim. As vergastadas no corpo de Helena ficariam em segredo. Mas Bernardo sabia que ela daria a entender a toda a gente, por alusões e silêncios, que ele não era homem para sofrer vexames.</p>
<p>Faltava combinar o casamento. A sós com Helena, Bernardo ordenou:</p>
<p>- Quando fores combinar a data com o padre, vais confessar-te. Vais pedir-lhe a absolvição pelo escândalo que provocaste e vais pedir-lhe que te dê a penitência de casar descalça.</p>
<p>- Descalça, Bernardo? Vou morrer de vergonha!</p>
<p>- Não vais. Quando chegar o dia, já toda a vila se terá habituado à ideia. Ou pensas que a modista vai guardar segredo, como o padre?</p>
<p>- Está bem&#8230; Mas vou de branco, não vou? Isso ainda mereço&#8230;</p>
<p>- De branco, e de flor de laranjeira.</p>
<p>Na noite de núpcias, antes de a penetrar, Bernardo avisou:</p>
<p>- Vai doer.</p>
<p>- Tanto melhor &#8211; respondeu Helena. E depois de ele gozar nela:</p>
<p>- Tua escrava&#8230; Meu Senhor.</p>
<p>Agora, passados mais de cinquenta anos, recordando isto tudo, Bernardo sorriu. Quase todas as personagens desta história tinham já morrido: Leandro, a parteira, o padre, a modista, os pais de Helena. A própria Helena, seu único amor. E a ele poucos meses restavam de vida: se se cumprisse a promessa do médico, em breve se juntaria a ela.</p>
<p>Durante décadas, os filhos e os netos tinham encarado com naturalidade o hábito de Helena andar sempre descalça em casa. E os vergões da vergasta, frequentemente renovados, tinham permanecido o seu segredo de amantes.</p>
</div>
<br /> Tagged: <a href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/tag/castigo/'>castigo</a>, <a href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/tag/chicote/'>chicote</a>, <a href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/tag/dor/'>dor</a>, <a href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/tag/escrava/'>escrava</a>, <a href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/tag/noiva-descalca/'>noiva descalça</a>, <a href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/tag/obedecer/'>obedecer</a>, <a href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/tag/pes-nus/'>pés nus</a>, <a href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/tag/penetracao/'>penetração</a>, <a href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/tag/senhor/'>Senhor</a>, <a href='http://omarkhayyam2.wordpress.com/tag/vergasta/'>vergasta</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1266/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1266&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2011/09/23/o-chicote-5/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://omarkhayyam2.files.wordpress.com/2011/09/1950_dodge_coronet_a32.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">1950_Dodge_Coronet_A3</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>De regresso</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/04/26/de-regresso/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/04/26/de-regresso/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2009 09:30:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[ajoelhada]]></category>
		<category><![CDATA[amor de escrava]]></category>
		<category><![CDATA[beijar a mão]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[Jan Saudek]]></category>
		<category><![CDATA[submissa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=1253</guid>
		<description><![CDATA[Passeando por Praga, deparei com uma exposição do fotógrafo Jan Saudek, autor da imagem que volto a publicar depois de o ter feito antes sem saber de quem era. Fiquei contente com a possibilidade que o acaso me deu de corrigir o meu erro; e a visão duma obra tão original nos temas e nas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1253&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SfQnWeK2QcI/AAAAAAAAA0k/JYm6TYvttNQ/s1600-h/94-06.jpg"><img style="float:right;cursor:pointer;margin:0 0 10px 10px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SfQnWeK2QcI/AAAAAAAAA0k/JYm6TYvttNQ/s400/94-06.jpg" border="0" alt="" width="256" height="330" /></a><span style="color:#003333;">Passeando por Praga, deparei com uma exposição do fotógrafo </span><span style="font-weight:bold;color:#003333;">Jan Saudek</span><span style="color:#003333;">, autor da imagem que volto a publicar depois de o ter feito antes sem saber de quem era. Fiquei contente com a possibilidade que o acaso me deu de corrigir o meu erro; e a visão duma obra tão original nos temas e nas técnicas constituiu um dos pontos altos da minha viagem à República Checa.</span></p>
<br /> Tagged: ajoelhada, amor de escrava, beijar a mão, escrava, Jan Saudek, submissa <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1253/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1253&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/04/26/de-regresso/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SfQnWeK2QcI/AAAAAAAAA0k/JYm6TYvttNQ/s400/94-06.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Ler os clássicos</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/03/21/ler-os-classicos/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/03/21/ler-os-classicos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 21 Mar 2009 15:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leituras]]></category>
		<category><![CDATA[literatura erótica]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor]]></category>
		<category><![CDATA[submissa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=1249</guid>
		<description><![CDATA[Os grandes clássicos da literatura, sobretudo os que foram escritos no Séc. XIX, não costumam ser associados ao erotismo e muito menos ao bdsm &#8211; sobretudo se, como no caso de &#8220;Jane Eyre&#8221;, não contiverem uma única cena de sexo ou sequer qualquer referência a partes do corpo que não andassem à época, normalmente cobertas. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1249&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ScT-sjL6FqI/AAAAAAAAAz0/VOH2eP8rzbI/s1600-h/Jane+Eyre.jpg"><img style="float:left;cursor:pointer;margin:0 10px 10px 0;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ScT-sjL6FqI/AAAAAAAAAz0/VOH2eP8rzbI/s400/Jane+Eyre.jpg" border="0" alt="" width="173" height="297" /></a><span class="Apple-style-span" style="color:#333300;">Os grandes clássicos da literatura, sobretudo os que foram escritos no Séc. XIX, não costumam ser associados ao erotismo e muito menos ao bdsm &#8211; sobretudo se, como no caso de &#8220;Jane Eyre&#8221;, não contiverem uma única cena de sexo ou sequer qualquer referência a partes do corpo que não andassem à época, normalmente cobertas.</span></p>
<div><span class="Apple-style-span" style="color:#333300;">Eu próprio, ao ler este romance pela primeira vez e pela segunda, não me dei conta de nada que fosse além do mais estrito decoro vitoriano. Só quando me chamaram a atenção para o subtexto erótico é que decidi relê-lo a essa luz, e foi como se o lesse pela primeira vez: numa história que é basicamente, à superfície, a da Gata Borralheira (Cinderela para os meus leitores brasileiros), encontram-se nas entrelinhas, nas alusões, nos pequenos sinais em código que surgem em todas as páginas, todos os elementos dum romance erótico.</span></div>
<div><span class="Apple-style-span" style="color:#333300;">Se partirmos do princípio que o que estamos a ler é a narrariva duma relação amorosa e erótica entre uma mulher extremamente submissa e um homem extremamente dominante, o livro adquire um brilho, um interesse e uma verdade ainda mais pronunciados do que tem numa leitura mais convencional.</span></div>
<div><span class="Apple-style-span" style="color:#333300;">Existe uma tradução portuguesa, que nunca li, que tem por título &#8220;O Grande Amor de Jane Eyre&#8221;. Não sei se na tradução se mantêm todos os sinais em código presentes no original: por exemplo, não sei se </span><span class="Apple-style-span" style="font-style:italic;"><span class="Apple-style-span" style="color:#333300;">&#8220;my master&#8221;</span></span><span class="Apple-style-span" style="color:#333300;"> está traduzido por &#8220;meu patrão ou &#8220;meu senhor&#8221;; mas é impossível que não se mantenham alguns. Em todo o caso, para quem tiver gosto pela leitura dos grandes clássicos e paciência para a sua extensão, fica aqui o meu conselho de leitura.</span></div>
<br /> Tagged: literatura erótica, Senhor, submissa <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1249/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1249&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/03/21/ler-os-classicos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ScT-sjL6FqI/AAAAAAAAAz0/VOH2eP8rzbI/s400/Jane+Eyre.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 24)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/25/romande-excerto-24/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/25/romande-excerto-24/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 22:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos eróticos]]></category>
		<category><![CDATA[clítoris]]></category>
		<category><![CDATA[descalça em público]]></category>
		<category><![CDATA[mamilos]]></category>
		<category><![CDATA[masturbação]]></category>
		<category><![CDATA[obedecer]]></category>
		<category><![CDATA[orgasmo involuntário]]></category>
		<category><![CDATA[pénis]]></category>
		<category><![CDATA[penetração]]></category>
		<category><![CDATA[piercings na vulva]]></category>
		<category><![CDATA[pompoar]]></category>
		<category><![CDATA[seios]]></category>
		<category><![CDATA[seios nus]]></category>
		<category><![CDATA[sexo depilado]]></category>
		<category><![CDATA[sexo oral]]></category>
		<category><![CDATA[sexo seguro]]></category>
		<category><![CDATA[troca de escravas]]></category>
		<category><![CDATA[vagina]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=1245</guid>
		<description><![CDATA[Cap. 38: VAIVÉM [ ... ] Depois da aula, em casa, Teresa serviu o almoço a Raul; à tarde viu um filme, sentada aos pés dele, sem saber o que aconteceria a seguir. À noite, Milena serviu o jantar sozinha porque Teresa recebera ordem de se arranjar com especial cuidado para o jantar. – Fica [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1245&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SaW67FdnTBI/AAAAAAAAAyA/tHKSgsuGX6k/s1600-h/St+a16+a+sk.JPG"><img style="float:right;cursor:pointer;margin:0 0 10px 10px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SaW67FdnTBI/AAAAAAAAAyA/tHKSgsuGX6k/s400/St+a16+a+sk.JPG" border="0" alt="" width="206" height="408" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663300;"><a name="_Toc221445631">Cap. 38: VAIVÉM</a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">[ ... ] Depois da aula, em casa, Teresa serviu o almoço a Raul; à tarde viu um filme, sentada aos pés dele, sem saber o que aconteceria a seguir. À noite, Milena serviu o jantar sozinha porque Teresa recebera ordem de se arranjar com especial cuidado para o jantar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Fica de seios nus, mas não os maquilhes – disse Raul. – Põe os teus rubis.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Para acompanhar o jantar, Raul escolheu Mozart: a Sinfonia nº 38, o Concerto de Piano nº 23 e <em>Eine Kleine Nachtmusik</em>. Terminada a comida e a música, ordenou a Teresa que fosse buscar Ana, que estaria à sua espera, a casa de Miguel.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Veste o teu casaco mais quente por cima do tronco nu, põe um cachecol e um gorro, mas não te calces. Deixa aqui a Ana, volta para casa do Miguel e fica à disposição dele até ele te mandar para casa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Atordoada, Teresa nem sequer foi capaz de dizer “sim, meu senhor”, mas também não pensou em desobedecer. Estava desvendado o mistério: ia ser emprestada a outro homem; o seu dono, o seu senhor querido, de quem pensara ser a única escrava, ia servir-se doutra mulher; e não sabia qual das duas coisas lhe doía mais. Foi ao quarto de banho e arranjou-se para sair, sempre com aquele “sim, meu senhor,” que não dissera, a soar-lhe aos ouvidos como um mantra. Agasalhou-se, pegou nas chaves do Smart, desceu ao estacionamento, entrou no carro e foi onde Raul a enviara.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">A própria Ana lhe abriu a porta, muito agasalhada mas, tal como Teresa, com os pés nus.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Durante o percurso não falaram. Cada uma estava perdida na contemplação do futuro imediato: iam ser cedidas, iam ser traídas. Não: traídas, não. Ambas se davam conta, mais agudamente que nunca, que Raul e Miguel não lhes pertenciam. Talvez tenha passado pela cabeça de Ana revoltar-se; mas, ao ao ver a expressão de Teresa – pálida, orgulhosa e decidida a obedecer custasse o que custasse – resolveu-se a orientar o seu comportamento pelo dela. Teresa entrou com o carro na garagem subterrânea e acompanhou Ana até à porta do apartamento para a entregar a Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Entra, Ana – disse este. – E tu, Teresa, podes ir. Obedece ao Miguel em tudo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;"><em>Sim, meu senhor, </em>pensou Teresa. Fez o segundo percurso até casa de Miguel num estado de perturbação ainda maior do que tinha feito o primeiro. Já não contemplava apenas o seu futuro próximo, mas o presente que se desenrolava atrás de si, entre Raul e Ana. <em>Sim, meu senhor</em>. Estariam estas palavras, neste momento, a ressoar também na cabeça de Ana? Ou, mil vezes pior, estariam a sair-lhe dos lábios, dirigidas a Raul? Apertou o volante com as mãos até os nós dos dedos lhe ficarem brancos: Não, não era possível. Tudo, menos isso.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Miguel recebeu-a à porta. Ajudou-a a tirar o casaco, pegou-lhe no cachecol e no gorro, que arrumou, e quando a viu nua da cinta para cima não fez qualquer comentário.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Anda comigo – disse.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">O aquecimento central não era tão eficiente aqui como no apartamento de Raul, mas a temperatura não era demasiado desconfortável, nem para os pés nus, nem para o tronco nu de Teresa. Seguiu Miguel para o quarto, onde ele lhe ordenou que acabasse de se despir e tirasse as jóias.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Teresa obedeceu prontamente e em silêncio. Miguel encostou-se à ombreira da porta a vê-la tirar a saia e as jóias.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Anda cá – disse Miguel.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Teresa avançou até ficar de pé a meio metro dele, que lhe tomou as mãos para as aquecer por um momento entre as suas e depois a beijou na boca, que ela não abriu mas também não fez força para manter fechada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Despe-me – disse ele.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Teresa começou por lhe tirar a <em>T-shirt</em> preta e arrumou-a nas costas duma cadeira. <em>Como devo agir,</em> pensou Teresa, <em>com um homem que não é o meu senhor, mas a quem tenho que obedecer?</em> Não lhe beijaria os pés, a não ser que ele lho ordenasse, nem lhe daria quaisquer outras mostras duma humildade que não sentia em relação a ele; mas obedeceria em tudo, e esforçar-se-ia o mais que pudesse para lhe dar prazer. Ajoelhou-se para o descalçar: as sapatilhas eram difíceis de tirar, tinham muitos cordões e era preciso fazer força. Ainda de joelhos, desapertou-lhe o cinto e as calças. Miguel ajudou-a a tirar-lhas, levantando alternadamente os pés; ela endireitou-as e arrumou-as junto com a <em>T-shirt</em>. As cuecas tinham uma mancha húmida que as tornava transparentes. Ajoelhou-se para lhas tirar, mas desta vez não se voltou a erguer: atirou as cuecas para junto da outra roupa e só então olhou para o membro erecto à sua frente. Era diferente do de Raul, mais comprido e mais fino, e completamente a direito. Como não tinha sido circuncidado, a glande era mais vermelha e parecia molhada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Chupa-me o pénis.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;"><em>Sim, meu senhor</em>, disse ela intimamente a Raul; <em>não te deixarei ficar mal</em>. Tomou na boca este pénis que não conhecia: havia de usar as carícias que Raul lhe tinha ensinado, ou as que tinha aprendido nos seus anos de puta? Qual destas opções honraria melhor o seu senhor? A primeira, claro: Raul tinha emprestado a Miguel a sua própria escrava, não uma puta qualquer apanhada na rua. Miguel gemeu de prazer com esta carícia, que ela continuou até ele lhe ordenar que se deitasse na cama e abrisse bem as pernas, entre as quais se ajoelhou para lhe ver o sexo. Viu os anéis de titânio que o transfixavam, fê-los oscilar um a um com a ponta do dedo e suspirou:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Se eu pudesse, mandava fazer o mesmo à Ana…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Passou-lhe a mão lentamente pelo ventre, pelas ancas, beijou-lhe os seios, e finalmente ordenou:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Estás seca, masturba-te um pouco.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Teresa enrubesceu até ao peito, mas obedeceu. Se estivesse com Raul, não estaria seca; estaria já quase à beira dum orgasmo. Mas Miguel tinha direito a que ela lhe apresentasse uma vagina bem lubrificada, que ele pudesse penetrar à vontade. Começou a acariciar o clítoris, imaginando que eram os dedos de Raul, até que ficou pronta a ser possuída. Miguel pôs um preservativo, deitou-se sobre ela, penetrou-a sem brutalidade – mas também sem uma ternura excessiva que só a humilharia – e começou a mover-se dentro dela. Teresa não teve qualquer dificuldade em usar as técnicas do <em>pompoar</em>, que se estavam a tornar automáticas para ela. Os movimentos dele tornaram-se mais rápidos e vigorosos e a respiração mais ofegante. E foi neste momento que Teresa sofreu a maior humilhação da sua vida:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Vem-te agora – disse Miguel.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">E ela teve o orgasmo que não tencionara ter, um orgasmo intenso que a obrigou a abraçar Miguel, a colar-se a ele apaixonadamente, a procurar-lhe a boca e a língua como procurava a boca e a língua de Raul; e tudo isto desencadeado por duas pequenas sílabas, uma ordem seca dada por outro homem. Já sabia que o seu corpo obedecia a Raul sem intermediação da sua vontade, e tinha orgulho em tê-lo treinado para isto; mas nunca imaginara que este treino o fizesse obedecer assim a outro homem. Quem era ela, a quem o seu próprio corpo não obedecia? Em que se estava ela a transformar? Passara os últimos meses a transformar-se, deliberada e metodicamente, na escrava de Raul; mas nunca tinha sido sua intenção tornar-se no seu próprio ser <em>uma escrava</em>, obediente por reflexo a certas ordens, dadas num certo tom fosse por quem fosse. Não tinha sido ela a transformar-se nisto; tinha sido Raul que a transformara. Sentiu uma indignação que lhe subia ao peito, logo cancelada pelas palavras que tantas vezes dissera, e não em vão: <em>sou tua, faz de mim o que quiseres</em>. Se estava a transformar-se, não no que planeara, mas no que Raul queria, isto não podia ser senão justo. Era humilhante, esta obediência reflexa a outro homem; mas não a fazia escrava dele: fazia-a, sim, mais escrava de Raul. Virou a cara para não ver Miguel, mas sentiu com agrado as suas carícias. Ficou-lhe grata quando ele, pudicamente, foi tomar duche sozinho e lhe permitiu que fizesse o mesmo. Já não o encontrou no quarto, onde vestiu a saia e pôs as jóias. Foi encontrá-lo na sala, já vestido, e sentiu vergonha dos seus seios nus como não tinha sentido ao entrar. Miguel deu-lhe um beijo leve na boca, a que ela correspondeu, e disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Podes ir, o Raul telefonou. Não entres na garagem: espera à porta do prédio. Tranca o carro. Abre-o só para deixar entrar a Ana.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Mas Miguel ajudou-a rapidamente a vestir-se e deu-lhe um beijo à despedida, desta vez na cara.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Ao ficar sozinho com Ana, Raul pegou-lhe na mão e conduziu-a à sala.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Entra, Ana. Põe-te à-vontade. Dá cá o casaco.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Ana tirou os agasalhos, que ele entregou a Milena para que os arrumasse.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Dá uma volta para eu te ver – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Ana rodou sobre si mesma e voltou-se de novo para ele.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Estou bem? – perguntou.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Estava linda, pensou Raul. Não estava de seios nus, como Teresa, mas sim com um top que lhe descobria o umbigo. A saia, preta e um pouco transparente, tinha a cinta muito descaída, e caía em pregas largas até aos tornozelos. Todos os adornos eram de prata, e o cabelo estava cuidadosamente penteado de modo a parecer que o não estava.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Senta-te – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Ana sempre tinha visto Teresa sentada no chão, nunca no sofá, mas sentiu um certo acanhamento que a impedia de fazer o mesmo. Ia sentar-se na borda do sofá quando Raul lhe disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Podes sentar-te no chão. Queres tomar alguma coisa?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Ana acenou que não. Raul pegou-lhe na mão, sentou-se no sofá, muito perto dela, e perguntou-lhe:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Sabes para o que estás aqui?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Para fazer tudo o que o senhor mandar – disse Ana.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Então anda comigo, minha querida.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Quando chegaram ao quarto, Ana quis dar-se algum tempo. Não se sentia pronta para se despir já, como uma puta; e tinha necessidade de falar, de se justificar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– O senhor vai-me possuir?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Sim, querida, vou-te possuir – respondeu Raul, pronto a dar-lhe o tempo de que ela precisasse.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Sabe, o Miguel é o único homem a quem me submeti até hoje… Já não era virgem quando comecei com ele, mas nunca tinha sido submissa de ninguém.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– E agora vai difícil obedecer-me.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Um pouco – respondeu Ana. – Mas com o senhor sou capaz. Foram o senhor e o Miguel que decidiram sozinhos, não foram? A Teresa não entrou nessa decisão…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Fomos nós sozinhos – respondeu Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Esta resposta tornava tudo mais fácil. Se Teresa tivesse conspirado contra ela…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;"><span> </span>– Estão no seu direito… – murmurou. – Quer que me dispa agora?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Raul mandou-a tirar só o top. Ana tinha os seios um pouco mais pequenos que os de Teresa, de forma cónica, e com as aréolas dum rosado muito claro que quase não fazia contraste com a pele. Tapou-se com as mãos, mas logo se destapou, como se tapar-se fosse uma falta. Raul sorriu:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Uma escrava não tem direito ao pudor, não é, minha querida?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– É verdade… – murmurou Ana, corando.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Raul mandou-a tirar a saia e deitar-se na cama, onde ficou apoiada sobre um cotovelo, olhando para ele enquanto ele se despia. Raul era o homem mais velho que Ana já tinha visto nu: não soubera o que esperar, mas afinal era um homem como os outros, mais atraente que muitos. A primeira carícia que ele lhe fez, entre o pescoço e o ombro, fê-la estremecer; mas devolveu-lha, tocando-lhe no peito; e beijou-o timidamente na boca. Raul deitou-se de costas, cruzou as mãos sob a nuca e disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Anda tu por cima, Ana. Mostra-me o que sabes fazer.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Ana tinha a certeza que sabia fazer tudo. A experiência que tinha com homens era muito pouca, limitava-se quase só a Miguel. Sabia dar prazer a Miguel, e portanto devia ser capaz de dar o mesmo prazer a Raul. Pôs-se de gatas por cima dele, deixando pender os colares e as correntes, e começou a beijá-lo nos olhos, nas orelhas, na boca, nos mamilos… Quando estendeu a mão para lhe agarrar no pénis, ele disse que não, ainda não… Ainda não, porquê? Miguel gostava… Mas obedeceu e continuou a beijá-lo, progredindo devagar até lhe chegar ao sexo depilado, tão confortável de meter na boca. Quando começou a chupá-lo, sentiu a mão dele entre as pernas, que abriu para lhe dar espaço.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Raul começou por lhe tactear os lábios exteriores da vulva, de comissura a comissura, primeiro de um lado e depois do outro. A seguir, percorreu a fenda entre eles e, quando chegou ao extremo desta, continuou a acariciá-la entre as pernas, no rego entre a vulva e o ânus. Regressando à vulva, mais fina e mais comprida que a de Teresa, separou-lhe com os dedos os lábios exteriores e começou a afagar-lhe os interiores, que eram nela muito rosados e um pouco proeminentes. O toque de Raul era duma delicadeza extrema: Ana nunca tinha sido acariciada neste lugar por uma mulher, mas imaginava que seria assim, e era muito bom… Por um momento perdeu a concentração, mas ouviu Raul, que lhe dizia:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Ana, presta atenção, não pares…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Não podia parar de chupar Raul. Estava ali para o servir: tinha sido essa a ordem, muito clara, que Miguel lhe dera. Mas como podia ela ignorar aqueles dedos que se lhe insinuavam pelos folhos da vulva, lubrificados pelos sucos da vagina? Raul descobria-lhe agora o pequeno capuz que lhe escondia o clítoris; este já tinha a pontinha de fora, mas Raul, com infinitos cuidados, afastou o capuz para trás de maneira a descobri-lo mais, e começou a titilar com movimentos rápidos o botãozinho que tinha deixado a descoberto. Ana não sabia o que queria, se queria que ele continuasse a fazer isto por toda a eternidade ou que a penetrasse e possuísse sem delongas. Mas sabia o que Miguel havia de querer: que ela se concentrasse e continuasse, até ordem em contrário, a chupar o melhor que soubesse o pénis de Raul. A ordem em contrário não se fez esperar muito:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Vem agora, minha querida. Empala-te em mim.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Ana assim fez, com um pequeno gemido. Coleou por Raul acima, deitou-se sobre ele com as pernas abertas, pegou-lhe no pénis para o apontar exactamente à abertura da vagina, e baixou-se sobre ele, sentindo como ele a enchia por dentro. Os movimentos de Raul dentro dela foram, ao princípio, quase imperceptíveis: queria dar-lhe oportunidade de mostrar do que era capaz; e ela, que não queria outra coisa, começou a combinar o que sabia que agradava a Miguel com o que sabia de <em>pompoar</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Raul, deliciado, reteve o orgasmo. Começou a acariciar Ana nas nádegas e nas costas, beijando-lhe a boca, os mamilos, o pescoço sempre que ela se inclinava o suficiente para lhe chegar ao alcance dos lábios. Viu-lhe corar o rosto e o peito, ouviu-lhe a respiração transformar-se num gemido e logo a seguir num arquejo; sentiu como os músculos da vagina se apertavam, já não como no <em>pompoar</em>, mas num tremor involuntário; e esvaiu-se dentro dela com três estocadas fortes, ouvindo-a exclamar:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Sim, Miguel, sim, vem-te em mim, meu querido!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Mais tarde, com ela estendida sobre ele, escondendo o rosto na curva do braço, ouviu-a dizer:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Que vergonha, Raul… Chamei-lhe Miguel…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Raul riu-se, obrigou-a a encará-lo e respondeu:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Tolinha… Pensas que isso me ofendeu? Pelo contrário, até me lisonjeou. Mas agora vá, toca a lavar e a vestir, que tens o teu dono à espera.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Teresa parou o Smart à porta do prédio. Alguém devia ter coordenado as coisas muito bem, porque não passaram mais do que uns segundos até Ana aparecer. Um grupo de rapazes e raparigas, à conversa ali perto, devem ter ficado um pouco admirados ao vê-la dirigir-se para o carro toda agasalhada, mas descalça. Teresa ligara o aquecimento: esperou que Ana se ajeitasse com o cinto de segurança e arrancou: a quinta vez que fazia o mesmo percurso nessa noite. Ao princípio não disseram nada, embora por vezes Ana desse a impressão de querer dizer alguma coisa. Por fim, não se conteve:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Como te tratou o Miguel?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Teresa não compreendeu: queria Ana saber se Miguel a tinha tratado bem? Que importância tinha isso? Não eram ambas escravas?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Não é isso – disse Ana. – O que é que ele te chamou? Chamou-te minha escrava?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Não – disse Teresa, elucidada. – Chamou-me sempre Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Teresa gostou de sentir Ana relaxar ao seu lado, como que aliviada de um peso.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– E o Raul – perguntou. – Chamou-te minha escrava?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Não, chamou-me Ana e minha querida. E eu também não lhe chamei meu senhor.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Teresa envolveu-se toda no prazer desta resposta: Raul fizera com Ana o que quisera, mas não lhe chamara minha escrava.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Também me chamou tolinha…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">Então puseram-se as duas a rir, em paroxismos tais que Teresa teve que parar o carro até recuperar o controlo sobre si mesma. Tolinha… e de cada vez que uma delas dizia esta palavra, a outra respondia:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">– Cala-te, não me faças rir.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663300;">E assim foram até casa de Miguel, onde Teresa esperou que Ana entrasse, gelando de novo os pés.</p>
<br /> Tagged: clítoris, descalça em público, mamilos, masturbação, obedecer, orgasmo involuntário, pénis, penetração, piercings na vulva, pompoar, seios, seios nus, sexo depilado, sexo oral, sexo seguro, troca de escravas, vagina <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1245/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1245&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/25/romande-excerto-24/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SaW67FdnTBI/AAAAAAAAAyA/tHKSgsuGX6k/s400/St+a16+a+sk.JPG" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Hipismo</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/21/hipismo-2/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/21/hipismo-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 21 Feb 2009 23:45:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[centauro]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[montada]]></category>
		<category><![CDATA[montagem]]></category>
		<category><![CDATA[quimera]]></category>
		<category><![CDATA[seios]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=1242</guid>
		<description><![CDATA[Tagged: centauro, fantasia, montada, montagem, quimera, seios<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1242&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SaCO7ME5BRI/AAAAAAAAAxY/8ayhJSqAhk4/s1600-h/keresztury1.jpg"><img style="display:block;text-align:center;cursor:pointer;width:363px;height:523px;margin:0 auto 10px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SaCO7ME5BRI/AAAAAAAAAxY/8ayhJSqAhk4/s400/keresztury1.jpg" alt="" border="0" /></a></p>
<br /> Tagged: centauro, fantasia, montada, montagem, quimera, seios <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1242/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1242&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/21/hipismo-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SaCO7ME5BRI/AAAAAAAAAxY/8ayhJSqAhk4/s400/keresztury1.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 23)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/13/romance-excerto-23/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/13/romance-excerto-23/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 23:34:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[amarrada]]></category>
		<category><![CDATA[amor de escrava]]></category>
		<category><![CDATA[aos pés do dono]]></category>
		<category><![CDATA[bar Justine]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[marcada]]></category>
		<category><![CDATA[possuída]]></category>
		<category><![CDATA[sexo anal]]></category>
		<category><![CDATA[sexo depilado]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=1232</guid>
		<description><![CDATA[Cap. 35: FERRO EM BRASA [ ... ] Raul não ficou surpreendido quando Teresa se ajoelhou à sua frente trazendo nas mãos um embrulho com cerca de setenta centímetros de comprimento. Ao abri-lo, deparou com uma caixa em couro que tinha na tampa o mesmo símbolo que Teresa exibia no piercing do umbigo: uma elipse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1232&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#660000;"><img class="alignright size-medium wp-image-1235" title="brand-st-05-c" src="http://omarkhayyam2.files.wordpress.com/2009/02/brand-st-05-c.jpg?w=205&#038;h=217" alt="brand-st-05-c" width="205" height="217" />Cap. 35: FERRO EM BRASA</span></p>
<p><span style="color:#660000;">[ ... ] Raul não ficou surpreendido quando Teresa se ajoelhou à sua frente trazendo nas mãos um embrulho com cerca de setenta centímetros de comprimento. Ao abri-lo, deparou com uma caixa em couro que tinha na tampa o mesmo símbolo que Teresa exibia no </span><em>piercing</em><span style="color:#660000;"> do umbigo: uma elipse longa, aberta nos extremos, em que se inscreviam as iniciais </span><span style="color:#660000;font-family:Gungsuh;">RM</span><span style="color:#660000;"> [ ... ]. A caixa era um estojo, e alojado nele encontrava-se um ferro de marcar gado: um belo objecto, com o cabo em raiz de nogueira, uma haste em aço inoxidável, e na ponta o mesmo design que estava gravado na tampa. Raul tirou o ferro do lugar: lá estava a elipse, lá estavam as iniciais do seu nome [ ... ]. Gravadas ao longo da haste, podiam ler-se as palavras </span><em>Made in the USA by Unionized Labor</em><span style="color:#660000;">. </span><em>Um ferro de marcar gado,</em><span style="color:#660000;"> pensou Raul; e a sua única propriedade a que se podia chamar gado estava ali mesmo, ajoelhada à sua frente, perscrutando-lhe o rosto.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Este ferro – disse Raul – és tu a dizer-me que não passas duma cabeça de gado.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– E acaso sou mais do que isso? – perguntou Teresa. – Acaso desejo ser mais do que isso?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;"><em>Teresa, implacável Teresa. Lúcida, consistente, intransigente Teresa. Incapaz de um eufemismo.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Tens a certeza? – perguntou Raul. – É isto que queres?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Há muito tempo que tenho a certeza, meu senhor.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Não podia ser uma tatuagem? Seria permanente na mesma, e dar-me-ia um prazer igual.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Perdoa, meu senhor – disse Teresa – mas desta vez não é do teu prazer que se trata.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Raul ergueu uma sobrancelha:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Nem do teu, espero?!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Não, meu senhor – disse Teresa. – Do meu, ainda menos. Posso contar-te uma coisa? Quando foi o incêndio no <em>Luna Rossa</em>… O Ettore e eu tínhamos combinado que no dia seguinte eu ia fazer uma tatuagem, um “T” de “Tedeschi”. Mas houve o incêndio, e tudo mudou. Anos mais tarde, quando começou a parecer-me possível voltar a ter um senhor, veio-me um pressentimento, uma certeza, sei lá, que se isso acontecesse ele me marcaria a fogo. Essa certeza manteve-se sempre, mas começou a estar cada vez menos presente no meu espírito… até ao incêndio do <em>Red Moon,</em> que trouxe tudo de volta. E agora esse senhor és tu. Falei em pressentimento, mas exprimi-me mal, não é bem isso: é como se essa marca já estivesse invisível no meu corpo desde o <em>Luna Rossa</em> e tivesse chegado agora a altura de a tornar visível. Uma tatuagem seria uma falsificação, um sucedâneo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;"><em>E para ti,</em> pensou Raul, <em>um sucedâneo é tão desprezível como um eufemismo…</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– O teu domínio queima, meu senhor – prosseguiu Teresa. – Sempre senti isso. Um bocado de tinta aguada não me designaria como coisa tua. Mas uma marca a fogo no meu corpo transformar-nos-ia [ ... ].</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;"><em>Mais um risco a correr, portanto,</em> pensou Raul. <em>Todas as fichas numa jogada. Porque não me pedes antes que arrisque a minha vida? Arriscá-la-ia por ti, de bom grado.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Já pensaste na dor que vais sofrer? – perguntou.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Há meses que penso nela, meu dono, e morro de medo. Mas o medo não é importante.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Vai ser muito, muito pior que qualquer chicote. Estás preparada para isto?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Não, meu senhor, mas estarei na altura. [ ... ]. Para mim, ser marcada pela tua própria mão seria a maior felicidade do mundo. Quando Manfredi mandou marcar a Chiara…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– A Chiara está marcada a fogo?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Está, sim, meu senhor. Foi marcada nos Estados Unidos, o <em>Avvocato</em> não quis ser ele a fazê-lo…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Nos dias que se seguiram, Raul teve que decidir o que faria. Marcar uma escrava com um ferro em brasa era uma ideia que sempre se tinha situado, para ele, no campo da fantasia. Neste campo, dava-lhe prazer. Mas agora era chamado a considerar essa ideia como uma possibilidade real [ ... ]. Agora que tinha que decidir, tinha que se interrogar. A questão menos importante era se a perspectiva lhe dava prazer: admitia que sim, mas era um prazer sem o qual podia bem passar, e enormemente desproporcional à dor de Teresa. Traria este acto algum benefício para Teresa, para ele próprio, ou para os dois? Se o trouxesse, seria enorme; mas também o custo seria enorme, se o acto se revelasse desastroso. Tinha ele a coragem necessária? [ ... ] O processo era seguro? Estava sujeito a consequências indesejadas? Que precauções exigia? Como se executava na prática? Raul ignorava isto tudo, e não ia marcar Teresa a ferro quente sem estar completamente seguro do que fazia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">[ ... ].</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Ao mesmo tempo que se entregava a esta introspecção, Raul procurava obter toda a informação objectiva que o pudesse ajudar. O primeiro elemento desta informação, encontrou-o logo na embalagem do ferro: uma folha de instruções pormenorizada, que contemplava não só a utilização do instrumento em animais, mas também em seres humanos. Na Internet, a informação que encontrou era incompleta e contraditória: não podia fiar-se nela. Não podia perguntar a um médico, por razões óbvias. [ ... ]. Telefonou a Manfredi, que confirmou a importância que este ritual teria para Teresa. Compreendia as dúvidas de Raul, simpatizava com elas, mas só podia ajudar na vertente prática: queria Raul que ele, Manfredi, lhe aparecesse no Porto acompanhado por um especialista de confiança? Raul respondeu que sim, mas que se reservava, até ao último minuto, a escolha de abortar a operação.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>Of course</em> – respondeu Manfredi [ ... ].</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Entretanto, a vida prosseguia. Menos de uma semana depois de regressar do Brasil, Teresa voltou às aulas de <em>pompoar</em>. Muitas colegas suas estavam já adiantadas nos exercícios com vibrador, mas Teresa voltou atrás por recomendação da professora, e na primeira aula fez exercícios sem instrumentos e com bolas <em>ben-wa</em>. Achou esta precaução exagerada: nessa tarde, quando chegou a casa, introduziu na vagina o vibrador ligado. Para sua surpresa, sentiu um pouco de dor, devida talvez ainda à colocação dos <em>piercings</em>; mas aquele outro sofrimento que tanto se parecia com prazer tinha desaparecido quase por completo. <em>Se consigo meter este,</em> pensou, <em>mais facilmente meterei o óvulo, que é mais pequeno</em>… Tomou uma decisão: no dia seguinte, antes de sair para a aula de dança do ventre, introduziu na vagina o óvulo de controlo remoto. Entregou o controlo a Ana e pediu-lhe que carregasse algumas vezes no botão, o mais possível de surpresa, enquanto a lição durasse [ ... ].</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Quando é que chega o homem do gado? – perguntou Ana depois da aula.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– O quê? – disse Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Poça! Gado rachado, como nós as duas. O americano que marca gado rachado.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Teresa não pôde deixar de se rir da formulação escolhida por Ana.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Chega amanhã de manhã, via Newark. Vai o Raul buscá-lo com o <em>Avvocato</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– O <em>Avvocato</em> está cá? Gostava de o conhecer.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Chega logo à noite, com a Chiara.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– E tu, estás preparada?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Quem é que pode dizer que está preparado para uma coisa destas? – disse Teresa. – Claro que não estou preparada: estou aterrorizada. Mas o que manda não é o meu terror, é a minha vontade.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– A tua? – disse Ana. – Não é a do teu dono?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– A minha vontade subjuga-se à do meu dono [ ... ]; mas se a minha vontade não fosse mais forte que o meu medo, pensas que poderíamos levar isto por diante?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">[ ... ].</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">O americano chamava-se Zebediah Pyke. Vinha de sapatilhas, blusão e boné de <em>baseball</em>; só o rosto, talhado a machado, e a pele curtida, faziam lembrar [um <span style="font-style:italic;">cowboy</span>]. Trazia uma quantidade enorme de bagagem, muito mais do que seria de esperar para uma estadia de quatro dias. Reconheceu imediatamente Manfredi e saudou-o com um “<em>Hi, Orrie</em>” que deixou o <em>Avvocato</em> imperturbável.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>Hi, Zeb</em> – respondeu. – <em>This is Raul Morgado</em>. Raul, o Zeb chama-me Orrie porque o meu nome próprio é Orazio.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Isto era novidade para Raul, que simpatizou com o à-vontade de Zeb.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>Hi, Raul</em> – disse o americano, pronunciando “Rol”; e apertou-lhe a mão com firmeza.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">[ ... ].</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">No apartamento, passaram à conversa séria. Primeiro: sabia Teresa o que estava planeado e no que consistia? Então que o descrevesse pelas suas próprias palavras. Consentia nesse procedimento? Consentia em que a marca lhe fosse aplicada por Raul, apesar de aconselhada em contrário? Sabia que o processo era extremamente doloroso? Teresa respondeu que sim a tudo, e Zeb pediu-lhe que assinasse um documento nesse sentido. Quanto a Raul, Zeb tinha sido informado que ele se reservava o direito de abortar o procedimento até ao último minuto; mas, caso o fizesse, teria que o pagar na mesma por inteiro. Estava de acordo? Raul respondeu que sim. Zeb faria todos os esforços para que Raul adquirisse a competência necessária para marcar a sua escrava; mas se no fim não o considerasse competente, marcá-la-ia ele próprio, ou sairia sem se responsabilizar pelo que acontecesse a seguir. Estava Raul também de acordo com isto?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Raul pediu um momento para falar a sós com Teresa e retirou-se com ela para o escritório [ ... ]. Quando regressaram à sala, Raul perguntou se podia ver a marca de Chiara.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Mostra – disse Manfredi à mulher.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">A <em>Dottoressa</em> Chiara Manfredi era uma senhora elegante de meia-idade, com o cabelo louro cortado à pajem, deixando a nuca a descoberto; naquele dia, trazia blusa de seda, saia pelo joelho, um pouco travada, e sapatos rasos: era em tudo uma profissional discreta, uma académica respeitada. Sem hesitar nem perder o aprumo, desapertou um fecho ao lado da saia e tirou-a pelos pés, desvendando umas calcinhas brancas rendadas. Quando as baixou, Teresa compreendeu porque nunca lhe tinha visto a marca: eram apenas duas pequenas iniciais, <span style="font-family:'Monotype Corsiva';">O<em>M,</em></span> em estilo cursivo e sem bordadura. Estavam inscritas na púbis depilada, onde qualquer biquíni reduzido as esconderia. Era uma marca bonita, um pouco em relevo e apenas mais rosada do que a pele em redor; e o lugar em que estava gravada também era bonito: um monte-de-vénus mais saliente e rechonchudo do que a magreza de Chiara faria prever.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">A um sinal de Manfredi, Chiara vestiu-se de novo. Zeb perguntou se podia ver o ferro [ ... ]<span lang="EN-GB">. </span>Ainda bem que a elipse era aberta nas pontas e que o arco do <span style="font-family:Gungsuh;">R</span> era também aberto. Isto reduzia o risco de que a pele não queimada viesse agarrada quando o ferro fosse retirado [ ... ]. O tamanho da marca limitava os lugares onde podia ser aplicada: com dez centímetros de largura e sete de altura, teria que ser nas nádegas. O melhor lugar seria a parte de cima, um pouco abaixo dos rins, mas este não era um lugar discreto: seria visível quando Teresa usasse um biquíni ou qualquer peça de roupa muito decotada atrás.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Não me importa a discrição – respondeu Raul. – Uma marca é para se ver. Vamos marcá-la aí.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">[ ... ].</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Para essa tarde, Zeb ia necessitar de um espaço onde se pudesse acender um fogareiro. Depois de verificar que o apartamento de Raul dispunha de um terraço adequado no último andar, quis saber se o mesmo existia no lugar onde ele pensava marcar Teresa. Raul telefonou à Baronesa e ela assegurou-lhe que o <em>Justine</em> dispunha dum pequeno espaço nas traseiras e de um fogareiro. A questão seguinte, disse Zeb, era onde amarrar Teresa: teria que ficar perfeitamente firme e imóvel [ ... ]. Raul levou-o ao quarto dos castigos e mostrou-lhe o móvel que mandara fazer: uma mesa de comprimento igual à altura de Teresa e largura igual à das suas ancas, com aros de latão a toda a volta e uma ranhura funda na espessura do tampo. Tal como as outras peças de mobiliário, estava aparafusada ao chão. Milena foi despachada para comprar a fita de embalagem autocolante que era necessária para a primeira lição de Raul: como prender a sua escrava de modo a que ficasse perfeitamente imóvel. Enquanto esperavam, Teresa, meio perdida num nevoeiro de apreensão, só prestou atenção a Chiara, quando esta contou como tinha sido marcada. Tinha sido num rancho perto de Houston. Tinham-na levado para um telheiro e amarrado a uma banca de barriga para cima. Zeb interrompeu para dizer que essa era a sua posição preferida para marcar a fogo uma mulher, porque era aquela em que era mais fácil e mais rápido prestar-lhe os primeiros cuidados depois de a marcar. Orazio, continuou Chiara, decidira vendar-lhe os olhos. Depois tinha-se sentado junto dela, falando-lhe baixinho ao ouvido, chamando-lhe nomes ternos, fazendo-lhe perguntas sobre recordações passadas. Chiara não conseguia deixar de pensar no ferro em brasa, mas, quando Manfredi insistia nas perguntas, tinha que fazer um esforço para lhe responder: só isto a tinha impedido de se entregar ao pânico. A dor tinha sido a pior que jamais sofrera, mas tinha passado; e a marca era tão bonita, não era? Teresa reconhecia vagamente que a marca era bonita; mas aquela dor terrível, que já tinha passado para Chiara, estava ainda seu no futuro [ ... ]. Não duvidava, nem da sua coragem, nem da de Raul. Chegado o momento, tinha a certeza que Zeb autorizaria que o seu dono a marcasse pela sua própria mão; acreditava apaixonadamente que o que se ia fazer era o melhor para Raul e para si própria; mas não se podia impedir de ficar ensimesmada como um soldado na trincheira, nas horas que antecedem o ataque.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Quando Milena chegou com a fita autocolante, Zeb pediu-lhe que começasse a preparar o braseiro, tarefa esta em que Chiara se propôs ajudar. A Raul, a Teresa e ao <em>Avvocato,</em> pediu que o seguissem até ao quarto dos castigos e levassem o ferro. Pediu ainda a Teresa que se despisse e se deitasse na banca de barriga para baixo com as pernas um pouco afastadas. Para o que iam fazer a seguir, não era preciso amarrá-la, mas esta era a posição em que tudo ia acontecer. Antes de mais nada, Raul tinha que aprender a pegar no ferrol: os dedos firmemente à volta do cabo de madeira, segurando-o virado para baixo. Raul pôs-se do lado em que queria marcar Teresa, que era o esquerdo, e segurou o ferro por cima dela com a haste em posição vertical. Não, disse Zeb: o ferro tem que ficar perpendicular à pele e não ao tampo da mesa. Raul que reparasse: ali, onde ele queria a marca, o corpo dela tinha um declive.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Raul aproximou o ferro da nádega de Teresa, mas Zeb disse que era demasiado perto. Se parasse o ferro ali, Teresa sofreria inutilmente, porque sentiria a queimadura com antecedência. Devia pôr o ferro em posição um pouco acima, aí a quatro polegadas. Quatro polegadas era o quê? Dez centímetros? Raul tentou executar à letra as instruções de Zeb, que não pareceu insatisfeito com o primeiro resultado. Manfredi, que os estava a observar, reparou que o americano estava tão atento às expressões e à linguagem corporal de Raul como ao seu desempenho. <em>Está à procura de sinais de nervosismo excessivo</em>, pensou. Mas em parte estava enganado: Zeb estava também atento a sinais de nervosismo insuficiente. Se os notasse em Raul, abortaria o processo da mesma maneira que o abortaria por nervosismo a mais.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Depois de treinar duas ou três vezes o posicionamento inicial, era altura de treinar o contacto entre o ferro e a carne. Primeiro o movimento, que tinha que ser rápido, preciso, uniforme e em linha recta. Depois a pressão adequada: firme, mas não exagerada. Não, assim não chegava. Não, assim era demais. Assim estava bem, podia repetir. Depois, a duração: três segundos no mínimo, no máximo cinco.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– E como é que decido entre três e cinco? – perguntou Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>Good question</em> – respondeu Zeb. – Viu a marca de Chiara? Quando a fiz, mantive o contacto por três segundos. Se quer que a sua escrava fique com uma marca mais nítida e mais escura, deve manter o contacto por quatro ou cinco segundos; <em>but let me have another look at the iron</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Revirou o ferro nas mãos, medindo com os olhos todos os espaços entre as linhas, e concluiu:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Quatro segundos é melhor. Com cinco, podíamos ter problemas ao retirar o ferro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">[ ... ].</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Quando Zeb se deu por satisfeito, passou à lição seguinte: como amarrar Teresa. O objectivo, explicou, era segurá-la de modo a que lhe fosse de todo impossível mover as nádegas, mas de modo também a que fosse possível libertá-la instantaneamente em caso de necessidade.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– E de onde pode provir essa necessidade? – perguntou Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">A necessidade podia provir de Teresa entrar em estado de choque. Se isto acontecesse, seria preciso prestar-lhe os primeiros socorros adequados. Se estes não resultassem, o que era muito improvável, seria preciso prestar-lhe os cuidados médicos que ele, Dr. Zebediah Pyke, diplomado pela <em>Harvard Medical School</em>, e membro da <em>American Medical Association</em>, estava habilitado e equipado para prestar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Equipado? – perguntou Raul. – Quer dizer que tem medicamentos nessa maleta?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Medicamentos e outras coisas, tudo documentado de modo a passar na alfândega na mais absoluta legalidade. <em>Don’t worry</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Mas se a Teresa entrar em choque…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Não vou entrar em estado de choque nenhum – disse Teresa, com tão absoluta segurança que ninguém ousou acrescentar uma palavra a este pronunciamento.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Continuemos – disse Raul por fim.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Zeb ordenou que Teresa mantivesse os braços cruzados a fazer de almofada. Nesta posição, atou-lhe os antebraços um ao outro com duas voltas de corda rematadas por um simples laço. Usou os mesmos laços de puxar pela ponta para lhe prender os cotovelos e os pulsos a dois aros de latão. Qualquer pessoa poderia desamarrar Teresa em segundos, ou ela própria em minutos. Raul e Manfredi acharam este sistema demasiado frágil para imobilizar completamente uma pessoa, mas não disseram nada. Zeb explicou que nesta fase não lhe interessava a imobilidade completa de Teresa, mas sim definir a sua posição: o importante era que os nós pudessem ser desfeitos instantaneamente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Não vou <em>mesmo</em> entrar em estado de choque – disse Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Raul e o <em>Avvocato</em>, que a conheciam, começaram a acreditar nela, mas Zeb prosseguiu como se ela não tivesse falado. Atou-lhe os tornozelos com a mesma desenvoltura com que lhe tinha atado os pulsos; bastaria que ela se debatesse um pouco para ficar livre. Atou-lhe a parte superior de cada coxa ao aro de latão mais próximo, e depois a parte inferior, junto ao joelho.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>Fourteen granny knots </em>– disse Zeb, como que falando consigo mesmo – Catorze lacinhos. Conte-os você mesmo, Orrie. Quantos são?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Orazio Manfredi obedeceu conscienciosamente e concluiu:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>They’re fourteen alright, Zeb</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>Very well</em> – disse o Dr. Zebediah Pyke. – Se eu der a ordem de desatar, não pense noutra coisa que não seja em desatá-los, e depressa. Comece pelos braços. OK?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>That’s OK, Zeb</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">O que verdadeiramente ia segurar Teresa era a fita adesiva. Zeb começou por lhe prender a cintura, dando várias voltas por cima e por baixo da banca. Depois prendeu-lhe a pélvis, as coxas e os ombros, por baixo dos braços. Quando Zeb lhe mostrou o X-acto que tinha pousado na banca, Raul compreendeu que as ranhuras no rebordo eram para que a fita ficasse em falso e fosse possível cortá-la num segundo. Com Teresa assim amarrada, Zeb quis que Raul repetisse o treino com o ferro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Sente a diferença? – perguntou.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Raul sentia uma diferença, com efeito. A inclinação da pele era agora ligeiramente diferente. Também a consistência da carne, assim amarrada, era outra: era preciso um pouco mais de força.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">O treino da manhã terminou assim. Milena serviu o almoço. Zeb levantou-se algumas vezes para ir ao pátio ver como estava a progredir o braseiro, juntando-lhe eventualmente mais um pouco de carvão. O aço é um mau condutor do calor, o que significa que é difícil aquecer a zona de queima até uma temperatura uniforme. Zeb rejeitou a sugestão de aquecer o ferro nos bicos de gás: umas partes ficariam quentes demais enquanto outras não o ficariam o suficiente. O melhor processo era o braseiro: introduzir a zona de queima no meio das brasas, deixar de fora a maior parte da haste, virar o ferro periodicamente e esperar até que a zona de queima apresentasse uma cor entre o cinzento escuro e o vermelho. Enquanto o ferro aquecia, trouxe para o quarto dos castigos umas almofadas em cabedal muito fino.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Tome o peso a isto – pediu ele a Raul, passando-lhe para as mãos uma delas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– É pesada – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Era pesada porque estava cheia de silicone de modo a imitar a consistência do corpo humano. De cada vez que Zeb treinava alguém, destruía várias destas almofadas, e esta era uma das razões por que os seus serviços eram tão caros.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Estou a ver – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Zeb pediu-lhe que fosse buscar o ferro que estava a aquecer no pátio; Raul que não se apressasse: durante o percurso, o ferro quase não perderia calor. Entretanto prendeu uma almofada à banca e, quando Raul regressou, disse-lhe:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>Here’s your female</em>. Agora marque-a.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Raul fez tudo errado. Não pôs o ferro na posição correcta nem à distância certa, aproximou-o numa linha irregular, que tentou corrigir tarde demais; suou, a mão tremeu-lhe, e ao fim dos quatro segundos retirou o ferro com um movimento hesitante, como que a medo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>I’ve seen worse</em> – foi o único comentário de Zeb.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Mas a Raul pareceu-lhe que era impossível pior: a marca que tinha deixado na almofada era uma coisa feia e informe. A ideia de que Teresa pudesse passar o resto da vida com semelhante deformidade no corpo punha-o doente. Enquanto o ferro voltava a aquecer, passou em revista os seus erros. Na almofada havia ainda espaço para mais duas ou três tentativas: a segunda resultou muito melhor do que a primeira, mas ainda assim Zeb teve um defeito a apontar:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Está a ver aqui a linha indistinta? É onde a sua mão tremeu durante o contacto. Terá que fazer muito melhor para eu o deixar aproximar-se duma mulher a sério.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Quando Raul conseguiu dez marcas perfeitas seguidas, Zeb deu o dia por concluído e explicou-lhe como se limpava o ferro [ ... ].</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Nessa noite, Raul parecia sentir uma fascinação especial pelas nádegas de Teresa e ela pelas mãos dele, que beijou mais vezes nessa noite do que habitualmente numa semana. Depois de se terem abraçado e beijado longamente, e quando Teresa, já toda aberta e molhada, se preparava para receber na vagina o seu senhor, ouviu-o dizer:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Dá-me o teu cuzinho, escrava…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Com um gemido que era ao mesmo tempo de ansiedade e frustração, Teresa procurou na mesinha de cabeceira o frasco de gel. Ela própria lubrificou o pénis do dono, mas, quando lhe ofereceu o frasco, ele recusou, dizendo:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Faz tu, escrava.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Guiando-se só pelo tacto, Teresa aplicou o gel no seu próprio ânus, tendo o cuidado de não se atrapalhar com a pressa: se ficasse mal lubrificada, seria ela a sofrer. A penetração foi dolorosa, como ela esperava, e Raul não lhe acariciou o sexo enquanto a possuía por trás; e contudo, pela primeira vez na vida, sentiu nesta penetração prazer suficiente para a levar a um orgasmo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Meu senhor, posso vir-me?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Raul, um pouco surpreendido, autorizou-lhe o clímax e, quando lhe sentiu os primeiros espasmos, esvaiu-se também dentro dela.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">O dia seguinte começou com várias repetições do amarrar e desamarrar de Teresa. Durante a tarde, Raul treinou com o ferro quente, destruindo mais umas tantas almofadas de silicone. As marcas saíram todas perfeitas, apesar de Raul continuar a dar alguns sinais de nervosismo. Agora que tivera tempo para pensar, o <em>Avvocato</em> entendia porque é que Zeb preferia um Raul ligeiramente nervoso a um Raul perfeitamente calmo: é que na hora da verdade não estaria calmo de certeza, e apesar dos nervos teria que fazer bem o seu trabalho. Ao fim da tarde, Zeb deu-se por satisfeito: declarou que ia aproveitar a manhã do dia seguinte para conhecer um pouco o Porto e despediu-se. Às seis da tarde de sábado, alguém o iria buscar para o levar ao <em>Justine</em>, onde daria a Raul um ligeiro treino final antes da cerimónia, que teria lugar às nove e meia. Estariam presentes, como testemunhas: bondarina e o seu Dono; a Baronesa e o seu submisso; kathy e o seu Dono; Ana e Miguel; a professora de dança do ventre de Teresa – que esta, num impulso de última hora, se atrevera a convidar, e que, para sua surpresa, aceitara; Orazio e Chiara Manfredi; e Carolina, que adivinhara que algo do género estava para acontecer e pedira para assistir.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">No sábado, a seguir ao almoço, Igor apresentou-se em casa de Raul, acompanhado pelo submisso da Baronesa, para ajudarem a desaparafusar a banca e a pô-la na carrinha alugada. O submisso da Baronesa, apesar do seu aspecto frágil, e o <em>Avvocato</em>, apesar da idade, ajudaram; e pouco depois a banca estava no <em>Justine</em>, aparafusada ao chão no lugar que ocuparia de futuro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Enquanto Zeb e os convidados não chegavam, Teresa foi o centro das atenções. Igor, bondarina, a Baronesa, Raul, todos a rodeavam e mimavam, arrancando-lhe um débil sorriso ou uma curta frase. Às seis, chegaram o <em>Avvocato</em> e Chiara trazendo Zeb. Às nove, prepararam-se para a chegada dos convidados: competiria a Teresa recebê-los e a cumprimentá-los à porta, toda nua por baixo duma capa comprida, segura no pescoço só por um botão. Às nove e meia, o braseiro, no pátio, estava aceso; e o ferro de marcar gado estava à temperatura certa. Zeb, ao chegar, disse que era seu dever perguntar a Raul se queria Teresa anestesiada. Teresa, muito pálida, acenou que não com a cabeça, e Raul recusou a oferta. Zeb perguntou se podia, nesse caso, dar-lhe um sedativo que não a poria a dormir mas lhe reduziria o medo. Teresa voltou a acenar que não, mas desta vez Raul aceitou. A Baronesa pôs música a tocar – Canto Gregoriano – e os convidados sentaram-se. Teresa dirigiu-se para junto da banca, tirou a capa, que entregou a Chiara, ajoelhou-se nua aos pés de Raul para lhe beijar as mãos e os pés, e ergueu-se de novo. Na sala, ninguém falava. Do outro lado da banca, estava Zeb, e junto ao topo o <em>Avvocato</em>: Teresa fez uma vénia a cada um e disse-lhes “obrigada por tudo” em voz sumida. Depois deitou-se de bruços na banca, onde os três a amarraram e amordaçaram. Zeb procurou-lhe uma veia nas costas da mão. Teresa sentiu a picada e logo depois sentiu-se relaxar: dava-se conta de tudo, mas tudo parecia muito longe.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;"><em>Os dados estão lançados,</em> pensou Raul. <em>Rien ne va plus.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Chiara dirigiu-se ao pátio, de onde voltou para anunciar que o ferro estava pronto. Teresa não viu o sinal de Zeb: viu Raul sair do seu campo de visão e ouviu-lhe os passos no regresso, rodeando a banca pelo lado oposto. Não viu o ferro, mas imaginou-o, a haste em aço claro, a ponta vermelha-escura. Começou a respirar o mais devagar e o mais profundamente que podia, como lhe ordenava Zeb numa voz calma, quase hipnótica. Sentiu Raul de pé, junto ao seu flanco esquerdo; de onde ele estava, irradiava o calor do ferro, que ela sentia à distância. Esta sensação de calor intensificou-se subitamente: agora era quando ele punha a superfície de queima em posição. Teresa procurava manter a respiração funda e lenta que Zeb lhe prescrevera, quando de repente a trespassou uma dor imensa que lhe fez perder a vista, que lhe endoidou a vista e a fez ver a sala toda branca, como se a luz de mil sóis a tivesse inundado. Ouviu, muito ao longe, a voz de Raul, que contava até quatro. Não sentiu a retirada do ferro, nem reparou quando Zeb lhe levantou as pálpebras para lhe ver os olhos. Antes de a desamarrarem, puseram-lhe um penso. A dor abrandou. Depois sentiu a picada duma injecção na outra nádega: é para a dor, disse Zeb. Passado um bocado, a dor abrandou mais um pouco.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>Perfect</em> – disse Zeb.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Se alguém viu Teresa sorrir um pouco neste momento, por certo não acreditou nos seus olhos. Mas ela sorriu porque tinha um segredo: Raul tinha passado o teste a que ela o sujeitara. E ela própria também. O que era uma queimadura, por dolorosa que fosse, comparada com isto? Mas a dor ainda era intensa. Teresa descobriu que, se voltasse a respirar fundo e lentamente, a dor se tornava mais fácil de suportar. Começou a tomar uma consciência mais nítida das coisas. Alguém a beijou no rosto: era Chiara. Depois Raul, muito pálido:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Estás bem?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Teresa tentou um sorriso:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Estou bem.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Amo-te muito, minha escrava  – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Teresa sentiu o coração a bater com mais força, e Zeb, que lhe tomava o pulso e olhava para o relógio, sorriu levemente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Amo-te tanto, meu dono!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">E todos a devem ter ouvido, porque o ambiente da sala mudou: estava agora mais enfeitado de sorrisos, como se todos os presentes partilhassem um triunfo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Vamos sentá-la – disse Zeb.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Com várias mãos a ajudá-la, Teresa sentou-se na banca onde tinha sido marcada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Põe a cabeça entre os joelhos e respira fundo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Passado um bocado, perguntaram-lhe se conseguia levantar-se e ela fez que sim com a cabeça. Lentamente, conduziram-na para uma cadeira onde a sentaram, ainda nua, e lhe lançaram uma manta por cima.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– É preciso vesti-la – disse alguém.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– <em>Give her time</em> – respondeu Zeb. – Daqui a pouco, ela própria vai conseguir vestir-se.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Mediu-lhe  a tensão arterial, os batimentos cardíacos e a temperatura: estava tudo normal. Teresa olhou à sua volta: onde estava Carolina? Viu-a de pé, pálida, a suar e agarrada às costas de um sofá para não cair.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– A minha irmã não está bem, ajudem-na.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Em dois passos rápidos, Zeb pôs-se junto de Carolina, sentou-a e agachou-se para lhe ver os olhos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;"><span lang="EN-GB">– <em>Can you see me? Who am I?</em> – perguntou.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Zeb – disse Carolina.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Zebediah notou como a respiração se normalizava e como a cor lhe voltava ao rosto.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Tragam-lhe um pouco de água – ordenou.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Depois fez-lhe os mesmos exames que fizera a Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;"><span lang="EN-GB">– <em>She’s gonna be alright</em> – concluiu.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">Quando Teresa se sentiu melhor, pediu a bondarina que a ajudasse a vestir-se e que a trouxesse depois para junto da irmã.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;">– Deixem-nos um momento sozinhas – pediu.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#660000;"><span style="font-family:'Times New Roman';">Do outro extremo da sala não se podia ouvir o que estavam a dizer; mas, pelos gestos e expressões, a conversa pareceu dividir-se em várias fases: primeiro, Carolina pegou na mão de Teresa; depois pareceram zangadas; a seguir foi Teresa a pegar na mão de Carolina; por fim abraçaram-se, e Carolina desatou num choro desabalado que só pouco a pouco, sob os beijos da irmã, foi acalmando. Por fim, à hora de abrir o clube e deixar entrar os clientes, estavam as duas numa conversa amena: igual, para quem visse, a qualquer outra conversa entre duas irmãs que se dão bem.</span></p>
<br /> Tagged: amarrada, amor de escrava, aos pés do dono, bar Justine, escrava, marcada, possuída, sexo anal, sexo depilado, sofrer <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1232/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1232&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/13/romance-excerto-23/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://omarkhayyam2.files.wordpress.com/2009/02/brand-st-05-c.jpg?w=281" medium="image">
			<media:title type="html">brand-st-05-c</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Desabafo de Mulher Moderna</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/10/desabafo-de-mulher-moderna/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/10/desabafo-de-mulher-moderna/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 22:31:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[servir o dono]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=1210</guid>
		<description><![CDATA[Encontrei este texto no blog Os Meus Desejos da Angell, que por sua vez o encontrou noutro lado e e não resistiu a transcrevê-lo. Ela achou-o delicioso, e eu também. A ilustração é tirada do mesmo blog. São 6h&#8230; O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede&#8230; [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1210&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-1211" title="amelia" src="http://omarkhayyam2.files.wordpress.com/2009/02/amelia.jpg?w=160&#038;h=218" alt="amelia" width="160" height="218" /><span style="color:#cc33cc;">Encontrei este texto no blog</span> <a href="http://angellpepper.zip.net/arch2009-01-18_2009-01-24.html#2009_01-21_13_40_34-122721656-0">Os Meus Desejos</a> <span style="color:#cc33cc;">da Angell, que por sua vez o encontrou noutro lado e e não resistiu a transcrevê-lo. Ela achou-o delicioso, e eu também. A ilustração é tirada do mesmo blog.</span></p>
<p><span style="color:#ff6600;font-style:italic;">São 6h&#8230; O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede&#8230; Estou tão cansada, não queria ter que trabalhar hoje, queria ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando. Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas.. . Aquário? Olhando os peixinhos nadarem. Se eu tivesse tempo gostaria de fazer alongamento&#8230;brigadeiro&#8230;tudo, menos sair da cama e ter que engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar. Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a infeliz matriz das feministas que teve a estúpida idéia de reivindicar direitos de mulher, queria saber PORQUE ela fez isso connosco,  que nascemos depois dela&#8230; Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós. Elas passavam o dia a bordar, trocar  receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de  remédios caseiros, lendo bons livros, decorando a casa, podando árvores, plantando    flores, colhendo legumes da horta, educando as crianças, frequentando saraus, ENFIM, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária.  Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã nem tão pouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconsequentes com idéias mirabolantes sobre &#8216;vamos conquistar o nosso espaço&#8217;!!! Que espaço, minha filha??? Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo aos seus pés. Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, pra tudo!!! Que raio de direitos requerer? Agora eles estão aí, são homens todos confusos, que não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo foge da cruz&#8230; Essa brincadeira de vocês acabou nos enchendo de deveres, isso sim. E nos lançando no calabouço da solteirice aguda. Antigamente, os casamentos duravam para sempre, tripla jornada era coisa do Bernard do vôlei &#8211; e olhe lá, porque naquela época não existia Bernard do vôlei. POR QUE???..me digam PORQUE um sexo que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo? Olha o tamanho do  biceps deles, e olha o tamanho do nosso. Tava na cara que isso não ia dar certo!!! Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar  hidratantes, escolher que roupa vestir, e que sapatos combinar, que acessórios usar&#8230; tão cansada de ter que disfarçar meu humor, que sair sempre correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas que nem são meus!!! E como se não bastasse, ser fiscalizada e cobrada (até por mim mesma) de estar sempre em forma, sem estrias, depilada, sorridente, cheirosa, com as unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, e especializações (uffff!!!). Viramos supermulheres e continuamos a ganhar menos do que eles&#8230; Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço? CHEGAAAAAAA!! Eu quero alguém que pague as minhas contas, abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela&#8230; Ai, meu Deus, já são 6:30,tenho que levantar!&#8230; , e tem mais, quero alguém que chegue do trabalho, sente no meu sofá, coloque os pés pra cima e diga &#8216;meu bem, me traz um cafezinho, por favor?&#8217;, descobri que nasci para servir. Vocês pensam que eu tô ironizando? To falando sério! Estou abdicando do meu posto de mulher moderna&#8230;. Troco pelo de Amélia. Alguém se habilita?</span></p>
<p><span style="color:#00cccc;font-size:85%;">Actualização (06/04/09): Fui informado que este texto é da autoria da escritora argentina Maitena.</span><span style="color:#ff6600;font-style:italic;"><br />
</span></p>
<br /> Tagged: servir o dono <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1210/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1210&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/10/desabafo-de-mulher-moderna/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://omarkhayyam2.files.wordpress.com/2009/02/amelia.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">amelia</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Mulher cadela</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/09/mulher-cadela/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/09/mulher-cadela/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2009 17:54:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[cadela]]></category>
		<category><![CDATA[coleira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=1204</guid>
		<description><![CDATA[Li um post no blog da Cadela Loura que me fez lembrar um filme dos anos 70 com Catherine Deneuve e Marcello Mastroiani. O filme tem por título «Lisa» e conta a história duma mulher que é expulsa de um iate e vai ter a uma ilha ao largo da Côte D&#8217;Azur. Nesta ilha vive [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1204&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-1207" title="catherine_deneuve_gallery_main" src="http://omarkhayyam2.files.wordpress.com/2009/02/catherine_deneuve_gallery_main.jpg?w=153&#038;h=219" alt="catherine_deneuve_gallery_main" width="153" height="219" /><span style="color:#663300;">Li um post no blog da</span> <a href="http://cadelaloura.blogspot.com/2009/01/vem-ca-vem.htm">Cadela Loura</a> <span style="color:#663300;">que me fez lembrar um filme dos anos 70 com Catherine Deneuve e Marcello Mastroiani.<br />
O filme tem por título «Lisa» e conta a história duma mulher que é expulsa de um iate e vai ter a uma ilha ao largo da Côte D&#8217;Azur. Nesta ilha vive sozinho um homem que ganha a vida como cartunista, acompanhado apenas pelo seu cão.<br />
A personagem feminina fica com ciúmes do cão e faz com que ele se afogue, nadando com ele para tão longe que ele não consiga regressar. Chegada a terra, assume ela própria os deveres do cão: usa coleira, dorme aos pés do dono e vai buscar na boca os paus que ele atira.<br />
Infelizmente, não consegui encontrar este filme editado em DVD. É pena, porque gostava de o voltar a ver.</span></p>
<br /> Tagged: cadela, coleira <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1204/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1204&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/09/mulher-cadela/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://omarkhayyam2.files.wordpress.com/2009/02/catherine_deneuve_gallery_main.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">catherine_deneuve_gallery_main</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Violência Doméstica</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/08/violencia-domestica/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/08/violencia-domestica/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 12:41:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[castigo]]></category>
		<category><![CDATA[domínio]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[submissa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=1195</guid>
		<description><![CDATA[A decência mais elementar exige que nos saibamos pôr no lugar do outro. Isto exige alguma imaginação. Quando me dizem que não posso imaginar um certo sofrimento porque nunca passei por ele, estão-me a negar esta imaginação e a não querer que cumpra o dever moral de me pôr no lugar da outra pessoa. No [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1195&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SY7QkTvhQwI/AAAAAAAAAuM/S3kpg7RI_dM/s1600-h/pic01.jpg"><img style="float:left;cursor:pointer;margin:0 10px 10px 0;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SY7QkTvhQwI/AAAAAAAAAuM/S3kpg7RI_dM/s320/pic01.jpg" border="0" alt="" width="224" height="193" /></a><span style="color:#000066;">A decência mais elementar exige que nos saibamos pôr no lugar do outro. Isto exige alguma imaginação. Quando me dizem que não posso imaginar um certo sofrimento porque nunca passei por ele, estão-me a negar esta imaginação e a não querer que cumpra o dever moral de me pôr no lugar da outra pessoa. No limite, estão a exigir-me que seja um psicopata: alguém que se caracteriza por não compreender que os outros também existem e também sofrem.</span></p>
<p><span style="color:#000066;">Portanto não me vou desculpar pelos exercícios de imaginação que vou fazer neste artigo. É certo que não sou mulher, nem nunca fui vítima de violência doméstica, mas é precisamente nesta situação que me vou tentar imaginar.</span></p>
<p><span style="color:#000066;">Uma mulher vê-se sozinha e sem defesa perante um homem violento e descontrolado. Pelo decurso dos minutos ou horas antecedentes, sabe que vai ser agredida fisicamente &#8211; só não sabe com que gravidade. Pode ser que fique tudo por um par de estalos. Pode ser que inclua murros, pontapés e pauladas, em partes do corpo normalmente cobertas pela roupa. Ou pode incluir o nariz partido, equimoses na cara, lábios rebentados, dentes quebrados. Pode levar a dias, semanas ou meses de hospital.</span></p>
<p><span style="color:#000066;">Pode levar à morte.</span></p>
<p><span style="color:#000066;">E é aqui que eu tento pôr-me no lugar dessa mulher e pergunto a mim mesmo o que é que ela sente. Isto depende, é claro, do modo de ser de cada uma: há mulheres que numa situação destas ficam de tal maneira dominadas pela ira que nem conseguem sentir medo ou dor: se puderem defender-se, defendem-se, e se tiverem acesso a qualquer coisa que possa servir de arma são até capazes de matar o agressor &#8211; que não merece outra coisa. </span></p>
<p><span style="color:#000066;">Outras ficam tão paralisadas pelo terror que não reagem: tentam cobrir com os braços as partes mais vulneráveis do corpo, choram, pedem ao homem que pare, são capazes até, naquele momento, de pedir perdão pelo que não fizeram.</span></p>
<p><span style="color:#000066;">Duma coisa tenho a certeza: nenhuma mulher tem prazer nisto. Haverá quem não concorde com esta afirmação, a começar pelas minhas amigas baunilha com quem converso. São unânimes em dizer que um episódio destes releva do mais puro horror, no que concordo com elas; e são quase unânimes em que o essencial deste horror não está necessariamente na dor física sofrida, mas no descontrolo e na imprevisibilidade da situação; mas quase todas têm histórias a contar duma empregada que tiveram, ou das mulheres da aldeia onde passaram a infância, que apresentam como exemplo da mentalidade do «quanto mais me bates, mais eu gosto de ti» ou, ainda mais chocante, «o meu homem não deve gostar de mim porque nunca me bate». </span></p>
<p><span style="color:#000066;">As minhas amigas baunilha &#8211; mulheres urbanas da classe média ou média alta &#8211; sabem que no seu próprio grupo social há mulheres vítimas de violência doméstica. Compreendem e aprovam que algumas destas mulheres aguentem esta situação até as circunstâncias da vida lhes permitirem separarem-se dos seus agressores; mas não lhes passa pela cabeça que esta separação não tenha lugar logo que possível. O que elas não compreendem é a a mentalidade do «quanto mais me bates» de que falam. E só encontram uma explicação para ela: muitas mulheres pobres, rurais, dependentes ou iletradas gostam de ser vítimas de violência doméstica.</span></p>
<p><span style="color:#000066;">Quanto a mim, as minhas amigas estão enganadas.</span></p>
<p><span style="color:#000066;">Este meu juízo releva mais da imaginação do que da experiência: cresci em meio urbano, nunca assisti a situações de violência doméstica, e nunca nenhuma mulher me fez o tipo de confidências que as minhas amigas baunilha me dizem que já ouviram muitas vezes. Que autoridade tenho, eu, portanto, para falar?</span></p>
<p><span style="color:#000066;">Eu nunca tive esta experiência; mas as minhas amigas baunilha nunca tiveram a experiência que eu tive muitas vezes: a de falar com submissas ou escravas que aceitam, desejam, e muitas vezes necessitam absolutamente de sofrer, e/ou de serem humilhadas, às mão de um Dominante ou de um Senhor. E isto em graus que podem ir do ligeiro ao extremamente severo. O que diferencia estes desejos e estas práticas de situações de violência doméstica é, pela minha experiência, o facto de se tratar de processos controlados. Este controlo pode ser exercido, em situações extremas, pela própria submissa ou escrava (através, por exemplo, dum </span><span style="font-style:italic;color:#000066;">safeword</span><span style="color:#000066;">), mas geralmente é exercido pelo dominante. O que interessa é que há sempre um controlo. E é isto que faz toda a diferença: ao ser castigada, a submissa sente-se segura, ao contrário da vítima de violência doméstica.</span></p>
<p><span style="color:#000066;">E isto leva-me a especular sobre aquelas mulheres a quem as minhas amigas baunilha consideram «primitivas», «ignorantes» e sujeitas a uma tradição injusta que lhes fez uma «lavagem ao cérebro». Serão mesmo assim tão estúpidas, primitivas, influenciáveis e ignorantes? Por mim, tenho dificuldade em presumir a estupidez dos outros como primeira explicação para o que não compreendo.</span></p>
<p><span style="color:#000066;">Talvez o caso seja outro. Talvez a mesma tradição primitiva que dá aos homens, em certos contextos sociais, o direito de bater às mulheres estabeleça, nos mesmos contextos, mecanismos de controlo social que limitem esse direito. Talvez as mulheres que dizem aquelas frases, que tanto indignam as minhas amigas, se possam dar ao luxo de as dizer porque se sentem de alguma maneira seguras. </span></p>
<p><span style="color:#000066;">Se esta minha hipótese estiver correcta, então talvez estas mulheres, que habitam um mundo tão diferente do meu, não sejam tão estúpidas, ignorantes e alienadas como as minhas amigas as consideram; e talvez os homens que lhes batem não sejam sempre bestas enlouquecidas. Talvez uns e outras mereçam da nossa parte algum respeito.</span></p>
<br /> Tagged: castigo, domínio, sofrer, submissa <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/1195/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=1195&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/08/violencia-domestica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SY7QkTvhQwI/AAAAAAAAAuM/S3kpg7RI_dM/s320/pic01.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>LOVE STORY   (3ª e última parte)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/03/love-story-3%c2%aa-e-ultima-parte/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/03/love-story-3%c2%aa-e-ultima-parte/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 12:12:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos eróticos]]></category>
		<category><![CDATA[educar escrava]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[humilhação]]></category>
		<category><![CDATA[pés nus]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor]]></category>
		<category><![CDATA[spanking]]></category>
		<category><![CDATA[submissa]]></category>
		<category><![CDATA[trajo de escrava]]></category>
		<category><![CDATA[vergasta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=528</guid>
		<description><![CDATA[Arminda tinha a chave do apartamento da filha, mas raramente lá ia sem ela lá estar, e nunca sem autorização. Um dia, Joana pediu-lhe que passasse por lá e lhe levasse uma pasta que lá tinha; depois, quando jantassem as duas, poderia entregar-lha, evitando assim que ela tivesse ir a casa primeiro. – Depois de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=528&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:0;color:#993300;"><a href="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYgxb0p97hI/AAAAAAAAAsM/fVmGs4Rp7yE/s1600-h/1579.jpg"><img style="float:left;cursor:pointer;width:243px;height:170px;margin:0 10px 10px 0;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYgxb0p97hI/AAAAAAAAAsM/fVmGs4Rp7yE/s400/1579.jpg" border="0" alt="" /></a>Arminda tinha a chave do apartamento da filha, mas raramente lá ia sem ela lá estar, e nunca sem autorização. Um dia, Joana pediu-lhe que passasse por lá e lhe levasse uma pasta que lá tinha; depois, quando jantassem as duas, poderia entregar-lha, evitando assim que ela tivesse ir a casa primeiro.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Depois de jantar ainda vais para a Faculdade?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Tenho que ir – respondeu Joana. – Há uma coisa que tem que ficar pronta ainda hoje.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Arminda pegou na pasta e já vinha a sair quando uma curiosidade súbita a levou a voltar para trás e ir espreitar o quarto. E viu, sobre a cama, uma vergasta. Era vermelha, revestida dum tecido que parecia o das velas dos barcos. O punho era de cabedal preto, em tiras entrançadas. Na ponta tinha outra tira de cabedal, dobrada sobre si própria. Estava atada a meio com uma fita de seda preta que formava um laço e a identificava como um presente.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">O laço foi o que mais a chocou.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Conduziu o carro até casa tentando controlar o batimento do coração, concentrando-se no trânsito, tentando imaginar toda a espécie de explicações inocentes para o que tinha visto; mas não conseguiu imaginar nenhuma.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Ouve lá – disse à filha, mal ela lhe entrou em casa. – O que é aquilo que estava em cima da tua cama?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Joana nem se deu ao trabalho de perguntar à mãe com que direito lhe tinha ido meter o nariz no quarto.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– É uma vergasta, mãe – respondeu serenamente.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Que é uma vergasta, sei eu. O que não sei é o que está a fazer uma vergasta em cima da tua cama. Foi o Rui que ta deu?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Não, mãe; eu é que a vou dar ao Rui.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Arminda retirou-se de rompante para a cozinha. A filha seguiu-a e começou a ajudá-la em silêncio.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Nunca pensei que o Rui tivesse essa tara de ser vergastado. Nem nunca pensei que uma filha minha se prestasse a essas poucas-vergonhas.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Joana suspirou. Não devia ter deixado a vergasta tão à vista, mas a verdade é que nem sequer se lembrara. Alguma vez teria que ter esta conversa, mas não esperava tê-la tão cedo; e era muito difícil.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– O Rui não gosta de ser vergastado, mãe. Quem vai ser vergastada, sou eu.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;"><em>Pronto, está dito,</em> pensou; <em>agora, seja o que Deus quiser</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Arminda voltou-se para ela, desvairada:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Eu, nunca! Nunca, ouviste?! Nunca admitiria que o teu pai me pusesse um dedo em cima!</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Nem ele o faria, mãe.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Lá nisso, tens tu razão! O fulano pode ser uma besta e um sacana, mas nunca me tocou!</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Ao passo que o Rui, que está longe de ser uma besta ou um sacana, é perfeitamente capaz de me dar meia dúzia de vergastadas no rabo.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">A Arminda, no estado emocional em que estava, estas palavras da filha pareceram dum cinismo atroz. Remeteu-se a um espesso silêncio, que só foi quebrado quando a filha lhe disse que Rui lhe tinha proposto viverem juntos e ela aceitara.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Ai sim? Felicidades – respondeu Arminda, secamente.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Joana suspirou e tentou conciliar a mãe.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– O pai nunca te bateu, e ainda bem. Tu nunca o admitirias. A mim, também não. E se calhar, algumas vezes, fez mal em não me dar umas palmadas.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Arminda voltou-lhe as costas e encolheu os ombros, recusando aplacar-se. As palmadas de que a filha precisara em criança, tinha-lhas dado ela; <em>mas com uma criança é diferente</em>, pensou.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Até amanhã, mãe – disse Joana ao sair.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Até amanhã.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Só muito depois é que ocorreu a Arminda que as palmadas que dera à filha, por justas e necessárias que fossem, tinham sido dadas a uma criança que não se podia defender, e que nunca tinha consentido nelas; mas que Joana, adulta, não só se sabia defender muito bem, como era competente para dar o seu consentimento. Nessa noite não dormiu, consumida por uma ira tumultuosa contra a filha, contra Rui e contra si própria.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Voltou a nunca se encontrar com Rui nas tertúlias semanais, mas desta vez não ocultou às suas amigas a animosidade que nutria contra ele e a filha: só lhes ocultou, por muito tempo, o motivo dessa animosidade. Rui, por seu lado, começou a aparecer com menos frequência, por vezes acompanhado de Joana, que algumas amigas da mãe conheciam desde criança. Nunca deram mostras de retribuir a amargura de Arminda; nunca revelaram o seu motivo, nem fingiram que não o conheciam; nunca deixaram que as outras senhoras pensassem que ela tinha ciúmes; e nunca permitiram que alguém lhe atribuísse as culpas pela desavença. Arminda não tinha razão, mas tinha as suas razões, que eles compreendiam; não tencionavam voltar atrás nas suas decisões pessoais – que não disseram quais eram – mas esperavam que um dia Arminda as aceitasse e se reconciliasse com eles. Em suma: a cabra que havia em Joana aflorava cada vez menos à superfície, e as amigas da mãe não sabiam se deviam atribuir isto a hipocrisia ou à influência de Rui.  <!--[if !supportLineBreakNewLine]--> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Os meses seguintes foram dedicados, por parte de Joana, à minuciosa aprendizagem dos ritos e das regras da sua nova condição. Nesta aprendizagem encontrava, por vezes, prazeres novos e imprevistos; mas também humilhações que lhe seriam insuportáveis senão tivesse decidido, teimosamente, levar até às últimas consequências a experiência iniciada e o compromisso assumido. Descobrira, com surpresa, que o castigo físico a afectava pouco: não lhe dava prazer, mas só era difícil de suportar enquanto durava. Submeteu-se a ele desde o início e nunca recusou deixar-se manietar para o sofrer. Custou-lhe muito mais submeter-se a actos que a humilhavam ou embaraçavam, sobretudo perante terceiros. Também lhe custou muito a habituar-se a ordens ou a regras cujo propósito não compreendesse e às que lhe parecessem caprichosas ou fúteis. Rui nem sempre se explicava:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Basta que seja este o meu prazer – dizia, por vezes, quando ela o questionava.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Joana começou a compreender que qualquer ordem ou regra, mesmo que aparentemente não tivesse sentido nem propósito, servia ao menos para lhe lembrar que estava sujeita ao prazer de Rui.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Mas o que mais lhe custou, de longe, a ponto de quase a fazer desistir, foi perder o direito de escolher as suas próprias roupas. Não é que Rui tivesse mau gosto, mas tinha um gosto diferente do dela; e ao transitar lentamente do seu estilo, que era o da profissional competente, para o estilo boémio construído por Rui, sentia que estava a perder identidade. Quando confessou isto a Rui, ele respondeu:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Essa identidade que estás a perder é falsa; essa mulher não és tu.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Quando Joana ouviu isto, a cabra veio à superfície:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– E tu é que sabes quem eu sou, suponho?! A identidade que me deres é que é verdadeira?!</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Se não for verdadeira – respondeu Rui, placidamente – havemos ambos de nos dar conta disso, e bem depressa. Estaremos a tempo de construir outra. O que te posso garantir, é que essa outra não obedecerá a qualquer convenção pré-fabricada.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– E a tua vontade? E o teu prazer?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Serão determinantes, é claro – disse Rui. – Não serás só o que já és, serás também o resultado da educação que eu te der.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Por muito brutais que estes propósitos parecessem a Joana, tinha que reconhecer que a primeira coisa que dissera a Rui – que dissera à mãe, para ser mais exacta – é que precisava de quem a educasse.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Este mesmo período foi, para Arminda, de lenta reconciliação com a filha. Por mais que o não quisesse ver, não podia deixar de notar que Joana andava melhor: mais serena, mais feliz, mais segura de si e menos agressiva. Mantinha a animosidade contra Rui: em parte por teimosia, em parte por ciúmes, em parte pela ideia de incesto que a relação, irracionalmente, lhe sugeria; mas também porque não conseguia suportar a ideia de ver a filha maltratada e humilhada às mãos de um homem de quem fora amiga e que sempre se lhe apresentara como gentil e inofensivo.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– E é mesmo gentil, mãe – dizia-lhe Joana. – Gentil, honesto e justo. Inofensivo não é, certamente: mas quanto a isto, foi ele que te iludiu, ou tu que te iludiste?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Foi muito a custo, e ao fim de muita insistência, que Arminda aceitou encontrar-se com a filha e com Rui em casa deste. Não se surpreendeu por Joana a receber descalça: numa das raras ocasiões em que, vencida pela curiosidade, sondara a filha sobre pormenores da sua vida, ela contara-lhe o que os pés nus simbolizavam e as ordens que tinha de nunca se calçar em casa. Recordava-se da tendência que Joana tivera, em criança e adolescente, de se descalçar sempre que podia; e de como ela tinha reprimido esta tendência, a ponto de a filha ter interiorizado a sua aversão a andar descalça e se ter habituado, como ela, a nunca sair da cama sem enfiar os pés nuns chinelos. Agora, ao obedecer a Rui, Joana estava finalmente a desobedecer à mãe; e esta não deixou de se aperceber deste facto.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Arminda cumprimentou Rui com alguma distância, distância esta que ele respeitou, embora deixasse claro que estava na disposição de a transpor. A casa pareceu-lhe decorada totalmente à homem: não notou a mão da filha em nenhum pormenor. Na sala, Rui convidou-a a sentar-se no sofá.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Fica aqui com o Rui, mãe – disse Joana. – Eu vou buscar uma bebida.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Quando Joana regressou com três copos de vinho branco num tabuleiro, Arminda deu-se conta, de repente, que sempre tinha sido ela a servir a filha à mesa, e que mantivera este hábito mesmo depois de ela se tornar adulta. Rui agradeceu e fez sinal com os olhos a Joana que se sentasse no sofá ao lado da mãe, que ficaria assim entre os dois.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Tenho uma notícia a dar-te, Arminda – disse Rui. – Vou casar com a Joana.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Arminda, que era cada vez mais contra o casamento como instituição e não desejava ver a filha mais presa a Rui do que já estava, não ficou contente com a notícia.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– E para que é que vão casar? – perguntou. – Não estão bem como estão? Para que querem vocês um papel passado?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– O papel não é importante – disse Rui. – O que é importante, para mim, é ter alguém a quem deixar o que é meu. Se eu morresse agora, iria tudo para os meus sobrinhos do Canadá, que mal conheço, e a Joana ficava a ver navios. Acho que tenho o direito de deixar as minhas coisas à pessoa de quem gosto.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Contra isto não havia argumentos, pensou Arminda. E a naturalidade com que Rui tinha falado em gostar de Joana&#8230; Sentiu um impulso de simpatia para com ele, mas logo o reprimiu: nunca fora interesseira e não queria sê-lo agora. Mas Joana não tinha nada o ar de se estar a sacrificar por dinheiro. Pelo contrário: ao olhar para ela, Arminda notou-lhe um ar resplandecente que a levou a perguntar, tomada duma súbita suspeita:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Por acaso não estarás grávida?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Joana deu uma risada franca, como Arminda não lhe ouvira havia muito tempo:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Grávida, mãe?! Não, está descansada. Por enquanto, o Rui e eu queremos ser só dois.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">E se a filha estivesse grávida, que mal teria isso? Com um filho em casa, pensou Arminda, não se poderia entregar tão livremente a jogos eróticos que a mãe nem queria imaginar.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Vê lá, não adies muito. Olha que já não és uma criança, e o tempo passa.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Terei isso em conta – disse Rui.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;"><em>Está a informar-me,</em> pensou Arminda, <em>que a decisão será dele</em>. O impulso de simpatia que sentira começou a desvanecer-se. <em>Mas também me está a informar que está disposto a dar à Joana o que ela sempre quis</em>. O ex-marido de Joana nunca quisera filhos, e esta tinha sido uma das causas do divórcio.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– E vou deixar de trabalhar – disse Joana. – Já apresentei o meu pedido de exoneração.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Ah, não. Isto, não. Deitar fora anos de estudo e de formação profissional?! Abortar uma carreira que mal começara?! Ficar na dependência dum homem?!</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– E o que és que vais fazer? Vais passar o resto da vida a estupidificar no meio dos tachos e das panelas?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Ora, ora, mãe – disse Joana. – Sabes muito bem que nunca gostei do meu trabalho; e sabes que hoje em dia, no nosso país, para uma pessoa da minha idade, não há carreiras, só há empregos, e precários ainda por cima. Tu vais-te reformar quando fizeres sessenta anos; eu reformo-me aos trinta, é tudo. E não vou estupidificar, vou viajar com o Rui pelo mundo todo.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Durante o jantar, Arminda não parou de oscilar entre sentimentos contraditórios. Pedro, um homem trabalhador e pacato, que parecera ter todas as condições para fazer a filha feliz, fizera-a profundamente infeliz; Rui, que parecia ter tudo para a destruir e anular, fazia-a resplandecer; a filha parecia que estava a deitar fora tudo o que a geração de Arminda tinha conquistado para as mulheres, e no entanto dava mais a sensação de estar a ganhar terreno que a perdê-lo. Tudo isto era demasiado para ela assimilar rapidamente, mas teria que o assimilar sob pena de ficar isolada num mundo que deixara de compreender. <em>Não é por aí que vou ficar velha,</em> decidiu; e foi a partir desta decisão que começou a dar o benefício da dúvida a Rui e à filha.  <!--[if !supportLineBreakNewLine]--> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">Recomeçou a comparecer na tertúlia nos mesmos dias que Rui. As amigas foram convidadas para o casamento. A pouco e pouco, foi-lhes permitido que se apercebessem da natureza da relação entre Rui e Joana, e isto deu lugar a semanas de debate.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">– Se é assim que eles querem, deixá-los – decidiu por fim a mais velha, que era madrinha de Joana.  <!--[if !supportLineBreakNewLine]--> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#993300;">É claro que não foram felizes para sempre. Tiveram doenças, tiveram conflitos, tiveram que enfrentar a velhice; dos dois filhos que Rui fez a Joana, um deu-lhes problemas muito graves durante a adolescência; e Rui, quando morreu, deixou na vida muitas pontas soltas que Joana teve de atar sozinha. Por outro lado, enquanto viveram, nunca se arrependeram de terem decidido ser senhor e escrava. Se morrer sem arrependimento é a única vitória possível do homem sobre a vida e sobre os deuses, a vida deles foi um êxito total.</p>
<br /> Tagged: educar escrava, escrava, humilhação, pés nus, respeito, Senhor, spanking, submissa, trajo de escrava, vergasta <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/528/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/528/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/528/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/528/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/528/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/528/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/528/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/528/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/528/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/528/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/528/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/528/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/528/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/528/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=528&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/03/love-story-3%c2%aa-e-ultima-parte/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYgxb0p97hI/AAAAAAAAAsM/fVmGs4Rp7yE/s400/1579.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>LOVE STORY   (2ª parte)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/02/love-story-2%c2%aa-parte/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/02/love-story-2%c2%aa-parte/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2009 11:39:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos eróticos]]></category>
		<category><![CDATA[cadela]]></category>
		<category><![CDATA[castigo]]></category>
		<category><![CDATA[descalça em público]]></category>
		<category><![CDATA[domínio]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[histórias bdsm]]></category>
		<category><![CDATA[humilhação]]></category>
		<category><![CDATA[masmorra]]></category>
		<category><![CDATA[obedecer]]></category>
		<category><![CDATA[privação do orgasmo]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[sem calcinhas]]></category>
		<category><![CDATA[sem soutien]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor]]></category>
		<category><![CDATA[servir o dono]]></category>
		<category><![CDATA[sexo seguro]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[trajo de escrava]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=448</guid>
		<description><![CDATA[Quando Rui propôs a Joana que fizessem exames médicos para poderem ter sexo sem preservativo, ela viu nisto a vontade dele de dar estabilidade à sua relação. Ficou contente mas não quis mostrar este agrado; e a cabra que havia nela fê-la perguntar: – Porquê? Queres fazer-me algum menino, é? Rui ignorou o sarcasmo: – [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=448&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:0;color:#336666;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYbOlRPf6NI/AAAAAAAAAsE/eCwQB3o5X34/s1600-h/Water_Bender_5_by_HiddenYume_stock.jpg"><img style="float:left;cursor:pointer;width:205px;height:400px;margin:0 10px 10px 0;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYbOlRPf6NI/AAAAAAAAAsE/eCwQB3o5X34/s400/Water_Bender_5_by_HiddenYume_stock.jpg" border="0" alt="" /></a>Quando Rui propôs a Joana que fizessem exames médicos para poderem ter sexo sem preservativo, ela viu nisto a vontade dele de dar estabilidade à sua relação. Ficou contente mas não quis mostrar este agrado; e a cabra que havia nela fê-la perguntar:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Porquê? Queres fazer-me algum menino, é?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Rui ignorou o sarcasmo:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Se alguma vez te quiser fazer um menino, informo-te primeiro. Para já, o que quero é criar as bases para que haja uma confiança absoluta entre nós.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana não tinha nada contra fazerem análises, pelo contrário; a reacção que tivera viera-lhe duma vontade súbita de espicaçar Rui, e o facto de ele não se deixar espicaçar desarmou-a. Ficou ela de marcar a data para as análises, de preferência numa clínica onde poucas pessoas os conhecessem, e passaram a outros assuntos.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana viu nesta conversa uma para abordar uma questão em que andava a pensar:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Posso perguntar-te uma coisa? O que querias tu dizer quando disseste à minha mãe e às amigas dela que da tua porta para dentro, só admitias uma escrava?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Queria dizer isso mesmo – respondeu Rui. – Deixei-as pensar que aquilo era retórica para as calar, é claro, mas a ti digo-te que lhes estava a dizer a verdade sobre a minha orientação sexual.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Não dás nada essa ideia – disse Joana.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Não? Tens a certeza?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana corou, o que a fez zangar-se consigo mesma. Lembrou-se que nos primeiros dias da sua relação com Rui, ainda antes de o ter seduzido, ele lhe tinha dado a entender que não gostava muito de a ver de calças; e desde então ela passara a usar saias ou vestidos com cada vez maior frequência. Era a primeira vez que mudava a sua maneira de vestir por causa da vontade de um homem, ademais tão vagamente expressa. Quando se zangava consigo, Joana descarregava sempre noutra pessoa, e foi o que fez agora:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Claro que tenho a certeza. Não te estou a ver a mandar numa mulher. Pelo contrário: até me parece que a minha mãe tem razão quando diz que te deixas dominar facilmente.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Rui sorriu:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– E tem razão, a tua mãe. Deixo-me dominar com a maior das facilidades quando o que está em jogo não me interessa. Com os mais fracos que eu, sou muito dócil: é uma ironia que me diverte. Mas também te quero fazer uma pergunta: que querias tu dizer quando confessaste à tua mãe que eras uma cabra e precisavas de dono? Também te devo dizer que não dás nada essa ideia.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Como, não dou? Ainda há bocado&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Ah, sim – disse Rui. – Há bocado, com efeito. Só tenho duas perguntas: porque diabo queres tu deixar de ser uma cabra, admitindo que o és? E se é isso que queres, porque diabo não o fazes sozinha? Para que precisas tu de um dono?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– E tu, para que diabo precisas tu duma escrava?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Eu nunca disse que precisava duma escrava. Já precisei, já tive, e agora estou bem como estou. O que eu disse foi que só aceitava uma mulher em minha casa na qualidade de escrava; mas estou perfeitamente disposto a aceitar a alternativa mais provável, que é ficar sozinho.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana calou-se, olhando para baixo com os punhos cerrados. <em>Como uma miúda birrenta</em>, pensou Rui. Por fim, sem deixar de olhar para baixo, respondeu:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Preciso de dono porque estou farta de lidar com homens que não respeito. Tu és o primeiro a quem respeito desde há muito tempo.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Sim – sorriu Rui. – Ainda agora foste muito respeitosa para mim.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Não é disso que se trata – disse Joana. – Não é por ser ocasionalmente sarcástica que preciso de dono: é porque sou mesmo uma cabra, e estou farta disso.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Rui ficou silencioso por tanto tempo que Joana pensou se não teria dito alguma coisa que o fizesse zangar. Mas disse, por fim:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Olha, Joana. Há muitas espécies de dono, e nada garante que eu seja o dono de que precisas. Se alguma vez levar uma escrava para minha casa, nada garante que possas ser tu: podemos ter noções muito diferentes do que é uma escrava.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Não me estou a oferecer como tua escrava – disse Joana.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Nem eu como teu dono – disse Rui. – Pelo menos, ainda não. E pode ser que eu queira uma escrava já feita, e não uma a quem ainda seja preciso educar.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– E eras tu que me educavas?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Dizes que és uma cabra, não dizes? Então, para continuar com metáforas de animais, terias que passar de cabra a cadela: isto seria uma educação. Seria também um esforço enorme e muito demorado, e eu teria de estar disposto a fazê-lo.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Então não estás disposto.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Posso vir a estar, mas teria de contar com a tua colaboração. Já não tenho idade para perder tempo com meninas que pensam que querem ser escravas.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana voltou um pouco atrás na conversa:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Cadela, dizes tu? O que quer dizer isso, cadela?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Quer dizer que quando eu te fizer sinal tens que vir com o rabo a abanar, mesmo que uns minutos antes eu to tenha feito pôr entre as pernas.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Isso não vai ser nada fácil – disse Joana. – Nada fácil, mesmo.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Não vai ser? – disse Rui – Já estás a pressupor que vamos tentar? Tem calma: primeiro vamos ver se a nossa relação resulta noutros planos, ao mesmo tempo que vemos se aquilo em que estamos a pensar é viável. Para já, vou-te dar três palavras para meditar, e um dia destes peço-te a tua reacção.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Que palavras?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Servir, obedecer, sofrer – disse Rui.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Se é isso, posso dizer-te já&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Não podes nada – disse Rui. – Podes dizer-me quando eu te perguntar.  <!--[if !supportLineBreakNewLine]--> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Fizeram os exames médicos, esperaram pelos resultados, voltaram a fazê-los e esperaram de novo. Joana recomeçou a tomar a pílula. Começaram a ter relações sexuais sem preservativo, o que implicava já um primeiro compromisso, que era a fidelidade recíproca. Não se falou, porém, em viverem juntos. Veio o divórcio de Rui e resolveu-se a partilha dos bens, o que lhe permitiu remodelar uma casa que herdara, um pouco degradada e muito desconfortável: não o fizera antes para que a ex-mulher não pudesse dizer que o tinha feito com dinheiros comuns. Joana acompanhou esta remodelação, que foi completa: demolição de paredes internas, rearranjo das divisões, isolamento térmico e acústico, caixilharias novas, janelas com vidros duplos ou triplos, climatização, transformação em jardim do matagal nas traseiras.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">A obra mais difícil foi na cave, onde o chão foi rebaixado um metro para aumentar a altura. Rui manteve as paredes em pedra tosca, mas revestiu o tecto com material isolante e instalou aquecimento a partir do soalho.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana, vendo que Rui não media despesas, perguntou à mãe:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Como é que o Rui pode fazer aquelas obras todas com a pensão dele? Com a reforma antecipada, não pode ter ficado a receber muito.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– O Rui não depende da pensão – respondeu Arminda. – Com o que herdou, pode viver muito bem dos rendimentos.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Isto explicava uma decisão de Rui que Joana tinha considerado excêntrica: a de organizar a vida em função das temporadas de ópera do S. Carlos, do Scala, do Met, do Teatro del Liceo em Barcelona, do Covent Garden, do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e de festivais como o de Glyndebourne e Bayreuth. Esta agenda incluía lugares tão remotos como Manaus ou Sidney e exigia bem mais que doze viagens por ano – o que chegava para não o deixar estupidificar. Comprava os bilhetes pela Internet com meses de antecedência, tal como as viagens e o alojamento.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Compro sempre a dobrar – explicara. – Para o caso de ter companhia.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">A companhia, embora ele não o dissesse expressamente, seria ela; se os afazeres profissionais não a deixassem ir, seria algum amigo ou amiga; ou em último caso iria ele sozinho, assumindo o prejuízo. Só uns dias depois desta conversa é que Joana notou que ele nem sequer tinha posto a hipótese de ela, podendo, não querer ir; e que ela própria também não a tinha levantado. <em>Eis-me, portanto, a obedecer,</em> concluiu. O curioso é que nunca era claro se o que ele lhe solicitava era uma sugestão, um pedido ou uma ordem; nem se a resposta dela era anuência ou obediência; mas era claro, em contrapartida, que Joana fazia tudo o que Rui queria como nunca fizera com ninguém. <em>Servir, obedecer, sofrer</em>, pensou. Sobre o obedecer, começava a estar elucidada; e, se quisesse ser honesta consigo própria, teria que reconhecer que também estava a aprender alguma coisa sobre o servir. Na cama, embora Rui lhe desse mais prazer do que qualquer outro homem lhe tinha dado, tornara-se óbvio desde o primeiro dia que o único prazer que contava era o dele; e ela, não só aceitara isto, como se sentira feliz por aceitá-lo. Restava o sofrer: sobre isto, Joana não fazia a menor ideia do que sentia, e não saberia responder se Rui a interrogasse.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Rui tinha erigido na cave duas grossas colunas de madeira, esculpidas com baixos-relevos eróticos.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Mandei-as fazer na Índia – explicou.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">E com efeito as imagens copiavam as dos templos hindus.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Para que são as colunas? – perguntou Joana.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Para amarrar uma mulher, por exemplo. Para a punir.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana deu uma volta lenta a cada uma das colunas, passando os dedos pela madeira esculpida.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– E pensas que serei eu essa mulher?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Não faço ideia. Depende de alguma vez vivermos juntos ou não. Podes ser tu ou pode ser outra, mas continuo a dizer que o mais provável é não ser nenhuma. E enquanto andar contigo tenciono ser-te fiel.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Porque não lhe disse Joana, naquela altura que aquela mulher nunca seria ela? Porque se calou? <em>Eis-me com o rabo entre as pernas,</em> pensou; <em>não demorou muito</em>. Continuou a tocar aquelas imagens profusas de mulheres com os seios generosos e redondos e de homens com grandes falos erectos, unidos em todas as posições imagináveis; subiu as escadas com Rui; depois, ao caminharem em direcção ao carro, deixou que ele a abraçasse, e até se chegou mais a ele, sorrindo-lhe, e dizendo a si própria: <em>e agora até estou com o rabo a abanar</em>.  <!--[if !supportLineBreakNewLine]--> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Esta visita à cave de Rui obrigou Joana a pensar na última das palavras que ele lhe tinha proposto para meditar: a palavra sofrer. Tratava-se aqui, como ela compreendia muito bem, de sofrimento físico provocado intencionalmente por outra pessoa. Nunca tivera, nem as tinha agora, fantasias sexuais com a ideia de ser punida fisicamente. Por outro lado, nunca partilhara a vertigem de pânico e revolta com que muitas mulheres encaravam a simples menção desta possibilidade. Teria medo, sim, da violência, do descontrolo; mas se estes elementos fossem retirados da equação, deixando isolada a dor física, verificava, com alguma surpresa, que era capaz de considerar friamente a hipótese de a sofrer.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Uma noite, quando estavam a fazer amor, Rui proibiu-a de ter orgsmo. Joana nunca tinha imaginado que esta ordem pudesse ser dada, e muito menos obedecida, mas deu por si a reprimir o orgasmo que se aproximava, e a conseguir evitá-lo por pouco. Surpreendente foi o prazer que teve nisto, que se prolongou pelo resto da noite e por todo o dia seguinte: uma excitação sexual surda e permanente, que nunca aumentava nem diminuía, nem exigia desenlace. Passou semanas a analisar este prazer inédito, mas não chegou a nenhuma conclusão. Suspeitava que Rui sabia deste prazer e o podia explicar, mas não conversaram sobre ele.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Num fim-de-semana em que tinham ido ao Teatro alla Scala para ver Cecilia Bartoli no papel de <em>Cenerentola</em>, sentaram-se numa esplanada da Galeria Vittorio Emanuele II a fim de comerem qualquer coisa antes do espectáculo. Era um dia quente de Junho, tinham ido com muita antecedência e o sol ainda ia alto. Foi este o momento que Rui escolheu para a inquirir, finalmente, sobre as três palavras que a convidara, meses antes, a considerar.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Lembras-te delas?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Lembro – disse Joana. – Servir, obedecer, sofrer.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– E&#8230;?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana virou a cara:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Posso fazer isso por ti, se é o que tu queres.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Já o tens feito – disse Rui.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana continuava com a cara virada para o lado.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Ainda não sofri&#8230; – murmurou.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Mas já me tens servido e obedecido, embora com  moderação. Diz-me: alguma vez tiveste prazer nisso?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Algumas vezes, mas Joana não o quis confessar. Baixou a cabeça, encolheu os ombros, e disse baixinho:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Não sei&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Não sabes. Hmmm&#8230; Diz-me outra coisa: daquelas três palavras-chave, qual achas que é a mais problemática?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Não sei – respondeu Joana. – Ainda nenhuma foi problemática para mim.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Rui fez um gesto afirmativo com a cabeça, como que a reconhecer a pertinência da resposta.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– A mais problemática é obedecer – declarou. – É a que dá origem aos maiores mal-entendidos.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana sempre achara difícil obedecer a outra pessoa. Admirava-se da relativa facilidade com que obedecia a Rui, mas também era certo que ele nunca lhe pedira nada de difícil. O que ela não sabia era a que mal-entendidos se referia Rui.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Pensa numa mulher – disse ele. – Numa mulher qualquer. Pensa que se trata duma pessoa com desejos muito fortes e fantasias sexuais muito definidas, mas com inibições e sentimentos de culpa que a impedem de as realizar. Imagina que ela começa a fantasiar com alguém que a obrigue a realizar esses desejos&#8230; alguém que lhe permita pensar que não tem culpa, que só está a obedecer, a ser obrigada&#8230; não lhe ocorre sequer que lhe possa ser ordenado algo que ela não deseje à partida. Supõe agora que esta mulher encontra um homem como eu, que espera dela obediência; e supõe que a certa altura ele lhe exige alguma coisa que ela nunca previu nem desejou, algo que para ela é doloroso, ou humilhante, ou embaraçoso, e não lhe dá qualquer prazer. E então recusa. Continua a fantasiar com situações em que é obrigada a obedecer, e tem-se sinceramente na conta de submissa; mas o homem pensa que ela está enganada e termina a relação. Qual dos dois achas tu que tem a melhor noção do que é obedecer?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– O homem, é claro – disse Joana.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">E corou, porque Rui só uma vez lhe tinha pedido uma coisa que não correspondia a uma fantasia sua; e mesmo dessa vez tinha-lhe proporcionado um prazer cuja existência ela ignorava e que ainda agora não compreendia. Tanto quanto Joana sabia, a mulher hipotética descrita por Rui podia ser ela própria.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Disseste que estavas disposta a obedecer-me se eu quisesse – disse Rui. – Vamos ver se é verdade: vai lá dentro aos lavabos e deita os sapatos para o lixo.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana estava arranjada para ir à ópera. O vestido, dum vermelho acobreado escuro, tinha sido comprado num costureiro da <em>Via della Spiga,</em> numa outra visita a Milão. Na bolsa de mão, minúscula, trazia os brincos, o anel e o colar que tencionava pôr quando estivesse em segurança no interior do teatro. Por ordem de Rui, não trazia calcinhas nem soutien: mas esta ordem não lhe custara a cumprir porque sabia que o vestido tinha sido concebido para ser usado sobre o corpo nu, coisa que ela nunca faria por sua própria iniciativa. Mas esta outra ordem era diferente: não a podia usar como pretexto para fazer o que queria e não ousava; pelo contrário, exigia dela que ousasse o que não queria. Tentou objectar:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Mas&#8230; mas&#8230; vou descalça para a ópera?!</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Vais – respondeu Rui placidamente.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– E se não me deixarem entrar?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Se houver algum problema, eu resolvo-o.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Para esta certeza, não tinha Joana resposta. Como último recurso, usou uma palavra que nunca lhe tinha sido proibida, mas que já lhe soava pouco lícita:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Mas&#8230; mas porquê?!</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Rui sorriu levemente antes de responder:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">– Por duas razões: a primeira, como te disse, é testar a tua obediência. A segunda é que doravante os teus pés nus serão, aos teus olhos como aos meus, um sinal de humildade e respeito. Se isto não se harmonizar com o que sentes por mim, a minha recomendação é que recuses.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Joana não queria pensar, naquele momento, no que sentia por Rui. Sentia que estava numa encruzilhada: o que decidisse naquele momento determinaria muito do seu futuro, e do futuro dele.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;">Obedeceu. Na Galeria e na rua, ao atravessar para o teatro, sentiu-se embaraçada quase até à vertigem pelos olhares de curiosidade ou desdém que atraía. Ninguém lhe barrou a entrada no La Scala; e, depois de pôr as jóias, sentiu que atraía menos olhares dentro do teatro do que tinha atraído lá fora.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#336666;"><em>Isto talvez seja assim</em>, pensou, <em>porque esta gente que aqui está sabe muito bem ver quando um vestido é de luxo e uma jóia verdadeira</em>.</p>
<br /> Tagged: cadela, castigo, descalça em público, domínio, escrava, fantasia, histórias bdsm, humilhação, masmorra, obedecer, privação do orgasmo, respeito, sem calcinhas, sem soutien, Senhor, servir o dono, sexo seguro, sofrer, trajo de escrava <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/448/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=448&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/02/love-story-2%c2%aa-parte/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYbOlRPf6NI/AAAAAAAAAsE/eCwQB3o5X34/s400/Water_Bender_5_by_HiddenYume_stock.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>LOVE STORY   (1ª parte)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/01/love-story-1%c2%aa-parte/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/01/love-story-1%c2%aa-parte/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 14:18:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos eróticos]]></category>
		<category><![CDATA[beijar]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[noiva submissa]]></category>
		<category><![CDATA[pénis]]></category>
		<category><![CDATA[penetração]]></category>
		<category><![CDATA[sem soutien]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=445</guid>
		<description><![CDATA[(Nota: este conto acabou por ocupar treze páginas no Word. Decidi por isso dividi-lo em três partes e publicá-lo aqui três dias seguidos. Espero que gostem.) – O Rui lá acabou por deixar a mulher – disse Arminda à filha, enquanto punham a louça na máquina. – Quem é o Rui? – perguntou Joana. Arminda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=445&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-align:left;color:#cc0000;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYWXCiOaBYI/AAAAAAAAAr0/HQ_Ju74kGsM/s1600-h/dartmouth3.jpg"><img style="float:right;cursor:pointer;width:198px;height:302px;margin:0 0 10px 10px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYWXCiOaBYI/AAAAAAAAAr0/HQ_Ju74kGsM/s400/dartmouth3.jpg" border="0" alt="" /></a><span style="color:#660000;font-size:85%;"><span style="font-style:italic;">(Nota: este conto acabou por ocupar treze páginas no Word. Decidi por isso dividi-lo em três partes e publicá-lo aqui três dias seguidos. Espero que gostem.)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#cc0000;">
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– O Rui lá acabou por deixar a mulher – disse Arminda à filha, enquanto punham a louça na máquina.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Quem é o Rui? – perguntou Joana.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Arminda pôs uma pastilha de detergente na máquina e escolheu o programa.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Ora, quem é o Rui. Já te falei tantas vezes dele: é o meu colega que costuma aparecer ao almoço&#8230; O Rui Tavares, de medicina interna&#8230; Aquilo com a mulher já andava muito tremido.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Ah, já sei: na tertúlia que fazes com as tuas colegas reformadas. Já estou a ver a cena: o homem arranjou outra fulana e saiu de casa. Típico. Não tarda nada, o meu pai faz o mesmo.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Tomara eu – disse Arminda. – Mas o Rui não saiu por causa de mulher nenhuma. Quer viver sozinho, numa casa em que ninguém mande a não ser ele. Alugou um apartamento, fez a mudança, começou a mobilá-lo, meteu os papéis para o divórcio, e só no fim disto tudo é que nos disse.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Ainda faltava limpar o lava-louças e o fogão, mas Joana deteve-se com o pano na mão para se virar para a mãe:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– E tens a certeza que não foi por causa de outra?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Se fosse, nós sabíamos. A Carmo e a Lúcia fizeram uns telefonemas e ninguém sabe de nada.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– E não será larilas, esse teu Rui Tavares?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Só se for, mas não me parece. Com o currículo dele&#8230; Mas agora não tem ninguém. O que é estranho é ter sido ele a deixar a mulher, e não ela a ele. Mas sabes como é, ele é que tem o dinheiro&#8230; Mas também não é homem para deixar a mulher a passar mal.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Joana, às vezes, não entendia a mãe: estava farta de ver casamentos falhados, a começar pelo seu próprio e pelo da filha; e quando via algum terminar, a primeira coisa que lhe ocorria era organizar outro.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Já estou a perceber: tu e as tuas amigas estão mortinhas, é por fazer de casamenteiras. Deixem o homem em paz&#8230; O que ele quer deve ser sossego.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– É o que ele diz: que já tem idade para aguentar uns meses de celibato, e que tão cedo não quer ver mulher nenhuma dentro de portas. E quando a Carmo começou a insistir demais, ele calou-a logo: mulher, em casa dele, só se fosse uma escrava.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Bem feito – disse Joana. – Aposto que vos embatucou a todas.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Deram as duas uma última volta à cozinha, até que Joana disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Queres ver um filme que eu trouxe? É com o George Clooney&#8230;<br />
O filme, afinal, não era grande coisa, e a certa altura nem a mãe, nem a filha lhe estavam a dar grande atenção. Joana, que tinha ficado a remoer as últimas palavras da mãe, disse por fim:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Essa coisa da escrava&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Que escrava? – perguntou Arminda.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– A que o teu amigo disse que deixava entrar em casa. Se calhar era ele o homem para mim: de algum tempo para cá tenho andar a pensar que o que eu preciso, é de dono.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Uma parvoíce destas não merecia resposta, mas Arminda não se conteve:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Passaste-te de todo, ou quê? Primeiro, o Rui é quase da minha idade. Segundo, é do tipo sonhador e poético, não ia estar para te aturar. E terceiro, depois do que passaste com o Pedro, a última coisa em que devias estar a pensar era em ter dono. Trata mas é de acabar o doutoramento e faz como eu, não penses em homens.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">O filme, afinal, começou a ser interessante, e o Clooney era um pedaço de homem. Ficaram as duas absorvidas, mãe e filha, até que começaram a rolar no ecrã os créditos finais. Depois de desligar a televisão e o aparelho de DVD e de ter arrumado o filme, Joana entrou na cozinha, onde a mãe tinha aquecido leite para as duas e aberto um pacote de bolachas.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Ó mãe, tu sempre és muito ingénua. Conheces-me tão bem, sabes a cabra que eu sou, até para ti&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Ai, lá isso, és.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– E acreditaste em tudo o que eu te disse sobre o Pedro. A maior parte das sacanices que eu te disse que ele me fez, fui eu que lhas fiz a ele, e tu nem desconfiaste: correste logo em socorro da filhinha.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– É, tens razão, sou uma grande parva – disse Arminda. – Mas se é assim, porque não voltas para ele?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Isso queria ele. Parece que gosta de levar na cara, o desgraçado. Eu é que nem o quero ver à minha frente. Então o teu amigo chama-se Rui Tavares e é internista, não é?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Arminda pousou a caneca e virou-se para a filha, muito séria:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– É, mas agora sou eu que te digo que o deixes em paz.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Joana sorriu:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Não tenhas medo, eu sei defender-me.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Pois é, isso estou eu a ver – disse Arminda. – O meu medo não é por ti, é por ele. Se fizeres mal ao meu amigo, não penses que te perdoo.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Joana levantou-se e beijou a mãe:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– E eu quero lá o teu amigo para alguma coisa? Estou como tu: não quero pensar em homens. Olha, vou para casa. Até amanhã.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Até amanhã – disse Arminda. – Tranca as portas do carro e guia com cuidado.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Arminda era pediatra a tempo inteiro no hospital de Santo António, o mesmo em que Rui trabalhava. Joana, que não tinha conseguido entrar para Medicina, tirara uma licenciatura enfermagem; mas o trabalho não lhe dava prazer, e por isso continuava a estudar: fizera um mestrado e estava agora a concluir, de forma competente mas sem grande entusiasmo, um doutoramento. O trabalho e a tese quase não lhe deixavam tempo para mais nada, mas quando podia ia a concertos de música clássica ou jazz. Já conhecia de vista os frequentadores mais assíduos da Casa da Música, mas nunca quis travar conhecimento com nenhum; até que um dia, numa das bibliotecas da Faculdade de Medicina, encontrou um deles com uma tarjeta identificadora na lapela: Rui Tavares, médico.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Conheci o teu amigo Rui – disse mais tarde à mãe. – É muito simpático, e não me parece que seja quase da tua idade. Apresentei-me como tua filha e estivemos a conversar.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Eu sei – disse Arminda. – Ele disse-me que tomou um café contigo. Diz que te achou doce e sensível, o trouxa. Eu só não o avisei que tivesse cuidado porque não lhe quis pôr ideias na cabeça, mas aviso-te a ti.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Joana não respondeu. Não podia levar a mal à mãe que chamasse trouxa a Rui; ela própria se admirava com o seu comportamento em relação a ele. A ironia estava em que a sua doçura não tinha sido fingida, pelo menos de forma consciente: tinha-se mostrado como realmente era – ou como realmente era junto dele – ou talvez, ainda, como gostaria de ser.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Nos meses que se seguiram, continuou a encontrar-se com Rui para tomar café ou ir a um espectáculo. Porque havia de ir cada um sozinho quando podiam ter companhia? O que sossegava Arminda quanto a estes encontros era que Rui os mencionava quando estava com ela e com as amigas. A filha também não fazia segredo deles; e continuou a não fazer segredo quando ganhou o hábito de ir tomar um copo com Rui depois de irem ao cinema ou a um concerto. Só começou a parecer a Arminda que as coisas estavam a ir longe demais quando estas saídas começaram a ser precedidas de jantares a dois. Rui já não dizia que não queria nada com mulheres e não lhe contava todos os encontros que tinha com Joana, nem esta todos os que tinha com ele; mas, ora por um, ora por outro, lá ia sabendo de quase todos, e se não lhos contavam todos era decerto porque já os tinham como adquiridos.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Uma noite, depois de terem ido à ópera no Coliseu, Joana sugeriu que tomassem um copo em casa dela. Usavam nas suas saídas, alternadamente, os respectivos automóveis, e desta vez tinha-lhe calhado levar o seu. Não chegaram a tomar o tal copo: assim que tiraram os casacos, ela abraçou-se a ele e beijou-o na boca, ao que ele respondeu com entusiasmo. Colada a ele, Joana sentiu-lhe o sexo a intumescer. Levara um vestido muito decotado nas costas, sem soutien, e, quando sentiu a mão dele a insinuar-se por baixo do tecido, afastou-se um pouco e disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Comprei preservativos&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Rui ficou com ela a noite toda. Tinha pedido a aposentação antecipada e não tinha que ir trabalhar na manhã seguinte. Quando Joana se levantou para ir para o hospital de S. João, deixou-lhe um bilhete a dar-lhe um beijo, a dizer-lhe onde estavam as coisas para o pequeno-almoço e a pôr-lhe a casa à disposição. Deixava-lhe uma chave para ele dar quatro voltas na fechadura quando saísse.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">À hora de almoço, ele telefonou-lhe para lhe mandar um beijo e marcar novo encontro. Não, nessa noite não podia ser, Joana ia estar de serviço. Na noite seguinte, sim. Jantar? Podia ser, e depois podiam ir ao cinema: havia um filme que ela estava com vontade de ver.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Ao passar por casa, ao fim da tarde, Joana tinha à sua espera, já metido numa jarra com água, um ramo de rosas vermelhas. <em>Sentimentalismo idiota,</em> pensou; <em>este afinal é como os outros</em>. Mas este princípio de decepção passou-lhe quando leu o bilhete: <em>Pedi à florista que não tirasse os espinhos. Espero que gostes</em>. E gosto, pensou Joana. Gosto muito dos espinhos.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Seduzi o teu amigo – disse Joana à mãe. – Estou a dizer-te isto para que não penses que foi ele.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Arminda sentiu vontade de se atirar à filha e de lhe arranhar a cara toda. Ou então de fazer o mesmo a Rui, que não lhe tinha dito nada. Aquilo parecia-lhe uma espécie de incesto: não sentiria maior revolta se tivesse sido o marido a dormir com a filha. Mas isto era uma idiotice, e é claro que Rui nunca lho poderia dizer: como é que um homem diz a uma mulher, que conhece há anos, que foi para a cama com a filha dela?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Não compareceu ao almoço com as amigas no dia em que Rui costumava ir, nem na vez seguinte. Quando as amigas começaram a achar isto estranho, telefonou a Rui para o telefone fixo. Era verdade, disse ele. Então Arminda descarregou toda a sua raiva: se ele não achava que estava velho para seduzir meninas, se não tinha nojo de si próprio, se não achava que o que tinha feito era uma traição.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">– Traição? – disse Rui. – Estás com ciúmes?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Isto fez com que Arminda se calasse e desligasse o telefone. Ciúmes? Como, ciúmes, se entre eles nunca tinha havido, sequer, um desejo fugidio? Rui era livre, Joana era livre, só ela, Arminda, é que não; e por mais que desprezasse o marido, nunca seria capaz de pagar traição com traição. E contudo, era obrigada a reconhecer que Rui não andava longe da verdade. Ciúmes, inveja ou orgulho ferido: a relação entre Rui e Joana depressa seria conhecida, e Arminda não sabia como havia de encarar os amigos quando eles soubessem.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Tanto ela como Rui passaram a comparecer de novo na sua tertúlia, mas, por um acordo tácito, nunca os dois ao mesmo tempo. Quando as amigas lhes perguntavam o que tinha havido entre eles, ambos respondiam que não tinha havido nada; se não se encontravam ao almoço, era porque não calhava.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom:3pt;text-indent:35.3pt;color:#990000;">Joana, por sua vez, lidava com a mãe como se nada se tivesse passado. Não dava pormenores da sua relação com Rui, mas também não evitava o assunto. Às vezes, se viesse a propósito, dizia-lhe que nessa noite dormia em casa dele; e esta naturalidade, que ao princípio era sal esfregado na ferida, acabou por levar Arminda a aceitar como facto consumado a relação entre o amigo e a filha. Foi ela que informou dela as amigas, antes que soubessem por outras vias, e por fim recomeçou a comparecer na tertúlia ao mesmo tempo que Rui. Isto provocou neles e no grupo um certo constrangimento; mas este, à medida que os dois foram aprendendo a tratar-se em público como uma espécie de sogra e genro, e as dinâmicas do grupo se estabilizaram num novo equilíbrio, acabou por se dissipar: a relação entre Rui e Joana estava, por assim dizer, oficializada.</p>
<br /> Tagged: beijar, escrava, noiva submissa, pénis, penetração, sem soutien, Senhor <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/445/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=445&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/02/01/love-story-1%c2%aa-parte/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYWXCiOaBYI/AAAAAAAAAr0/HQ_Ju74kGsM/s400/dartmouth3.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 22)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/31/440/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/31/440/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 31 Jan 2009 15:45:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[amor de escrava]]></category>
		<category><![CDATA[aos pés do dono]]></category>
		<category><![CDATA[beijar]]></category>
		<category><![CDATA[cadeado na vagina]]></category>
		<category><![CDATA[dádiva de si]]></category>
		<category><![CDATA[descalça em público]]></category>
		<category><![CDATA[engolir esperma]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[nádegas]]></category>
		<category><![CDATA[nua]]></category>
		<category><![CDATA[pénis]]></category>
		<category><![CDATA[piercings na vulva]]></category>
		<category><![CDATA[pompoar]]></category>
		<category><![CDATA[possuída]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[sem calcinhas]]></category>
		<category><![CDATA[servir o dono]]></category>
		<category><![CDATA[sexo anal]]></category>
		<category><![CDATA[sexo depilado]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[vagina]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=440</guid>
		<description><![CDATA[E foi assim que Teresa deu a Raul a última abertura do seu corpo que lhe faltava utilizar. Bastou-lhe deitar-se nua sobre a cama, colocar uma bisnaga de lubrificante sobre a mesinha de cabeceira de modo a que ele reparasse, e pôr-se de bruços à espera.

– Queres dar-me o teu cuzinho? – perguntou Raul.

– Não te posso dar o que não é meu – respondeu Teresa. – O meu cu sempre foi teu, mesmo que nunca te tenhas querido servir dele. Mas, se não é ousadia uma escrava exprimir um desejo, gostava que te servisses dele hoje.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=440&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYRs2G2SmwI/AAAAAAAAArs/8PAkjMDtecY/s1600-h/1700.jpg"><img style="display:block;text-align:center;cursor:pointer;width:454px;height:238px;margin:0 auto 10px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYRs2G2SmwI/AAAAAAAAArs/8PAkjMDtecY/s400/1700.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p class="MsoNormal"><a name="_Toc213154775"><span>Cap. 34: TITÂNIO</span></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Entretanto havia a viagem ao Brasil, documentos a regularizar, dossiers médicos a organizar, contactos a estabelecer… Os <em>piercings</em> de Teresa iam ser aplicados por um cirurgião, porque os aros de titânio não podiam ser trabalhados no local. Os furos tinham que ter à partida o diâmetro e a curvatura correctos, e o acesso a eles exigia incisões, de modo a que os aros, completos com os ilhós em que deslizariam, entrassem de lado; e por fim havia que suturar estas incisões. Este procedimento exigia uma anestesia local e era muito mais complicado que o que se pratica nos <em>ateliers</em>, mas a cicatrização, devido à precisão dos cortes, ia demorar menos que os dois meses habituais.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">O voo para São Paulo demorou quase dez horas, e a transferência para a clínica mais uma. Na mesma noite em que chegou, Teresa ficou internada: o dia seguinte seria dedicado a exames e análises, e no terceiro seriam implantados os anéis. A própria clínica, situada ao lado do parque Ibirapuera, tratou do alojamento de Raul num hotel próximo. Assim, pôde estar presente na primeira consulta com o cirurgião, que já tinha em seu poder um modelo dos quatro <em>piercings</em> que ia colocar. Cada peça consistia em dois anéis que entrariam parcialmente na carne de Teresa. Estes anéis, distantes um do outro por cerca de um centímetro, estavam unidos por uma barra que ficaria de fora; desta barra saía outra, na ponta da qual havia mais um aro. Esta barra engatava, por meio de ranhuras, na que lhe correspondia no lábio oposto, de modo a que os lábios ficassem apertados naquele ponto e os aros da ponta ficassem justapostos sobre a longitude da vulva.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Reparem os senhores que o engate não é perfeito – disse o cirurgião. – Há um pouco de folga. Isto é propositado: os engates não podem ter arestas vivas, para não machucar; e têm que engatar sem repuxar os tecidos. Depois de os aros de cima engatarem… assim… será possível segurá-los com um cadeado. A senhora deseja <em>piercings</em> de cada lado do clítoris e da vagina, não é verdade?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Sim – disse Raul – mas a uretra tem que ficar livre…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Vou dizer-lhe a verdade: com os dois <em>piercings</em> apertados no lugar, a uretra ficará um pouquinho constrangida. Não terá dificuldade em urinar, mas vai ter que fazer uma higiene mais cuidada…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Sim, nós sabemos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– A cicatrização não vai demorar tempo demais, porque a incisão vai ser muito exacta e a sutura também. Mas precisa ter alguns cuidados. Quero falar neles aos dois para ter certeza que entendem.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Faça favor – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Hoje, a senhora irá para a o seu quarto e fará exames. Se tudo estiver certo, será operada amanhã de manhã. É uma operação muito simples, com anestesia local. Algumas suturas serão bio-solúveis, outras terão que ser removidas à medida que não sejam necessárias. Logo que possível, a senhora deverá mover um pouco os implantes para eles não colarem aos tecidos, mas sempre com muito cuidado. Não tente engatar os anéis exteriores antes de passarem três semanas. Não poderá fazer sexo vaginal antes de seis semanas, e espere oito semanas antes de usar os cadeados.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– E sexo anal? – perguntou Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Pode fazer sexo anal passadas quatro semanas, mas tem que fazer logo a seguir uma higiene muito completa de toda essa parte de seu corpo, usando um bom anti-séptico. Agora a enfermeira vai levar a senhora ao seu quarto. O senhor poderá vir de visita a qualquer hora entre as dez da manhã e as dez da noite. Se tudo correr como esperamos, ficará internada três dias: hoje para preparação e exames, amanhã para a operação e mais um para tratamento pós-operatório. No último dia, o senhor também deverá estar presente para a enfermeira ensinar alguns cuidados que deve ter. Depois, a senhora deve descansar, não pode fazer muito esforço; pena que não possa visitar nossa cidade como ela merece.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– E <em>pompoar</em>, quando posso fazer? – disse Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Exercícios de Kegel? Pode fazer daqui a quatro ou cinco dias: até ajuda a recuperar. Mas ao princípio faça com muito cuidado, ouviu? Se lhe doer, nem que seja um pouquinho, pare logo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Depois disto, Raul foi posto delicadamente na rua. Um funcionário da clínica conduziu-o de automóvel ao hotel. No dia seguinte só o deixaram visitar Teresa de tarde: encontrou-a um pouco combalida e impaciente por não a deixarem pôr-se de pé. Para a entreter, Raul descreveu-lhe o hotel, o passeio que tinha dado de manhã, alguns factos que tinha apurado sobre a clínica:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Sabes que como teu acompanhante tenho direito a alguns tratamentos de graça? Limpeza facial, drenagem linfática… tenho que ver melhor o catálogo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Teresa fez-lhe sinal de que lhe queria falar ao ouvido, e quando ele se inclinou disse-lhe:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Só não os deixes modificar-te o pénis, gosto dele exactamente como é.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">E ao sentir-se sacudida de riso acrescentou, como se a culpa fosse dele:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Ai, não me faças rir, que me dói…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Raul deu o suspiro os homens que dão há milénios quando confrontados com a injustiça feminina, ajeitou-lhe a inclinação da cama para ela ver melhor a televisão, beijou-lhe os lábios e perguntou:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Estás bem assim?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Estou bem, não te preocupes. Que livros são esses?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Alguns são para ficar aqui, os outros para eu levar para o hotel.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Não vais sair à noite?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Não é preciso. Ligo para a recepção e eles mandam-me uma moça da cor e feitio que eu quiser.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Para te acender o charuto e servir o <em>whisky</em>, não é?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Pois claro. Para que mais havia de ser?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Então manda-a passar por aqui para eu a ensinar. Não quero o meu senhor mal servido…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Riram-se os dois e ficaram algum tempo de mão dada, um pouco enleados, sem saberem bem o que dizer um ao outro. Por fim, foi ela que o mandou embora:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Anda, vai. Também precisas de descansar. Eu fico bem, daqui a pouco apago a luz.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">O dia seguinte foi passado na clínica, onde Teresa já podia passear uns minutos nos jardins.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Esta coisa ainda me incomoda – disse ela no fim de um destes passeios.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Dói-te?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Não, quase não me dói. Mas sinto que são objectos estranhos… Hei-de habituar-me, está claro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">No terceiro dia Teresa teve alta. Antes de sair, uma enfermeira levou-a com Raul a um quarto mobilado como o duma casa particular, com um quarto de banho normal, e ensinou-lhes alguns procedimentos que teriam que seguir no futuro: muita água, muito sabonete, muita água oxigenada, muita circulação de ar, e tudo sempre o mais seco possível.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Melhor andar de saia sem calcinha, moça… Não vai ter vergonha, vai?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Agora, havia que ocupar os dias. Teresa achava frustrante ter forças para andar e não o poder fazer tanto quanto queria. Os passeios no parque eram dados em passo lento, o que, se por um lado os fazia durar mais, por outro impacientava Teresa, que sempre gostara de caminhar depressa. Raul apontava-lhe os animais e as plantas, que naquele início de primavera brasileira animavam o parque com sons e com cores: assim conseguia que ela se detivesse por momentos e não forçasse demais o corpo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Na primeira noite que passaram juntos, Teresa decidiu que era tempo de voltar a assumir os seus deveres de escrava: depois dos beijos profusos e das demoradas carícias do reencontro, ajoelhou-se à frente dele, num gesto tão gracioso que dava a impressão de já nada lhe tolher os movimentos, e pediu:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Meu senhor, não queres gozar na minha boca? Há tanto tempo que não te sirvo…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Raul olhou-a nos olhos:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Lembras-te de como eu te ensinei, minha escrava?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Como não havia de me lembrar, meu senhor? Vou-te mostrar…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Raul desapareceu no quarto de banho da suite – aqui dizia-se banheiro – para reaparecer cheirando a sabonete e vestido com o pijama que ela lhe tinha oferecido. Sentou-se na poltrona e ordenou:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Anda cá, escrava, e abre-me o pijama.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Quando Teresa obedeceu, compreendeu a razão de ele ter vestido o pijama: estava completamente depilado na púbis e na zona genital, e tinha querido fazer-lhe uma surpresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Ficas bonito, meu senhor – disse Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Gostava, com efeito, de o ver assim. Agradava-lhe que ele não tivesse depilado as pernas nem as coxas, particularmente junto às virilhas, onde a pelugem é mais sedosa. Só depilara o escroto, a púbis e o ventre até ao umbigo. O pénis, assim, parecia maior, e viam-se melhor os testículos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Quando voltar a servir-me de ti pela vagina – explicou Raul – não quero que os meus pelos se enredem nos teus <em>piercings</em>. Comecei a fazer depilação a laser aqui na clínica. Em Portugal, continuo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Teresa sabia que o seu prazer não contava, mas não se pôde impedir de sentir que agora era mais agradável metê-lo na boca, sem ter que cuspir pelos. Começou a chupá-lo como ele lhe tinha ensinado, com ternura e respeito; mas desta vez experimentou uma técnica que tinha inventado: virar a cabeça para os lados de modo a poder acariciar-lhe a glande com a mucosa macia do interior das bochechas. De que ele gostou, não teve dúvidas. Mas também ela tinha uma necessidade o satisfazer, uma necessidade que não era física mas emocional: renovar a dádiva de si que estava no centro do seu amor por ele. Por isso se dedicou tanto, por isso apressou a carícia até sentir a boca inundada de esperma.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Limpou-o com a boca e com a língua: outra vantagem de ele se ter depilado era que esta limpeza era agora muito mais fácil. Depois sentou-se no chão, apoiou a cabeça nos joelhos dele e disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– É estranho como chupar-te me faz sentir propriedade tua mais do que qualquer outra coisa&#8230; e já estava a precisar de me lembrar, meu amor. Nunca deixes de usar a minha boca.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Não, minha querida – respondeu Raul. – Também eu te sinto mais escrava quando te ajoelhas para me servir, e não quero nunca prescindir de te possuir assim&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Dois dias depois de sair do hospital, Teresa foi com Raul ao consultório do cirurgião. O médico ficou tão satisfeito com a evolução dela que chamou Raul para junto de si:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Venha, venha ver… Olhe aqui, no interior dos anéis, como os tecidos estão a cicatrizar… Se continuarem assim, as cicatrizes vão ficar quase invisíveis, e os aros vão ficar bem firmes… É bom sua mulher ter os <em>labia majora</em> tão grandes e resistentes. Mas não se esqueçam que a cicatrização completa demora muito mais que a cicatrização visível… É importante que respeitem os prazos que eu lhes dei.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Nós sabemos, doutor – disse Teresa. – Vamos respeitá-los à risca…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;"><span> </span>Teresa não se permitia a impertinência de andar calçada no hotel: considerava que este era, de momento, a casa de Raul, onde tinha de mostrar humildade e respeito; mas nos jardins ele mandou que ela usasse havaianas: um passo em falso, provocado por qualquer pedra no caminho, seria perigoso.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Nos dias seguintes, Teresa tirou os pontos. Onde os anéis de titânio lhe entravam na carne, a pele estava muito fina e rosada, mas não lhe doía nem apresentava sinais de inflamação. Um automóvel alugado com motorista permitiu-lhe visitar com Raul alguns centros de interesse e percorrer duma ponta à outra a enorme Avenida Paulista. Uma noite, aproveitaram a proximidade do Auditório Ibirapuera para irem ouvir a Sinfonia Fantástica de Berlioz: o edifício de Niemeyer impressionou-os, e a música, furiosamente romântica, harmonizava-se com o seu estado de espírito. Passavam, porém, tanto tempo no hotel que Raul ganhou o hábito de se servir de Teresa pela boca mais vezes por dia do que seria de esperar de um homem com quase cinquenta anos. Teresa, que já tinha aprendido muito sobre as preferências dele nesta área, teve ocasião de aprender ainda mais, agora que nada se interpunha entre ela e a pele dele: a infinita leveza com que era preciso beijá-lo ou tocá-lo no escroto, o prazer que era possível dar-lhe passando-lhe a língua no períneo, a maior profundidade a que era agora possível engoli-lo e a necessidade de reaprender a não se engasgar … A ideia de se dedicar durante várias semanas exclusivamente a chupá-lo seduzia-a particularmente, a ponto de nem lhe interessar muito que ele a acariciasse. Tinha-lhe dito um dia que por vezes fantasiava não ser para ele mais do que uma cona; pois agora tinha a oportunidade de não ser mais do que uma boca; durante alguns dias concentrou-se em aproveitá-la e não se importou de andar com os maxilares sempre doridos. Agora que fazia cada vez mais da boca uma vagina de substituição, Teresa achava-se cada vez menos no direito de falar. Sem que ele lho ordenasse, ganhou o hábito de pedir autorização antes de iniciar qualquer conversa:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Posso falar, meu senhor?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Algumas vezes teve a surpresa de o ouvir dizer não, a ele que tanto gostava de a ouvir; mas estes silêncios impostos eram preenchidos, por um lado, por uma tensão erótica que a fazia cantar por dentro, e por outro por toda uma linguagem de gestos e olhares que era quase uma telepatia. Mas este período mágico tinha que terminar. No dia anterior ao do regresso a Portugal, Teresa, meio morta de vergonha, telefonou para a recepção a perguntar se lhe podiam indicar uma sex-shop que não fosse longe dali. Deram-lhe a indicação pedida, mas informaram-na que o próprio hotel poderia mandar entregar no quarto qualquer artigo mais corrente que a senhora desejasse. Era apenas um lubrificante, disse Teresa. Se era só isso, não precisava de ir à sex-shop: quando voltasse ao quarto, depois de a faxineira o arrumar, encontraria o que desejava no banheiro. E foi assim que Teresa deu a Raul a última abertura do seu corpo que lhe faltava utilizar. Bastou-lhe deitar-se nua sobre a cama, colocar uma bisnaga de lubrificante sobre a mesinha de cabeceira de modo a que ele reparasse, e pôr-se de bruços à espera.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Queres dar-me o teu cuzinho? – perguntou Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Não te posso dar o que não é meu – respondeu Teresa. – O meu cu sempre foi teu, mesmo que nunca te tenhas querido servir dele. Mas, se não é ousadia uma escrava exprimir um desejo, gostava que te servisses dele hoje.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Raul deu uma risada:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– É verdade, já é meu – observou. – E é verdade, és uma escrava muito ousada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Aqui dizem abusada – interrompeu Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Ousada ou abusada, vou-te fazer a vontade: prepara-te, porque não vou ter dó de ti.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Despiu o roupão e começou a acariciar as nádegas de Teresa, que se levantavam de encontro à mão dele como se tivessem vontade própria. A esta carícia seguiram-se duas ou três leves palmadas, que lhe rosaram a pele e a fizeram respirar um pouco mais fundo. Quando a viu ficar um pouco excitada, Raul pôs um pouco de gel nos dedos e começou a massajá-la em volta da abertura de trás, aproximando-se cada vez mais do centro e acabando por lhe introduzir o dedo indicador, primeiro só até à primeira articulação, depois até à segunda, por fim até à base.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Quando lhe encostou ao ânus a ponta do pénis, que também tinha lubrificado cuidadosamente, disse-lhe que fizesse força para fora, como se estivesse a fazer sair qualquer coisa e não a deixá-la entrar. Teresa sorriu: este truque, conhecia-o ela dos seus anos de puta. Sempre tinha tentado evitar o sexo anal, mas nem sempre isto dependera da sua vontade. Mas agradou-lhe que Raul a tratasse como a uma jovem inocente; e de facto, desde a última vez que tinha sido possuída por trás, tinham-se passado tantos anos que o rabo se apertara de novo. Apesar Raul de ter tido todo o cuidado em lubrificá-la e em lubrificar-se, teve muito menos ao penetrá-la. Isto agradou a Teresa: <em>sexo por trás é para doer</em>, pensou; e embora gemesse de dor, virou a cara para e entreabriu os lábios num convite a que ele a beijasse.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">O voo de volta foi mais difícil para Teresa do que tinha sido o de ida. Raul tinha comprado lugares em primeira classe, para que Teresa, sentada sobre os seus <em>piercings</em>, tivesse mais amplitude para ajustar a sua posição no assento – necessidade esta que ter o rabo dorido tornava agora mais premente. Reservara um lugar junto à coxia, para que ela se pudesse pôr de pé algumas vezes. Mas tratava-se dum voo nocturno, e Teresa também dormiu não podia passar o tempo todo a passear pela coxia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Chegaram a Pedras Rubras, estremunhados, às nove da manhã. À sua espera estava Milena, muito engomada no seu uniforme de empregada, e com ela Ana e Miguel, que os acompanharam a casa. Depois do pequeno-almoço, Raul mandou Teresa deitar-se no sofá, levantou-lhe a saia e examinou-lhe o sexo: nos pontos de inserção dos <em>piercings,</em> a carne estava um pouco inchada e avermelhada. Depois do duche, que tomaram juntos, Raul fez questão que ela se secasse bem antes de ele próprio aplicar a pomada desinfectante e anti-inflamatória que o médico tinha receitado. Passaram o resto da manhã na cama, a descansar e a conversar. Almoçaram em casa, servidos por Milena, que pôs sobre a cadeira de Teresa a almofada mais macia que havia em casa; e de tarde passearam um pouco a pé: foram até à Rotunda da Boavista, à Casa da Música, tiraram fotografias um ao outro como um par de namorados e pediram a um casal de turistas que os fotografasse juntos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Espere, deixe-me tirar os sapatos! – disse Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Enquanto a senhora, já de cabelos brancos, lhe segurava os sapatos para que não ficassem caídos no chão a estragar a foto, o marido tirava-lhes o retrato, sorrindo com indulgência da veleidade romântica de Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">De novo em casa, Raul foi para o escritório e mandou Teresa de novo para a cama: queria-a de pé ou deitada; mas sentada, o mínimo possível. À noite não quis possuí-la por trás: era sua intenção fazê-lo raramente, de modo a que a abertura se mantivesse sempre apertada. <em>Ele também acha que por trás é para doer,</em> pensou Teresa; e pôs no beijo que deu a Raul um pequeno extra de ternura.</p>
<br /> Tagged: amor de escrava, aos pés do dono, beijar, cadeado na vagina, dádiva de si, descalça em público, engolir esperma, escrava, nádegas, nua, pénis, piercings na vulva, pompoar, possuída, respeito, sem calcinhas, servir o dono, sexo anal, sexo depilado, sofrer, vagina <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/440/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/440/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/440/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/440/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/440/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/440/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/440/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/440/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/440/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/440/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/440/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/440/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/440/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/440/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=440&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/31/440/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYRs2G2SmwI/AAAAAAAAArs/8PAkjMDtecY/s400/1700.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Work in Progress</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/30/work-in-progress-3/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/30/work-in-progress-3/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2009 17:20:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação]]></category>
		<category><![CDATA[BDSM]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=438</guid>
		<description><![CDATA[Afinal, o conto está a adquirir dimensões de novela, e progride devagar porque estou a alternar com a revisão do romance o trabalho que faço nele. Além disso, noto em mim uma tendência para dar às personagens do conto os nomes das personagens do romance. Vou ter que copiar tudo para o Word e fazer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=438&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYM0JKIw-cI/AAAAAAAAArk/Zcb7RPkUmQ4/s1600-h/Image1_1x1222.jpg"><img style="display:block;text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYM0JKIw-cI/AAAAAAAAArk/Zcb7RPkUmQ4/s400/Image1_1x1222.jpg" border="0" alt="" width="443" height="173" /></a><br />
<span style="color:#003300;">Afinal, o conto está a adquirir dimensões de novela, e progride devagar porque estou a alternar com a revisão do romance o trabalho que faço nele. Além disso, noto em mim uma tendência para dar às personagens do conto os nomes das personagens do romance. Vou ter que copiar tudo para o Word e fazer uma pesquisa de palavras para ver se nunca chamei Raul a Rui ou Teresa a Joana. Agora que a história está mais adiantada, já vejo para onde se está a encaminhar: para o possível (ou impossível) diálogo ético entre o mundo BDSM e o mundo baunilha.</span></p>
<p><span style="color:#003300;">Um abraço para todos os meus leitores.</span></p>
<br /> Tagged: BDSM <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/438/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/438/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/438/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=438&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/30/work-in-progress-3/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SYM0JKIw-cI/AAAAAAAAArk/Zcb7RPkUmQ4/s400/Image1_1x1222.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Uma explicação</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/25/pedido-de-desculpas/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/25/pedido-de-desculpas/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2009 12:56:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[Informação]]></category>
		<category><![CDATA[orgasmo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=422</guid>
		<description><![CDATA[Tenho negligenciado este blogue porque gasto a maior parte do meu tempo livre a rever e a alterar o romance que escrevi. Resolvi, para compensar os meus leitores, escrever um conto para publicar aqui, e mais tarde nos sites Dominium Online, BDSM Portugal e Contos BDSM. Enquanto não o termino, deixo aqui esta imagem: Tagged: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=422&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#663300;">Tenho negligenciado este blogue porque gasto a maior parte do meu tempo livre a rever e a alterar o romance que escrevi. Resolvi, para compensar os meus leitores, escrever um conto para publicar aqui, e mais tarde nos sites</span> <a href="http://dominiumonline.com/forum/">Dominium Online,</a> <a href="http://bdsmportugal.org/">BDSM Portugal</a> <span style="color:#663333;">e</span> <a href="http://www.contosbdsm.com/">Contos BDSM.</a> <span style="color:#663300;">Enquanto não o termino, deixo aqui esta imagem:</span></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SXys5MYTwEI/AAAAAAAAArc/5VD-dDnGTjU/s1600-h/m2.JPG"><img style="display:block;text-align:center;cursor:pointer;width:639px;height:478px;margin:0 auto 10px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SXys5MYTwEI/AAAAAAAAArc/5VD-dDnGTjU/s400/m2.JPG" border="0" alt="" /></a></p>
<br /> Tagged: orgasmo <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/422/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=422&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/25/pedido-de-desculpas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SXys5MYTwEI/AAAAAAAAArc/5VD-dDnGTjU/s400/m2.JPG" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 21)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/19/romance-excerto-21/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/19/romance-excerto-21/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 14:16:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[submissa]]></category>
		<category><![CDATA[vergasta]]></category>
		<category><![CDATA[amarrada]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor]]></category>
		<category><![CDATA[domínio]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[vagina]]></category>
		<category><![CDATA[puta]]></category>
		<category><![CDATA[sexo depilado]]></category>
		<category><![CDATA[dança erótica]]></category>
		<category><![CDATA[beijar o chicote]]></category>
		<category><![CDATA[humilhação]]></category>
		<category><![CDATA[pompoar]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[castigo]]></category>
		<category><![CDATA[vibrador]]></category>
		<category><![CDATA[agradecer o castigo]]></category>
		<category><![CDATA[amor de escrava]]></category>
		<category><![CDATA[bar Justine]]></category>
		<category><![CDATA[safe sane and consensual]]></category>
		<category><![CDATA[vergastada na vulva]]></category>
		<category><![CDATA[marcas de chicote]]></category>
		<category><![CDATA[trajo de escrava]]></category>
		<category><![CDATA[pés nus]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=402</guid>
		<description><![CDATA[Continuou a dizer baixinho “amo-te, amo-te, amo-te” enquanto tentava prever ao fim de quantas chicotadas começaria a gritar.
Começou a gritar logo à primeira, um berro agudo e ensurdecedor que dificilmente se acreditaria que pudesse ficar confinado entre as paredes do quarto, ou sequer da casa. <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=402&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a><img style="float:right;cursor:pointer;margin:0 0 10px 10px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SXRdXYfd_NI/AAAAAAAAAqg/cOM4hA8L5AA/s400/112.jpg" border="0" alt="" width="212" height="160" /></a> <a name="_Toc213154774"><span>Cap. 33: </span></a><span style="color:#333300;">NO LIMITE</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;color:#333300;">Nas semanas seguintes, Ana e Miguel tornaram-se frequentadores do <em>Justine</em>, primeiro na companhia de Raul e Teresa, depois, muitas vezes, sozinhos. Conversando com as pessoas que conheceram, depressa se aperceberam que o compromisso absoluto de Raul e Teresa era muito mais radical do que era costume no meio. Não era uma questão de mais submissão ou menos submissão, mais dor ou menos dor, mas daquilo em que cada um centrava os seus desejos e a sua ideia de felicidade. Antes de frequentarem o <em>Justine</em>, Ana e Miguel pensavam que, quando uma pessoa submissa encontrava uma pessoa dominante, a história tinha chegado mais ou menos ao fim: pouco mais restava do que serem felizes para sempre. Verificavam agora que isto estava longe de ser o caso: era difícil encontrar o dominante certo para o submisso certo, e no <em>Justine, </em>como em qualquer outro lugar, não faltavam corações partidos. Aprenderam também a tolerância, uma vez que os centros do desejo eram quase tantos como as pessoas à sua volta: para uns a moda e o <em>fetiche</em>, para outros a dor física ou a humilhação, para outros a restrição de movimentos, para outros a entrega – que não era a mesma coisa que dádiva; alguns praticavam a monogamia mais estrita, outros viam a expressão máxima do domínio na cedência a terceiros do submisso ou da submissa, sem lhe permitir qualquer escolha quanto à identidade, quanto ao número, ou quanto ao sexo, da pessoa ou pessoas a quem temporariamente servia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Quase sempre os centros do desejo eram múltiplos, o que tornava tudo ainda mais complicado. Miguel e Ana estavam convencidos que eram o dominante certo para a submissa certa, mas nem por isso deixaram de beneficiar do convívio que tiveram com outros frequentadores do bar. Não os surpreendeu a adesão quase fanática de todos a uma ética muito rígida e muito simples que se exprimia na máxima “<em>safe, sane and consensual”</em>: uma regra como esta era necessária num meio em que se cruzavam personalidades e desejos tão diversos, e era uma boa base para que a comunidade pudesse organizar uma rede informal mas eficaz de protecção mútua contra predadores e psicopatas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Raul e Teresa eram menos assíduos. Quando ia ao <em>Justine</em>, Teresa costumava levar, enfiado na vagina, o primeiro óvulo de controlo remoto que Raul tinha adquirido. O óvulo mais recente, operado por telemóvel, nunca era usado no <em>Justine</em> e raramente noutros lugares: só algumas vezes, quando Teresa ia às compras ou encontrar-se com amigos e familiares. No <em>Justine</em>, Teresa estava sempre consciente que, estivesse a fazer o que estivesse – a falar com outros frequentadores do clube, a arranjar-se nos lavabos, a trazer uma bebida ao dono, a qualquer momento se poderia desencadear no interior do seu corpo, sem aviso, aquela vibração que para a sua sensibilidade continuava a misturar sofrimento e prazer. Miguel perguntou a Raul onde podia adquirir um aparelho semelhante, e passados poucos dias Ana passou também a usar um óvulo na vagina; mas para ela a sensação era de puro prazer.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Ana e Miguel não se tratavam por “meu senhor” ou “minha escrava”; perante terceiros, ele referia-se a ela como “a Ana” – ou, no <span style="font-style:italic;">Justine</span>, &#8220;a trilby&#8221; –  e ela a ele como “o meu Dono”. Descontadas estas formalidades, que não eram importantes, a sua relação parecia encaminhar-se numa direcção semelhante à de Raul e Teresa. Isto preocupava um pouco o par mais velho, que se sentia responsável e sabia que nem todas as relações de domínio e submissão se conformam a modalidades tão exigentes como a que tinham escolhido para si próprios. Preocupava-os a possibilidade de os dois jovens fazerem uma escolha que mais tarde um ou outro não pudesse suportar. Por isso viam com bons olhos a maneira como eles se iam integrando na comunidade: assim podiam conhecer outras formas de domínio e submissão e construir por si próprios a que mais se adaptava às suas necessidades particulares.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Um assunto que discutiam muito era o que aconteceria se as necessidades de um deixassem alguma vez de corresponder às do outro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Mas não correspondem? – perguntava sempre Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Correspondem – respondia sempre Ana ou Miguel. – Mas se não correspondessem, como era?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Em teoria prevaleceriam as necessidades do Miguel – preconizava Teresa, radical como sempre.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Mas na prática – prevenia Raul – têm que ter algo em comum para que os desejos de um possam enriquecer os do outro. É este o vosso caso, parece-me, e por isso não vejo porque se preocupam. Teriam razão para se preocuparem, por exemplo, se para um de vós uma coisa qualquer tivesse um valor simbólico ou erótico muito grande, que a tornasse indispensável, e para o outro essa coisa fosse absolutamente insuportável.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Mas por outro lado – disse Teresa durante uma destas conversas – se aquilo que o senhor exige não for de todo insuportável para a escrava, esta dificuldade até pode ser uma coisa boa: pode ser uma forma de tornar a escrava mais escrava. É como os meus pés nus: no imaginário do Raul os pés nus sempre foram um símbolo importante de humildade e submissão. Agora já o são também no meu imaginário, que por isso mesmo está mais rico: já faziam antes parte dele, mas tinham outro significado, diferente e mais limitado. Este significado não se perdeu, apenas se lhe acrescentou o que Raul lhe deu. Claro que andar descalça é muitas vezes um grande sacrifício, e por vezes, em público, quase morro de vergonha. Mas para mim vale a pena: uma escrava que não esteja preparada para fazer sacrifícios grandes não merece o nome de escrava.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">[ ...]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;"><!--   /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0in;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:8.5in 11.0in;  margin:70.85pt 85.05pt 70.85pt 85.05pt;  mso-header-margin:.5in;  mso-footer-margin:.5in;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Raul sorriu levemente, fez-lhe uma pequena festa no rosto e virou-lhe as costas para ir pousar o chicote na banca. Depois voltou com cordas para lhe amarrar os pulsos e os tornozelos aos quatro cantos do rectângulo formado pelas colunas. Teresa deixou-se amarrar docilmente; fechou os olhos e começou a murmurar repetidamente “amo-te, amo-te, amo-te”, como se a repetição infinita desta verdade fosse o mantra que a ia proteger na provação que a esperava.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Agora vou-te vendar – disse Raul. – Posso?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Para não interromper o “amo-te, amo-te, amo-te” que continuava a dizer baixinho, Teresa limitou-se a acenar que sim. Se estivesse em estado de achar graça a alguma coisa, teria sorrido por ele ter pedido permissão para a vendar quando não precisava de permissão para nada do que estava a fazer. Continuou a dizer baixinho “amo-te, amo-te, amo-te” enquanto tentava prever ao fim de quantas chicotadas começaria a gritar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Começou a gritar logo à primeira, um berro agudo e ensurdecedor que dificilmente se acreditaria que pudesse ficar confinado entre as paredes do quarto, ou sequer da casa. Esta chicotada atingiu-a obliquamente nas nádegas, marcando um traço que ia da parte superior da esquerda à inferior da direita. A segunda atingiu-a horizontalmente e um pouco mais acima, arrancando-lhe um grito tão forte como o primeiro. Das que se seguiram, nenhuma correspondia a nada que ela pudesse ter imaginado ser capaz de suportar. Mais do que todas as outras, doeram-lhe as que a atingiram no rego entre as nádegas e as coxas; mas por esta altura já se tinha cansado de gritar. Os primeiros gritos que soltara tinham sido emitidos num soprano cristalino, mas pouco a pouco foram enrouquecendo até se tornarem urros que quase nada tinham de humano. E mesmo estes acabaram por dar lugar a arquejos de aflição, entremeados de rosnidos de fera encurralada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">O chicote não fazia um silvo tão agudo como o da vergasta, e o som que fazia ao contactar com a carne não era tão seco. Mas a dor era inconcebivelmente maior, maior do que qualquer punição que Teresa já tivesse recebido.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Quanto tempo durou isto? Não é possível contá-lo, nem em segundos, nem em minutos, nem em número de golpes desferidos. Teresa só soube que o seu tormento tinha terminado quando Raul lhe tirou a venda. Olhou à sua volta, espantada: o quarto era o mesmo, o mundo não tinha mudado. Quando Raul lhe libertou os tornozelos, esfregou os pés um no outro, tentando restaurar a circulação. Depois, quando ele lhe libertou os pulsos, as mãos voaram-lhe para onde tinham estado antes de ele a amarrar: cruzadas em frente ao sexo, escondendo-o, tapando-o, negando-o ao olhar e ao desejo do macho. Raul não lhe ordenou que descruzasse as mãos: pôs-se em frente dela, olhou-a nos olhos – que ela não conseguiu furtar aos dele – disse-lhe “amo-te” e foi de novo buscar o chicote.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Teresa bem sabia para que era agora o chicote, era para ela o beijar: e nesse momento sentiu-se invadir por uma tal revolta, que numa fracção de segundo, na sua imaginação, saiu dali, vestiu-se, fez a mala, chamou um táxi, foi para o aeroporto e regressou ao seu apartamento no <em>Corso Magenta</em>. Mas na realidade, o que fez foi ajoelhar-se e beijar o chicote, sem que Raul precisasse de lho ordenar. Depois levantou os olhos para o dono e viu-o imóvel, de pé, à espera. À espera de quê? Que mais que queria ele ainda? Que ela lhe dissesse o que disse, é claro:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Obrigada, meu dono.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">No momento em que estas palavras lhe saíram da boca aconteceu uma coisa que a fez sentir ódio por si mesma: enrubesceu, os lábios entreabriram-se, os quadris rodaram num círculo imperceptível, como se tivessem vontade própria, e sentiu-se a ficar molhada. Este ódio por si própria, assim como veio, assim desapareceu; a vergonha a que ele deu lugar também teve a vida curta; a excitação, essa sim, permaneceu – e com ela surgiu-lhe na alma um sentimento de orgulho que a levou a repetir:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Obrigada, meu senhor. Amo-te. Faças de mim o que fizeres, hei-de amar-te sempre.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Esta expressão de submissão não lhe amainou de todo a revolta: uma coisa era aceitar, por sua deliberada vontade, a dor que ele lhe quisesse dar, outra era responder-lhe com uma reacção involuntária do corpo. Mas não, estava a ser injusta: o acto de vontade tinha vindo antes, tinha sido responsabilidade sua; e se o corpo estava de acordo com a vontade, não merecia censura. <em>Rola os quadris, escrava, entreabre a boca, semicerra os olhos,</em> pensou Teresa. <em>Afasta as pernas. Deixa que a cona se molhe. Tens direito a tudo isso: fui eu, enquanto mulher livre, que to dei</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;"><!--   /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0in;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:8.5in 11.0in;  margin:70.85pt 85.05pt 70.85pt 85.05pt;  mso-header-margin:.5in;  mso-footer-margin:.5in;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;"><em>Nem fazer segredo, nem fazer alarde</em>, pensou Teresa. Era este o princípio que ela e Raul tinham adoptado. Numa aula de dança, em que está presente apenas um número limitado de pessoas, vestir-se como de costume não seria fazer alarde, tapar-se toda é que seria fazer segredo. Já o tinha feito uma vez, não ia fazê-lo de novo. <em>Vamos lá ver o que acontece</em>, pensou, e apresentou-se na aula com uma saia vermelha de cintura baixa que lhe deixava a descoberto quase todas a zonas do corpo onde tinha sido chicoteada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">O que aconteceu foi espanto, repulsa, solicitude e indignação. Não serviu de muito explicar que tudo se tinha passado com o seu consentimento: somente nalguns casos a indignação deixou de ser contra Raul e passou a ser contra ela. Em algumas das mulheres presentes, porém, a indignação foi mais convencional que sentida; houve as que ficaram um momento pensativas e não disseram nada; e Ana, é claro, ficou fascinada, querendo saber tudo, se tinha doído muito, se tinham feito amor depois, se ela própria seria capaz de suportar o mesmo, se Miguel quereria alguma vez, ou poderia, castigá-la assim.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Se o Miguel te fizesse isto, suportavas?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Claro que suportava! – respondeu Ana.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Não sabes o que dói… – disse Teresa. – Dói mesmo muito, e parece que dura séculos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Não interessa, suportava e agradecia – respondeu Ana.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Teresa ficou sem saber se tamanha certeza lhe vinha do auto-conhecimento, dalguma necessidade antiga, ou apenas da extrema juventude, que não teme nada. Dançou particularmente bem nesse dia; se isto a fez subir ou descer na consideração das colegas, nunca chegou a sabê-lo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;"><!--   /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0in;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:8.5in 11.0in;  margin:70.85pt 85.05pt 70.85pt 85.05pt;  mso-header-margin:.5in;  mso-footer-margin:.5in;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Era um Setembro quente, mais quente do que tinha sido Agosto. Nestes primeiros dias do mês, Teresa tinha sido punida quase diariamente com uma variedade de instrumentos, uns mais dolorosos do que outros, mas o chicote que lhe causara a dor maior e as marcas mais fundas não voltara a ser usado. Cada punição confirmava o que Teresa já sabia: que a expectativa a excitava um pouco; que a experiência, enquanto durava, lhe tirava toda a excitação; e que se voltava a excitar, confirmando-se como escrava de Raul de um modo cada vez mais inegável, no momento em que se ajoelhava para beijar o chicote e para agradecer o castigo. Teresa compreendia e aprovava a intenção, que adivinhava em Raul, de transformar esta confirmação em rotina: não bastava que o “obrigada” e o “amo-te” que proferia ritualmente fossem verdade, como de facto eram: era preciso que se tornassem inevitáveis, automáticos, evidentes, a tal ponto que a sua eventual omissão se tornasse, ela sim, uma mentira.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Uma noite, Raul colocou um banco almofadado entre as duas colunas, mandou-a sentar e atou-lhe os pulsos aos capitéis, esticando-lhe os braços. Para dar folga às cordas, bastaria a Teresa pôr-se de pé, mas ele apertou-lhe um cinto aos quadris e atou-o com cordas a duas argolas na base das colunas. Agora ela já não poderia aliviar a tensão dos braços, mesmo que quisesse; mas mesmo assim Raul esticou as cordas ainda mais. Teresa ainda tinha os pés assentes no chão, mas ele amarrou-lhe os tornozelos, fê-la levantar as pernas e amarrou as pontas das cordas às mesmas argolas a que tinha amarrado os pulsos: Teresa tinha agora os braços e as pernas no ar, as nádegas assentes no banco, e o sexo arreganhado, todo à vista. Foi nesta posição que ele a vergastou, assentando-lhe os golpes na pele fina do interior das coxas, na parte de baixo das nádegas, e sobretudo na vulva. Teresa já tinha desistido de comparar dor com dor: já tinha aprendido que a punição que dói mais era sempre a que estava a sofrer no momento. Entregou-se toda à dor; ou, melhor dizendo, não foi preciso entregar-se, porque a dor se apoderou dela como sempre, totalmente, sem deixar lugar para qualquer outra sensação ou pensamento.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;"><!--   /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0in;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:8.5in 11.0in;  margin:70.85pt 85.05pt 70.85pt 85.05pt;  mso-header-margin:.5in;  mso-footer-margin:.5in;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Dias depois, teve mais uma sessão de depilação eléctrica, e temia que a esteticista lhe visse as marcas da vergasta. De facto ainda as tinha, mas não sentiu a vergonha que teria sentido uns meses antes. A esteticista, quando as viu, comentou que a senhora afinal estava habituada a dores piores do que as que ela lhe provocava; para além disto não teve qualquer reacção, a menos que por reacção se contasse o especial cuidado com que a tratou. <em>As pessoas nunca são quem julgamos</em>, pensou Teresa, ao dar-se conta de que não sabia a que atribuir aquela vaga simpatia da esteticista: entrariam ali todos os dias mulheres com marcas de vergasta no sexo? Todas as semanas? Todos os anos? Ou teria sido ela a primeira, destinada talvez a ser também a última? Teria esta jovem tranquila visto alguma vez marcas semelhantes noutros contextos, noutros corpos, quem sabe se no seu próprio? Quantos mundos existem à nossa volta, diferentes uns dos outros, diferentes daquele que julgamos estar a ver?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">De tarde vestiu uma saia que tanto servia para andar na rua como para dançar. Na parte superior do corpo pôs um choli que, ao contrário dum top rígido, permitiria que os seios lhe oscilassem sem terem que ficar nus, escandalizando as outras alunas. Na aula, prestou atenção a todas as instruções da professora, de modo a que todos os movimentos fossem exactos e perfeitos mas ao mesmo tempo fluidos e soltos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">– Hoje dançou muito bem – disse-lhe a professora. – Houve momentos em que pareceu inspirada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Antes de ir lanchar com Ana, Teresa queria passar pelas colegas e pela professora uma folha em que elas pusessem os endereços para lhes poder enviar os convites para o casamento. Recolhida a folha, verificou que algumas a tinham passado adiante sem escrever nada: estavam no seu direito. No dia seguinte de manhã, depois da aula de <em>pompoar</em>, passou outra folha e ficou contente porque desta vez todas as colegas escreveram os seus endereços. Esta aula foi a primeira em que as alunas usaram vibradores; mas, ao contrário do que Teresa chegara a temer, desligados. O objectivo era ver se eram capazes de sugar o vibrador para dentro da vagina e de o expulsar sem usar outros músculos além dos que tinham estado a exercitar nas aulas anteriores. Teresa não foi das que tiveram mais dificuldade, mas o esforço foi tão grande que, ao saber que mais tarde se esperaria dela e das colegas que sugassem e expulsassem o vibrador dezenas de vezes seguidas, duvidou que tal fosse possível.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Teresa sempre tinha exercido uma profissão, e isto tinha-lhe alargado o mundo. <em>Até puta fui,</em> pensava por vezes, cada vez com menos amargura mas talvez com mais melancolia. Depois decidira dedicar-se inteiramente a Raul, mas sempre com uma réstia de medo que esta opção a confinasse a uma estreiteza de vida que não desejava. Verificava agora que o amor e o sexo, a obediência e o serviço prestados a um senhor, podem constituir uma ocupação a tempo inteiro, exigindo organização, disciplina e um treino intenso e difícil. Não se sentia menos digna como escrava do que se tinha sentido quando era uma mulher de carreira no mundo do jornalismo e da moda; tinha passado, pelo contrário, dum estatuto virtual para um estatuto real que a fazia sentir-se mais presente no mundo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#333300;">Foi assim, serena e segura de si como uma matriarca antiga, que assistiu à assinatura dos últimos papéis e ao cumprimento das últimas formalidades que conferiam à sua irmã Carolina a propriedade da empresa que tinha fundado. Também Carolina teve neste dia o seu acesso a um mundo ligeiramente diferente: abandonava o proletariado, tornava-se senhora de si e não tinha ninguém a quem prestar contas. E se não se deu conta que por este caminho tão diferente tinha chegado exactamente ao mesmo ponto que a irmã, já a esta o facto não passou despercebido. O Mundo é com efeito prodigioso e vário.</p>
<br /> Tagged: agradecer o castigo, amarrada, amor de escrava, bar Justine, beijar o chicote, castigo, dança erótica, domínio, escrava, humilhação, marcas de chicote, pés nus, pompoar, puta, respeito, safe sane and consensual, Senhor, sexo depilado, sofrer, submissa, trajo de escrava, vagina, vergasta, vergastada na vulva, vibrador <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/402/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=402&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/19/romance-excerto-21/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SXRdXYfd_NI/AAAAAAAAAqg/cOM4hA8L5AA/s400/112.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Humilhação</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/02/humilhacao/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/02/humilhacao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 02 Jan 2009 01:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[agradecer o castigo]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[castigo]]></category>
		<category><![CDATA[dádiva de si]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[humilhação]]></category>
		<category><![CDATA[limites]]></category>
		<category><![CDATA[obedecer]]></category>
		<category><![CDATA[possuída]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor]]></category>
		<category><![CDATA[servir o dono]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=395</guid>
		<description><![CDATA[Ouçamos o que nos diz uma escrava: «não aceito ser humilhada». Tentemos entendê-la. Ela tem um Senhor, e ama-o. Define a sua escravidão em três palavras: servir, obedecer, sofrer. É assim que ela sabe e quer amar; e como o seu ideal de amor é infinito, sente como uma imperfeição qualquer limite à sua capacidade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=395&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SV1g2ha0f7I/AAAAAAAAAqY/X6apGKHe7JM/s1600-h/saudek2.jpg"><img style="float:left;cursor:pointer;width:155px;height:231px;margin:0 10px 10px 0;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SV1g2ha0f7I/AAAAAAAAAqY/X6apGKHe7JM/s400/saudek2.jpg" border="0" alt="" /></a><span style="color:#003300;">Ouçamos o que nos diz uma escrava: «não aceito ser humilhada». Tentemos entendê-la. Ela tem um Senhor, e ama-o. Define a sua escravidão em três palavras: servir, obedecer, sofrer. É assim que ela sabe e quer amar; e como o seu ideal de amor é infinito, sente como uma imperfeição qualquer limite à sua capacidade de servir, de obedecer ou de sofrer.</span></p>
<p><span style="color:#003300;">Ouçamos o Senhor desta escrava. Ele ama-a, e respeita-a, e nunca perdoaria a si próprio se a humilhasse. As modalidades do seu amor por ela são o domínio e a posse: é assim que ele sabe e quer amá-la. Exige dela que o sirva na perfeição, que lhe obedeça com dedicação e inteligência, que aceite e agradeça o sofrimento que ele lhe provoca. Usa o direito que tem de a punir para a consolar de não ser perfeita. Se a castiga sem ela ter cometido qualquer falta, está-lhe a dizer com cada golpe de vergasta: «és minha, tenho este direito sobre ti, e como o tenho, exerço-o». Ela, que quer ser dele, compreende, aceita e agradece o castigo &#8211; e porque se sente possuída, sente-se amada.</span></p>
<p><span style="color:#003300;">Se a castiga por uma falha dela no seu dever de servir e obedecer, está a dizer-lhe: «sei bem, meu amor, que não és perfeita; sei também o quanto queres sê-lo; exijo-te que te aproximes sempre mais da perfeição, mas não te exijo que chegues lá. Ninguém chega lá. Vê: serviste-me mal, ou obedeceste-me mal, ou talvez até me tenhas desobedecido de propósito; mas agora vais saber sofrer bem. Fica sabendo que te amo tanto na tua imperfeição como amaria um anjo».</span></p>
<p><span style="color:#003300;">Com outra escrava, com outro Senhor, tudo isto que estou a escrever seria diferente. Mas mantenhamo-nos com estes dois.</span></p>
<p><span style="color:#003300;">Como poderia este Senhor humilhar esta escrava? Humilharia a sua escrava, certamente, se desprezasse a sua dádiva de serviço, obediência e sofrimento. Se a aceitasse sem lhe dar valor, como se fosse coisa pouca. Quando esta escrava diz que não aceita ser humilhada, está a pedir ao seu Senhor que dê à sua dádiva o valor que ela tem, e que é imenso. Uma escrava tem muito poucos direitos: mas este, tem-no, certamente.</span></p>
<p><span style="color:#003300;">Humilharia a sua escrava, também, se não soubesse reconhecer a diferença entre um limite alegado e um limite real. O limite alegado está aquém do limite real (também por isto ela se sente imperfeita). Ao levá-la-la a ultrapassar um limite alegado, estará no seu direito de Senhor, e não estará a humilhar a sua escrava, mas sim a honrá-la. Se a levar além do que ela </span><span style="font-style:italic;color:#003300;">quer </span><span style="color:#003300;">fazer, continua no seu direito: toda a verdadeira escrava sabe e aceita que faz parte da sua condição fazer muitas vezes o que não quer, e muitas vezes não fazer o que quer. Mas se o seu Senhor a levar além do que ela </span><span style="font-style:italic;color:#003300;">pode </span><span style="color:#003300;">fazer, isso será uma humilhação que deixará feridas, talvez incuráveis.</span></p>
<p><span style="color:#003300;">É difícil para um senhor distinguir entre o que a sua escrava não </span><span style="font-style:italic;color:#003300;">quer </span><span style="color:#003300;">fazer e o que ela não </span><span style="font-style:italic;color:#003300;">pode </span><span style="color:#003300;">fazer &#8211; e tanto mais difícil quanto é certo que ela própria pode não saber distinguir. Mas aí a responsabilidade é dele, e não dela.</span></p>
<p><span style="color:#003300;">A escrava tem dignidade; e como tem dignidade, tem vontade; e como tem vontade, tem querer. E tanto tem querer, que quis fazer uma dádiva de si própria; tanto tem querer, que quer ser perfeita. E a beleza terrível da sua escravidão está nisto: ela tem querer, mas não tem quereres.</span></p>
<p><span style="color:#003300;">E é por isso que há momentos em que o senhor respeita a sua escrava tanto mais, quanto mais a humilha. A humilhação é respeito quando ele lhe proíbe quereres; quando lhe proíbe caprichos; quando lhe proíbe certos pudores. São momentos em que é direito dele, e talvez dever dele, humilhá-la; mas não são estas as humilhações que ela tem em mente quando diz «não aceito ser humilhada». </span></p>
<p><span style="color:#003300;">São estas, também, as humilhações que a escrava pode evitar humilhando-se ela antes, num jogo em que ambos &#8211; ela e o seu Senhor &#8211; encontrarão o mais requintado dos prazeres.</span></p>
<p><span style="color:#003300;">Mencionei acima a «beleza terrível» da escravidão desejada. É terrível porque infunde terror: e não só o infunde na escrava, como em todos à volta, incluindo o seu Senhor. Saiba o Senhor maravilhar-se com tamanha beleza; saiba ele sentir, sem lhe ceder, o terror que esta beleza infunde: saberá assim respeitar a sua escrava; e se entender que deve humilhá-la, saberá fazê-lo só na medida em que esta humilhação eleva os dois.</span></p>
<br /> Tagged: agradecer o castigo, amor, castigo, dádiva de si, escrava, humilhação, limites, obedecer, possuída, respeito, Senhor, servir o dono, sofrer <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/395/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=395&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2009/01/02/humilhacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SV1g2ha0f7I/AAAAAAAAAqY/X6apGKHe7JM/s400/saudek2.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 20)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/25/390/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/25/390/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Dec 2008 19:45:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[BDSM]]></category>
		<category><![CDATA[castigo]]></category>
		<category><![CDATA[dança erótica]]></category>
		<category><![CDATA[descalça em público]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[escrava gótica]]></category>
		<category><![CDATA[mamilos]]></category>
		<category><![CDATA[obedecer]]></category>
		<category><![CDATA[pompoar]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[roupa transparente]]></category>
		<category><![CDATA[saltos altos]]></category>
		<category><![CDATA[sem calcinhas]]></category>
		<category><![CDATA[sem soutien]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor]]></category>
		<category><![CDATA[sexo depilado]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[submissa]]></category>
		<category><![CDATA[vergasta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/25/390/</guid>
		<description><![CDATA[Cap. 32: DISCÍPULOS [ ... ] Entre as colegas de Teresa na dança havia uma jovem que também era colega dela no pompoar: chamava-se Ana e ainda não tinha vinte anos. Foi esta jovem que uma tarde convidou Teresa para lanchar. Quando Teresa lhe disse que não podia aceitar este convite sem autorização do namorado, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=390&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SVPc3LQLDCI/AAAAAAAAAqQ/l13Au3obMM0/s1600-h/SGP001306.jpg"><img style="float:right;cursor:pointer;width:277px;height:182px;margin:0 0 10px 10px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SVPc3LQLDCI/AAAAAAAAAqQ/l13Au3obMM0/s400/SGP001306.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;color:#330099;">Cap. 32: DISCÍPULOS</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Entre as colegas de Teresa na dança havia uma jovem que também era colega dela no <em>pompoar</em>: chamava-se Ana e ainda não tinha vinte anos. Foi esta jovem que uma tarde convidou Teresa para lanchar. Quando Teresa lhe disse que não podia aceitar este convite sem autorização do namorado, Ana não mostrou repulsa nem surpresa, antes deleite:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Então pede-lhe, por favor!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Mal tinham tido tempo de mandar vir as meias de leite e as torradas quando Ana, impaciente, começou a conversa:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Quer dizer que nunca fazes nada sem autorização do teu namorado?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Teresa sorriu.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– É claro que faço muitas coisas por minha iniciativa, nem ele quereria que fosse doutra maneira. Mas uma das coisas em que combinámos que eu não teria qualquer liberdade foi o uso do meu tempo: por isso é que tive que lhe telefonar antes de aceitar lanchar contigo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Ana bebeu um pouco de café com leite antes de se decidir a dizer:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Acho isso tão bonito… Pensava que não havia mais ninguém como eu e o Miguel.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– O Miguel é o teu namorado? – perguntou Teresa. – E costumas obedecer-lhe?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Adoro obedecer-lhe, e ele adora que eu lhe obedeça… Nunca contámos a nenhum dos nossos amigos, tivemos medo que nos gozassem ou que se afastassem de nós. Posso contar-te um segredo? Ele às vezes bate-me com uma vergasta, e eu deixo… Não ficas a pensar mal de nós?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Claro que não, minha querida – respondeu Teresa. – O Raul também me vergasta algumas vezes, e castiga-me fisicamente doutras maneiras. Eu não tenho nenhum prazer em ser castigada, mas tenho um prazer enorme em poder sê-lo. Compreendes isto?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Não sei, acho que nesse ponto somos um pouco diferentes. Eu tenho prazer em ser vergastada, pelo menos pelo Miguel. Com outro homem, nunca experimentei. Mas pensando bem, agora que falamos nisso, acho que o meu prazer maior é o direito que ele tem de me vergastar. É, é isso. Nisso somos parecidas, tu e eu.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– E o Miguel, gosta de te castigar?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Acho que gosta um bocadinho, como eu, mas agora começo a pensar se o prazer maior dele não será ter esse direito&#8230; E o teu namorado? Também gosta de te fazer doer?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Talvez seja como o teu: gosta, mas isso para ele não é o principal.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Ana calou-se de novo, a ganhar coragem, e disse finalmente:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– O nosso maior problema, meu e do Miguel, é não sabermos como se fazem as coisas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Teresa franziu o sobrolho, intrigada:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Como se faz o quê?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Ana pareceu um pouco atrapalhada:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Não sei… Deve haver regras… Sabe, o que se faz na cena BDSM… Não conhecemos ninguém nesse meio a não ser a si, e a Teresa não corresponde nada às imagens que vemos nos <em>media</em>… De modo que não sabemos as regras, nem a maneira correcta de vestir… Espero que isto não fosse um abuso, mas tenho falado de si ao Miguel e ele diz que um dia gostava de a conhecer e ao seu namorado.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Ana trazia uma saia comprida de renda preta sobre outra opaca e mais curta. Tinha uma <em>T-shirt</em> preta sem mangas, muito decotada, e sobre esta, uma blusa preta transparente de mangas compridas. Não trazia as unhas nem os lábios pintados de preto, nem piercings visíveis, nem a profusa joalharia de prata, própria do visual gótico: apenas uns brincos de prata compridos que lhe chegavam aos ombros. Nos pés trazia umas sandálias pretas de tiras, com uns saltos altíssimos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Diz-me uma coisa, Ana – perguntou Teresa. – Esse teu modo de vestir corresponde mais ao teu gosto ou ao gosto do Miguel?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Não sei bem… Devia ser ao do dele, não devia? Mas acho que é ao dos dois. Ou então talvez seja mais uma questão do que achamos apropriado ao nosso <em>lifestyle</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Teresa sorriu um pouco da expressão em inglês:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– E que maneira de vestir acham vocês apropriada para o vosso <em>lifestyle</em>?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– De preto, acho eu… Mas ele, não é só por causa das regras que se veste de preto, é porque gosta mesmo. Do que ele não gosta é de usar adornos, nem enfeites, nem penteados esquisitos. É roupa preta, barba feita, cabelo à escovinha, e já está. É o estilo dele.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Posso dar-te um conselho? – perguntou Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Até agradeço.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Não te vistas para nenhum <em>lifestyle</em>. Não há <em>lifestyles</em>. Quer dizer, havê-los, há, mas são pura diversão, não passam disso. Os estilos de vida, somos nós que os fazemos. Não há uma maneira apropriada para mulheres como nós se vestirem. Veste-te como ele gostar de te ver, nem que seja de cor-de-rosa bebé, ou de vestidinho às pintinhas. Se tu também gostares, tanto melhor, mas isso não é importante: o importante é o que ele gosta. Outra coisa, e esta é mesmo importante: não há regras. Ou melhor, só há uma regra, que é respeitar o outro. Se sentires que o Miguel não te ama ou não te respeita, larga-o. Mas se ele te ama e respeita, então não há regras. Isto é mesmo muito importante. Conta-lhe esta conversa e vê o que ele pensa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Ana ficou pensativa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Posso falar-lhe de si e do seu namorado? – perguntou.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Não precisas de dizer meu namorado – disse Teresa. – Podes dizer meu dono ou meu senhor, que eu não me importo. E claro que podes falar de nós ao Miguel.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Obrigada – disse Ana, à despedida. – Ele vai gostar de ter tudo isto em que pensar. E eu também vou ter que pensar, especialmente nessa questão do respeito.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Quando Teresa contou a Raul esta conversa, ele sugeriu-lhe que convidasse Ana e Miguel para lanchar no Majestic no fim da semana seguinte. No dia do encontro, Agosto estava a meio, e o tempo estava muito quente. Raul e Teresa chegaram propositadamente atrasados para que Ana e Miguel os vissem chegar: Raul de <em>jeans</em> e <em>T-shirt</em> pretos e cabelo curto, num estilo muito semelhante ao de Miguel; Teresa compareceu descalça, sem calcinhas e sem soutien: sem nada sobre o corpo que não fosse um vestido comprido em tons de rosa, lilás e branco, que deixava adivinhar à transparência os mamilos escuros, e só não deixava ver o triângulo da púbis por esta se encontrar depilada. Ana estava toda de preto: top atado nas costas com atilhos, mini-saia justa, meias de rede e sandálias de salto muito alto. Via-se que tinha feito um esforço especial para exprimir a sua condição de namorada submissa. Depois das apresentações, o diálogo entre os dois homens consistiu em pouco mais que uma troca de ideias gerais. Já Ana quis saber tudo, particularmente o significado dos pés nus de Teresa, se ela costumava andar assim na rua, que distância tinha percorrido desta vez, se lhe tinha custado muito.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Não ando muitas vezes descalça na rua – disse Teresa. – O Raul só me costuma dar essa ordem em ocasiões especiais, como hoje. Em casa, sim, tenho que andar sempre descalça.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Em casa, e na Fundação de Serralves – interrompeu Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Em Serralves?! – exclamou Ana – Porquê?!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Por capricho meu – explicou Raul. – Mas também porque me seduz a variedade de texturas no chão da casa e nos jardins. E além disso há qualquer coisa naquele ambiente que parece que o exige.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– É verdade – disse Miguel. – Nunca me tinha ocorrido, mas é verdade.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Mas não te custou vir descalça até aqui? – insistiu Ana.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Nem por isso – respondeu Teresa. – Deixámos o carro no parque dos Poveiros: lá dentro o chão está fresco. O passeio cá fora é branco, não aquece muito. Só me podia ter queimado um bocado ao atravessar a rua, que é de alcatrão preto e fica muito quente&#8230; o truque é aproveitar as faixas brancas da passadeira, que não queimam. Aqui na Rua de Santa Catarina o chão é claro, não aquece muito. Com as texturas é mais difícil, algumas são muito ásperas, é preciso estar habituada… a única coisa a que nunca me habituei é o olhar das pessoas. Ainda fico embaraçada…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Miguel olhou para ela estreitando os olhos, e a seguir para Ana.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Pois a mim, o que me daria prazer – disse ele – seria precisamente ver a Ana assim embaraçada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Raul olhou atentamente para os dois. Ana estava vermelha e olhava para as mãos, mas um leve sorriso bailava-lhe nos lábios.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Olhe, Miguel, não sei quais são os termos do seu compromisso com a sua namorada – disse Raul. – Não sei se o seu compromisso o autoriza a fazer-lhe este tipo de exigências, nem se a obriga a obedecer-lhes…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Autoriza-o, sim, e a mim obriga-me – interrompeu Ana. – O Miguel é que talvez ainda não se tenha apercebido. São coisas de homem, de cavalheiro…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Foi a vez de Miguel enrubescer; e Teresa riu-se ao ver que Raul também tinha corado.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Um cavalheiro um bocado obtuso, pelos vistos – respondeu Miguel. – Andei a ver a net e os fóruns e convenci-me que numa relação como a nossa havia convenções a respeitar: roupa preta, cabedal, todas as mulheres de saltos altos… A Ana e eu nunca fomos a um clube sadomasoquista: mas se a Ana fosse vestida, por exemplo, como a Teresa está agora, deixavam-nos entrar?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Depende do clube – disse Raul. – Numa grande cidade europeia pode haver clubes centrados em certos fetiches, e aí teriam que se conformar a eles; mas aqui no Porto não temos dimensão para essas especializações. Num clube daqui, todos estariam a par do que esta indumentária da Teresa significa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Miguel ficou calado por alguns instantes.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Confesso que uma submissa descalça me diz mais que uma de saltos altos – disse por fim. – Isto não é de agora, sempre foi assim, mas parecia-me que isso não era… como hei-de dizer… ortodoxo…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Não há regras nem ortodoxias – disse Raul. – Só a vontade do dono conta.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Mas continuo a gostar de ver a Ana de preto, e de minissaia justa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Não há regras – repetiu Raul. – Se o Miguel tem esse direito sobre a Ana…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Claro que tem – disse Ana em tom decidido.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Miguel olhou para ela como se a estivesse a ver pela primeira vez e quisesse fixar-lhe as feições.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Claro que tenho… – murmurou para si mesmo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">E em voz alta disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Ana, o que vais fazer agora é isto: vais lá dentro aos lavabos, deitas no caixote do lixo os sapatos e as meias, e voltas para aqui. No caminho para cá, passas pelo balcão e pedes um fino para esta mesa. Ou dois, se o Raul também quiser.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Com todo o gosto – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Ana fez menção de objectar, mas, antes que tivesse tempo de o fazer, o namorado acrescentou:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Ah, e já agora deixas lá ficar também as calcinhas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Ana ficou um momento sentada, a olhar para as mãos. Depois, de rompante, levantou-se:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">– Está bem.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330099;">Dirigiu-se para dentro do café, de cabeça levantada, para cumprir o que lhe tinha sido ordenado. E já que se sentia embaraçada, e não queria ceder ao embaraço, fez questão de ir até ao fundo do café por uma das duas coxias que correm entre as mesas e regressar pela outra, de modo a que todos os presentes lhe vissem bem, primeiro a mini-saia, e depois os pés descalços.</p>
<br /> Tagged: BDSM, castigo, dança erótica, descalça em público, escrava, escrava gótica, mamilos, obedecer, pompoar, respeito, roupa transparente, saltos altos, sem calcinhas, sem soutien, Senhor, sexo depilado, sofrer, submissa, vergasta <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/390/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=390&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/25/390/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SVPc3LQLDCI/AAAAAAAAAqQ/l13Au3obMM0/s400/SGP001306.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 19)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/20/romance-excerto-19/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/20/romance-excerto-19/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Dec 2008 01:41:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[agradecer o castigo]]></category>
		<category><![CDATA[amarrada]]></category>
		<category><![CDATA[aos pés do dono]]></category>
		<category><![CDATA[castigo]]></category>
		<category><![CDATA[dança erótica]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[marcas de chicote]]></category>
		<category><![CDATA[nádegas]]></category>
		<category><![CDATA[nua]]></category>
		<category><![CDATA[orgasmo]]></category>
		<category><![CDATA[pompoar]]></category>
		<category><![CDATA[prazer]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[sexo depilado]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[spanking]]></category>
		<category><![CDATA[vergasta]]></category>
		<category><![CDATA[vibrador]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=386</guid>
		<description><![CDATA[Cap. 31: SEIS VERGASTADAS E MAIS UMA Desde que Teresa se tinha habituado a dançar para Raul depois de jantar, mostrando-lhe os progressos que fazia nas aulas, estava-se a tornar mais frequente Raul jantar sozinho, servido por Teresa e Milena. Isto evitava que Teresa tivesse que mudar de roupa duas vezes, e por outro lado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=386&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUvv1zUe9TI/AAAAAAAAAqI/9bcn1iWmO0c/s1600-h/C%C3%B3pia+de+ea.04.JPG"><img style="float:right;margin:0 0 10px 10px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUvv1zUe9TI/AAAAAAAAAqI/9bcn1iWmO0c/s400/C%C3%B3pia+de+ea.04.JPG" border="0" alt="" width="149" height="170" /></a> <span style="color:#663300;">Cap. 31: SEIS VERGASTADAS E MAIS UMA</span></p>
<p><span style="color:#663300;">Desde que Teresa se tinha habituado a dançar para Raul depois de jantar, mostrando-lhe os progressos que fazia nas aulas, estava-se a tornar mais frequente Raul jantar sozinho, servido por Teresa e Milena. Isto evitava que Teresa tivesse que mudar de roupa duas vezes, e por outro lado dava lugar a uma competição lúdica entre as duas para ver quem organizava o serviço mais requintado. Esta competição levou a tais extremos de formalismo que não raras vezes acabavam as duas, acompanhadas por Raul, perdidas de riso perante uma invenção protocolar particularmente absurda. Mas se o protocolo excessivo e barroco do jantar era puro divertimento, as danças de Teresa perante Raul eram, pelo contrário, um assunto muito sério. Nestas danças, Teresa não estava limitada ao formato da dança do ventre e usava por isso de uma liberdade que não podia exercer nas aulas. Por vezes dançava vestida, outras nua ou meia nua; por vezes fazia dança do ventre, outras dança livre ou dança jazz; outras ainda inspiravam-se em gestos e estilos populares de todos os continentes. Dava-lhe especial prazer, dançando nua, fazer com que a atenção de Raul se concentrasse nas suas mãos ou nos seus braços; ou pelo contrário, estando completamente vestida, pôr em evidência as partes mais íntimas do corpo.<br />
Na noite que se seguiu à da experiência com o vibrador, Teresa apareceu com a parte inferior do corpo coberta de panos transparentes, sobrepostos de modo a formar uma saia multicolor: carmim, vermelhão, siena queimado, laranja, roxo, amarelo indiano. A cinta era tão baixa que, se Teresa não estivesse depilada, lhe deixaria à mostra parte dos pelos púbicos. Logo de início, Raul notou uma rigidez que não era habitual nos movimentos de Teresa: os movimentos habituais estavam lá todos – o ondular dos músculos da barriga, o rolar das ancas, o sacolejar para os lados e para a frente, as órbitas descritas em forma de oito, o tremer dos seios e dos quadris – mas tudo muito controlado, muito deliberado, muito preso, sem a desenvoltura de que Teresa começava a ser capaz. A que se poderia dever esta regressão?<br />
A resposta tornou-se óbvia quando Teresa deu por terminada a primeira fase da dança, que era feita com os pés assentes no chão e sem sair do sítio, e tentou fazer uma pirueta. Nesse momento, Raul ouviu o som surdo de alguma coisa mole mas pesada a cair no chão; e viu um dos pés nus de Teresa a dar um pontapé involuntário nas bolas ben-wa que acabavam de lhe cair da vagina.<br />
– Anda cá – disse Raul. – Senta-te no meu colo.<br />
Com Teresa ao colo, titilando-lhe distraidamente um dos mamilos, Raul começou a fingir que lhe ralhava:<br />
– Com que então, experiências! Quem te mandou fazer isso? Deve ter sido a tua professora de pompoar, ou então a de dança do ventre, porque eu não me lembro de te ter dado essa ordem&#8230;<br />
Teresa corou:<br />
– Não foi ninguém&#8230; Foi ideia minha&#8230;<br />
Raul riu-se de novo e deu-lhe uma pequena palmada de baixo para cima num dos seios, de modo a fazê-lo saltar.<br />
– Suponho – especulou – que quando um senhor quer ter uma escrava com ideias, tem que se sujeitar a que algumas delas não sejam muito boas. E esta não foi muito boa, pois não?<br />
– Pois não, meu senhor. Desculpa.<br />
Raul deu-lhe uma palmada no rabo, desta vez com força, e ordenou:<br />
– Então vai lá lavar as bolas e depois vem dançar para mim como deve ser.<br />
– Sim, meu senhor – respondeu Teresa, pondo-se de pé com um movimento álacre e esfregando o sítio onde tinha levado a palmada.<br />
E de facto, depois de voltar e de pôr a música outra vez no início, soltou os quadris e dançou tão bem e tão fluentemente como habitualmente o fazia. Introduziu nesta dança, porém, um movimento que Raul reconheceu da noite anterior: aquele gesto peculiar de retraimento e entrega em que o corpo parece ansiar precisamente por aquilo de que foge. Era o movimento com que tinha reagido ao vibrador, e Raul gostou tanto que sugeriu a Teresa que o mostrasse à professora na aula e pedisse a sua opinião. Teresa assim fez: além de mostrar o movimento (para o qual a professora imediatamente inventou uma série de variações que treinou com as alunas), contou-lhe o episódio humilhante das bolas ben-wa caídas no chão e pontapeadas. Em vez de a censurar, porém, a professora aprovou a tentativa, dizendo à turma que algumas das melhores dançarinas do ventre eram pompoaristas; mas que se alguma aluna quisesse tentar o que Teresa tinha tentado, o melhor era preparar-se para treinar muito tempo até conseguir.</span></p>
<p><span style="color:#663300;">[ ... ]</span></p>
<p><span style="color:#663300;">Desde esse dia, Teresa começou a treinar todos os dias em frente ao espelho. Teve que reaprender tudo a partir das técnicas mais elementares, ao mesmo tempo que progredia sem as bolas nas técnicas mais avançadas. Já conseguia introduzir na vagina a primeira bola ben-wa, embora ainda tivesse que ajudar a segunda com o dedo, e a certa altura já era capaz de as segurar tempo suficiente para sair de casa por curtos períodos com elas postas.<br />
Tudo isto, junto com a dor quase diária da depilação eléctrica, começou a fazer com que a consciência que Teresa tinha do seu corpo se começasse a centrar na sua zona genital.<br />
– Às vezes quase sinto o desejo – confidenciou uma vez a Raul – de não ser para ti mais do que uma cona, um buraco ao teu dispor.<br />
A estas palavras, Raul abraçou-a.<br />
– É um desejo teu que não vou satisfazer muitas vezes, mas compreendo-te bem: também eu, por vezes, desejaria libertar-me desta carga de humanidade e não ser mais que um falo… Não é possível, felizmente, caso contrário seríamos puros vegetais; ou se nos restasse alguma consciência, a vida seria um inferno.<br />
– Bem sei – respondeu Teresa. – Mas às vezes…<br />
– Sim, às vezes&#8230; – respondeu Raul. – Mas o que não pode ou não deve ser realizado, pode muitas vezes ser representado: e tu agora vais dançar a tua coninha para mim.<br />
E Teresa, rindo, fez precisamente o que ele mandava.</span></p>
<p><span style="color:#663300;">[ ... ]</span></p>
<p><span style="color:#663300;">À noite, em casa, Teresa manteve o vestido branco para jantar com Raul e se sentar depois aos pés dele. Antes de se irem deitar, Raul perguntou-lhe:<br />
– Vamos tentar ir hoje um bocadinho mais longe com o vibrador?<br />
– Meu senhor querido, sou tua&#8230; Só te peço que me amarres como da outra vez, senão ainda passo pela vergonha de tentar fugir.<br />
Diga-se em abono de Teresa que em momento algum daquela noite se debateu seriamente contra as cordas que a sujeitavam; mas várias vezes se lhe acendeu nos olhos a mesma luz de loucura que Raul tinha visto uns dias antes. Mas o vibrador entrou mais fundo; manteve-se ligado mais tempo; e o período de recuperação que se seguiu foi mais rápido e mais fácil. Terminado o exercício, Teresa serviu Raul mais uma vez com a boca: como se fosse intenção dele que nestas noites o vibrador fosse, para o sexo dela, a última memória.<br />
Poucos dias depois, Raul quis ir mais longe.<br />
– Preciso de te amarrar? – perguntou.<br />
– Não, meu querido – respondeu-lhe Teresa. – Acho que desta vez não vai ser preciso.<br />
Quase foi preciso, mas Raul nunca o soube. Raul penetrou Teresa várias vezes com o vibrador ligado, mas ela, embora se debatesse e desse abundantes sinais de aflição, não chegou àquela fronteira de quase loucura aonde tinha sido preciso ir buscá-la nas outras noites: não só se manteve neste mundo sem ajuda, como chegou a um grau de excitação sexual em que Raul raramente a tinha visto.<br />
Assim que Raul pousou o vibrador, penetrou-a duma vez; e assim que a penetrou, ela explodiu num orgasmo grandioso, sem ter tempo sequer de pedir licença. Com Raul ainda rígido dentro dela, Teresa começou, assim que se sentiu capaz, a aplicar as técnicas de pompoar que já dominava; e ao senti-lo quase a gozar, gozou também, desta vez com autorização. Por muito tempo ficaram abraçados; mas depois de apagarem as luzes, depois de os corações pararem de bater com tanta força e os pulmões de respirar com tanto esforço, Teresa entendeu chegada a altura de confessar:<br />
– Tive um orgasmo sem licença, meu senhor.<br />
– Sim, minha escrava, tiveste – respondeu Raul.<br />
– Mereço um castigo.<br />
– Mereces, sim.<br />
– Meu senhor querido, não quero ser castigada. Tenho medo.<br />
– Quem te garante que o castigo vai ser severo? – disse Raul. Provavelmente já sofreste pior às minhas mãos, sem merecer. E desta vez mereces, não mereces?<br />
– Sim, meu senhor, mereço – respondeu Teresa, num murmúrio. – Por isso é que vai ser pior que qualquer outro castigo. E vais castigar-me, não vais?<br />
– Sim, vou. Amanhã, às seis da tarde, no quarto dos castigos. Seis vergastadas fortes. Avisa a Milena que a essa hora não estamos para ninguém.<br />
– Sim, meu dono – disse Teresa.<br />
Quis virar-se para o outro lado, para que Raul não se desse conta das lágrimas que lhe corriam pelo rosto. Era o primeiro castigo premeditado que recebia: nunca tinha acontecido com Ettore, e muito menos, nos seus anos de puta, com os seus clientes, que iam e vinham e faziam o que lhes ocorresse no momento. Acabou por não virar as costas a Raul: ele saberia entender as suas lágrimas. Quando ele se voltou para a sua posição de dormir, Teresa abraçou-se a ele por trás e ficou a ouvir-lhe a respiração. O que sentiu ela antes de adormecer? Prazer, nenhum. Medo, certamente: um pouco. Tristeza, também, e melancolia. Esperança, porque lhe parecia que estava a ser conduzida pelo caminho certo. O que não sentia de todo era revolta.</span></p>
<p><span style="color:#663300;">[ ... ]</span></p>
<p><span style="color:#663300;">– Traz-me um chá e uma torrada ao escritório – pediu.<br />
Quando Teresa entrou com o chá, Raul agradeceu-lhe e disse-lhe que depois a chamava. Chamou-a às seis em ponto, para lhe ordenar que se despisse e que o esperasse no quarto dos castigos. Teresa, a tremer, obedeceu; e ele chegou logo a seguir, ordenando-lhe que se debruçasse com o rabo empinado sobre a banca do lado direito das colunas, onde já uma vez a tinha amarrado para a punir.<br />
– Hoje não te vou amarrar – disse Raul. – São só seis vergastadas. Quero que as contes tu própria em voz alta: se não contares alguma, essa não vale. Por cada vez que abandones a posição recebes uma vergastada a mais. Está tudo claro?<br />
– Sim, meu senhor – respondeu Teresa.<br />
Ouviu os passos de Raul, que se colocava por trás dela, e ouviu o silvo no ar quando ele tomou o peso à vergasta. Subitamente, um novo silvo, e uma dor insuportável. Gemeu, e depois de ter gemido começou a sentir que um estranho silêncio se erguia entre eles. De que estava Raul à espera?<br />
– Escrava&#8230; – ouviu-o murmurar.<br />
E subitamente lembrou-se: tinha que contar as vergastadas.<br />
– Uma! – exclamou em voz alta, grata pelo tempo que lhe tinha sido concedido.<br />
Nova vergastada:<br />
– Duas!<br />
A terceira foi a pior até ao momento; Teresa contorceu-se toda, mas não levantou os pés do chão. Contou, com a voz embargada:<br />
– Três.<br />
Era uma crueldade ou uma gentileza ele não a ter amarrado? Teresa não sabia. A quarta vergastada atingiu-a muito em cima, quase na cinta, mas a quinta acertou-lhe na prega entre as coxas e as nádegas, provocando-lhe uma dor atroz que a levou a deitar-se para o chão.<br />
– Quatro! Cinco! – contou.<br />
– Sim, cinco – disse Raul calmamente. Mas ganhaste mais uma porque saíste da posição. Volta para o teu lugar.<br />
Teresa voltou para a banca do castigo.<br />
– Seis! – gritou.<br />
E pensar que com esta, tivesse ela tido um pouco mais de coragem, podia estar o castigo terminado! Com as pernas a tremer obrigou-se a ficar onde estava, de nádegas empinadas, aguardando a última vergastada, a pior, a menos necessária; e quando ela veio foi quase com alívio que rouquejou:<br />
– Sete!<br />
Sete, finalmente. Teresa endireitou-se dirigiu-se para o lavatório instalado num canto da sala, lavou a cara, secou-se, e virou-se para o espelho de corpo inteiro que ali tinha sido colocado, virando-se de maneira a poder ver as marcas que tinha nas nádegas. Eram de um vermelho rosado, apenas mais escuro nos sítios em que se cruzavam. Este tinha sido o pior de todos os castigos, não por ser o mias doloroso, porque tinha sido um castigo verdadeiro: a punição duma falta cometida. Olhou para Raul, que estava com a vergasta na mão, à espera. Claro, ainda faltava a conclusão. Teresa deu um passo para Raul, beijou-lhe a mão que segurava a vergasta, beijou a própria vergasta e disse as palavras rituais:<br />
– Obrigada, meu senhor, pelo castigo que me deste.<br />
Isto, em voz alta; mas a seguir, ainda de joelhos, enquanto ele se afastava para pendurar a vergasta, repetiu, numa voz tão baixa que ele não a chegou a ouvir:<br />
– Obrigada, meu querido&#8230;</span></p>
<br /> Tagged: agradecer o castigo, amarrada, aos pés do dono, castigo, dança erótica, escrava, marcas de chicote, nádegas, nua, orgasmo, pompoar, prazer, respeito, sexo depilado, sofrer, spanking, vergasta, vibrador <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/386/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=386&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/20/romance-excerto-19/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUvv1zUe9TI/AAAAAAAAAqI/9bcn1iWmO0c/s400/C%C3%B3pia+de+ea.04.JPG" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 18)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/20/382/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/20/382/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Dec 2008 01:21:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[cadeado na vagina]]></category>
		<category><![CDATA[descalça em público]]></category>
		<category><![CDATA[piercings na vulva]]></category>
		<category><![CDATA[pompoar]]></category>
		<category><![CDATA[sexo depilado]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[vagina]]></category>
		<category><![CDATA[vibrador]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/20/382/</guid>
		<description><![CDATA[Cap.30: VIAGEM AO CENTRO DO CORPO A caixa era bonita. Oblonga, em acrílico transparente, tinha as arestas facetadas. No interior do material tinha filamentos dourados que desenhavam rosas. A base estava protegida por uma camada de material brando e translúcido, de um rosa cor de carne. − É para não riscar a mobília – explicou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=382&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUmHSwP3N9I/AAAAAAAAAp4/hayfjdKKaMs/s1600-h/da+01.0.JPG"><img style="float:left;width:151px;cursor:pointer;height:227px;margin:0 10px 10px 0;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUmHSwP3N9I/AAAAAAAAAp4/hayfjdKKaMs/s400/da+01.0.JPG" border="0" alt="" /></a><span style="color:#663333;">Cap.30: VIAGEM AO CENTRO DO CORPO</span></p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">A caixa era bonita. Oblonga, em acrílico transparente, tinha as arestas facetadas. No interior do material tinha filamentos dourados que desenhavam rosas. A base estava protegida por uma camada de material brando e translúcido, de um rosa cor de carne.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− É para não riscar a mobília – explicou Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Tinha servido o jantar fardada de criada, coadjuvada por Milena, e, depois de se ter ido vestir para o serão com Raul, trouxera esta caixa que ele agora examinava. À transparência, viam-se duas esferas com quatro a cinco centímetros de diâmetro, da mesma cor que a base da caixa, unidas por um cordão. Quando Raul abriu a caixa, viu um tabuleiro, também em acrílico, com depressões circulares em que se fixavam as esferas. Os desenhos a ouro não o tinham deixado ver que uma das esferas, além de estar ligada à outra, estava presa a outro cordão mais fino que se dobrava sobre si mesmo e se unia a ela pelas duas pontas. Olhou para Teresa e pegou nas esferas: eram de silicone, muito macias, e davam-lhe, ao sopesá-las, uma estranha sensação de desequilíbrio.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− São ocas – explicou Teresa. – São bolas <em>ben-wa</em>. Estas têm outras esferas mais pesadas que se movem dentro delas. A minha professora de <em>pompoar</em> diz que é altura de começarmos a treinar com bolas, trouxe uma colecção delas para nós escolhermos, e pronto, eu trouxe estas para casa para tu veres. São as mais caras que ela trouxe, porque são em silicone e porque as de dentro são em aço inoxidável; também gostei muito da caixa, e tu?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Raul sabia o que são bolas <em>ben-wa</em>, mas nunca tinha visto nenhumas. Sabia que podiam ser usadas no <em>pompoar</em> ou nos exercícios de Kegel. Aprovava cordialmente o facto de estas serem em silicone, que do ponto de vista da higiene é o melhor material, e quanto aos pesos internos não tinha objecção.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− Os cordões são de nylon? – perguntou.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Eram de nylon: mais uma vez o ideal do ponto de vista da limpeza. Perguntou a Teresa o preço, deu-lhe o dinheiro e comunicou-lhe que as iam experimentar imediatamente.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− A professora ofereceu-nos um frasco de lubrificante juntamente com as bolas – disse Teresa. – Assim entram melhor. Está no quarto de banho: vou buscar?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− Vai – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Teresa saiu da sala e regressou com um frasco de plástico, equipado com uma cânula, como os que se vendem nas <em>sex shops</em>. A uma ordem de Raul, levantou as saias, deixando o sexo à mostra. Utilizando a cânula, lubrificou a entrada e o interior da vagina; depois untou as bolas e limpou as mãos a um dos toalhetes húmidos que tinha trazido consigo.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Raul foi lavar as mãos. Quando voltou, Teresa estava recostada no sofá, com o sexo à mostra e uma perna levantada. Quando Raul se sentou no outro sofá, Teresa colocou uma das bolas à entrada da vagina e empurrou-a com o dedo, introduzindo-a facilmente.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− Agora tenho que puxar a outra para dentro – explicou.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Mas, por mais que tentasse, não conseguiu sequer que a bola de dentro puxasse a de fora até a alojar junto da entrada. Raul levantou-se, lubrificou o indicador da mão direita e introduziu o dedo na vagina de Teresa, empurrando gentilmente a bola de dentro até a outra ficar em posição.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Consegues agora? – perguntou.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Mas mesmo assim Teresa não conseguia. Por fim, sem deixar de tentar usar os músculos da vagina, empurrou a outra gentilmente com o dedo, até só ficar de fora o cordão.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− Levanta-te – ordenou Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Teresa levantou-se, deixando cair a saia, que de novo a cobriu até aos tornozelos. Deu uns passos pela sala, mas de repente soltou um ai alarmado: uma das bolas tinha-lhe saído da vagina e puxava pela outra, que ela procurava desesperadamente reter mas que acabou também por cair no chão.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− A professora bem nos disse – observou Teresa. – Ao princípio não ia ser fácil, mas quando estivéssemos treinadas seríamos capazes de andar o dia inteiro com elas sem as deixar cair&#8230; Dá para acreditar? E eu, pronto, tive logo que escolher as maiores e mais pesadas&#8230; se calhar não vou conseguir.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− Se tu não conseguires – respondeu Raul – então mais nenhuma das tuas colegas consegue. Quando tens a próxima aula?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− Amanhã de manhã, às dez.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− Então a seguir almoças comigo e depois vamos buscar uma pessoa ao aeroporto.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− Quem? – perguntou Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− <em>Curiosity is not becoming in a kajira </em>– respondeu-lhe Raul, dando-lhe uma palmada no rabo.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Teresa deu uma pequena risada e foram os dois lavar as bolas <em>ben-wa</em>: primeiro com água e sabonete, depois deixando-as imersas por uns minutos numa mistura de água da torneira e um pouco de água oxigenada, e por fim lavando-as de novo.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">No dia seguinte, ao almoço, Teresa disse a Raul que tinha conseguido andar quase dez minutos pela sala de aula com as bolas postas, sem as deixar cair. A professora tinha ficado impressionada. O que ela não conseguia ainda, era puxar as bolas para dentro sem o auxílio do dedo; nem sequer a primeira, que segundo a professora era a mais fácil.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− E agora estou toda dorida. Se hoje me possuíres, não sei se te vou servir como deve ser.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">− Eu dou um desconto – disse Raul, e pegou-lhe na mão para lhe beijar a concavidade da palma.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Depois, ainda no restaurante, mandou-a descalçar:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Dá-me as havaianas.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Quando Teresa lhas deu, Raul embrulhou-as num saco de plástico e guardou-as na pasta. Teresa, que andava descalça com toda a naturalidade em lugares como Porto Cristo, não se conseguia habituar a fazê-lo no Porto, onde toda a gente olhava para ela e onde o chão não primava pela limpeza. A pessoa que foram buscar ao aeroporto vinha de São Paulo e chamava-se Clodomiro dos Reis, segundo o cartaz que Raul ergueu na zona de chegadas. Clodomiro dirigiu-se a Raul com um sorriso e estendeu-lhe a mão. Era um mulato pouco mais velho que Teresa, alto e bem constituído. Vinha vestido com umas calças azuis-escuras perfeitamente vincadas e um pólo azul-claro que parecia acabado de passar a ferro. Alguma coisa na aparência dele sugeria uma ligação às profissões médicas, e Teresa perguntou-se o que viria ele fazer ao Porto; mas como a curiosidade não fica bem a uma <em>kajira</em>, calou-se.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Dr. Raul Morgado? – disse o viajante. – Como está o senhor?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Dr. Clodomiro? Bem, obrigado, e o senhor? Esta é a minha escrava Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Era raro que Raul apresentasse Teresa a alguém como sua escrava; o facto de o ter feito agora sobressaltou-a e fez com que hesitasse antes de cumprimentar o recém-chegado com uma vénia. Mas este não pareceu surpreendido e disse, estendendo-lhe a mão:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Ah, Teresa. Já ouvi falar muito de você, sabe, meu bem? Como está você?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Teresa não era acanhada, mas foi no tom sumido duma adolescente tímida que respondeu:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Bem, obrigada, senhor…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Chegados ao carro, Raul mandou Teresa sentar-se no banco de trás para poder falar à vontade com Clodomiro, a quem começou por pedir desculpa por tê-lo feito vir de tão longe. A suite reservada no hotel estava pronta, um dos compartimentos com a marquesa, a mesa de apoio e os candeeiros que Clodomiro tinha especificado. Se Clodomiro não se importava, podiam ir já para lá. Chegados ao hotel, subiram os três ao último andar (Teresa agudamente consciente da curiosidade que os seus pés nus provocavam em todas as pessoas com quem se cruzavam), e Clodomiro abriu a porta da suite. Teresa viu-se num pequeno átrio com três portas, uma das quais abria para um vulgar quarto de hotel, outra para o quarto de banho e a terceira para um compartimento mobilado como um consultório médico.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Clodomiro pediu algum tempo para se preparar e Raul sugeriu voltar com Teresa meia hora mais tarde: estava bem assim? Estava, respondeu Clodomiro.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">No bar do hotel, enquanto tomavam um café e uma água mineral, Teresa deixou escapar as palavras que tinha retidas no peito:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Meu senhor, estou nas tuas mãos, mas diz-me: o que é que se vai fazer de mim lá em cima?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Nada de difícil – respondeu Raul. – O Clodomiro vai-te tirar algumas medidas, e provavelmente fazer algumas recomendações. Depois vamos para casa, ele vai comer um almoço que para ele é jantar, e passado um bocado, se fizer como eu faria no lugar dele, toma um comprimido para dormir, uma dose reforçada de melatonina, e vai para a cama. Amanhã de manhã cedo, venho buscá-lo para o levar ao aeroporto e tu podes ficar a dormir.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Não é dele que eu estou a perguntar, meu senhor, é de mim. Que medidas me vai ele tirar?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Pronto, não te atormento mais – disse Raul. – O que o Clodomiro vai medir com toda a exactidão é a tua vulva. Sim, a tua vulva: o comprimento total, as dimensões do clítoris e do seu capuz, a protuberância e espessura dos grandes lábios e dos pequenos lábios, as distâncias entre a comissura superior dos grandes lábios e o clítoris, entre o clítoris e a uretra, entre a uretra e a vagina, entre a vagina e a comissura inferior, e outras medidas que sejam necessárias. As dimensões da vulva variam muito de mulher para mulher, como sabes, por isso é que é preciso tirar medidas. Depois, em São Paulo, é que o Clodomiro vai desenhar e fazer os <em>piercings</em> em titânio de que te falei.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Só não compreendo porque é que esse desenho e essa colocação têm que ser tão exactas, meu senhor. Muitas mulheres põem <em>piercings</em> nos lábios vaginais sem ser preciso nada disso.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Pois bem, minha escrava – disse Raul. – Chegou a altura de saberes um pouco mais. Vais ter quatro <em>piercings</em> nos grandes lábios, um de cada lado do clítoris e um de cada lado da vagina. Estes <em>piercings</em> vão estar concebidos de forma que cada um encaixe no do lado oposto de modo unir os grandes lábios sem os repuxar.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Deixa ver se compreendo: quer dizer que com os <em>piercings</em> encaixados não vou ter acesso nem à minha vagina, nem ao clítoris…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Não, mas é preciso deixar-te a uretra tão livre quanto possível, de modo a que possas fazer xixi sem grande dificuldade. Já estás a entender porque é que as medidas têm que ser exactas?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Sim, estou a ver – disse Teresa. – Mas os anéis vão-se poder desencaixar, não vão?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Claro que sim – respondeu Raul. – Caso contrário, como é que eu me ia poder servir de ti? Quando eu não quiser que os desencaixes, estão previstas aberturas para dois pequenos cadeados.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Cadeados?! Quem é que alguma vez tinha falado em cadeados?! Com o sobressalto, Teresa derrubou o copo de água que tinha à sua frente. Enquanto o empregado limpava o balcão do bar e trazia uma nova garrafa de água, Teresa teve de ficar silenciosa; e ainda bem, porque durante esta pausa teve tempo de se lembrar do que dissera minutos antes: que estava totalmente nas mãos de Raul; e que muitas vezes o tinha instado, sem qualquer hipérbole ou metáfora, a fazer dela o que quisesse; de modo que quando o empregado os deixou de novo a sós se limitou a perguntar como iam ser os cadeados.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Vão ser fabricados na Suíça especialmente para ti, de acordo com o desenho que o Clodomiro fizer depois de teres os <em>piercings</em> no sítio. A ideia é que sejam o mais pequenos e mais leves possível, mas de alta segurança, e que não oxidem nem causem reacções alérgicas. Por isso vão ser feitos em titânio e aço cirúrgico.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Teresa ficou calada, numa espécie de melancolia feliz. Ter o sexo fechado à chave, e a chave nas mãos do homem que amasse, era uma fantasia que começara a ter, sabia lá, aos treze ou quinze anos, e que nunca a tinha abandonado. O que nunca esperara, era vê-la realizada tão de repente, tão sem consulta, tão sem aviso. <em>Estou realmente nas tuas mãos</em>, pensou; e quando ele subiu de novo para a suite acompanhou-o docilmente, sem sequer reparar, desta vez, nos olhares curiosos que os seus pés nus atraíam. Quando bateram à porta, foram recebidos por Clodomiro, vestido com uma bata branca. Tinha revestido a marquesa com uma protecção de papel e tinha-a colocado com a parte dos pés virada para a janela aberta. Perto da janela, Clodomiro tinha colocado dois potentes focos apontados à marquesa. Numa mesa ao lado repousavam, em tabuleiros de aço, vários instrumentos de medida: réguas, calibradores, compassos e outros objectos de que Teresa não sabia o nome nem a utilidade.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Tire a saia, meu bem, e deite-se de barriga para cima com os pés para a janela – disse Clodomiro, enquanto calçava umas luvas de cirurgião. – Abra um pouco as pernas, mas não muito.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Durante vários minutos, Teresa sentiu o contacto frio de vários instrumentos com as suas partes íntimas. Nenhum destes contactos a excitou, e de resto parecia-lhe que Clodomiro tinha encenado tudo de modo a evitar qualquer excitação sexual da parte dela. Quando Teresa pensou que tudo estava terminado, ele mandou-a virar-se de barriga para baixo.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– As dimensões de sua vulva não são as mesmas em todas as posições, você sabia? Abra as pernas para eu medir de novo.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">A cada medida que tirava, Clodomiro pronunciava algumas palavras para um microfone que trazia preso à lapela da bata. No fim foi chamou Raul:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Chegue perto, por favor. Vou precisar de sua ajuda.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Raul aproximou-se da marquesa e perguntou em que podia ajudar.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Fiz todas as medições em sua escrava sem a excitar. Agora preciso medir com ela excitada, e é para isso que preciso do senhor.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Teresa tremeu de indignação; e embora entendesse o despropósito deste sentimento, só a disciplina a que se obrigara a impediu de se recusar. Raul fez-lhe uma festa na face e beijou-a:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Linda menina…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Depois começou a apalpar-lhe as nádegas expostas, depositando nelas, ora um pequeno beijo, ora uma ligeira palmada. O corpo obediente de Teresa começou logo a reagir: quando Raul lhe acariciou a vulva encontrou os pequenos lábios já húmidos e o clítoris que começava a sobressair do capuz. Passado não mais do que um minuto, disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Venha ver, Dr. Clodomiro. Já chega?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Clodomiro disse que sim, pediu a Raul que acariciasse Teresa noutras partes do corpo de modo a que ela não perdesse a excitação, e reiniciou todo o processo, primeiro com Teresa virada para baixo, e por fim com ela virada para cima. As dimensões da vulva, explicou, variam também com a excitação da mulher. Teresa, que na fase anterior do processo não sentira vergonha, sentia-a agora, e intensa. <em>Escrava</em>, pensou, <em>sou mesmo</em> <em>escrava… obedeço a tudo</em>… Mas Clodomiro ainda não tinha terminado:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Não se cubra ainda, meu bem, ainda tenho uma coisa para falar com seu senhor.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Era bom, disse Clodomiro, que Teresa já tivesse começado uma depilação definitiva. Mas precisava de saber que tipo de depilação ela estava a fazer, e se ainda estava no princípio ou se estava adiantada, porque depois dos <em>piercings</em> postos não ia poder fazer depilação a laser nem a luz pulsada muito perto deles. Quando Raul lhe deu esta informação, apertou os lábios e disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Então lamento, mas se o senhor quiser que sua escrava fique depilada e com <em>piercings</em>, ela vai ter que sofrer um pouco nos próximos dias. Vou marcar na vulva dela duas zonas onde vai ter que fazer mesmo depilação eléctrica antes de ir para São Paulo. A um aceno de concordância de Raul, Clodomiro tirou da pasta um marcador e desenhou nos grandes lábios de Teresa duas ovais alongadas: aquela zona tinha que ficar depilada num mês, mesmo que para o resto dispusesse de um ano ou dois.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Esse desenho não vai sair lavando uma vez ou duas, tem que lavar mais, mas eu deixo ficar a caneta para você renovar.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Teresa ficou a pensar como havia de explicar a urgência na clínica de depilação, e concluiu que o melhor era dizer a verdade: afinal, quando regressasse do Brasil, não poderia evitar que lhe vissem os <em>piercings</em>, portanto não valia a pena fazer segredo.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Nessa noite, Teresa voltou a dormir aos pés de Raul, sentindo-se de novo meio loba; mas conhecia muito bem o seu lugar na alcateia, e não era o último. De madrugada, quando o despertador tocou e o ouviu levantar, levantou-se também para lhe preparar o pequeno-almoço. Era tão cedo que Raul só quis uma chávena de café e uma bolacha.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Não te vistas, fica nua – disse-lhe Raul ao vê-la de pé. – Depois volta a deitar-te, ainda é cedo.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Mas Teresa já não se deitou. Estar nua e em jejum causou-lhe um arrepio, apesar da casa aquecida. Depois de Raul sair, bebeu uma chávena de café com leite, comeu uma bolacha, lavou-se e vestiu a sua farda de criada para o receber com um segundo pequeno-almoço quando ele regressasse. Quando ouviu a chave na porta, correu para o átrio e sentou-se sobre os calcanhares com as coxas abertas e as palmas das mãos viradas para fora<a name="_ftnref4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=11383160#_ftn4"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:0;"> </span></span></a>para que a primeira coisa que ele visse ao entrar fosse uma <em>kajira</em>, como lhe tinha chamado no dia anterior. No ar pairava já um perfume a café e a torradas com manteiga; Raul entrou, sorriu de a ver assim, inclinou-se para lhe dar um beijo e observou, sorrindo, que para compor a personagem Teresa deveria estar nua – ou vestida, quando muito, com um farrapo de seda ou de serapilheira: nunca com o seu uniforme engomado de empregada doméstica. Depois declarou-se faminto: Teresa deu uma risadinha feliz e correu descalça para a cozinha.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;"><!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0in;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:8.5in 11.0in;  margin:70.85pt 85.05pt 70.85pt 85.05pt;  mso-header-margin:.5in;  mso-footer-margin:.5in;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --></p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Em casa, Raul quis jantar sozinho, servido pelas suas duas empregadas. Quando acabou de jantar, não quis que Teresa ajudasse Milena a arrumar a cozinha, mas que fosse imediatamente para o quarto e o esperasse nua em cima da cama, só com uma toalha a proteger a coberta. Como a altura de arrumar a cozinha era a oportunidade de Teresa e Milena comerem alguma coisa, esta ordem levou a que Teresa ficasse sem jantar nessa noite, o que não acontecia pela primeira vez. Mas isso que importava? Pôs-se a esperar por Raul, que demorou. Ouviu música vinda do escritório: quem serviria o <em>whisky</em> a Raul, quem lhe acenderia o charuto? Milena não, certamente: fá-lo-ia ele próprio; e foi esta imagem, mais do que a demora de Raul, que a fez sentir-se abandonada. Ouviu Milena a usar o quarto de banho, a entrar no seu quarto e a fechar a porta. Depois, no escritório de Raul, parou a música. Ouviu-lhe os passos: seria finalmente para vir ter com ela? Mas não, os passos pararam noutro lugar; a chave Yale do quarto dos castigos rodou na fechadura, para voltar a rodar passados alguns segundos. Quando Raul chegou ao quarto, trazia na mão umas cordas e mais qualquer coisa que Teresa não chegou a ver, porque ele a pousou em cima da cómoda, que tinha o topo mais alto que a cabeça dela.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Raul inclinou-se sobre ela, beijou-lhe ternamente os lábios e ordenou-lhe que unisse os pulsos, o que ela fez sem hesitar. Atou-lhe os pulsos ao pilar direito da cabeceira da cama, deixando cerca de trinta centímetros de folga. A seguir, aos pés da cama, atou-lhe o tornozelo direito ao pilar direito, deixando-lhe uma folga igual; mas quando lhe atou o tornozelo esquerdo ao pilar correspondente, deixou-lhe uma folga muito maior, que lhe permitia fechar as pernas desde que ficasse deitada no lado esquerdo da cama. Feito isto, despiu-se calmamente, deitou-se ao lado dela e começou a acariciá-la por todo o corpo, evitando de início fazê-lo nos lugares do corpo que mais a excitavam. O facto de ele não a tocar nem beijar nos cabelos, na boca, no pescoço, nos seios ou no sexo (para não falar nos flancos, ao lado das costelas, que em Teresa eram também uma zona erógena) levava-a a sentir uma consciência mais aguda dessas partes do corpo. Era um tormento delicioso sentir a mão ou a boca dele a aproximar-se-lhe dos seios, só para se afastar de novo, no último momento, sem lhes tocar; ou mais tarde, depois de finalmente lhe ter acariciado ou beijado os seios, sentir-lhe a mão ou a boca passar-lhe ao largo dos mamilos sem lhes dar a atenção que eles exigiam. As carícias e os beijos desciam-lhe lentamente do tórax para o umbigo, do umbigo para o monte-de-vénus; por vezes voltavam atrás ou inflectiam para os lados, mas acabavam por voltar ao caminho certo; mas no momento que chegavam à comissura da vulva, ao início da racha, detinham-se e começavam um novo percurso: por fora das coxas ou por dentro, mas sempre, sempre, sem a tocar ou a beijar no sexo.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Quando viu que Teresa não aguentava mais, Raul foi buscar à cómoda o objecto que lá tinha deixado: era o vibrador que lhe tinha oferecido. Quando o viu, Teresa decidiu que suportaria mais do que das vezes anteriores, apesar de esperar que este mais não fosse muito mais.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– A regra é esta, minha escrava – disse-lhe Raul. – Vou usar este vibrador nos teus pequenos lábios e no teu clítoris, como tu gostas. De vez em quando vou introduzir-to um pouco na vagina, muito devagar, até chegar ao limite do que tu suportas; nessa altura começo a acariciar-te outra vez por fora. De acordo?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Sim, meu senhor…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Posso continuar a acariciar-te por muito tempo ou por pouco: quanto a isto, não atenderei a quaisquer pedidos teus.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Sim, meu senhor…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– De vez em quando volto a introduzir-te o vibrador na vagina e a procurar outro limite. Poderá ser uma questão de maior profundidade ou maior duração; ou ambas as coisas, não sei. Mas da segunda vez tentarei ir um pouco mais longe. De acordo?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Sim, meu senhor, sabes bem que sou tua…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Isto repetir-se-á até eu entender que cheguei, por hoje, ao limite dos teus limites. Não serás tu a dizer-mo, serei eu a vê-lo nos teus olhos e no teu corpo. No fim servir-me-ei de ti de ti como me der mais prazer. De acordo?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Sim, meu senhor, sim, sou tua, faz como quiseres…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Por toda a vida Raul havia de se lembrar desta noite. Viu Teresa empalidecer de medo ou enrubescer de excitação; viu-a retrair-se ou entregar-se, por vezes quase no mesmo gesto; ouviu-a gemer, suplicar, chorar, rir, suspirar que sim, gritar que não. Uma vez, duas vezes, várias vezes sentiu-a estremecer como sob um choque eléctrico. Por mais que uma vez viu-lhe nos olhos a expressão de loucura de um cavalo em pânico; e só quando a viu para além deste ponto é que pousou o vibrador na mesinha de cabeceira. Sabia que não podia fazer Teresa regressar de repente do lugar aonde a tinha levado: começou a tocá-la ao longo do corpo, com movimentos que eram parte carícia, parte massagem. Quando a sentia perto, murmurava-lhe meiguices; quando a sentia longe, chamava-a pelo nome. Quando sentiu que ela se começava a aperceber de onde estava e com quem estava, começou a beijá-la no sexo; para lhe provocar um pouco de dor, apertou-lhe os mamilos, e isto trouxe-a de volta mais um pouco. Finalmente encontrou nos olhos dela um olhar que o reconhecia.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Meu senhor… és tu…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Mas ainda não tinha regressado completamente. Raul viu-lhe a breve expressão de surpresa quando quis mover as mãos e sentiu que estava amarrada; mas claro, estava amarrada, como tinha sido possível esquecer-se? Para Raul, este foi o momento de começar a desatar os nós que a prendiam, agora que a tinha de novo no mundo de toda a gente. Soltou-lhe primeiros os pulsos, que ela esfregou para reactivar a circulação, e depois os tornozelos.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Vou limpar o vibrador – disse ela por fim.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Tens muito tempo para isso – respondeu Raul. – Agora quero que fales.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Que fale de quê, meu amor? Meu senhor querido?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Do que quiseres – respondeu Raul. – Ou da experiência extremamente cruel a que acabo de te sujeitar.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Teresa não se lembrava de há quantos segundos ou minutos tinha começado a retribuir as carícias de Raul, mas no momento em que deu por si a fazê-lo sentiu um desejo enorme de se explicar:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Não sei… Não sei bem – respondeu. – A parte fácil é que foi mesmo uma experiência extrema; cruel, não sei bem se foi. E é claro que tens sempre o direito de dispor de mim como quiseres, e porque dispuseste de mim estou feliz agora, mesmo que já não saiba se o estava há poucos minutos.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Mas há a parte difícil…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– A parte difícil é que foi uma experiência extrema sem a menor semelhança com outras experiências extremas. Não se assemelhou a nada. Já falámos nisto uma vez, e continuo tão incapaz de explicar o que senti como nessa altura. Foi uma coisa insuportável como a dor extrema, mas não foi dor. Foi uma coisa com o sabor do prazer, mas não foi prazer: pelo contrário, se não me tivesses amarrado, eu era capaz de ter fugido.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– E que mais?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Não sei, meu senhor, não sei mesmo… o melhor é fazer agora o que mandaste, ir limpar o vibrador e depois voltar para te servires de mim.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Sim, é o melhor – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Poucos minutos depois, agachada sobre o seu senhor, Teresa recebia na boca o jacto de esperma com que ele se derramava nela. Ainda sentia toda a zona do sexo a pulsar: se tivesse tido escolha, teria sido penetrada pela vagina, e quanto mais brutalmente, melhor. <em>Mas não tenho escolha,</em> pensou. <em>É essa a minha liberdade.</em> Aplicou-se a limpar o pénis do dono com a língua e com os lábios, pondo nesta tarefa toda a entrega que teria posto se lhe tivesse sido permitido servi-lo doutro modo. Depois, sem que ele lho ordenasse, foi deitar-se no catre aos pés dele. Já com a luz apagada, ainda lhe falou:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Obrigada, meu senhor…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Obrigada porquê, meu tesouro?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Pela dificuldade. Por não me deixares ficar presa ao fácil.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">– Então também eu te agradeço, minha escrava, e pelo mesmo motivo. Agora dorme.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#663333;text-indent:26.95pt;">Teresa bocejou de tal maneira que Raul mal compreendeu quando ela lhe disse boa noite. Poucos minutos depois, estavam ambos a dormir.</p>
<br /> Tagged: cadeado na vagina, descalça em público, piercings na vulva, pompoar, sexo depilado, sofrer, vagina, vibrador <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/382/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=382&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/20/382/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUmHSwP3N9I/AAAAAAAAAp4/hayfjdKKaMs/s400/da+01.0.JPG" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 17)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/14/romance-excerto-17/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/14/romance-excerto-17/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 18:42:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[amarrada]]></category>
		<category><![CDATA[aos pés do dono]]></category>
		<category><![CDATA[castigo]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[mamilos]]></category>
		<category><![CDATA[nua]]></category>
		<category><![CDATA[orgasmo]]></category>
		<category><![CDATA[penetração]]></category>
		<category><![CDATA[piercings na vulva]]></category>
		<category><![CDATA[pompoar]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[seios nus]]></category>
		<category><![CDATA[sexo depilado]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[vagina]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=348</guid>
		<description><![CDATA[Cap. 29: LABIA MAJORA Havia alguns minutos que Raul, debruçado sobre Teresa na cama, acariciava e beijava a sua escrava, que dava pequenos gemidos e retribuía brandamente as carícias dele. Pouco a pouco, as mãos e os lábios dele foram-se aproximando da vagina de Teresa, que começou lentamente a afastar as coxas para lhe facilitar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=348&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUVPRtd8NTI/AAAAAAAAApw/-RhKs99kswQ/s1600-h/Submission_by_Jeffreymcc.jpg"><img style="float:right;width:243px;cursor:pointer;height:249px;margin:0 0 10px 10px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUVPRtd8NTI/AAAAAAAAApw/-RhKs99kswQ/s400/Submission_by_Jeffreymcc.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color:#663366;">Cap. 29: </span><em></em><span style="color:#663366;"><em></em><em>LABIA MAJORA</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Havia alguns minutos que Raul, debruçado sobre Teresa na cama, acariciava e beijava a sua escrava, que dava pequenos gemidos e retribuía brandamente as carícias dele. Pouco a pouco, as mãos e os lábios dele foram-se aproximando da vagina de Teresa, que começou lentamente a afastar as coxas para lhe facilitar o acesso. Raul acariciava-lhe os pequenos lábios e o clítoris, beijando-os e sugando-os com toda a leveza de que era capaz.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Deixa-me ver bem a tua coninha, minha escrava.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Teresa, flutuando no mar morno da sua excitação, não entendeu: então ele não a estava a ver bem? Viu-o levantar-se, sair do quarto, e voltar com um candeeiro, que colocou aos pés da cama e acendeu.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Abre mais as pernas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Teresa obedeceu. Isto não era excitante, não dava prazer, não significava nada que ela entendesse, mas, para quem se deu a alguém, confiar é obedecer: Raul sabia com certeza o que estava a fazer. Parte da excitação que Teresa sentira regressou, apesar da luz forte, quando Raul recomeçou a tocar-lhe a vulva, afastando com os dedos os grandes lábios, tocando-lhe o clítoris, examinando o capucho que o escondia parcialmente, apalpando por fora a parte que se oculta no interior do corpo. Era como o toque do ginecologista, que a deixava fria, mas ao mesmo tempo era o toque do amante, que a deixava em brasa: mais uma sensação nova para juntar às que Raul lhe provocava. Raul sabia que o clítoris de Teresa era bem mais longo do que parecia, e se parecia pequeno, era porque só a ponta aflorava à superfície do corpo. Procurou seguir-lhe a raiz com os dedos e conseguiu-o em parte, mas não teve a sensibilidade suficiente para se dar conta do ponto em que a raiz do clítoris se bifurca, rodeia a uretra pelos dois lados e se vai ligar à vagina. Depois seguiu-lhe com os dedos os pequenos lábios, beijando-os de vez em quando, mas aparentemente mais atento ao exame que estava a fazer do que ao prazer que pudesse dar ou obter. Apertou-lhe os lábios exteriores um contra o outro: eram bastante carnudos, e apesar da excitação de Teresa, ocultavam por inteiro os lábios interiores, que eram mais estreitos do que o habitual, e frisados como pétalas de cravo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Perfeito – murmurou para si mesmo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Era bom que Raul considerasse que ela tinha uma vulva perfeita, mas perfeita para quê? Teresa ignorava a razão deste exame a frio, que começava a excitá-la quase tanto como a excitaria uma verdadeira carícia; mas não ousou fazer qualquer pergunta. Em todo o caso, o exame não durou muito mais: Raul levantou-se, desligou o candeeiro e retomou as carícias de havia pouco, até que o corpo de Teresa se contorceu numa convulsão de prazer. Raul manteve-a no cume durante tanto tempo quanto foi capaz, para depois a trazer de volta muito lentamente. Teresa sentia-o muito excitado – bastava sentir-lhe a dureza do pénis – mas, como era típico dele, sem pressa nenhuma de a penetrar. O que queria ele agora dela? Começou a beijá-lo na cara, nos ombros e no pescoço. Raul começou a tocar-lhe sucessivamente os seios, os flancos, as ancas, testando-lhes a textura e a firmeza.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Meu senhor, posso fazer-te uma pergunta? – disse Teresa. − O que foi aquilo há bocado? Estavas a brincar aos médicos?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Raul riu-se, beijou-a na comissura dos lábios e respondeu:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Não é bem isso, minha escrava. São duas coisas que tenciono mandar fazer-te. Uma depilação definitiva…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">– Hmmm… – respondeu Teresa. – Não sei se vou gostar… mas tu é que decides, claro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">– Claro – concordou Raul. – Amanhã tens uma consulta marcada. Andei a ver qual era a melhor clínica do Porto. O tratamento completo vai demorar de um a dois anos, até que os pelos não voltem a crescer, mas os resultados vão começar a ver-se logo a partir do primeiro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Sei como é – disse Teresa. – E qual é a outra coisa que me vais fazer?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Vou mandar pôr-te <em>piercings</em> na vulva, nos lábios maiores. Mas isso é para mais tarde, e vai ter que ser feito em S. Paulo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Em S. Paulo? Que <em>piercings</em> tão especiais são esses? Pensei que bastava chegar ali à Baixa a qualquer casa de tatuagens e sair de lá meia hora depois com os <em>piercings</em> postos&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Raul começou a acariciar-lhe a vulva com a mão enquanto lhe respondia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Estes vão ser mesmo especiais. Vão ser em titânio e desenhados para o fim que tenho em vista.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Teresa soltou um gemido:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Meu senhor&#8230; sou tua, farás de mim o que quiseres&#8230; mas agora estou a imaginar que me vais fazer as coisas mais inconcebíveis, sem eu saber o que é… Não vai ser nada que te impeça de me possuir, pois não?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Raul deu uma risada branda:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">– E eu alguma vez ia querer deixar de te possuir? Não, meu amor, não vai ser nada disso. O que pode, é impedir que outros te possuam… Não te importas?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">– Eu? Não, meu senhor. Até fico excitada… saber que sou só tua, mesmo fisicamente&#8230; que não me pertenço, mas a ti… mas gostava que me mostrasses outra vez isso mesmo; posso-te pedir isso?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Como poderia Raul não perdoar? Antes de a penetrar, recomeçou a acariciá-la e a beijá-la longamente na vagina, nos pequenos lábios e no clítoris, e, em cada ponto em que ele tocava, Teresa perguntava a si mesma:<em> vai ser aqui? Vou ser furada aqui? </em>Não a perturbava usar<em> piercings: </em>já tinha tido furos nos mamilos que depois tinham acabado por cicatrizar e desaparecer.<em> </em>Minutos mais tarde, quando lhe pediu licença para gozar, ele negou-lha; e ela ficou acordada durante horas, trespassada daquela estranha energia, daquele estranho prazer que não sabia explicar, sentindo-o dormir ao seu lado, saciado. Em cada dia que passavam juntos, parecia a Teresa que a sua escravidão se aprofundava mais um pouco. Tinha consentido nas modificações que Raul se propunha fazer-lhe no corpo, sem mesmo perguntar quais eram; apenas lhe pedira que lhe mostrasse mais uma vez que não se pertencia a si própria, mas a ele. Mas Teresa reflectia também que o que se aprofundava não era tanto a sua escravidão como o domínio de Raul sobre ela, um domínio cada vez mais envolto em ternuras e cuidados, como dizia Carolina, mas cada vez mais livre de culpas e de escrúpulos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Noutra noite, numa noite de castigo, Teresa jantou à mesa com Raul – com a sua saia mais sumptuosa, e coberta de jóias como era regra, mas nua da cinta para cima. Milena, que servia a refeição, sorria-lhe de vez em quando e acariciava-lhe o ombro, como para lhe dar coragem; e Teresa bem precisava de coragem para suportar o que lhe estava reservado para daí a pouco.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Com efeito, Raul, depois de ter bebido o seu <em>whisky</em> e fumado o seu charuto, com ela todo o tempo a beijar-lhe os pés, mandou-a esvaziar a bexiga e esperar por ele, toda nua e sem jóias, no quarto dos castigos. Teresa esperou de pé, com a cabeça baixa e os braços caídos ao longo do corpo. Quando Raul entrou, não ergueu os olhos para ele, mas reparou que tinha mudado de roupa e estava agora de chinelos, pijama e roupão. Quando ele lhe pôs a mão no queixo para a obrigar a erguer a cabeça e lhe dar um beijo na face, Teresa fechou os olhos, virou-se para ele e ofereceu-lhe docemente os lábios.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Deita-te na banca da esquerda, de barriga para cima.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Era a banca abaulada: deitada sobre ela, Teresa ficava com a pélvis mais alta que a cabeça e os pés. Tinha ido nessa tarde à consulta marcada na clínica de beleza: depois de a examinarem, tinham-na rapado com uma lâmina e feito vários testes antes de lhe fazerem o primeiro tratamento com luz pulsada. Era uma sensação estranha estar assim exposta, com o sexo completamente depilado, mais nua do que alguma vez se tinha sentido. Sentiu que Raul lhe amarrava o pulso direito, apertando a corda com força e atando-o a uma das argolas de bronze no canto da banca. Depois amarrou-lhe os tornozelos, escolhendo as argolas de bronze que a faziam afastar mais as pernas. Entretanto, ajeitando o corpo em direcção à cabeceira da banca, Teresa tinha conseguido aliviar a tensão da corda que lhe prendia o pulso; mas, com as pernas presas, isto já não lhe foi possível quando ele lhe amarrou o pulso esquerdo. Voltando aonde tinha começado, Raul desatou o pulso que tinha amarado em primeiro lugar e puxou a corda antes de o atar outra vez; e assim deu várias voltas à banca, esticando as cordas mais um pouco, sempre pela mesma ordem, até não ser possível a Teresa aliviar a tensão.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">As cordas, assim apertadas, faziam-lhe doer. Quando Teresa pensou que já estava imobilizada, Raul ainda a prendeu com mais cordas nas coxas, junto aos joelhos, obrigando-a a escarranchar ainda mais as pernas. Não a amordaçou nem a vendou: embora a posição incómoda em que ela tinha a cabeça não lhe permitisse seguir todos os movimentos do dono pela sala, permitia-lhe ver alguns. Agora é que ele vai buscar o chicote, pensou Teresa; ainda bem que ele a tinha mandado esvaziar a bexiga, caso contrário talvez não pudesse evitar encharcar-se de medo. Mas Raul, quando voltou para junto dela, não trazia chicote nem vergasta, mas sim dois pequenos objectos que ela só identificou quando ele lhos prendeu aos mamilos: duas molas que a fizeram arquejar de dor. O que quer que ele tencionasse fazer a seguir, era preciso esperar que a dor abrandasse, caso contrário não sentiria mais nada. Enquanto esperava, ele alisou-lhe os cabelos e ofereceu-lhe a mão aos lábios para que ela a beijasse. Isto deu-lhe tempo a sentir algo mais do que a dor nos mamilos, que era agora uma sensação surda. Raul passou um dedo a todo o comprimento da vulva exposta de Teresa, que se deu conta de que estava completamente molhada. Meteu-lhe o dedo na boca, para que ela provasse os seus próprios sucos, e trepando para cima da banca, introduziu-lhe o pénis na vagina.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− <em>Pompoar</em> – ordenou-lhe.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Teresa já estava suficientemente adiantada nas lições de <em>pompoar</em> para que alguns dos movimentos se lhe tivessem tornado quase instintivos, mas desta vez era-lhe exigido mais do que isso. Concentrou-se nas técnicas que ainda não tinha automatizado; e esta concentração, conjugada com o desconforto da sua posição, fez com que a onda do orgasmo, ainda pequena, que mal lhe começava a crescer ao largo do corpo, se aplanasse de novo. Não pediu autorização para ter orgasmo; para quê, se mesmo sem orgasmo o prazer que sentia era tão intenso, e se o prazer que soubesse dar Raul o compensaria amplamente? Sentiu que os movimentos dele se tornavam cada vez mais fluidos e que exigiam dele cada vez menos esforço, apesar de serem cada vez mais amplos e mais fortes; ouviu-lhe a respiração cada vez mais sonora, mas também cada vez mais solta; e preparou-se para acolher dentro de si, com alegria e amor, o jacto de esperma em que ele se esvairia em breve. Mas Raul, quase no momento de atingir o clímax, ainda lhe ordenou:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Vem-te agora, escrava. Dá-me o teu prazer.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">E, em obediência esta ordem, a prega de mar que antes, ao largo, se aplanara, a pequena onda que fora para Teresa uma promessa, cresceu de novo, agigantou-se, adquiriu no topo uma crista de espuma, curvou-se sobre a praia do seu corpo e desabou sobre ela, arrastando-a, virando-a em todas as direcções, mais uma vez perdida. <em>Escrava, puta, galdéria,</em> pensou, <em>que me venho assim só porque um homem manda.</em> Mas estes insultos que dirigia a si mesma não eram sinceros: não podia enjeitar a alegria e o orgulho que a invadiam; e puta não era de certeza, a não ser de Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Mal acabou de a possuir, Raul levantou-se e limpou o pénis com dois toalhetes húmidos, tirados de uma embalagem que Milena tinha guardado para esse efeito num dos armários. Calçou os chinelos, vestiu-se, e começou a desamarrar Teresa tão metodicamente como a tinha amarrado. No fim, tirou-lhe as molas dos mamilos, causando-lhe uma dor bem maior do que lhe tinha causado ao pô-las.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Não te levantes ainda, espera um pouco – ordenou.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Dirigindo-se para a cabeceira da banca, pôs uma mão por baixo da nuca de Teresa e outra por baixo dos ombros e soergueu-a devagar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Sentes-te bem? – perguntou.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Ao som afirmativo dela, ergueu-a mais um pouco e disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Agora roda o corpo devagar e põe os pés no chão.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Teresa assim fez e Raul perguntou-lhe de novo se estava bem.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Estou bem, meu senhor.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Raul ordenou-lhe que ficasse sentada mais uns segundos; depois ajudou-a a levantar e conduziu-a ao quarto de banho, onde tomou duche com ela. Teresa viu-se ao espelho. As marcas das cordas eram fundas e estavam muito vermelhas, e demorariam por certo algum tempo a desaparecer. Se passados dois dias, quando tivesse aula de dança do ventre, ainda se notassem, teria que revelar mais um pouco da sua condição.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Mais tarde, deitados na cama, Raul recomeçou a acariciar-lhe o corpo. Ao tocar-lhe os mamilos foi especialmente gentil, mas Teresa, que os tinha muito doridos, arquejou de dor. <em>Mas continua, meu amor, continua</em>… Raul continuou a acariciá-la, voltando de vez em quando aos mamilos. Teresa respondia-lhe com carícias e com beijos cada vez mais apaixonados.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Meu senhor&#8230; meu dono&#8230; – disse Teresa por fim. – Não queres voltar a possuir a tua escrava?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Raul possuiu-a com vigor e ternura, não apressando os preliminares, nem a privando depois duma copiosa porção de beijos e carícias; e autorizou-lhe o orgasmo quando ela o pediu. Raul demorou muito tempo: quando o sentiu gozar, Teresa já tinha terminado completamente, mas disse-lhe:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">− Sim, meu senhor, sim, goza em mim, goza sozinho na tua escrava&#8230; goza muito, meu querido&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663366;">Imaginou que Raul, cansado como devia estar, havia de querer a cama toda só para si e a mandaria dormir aos seus pés. Mas ele, em vez de a mandar embora, estendeu-lhe os braços, e nessa noite dormiram enlaçados.</p>
<br /> Tagged: amarrada, aos pés do dono, castigo, escrava, mamilos, nua, orgasmo, penetração, piercings na vulva, pompoar, respeito, seios nus, sexo depilado, sofrer, vagina <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/348/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/348/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/348/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/348/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/348/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/348/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/348/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/348/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/348/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/348/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/348/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/348/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/348/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/348/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=348&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/14/romance-excerto-17/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUVPRtd8NTI/AAAAAAAAApw/-RhKs99kswQ/s400/Submission_by_Jeffreymcc.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 16)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/11/344/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/11/344/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 23:09:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[dança erótica]]></category>
		<category><![CDATA[seios nus]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/11/344/</guid>
		<description><![CDATA[− Com que então, menos do que a poeira debaixo dos teus pés! – disse Teresa. Depois de fecharem o acordo com Milena, tinham ficado mais uns minutos e agora estavam sós. − Naturalmente – respondeu ele, enquanto se inclinava sobre ela para lhe chupar um mamilo. – É essa a tua ínfima condição. − [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=344&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUGVPvHM2OI/AAAAAAAAApo/_vn79LZQl9E/s1600-h/Afsana__s_Garden_by_keylalbr.JPG"><img style="float:left;width:208px;cursor:pointer;height:276px;margin:0 10px 10px 0;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUGVPvHM2OI/AAAAAAAAApo/_vn79LZQl9E/s400/Afsana__s_Garden_by_keylalbr.JPG" border="0" alt="" /></a>− Com que então, menos do que a poeira debaixo dos teus pés! – disse Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Depois de fecharem o acordo com Milena, tinham ficado mais uns minutos e agora estavam sós.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Naturalmente – respondeu ele, enquanto se inclinava sobre ela para lhe chupar um mamilo. – É essa a tua ínfima condição.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Naturalmente – repetiu ela. – Monstro sem vergonha. E o pior é que é verdade. Diz-me lá: o que é que eu sou para ti?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Raul beijou-lhe o outro mamilo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Menos que a poeira debaixo dos meus pés…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Isso eu já sei… E que mais?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Menos que os cães que afasto a pontapés…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Mentiroso, tu nunca deste um pontapé num cão. E que mais?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Menos que as éguas que puxam o meu coche…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Teresa arqueou-se sob os beijos dele.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– E que mais, meu senhor?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Menos que um seixo que apanhei na praia…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Com a mão de Raul a acariciar-lhe o sexo, Teresa tinha já dificuldade em falar, mas perguntou ainda:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Um seixo bonito?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– O mais bonito de todos – respondeu Raul. – Mas sem valor.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Claro, sem valor… Meu querido…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– E eu, minha escrava? O que sou eu para ti?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Teresa tinha as pernas todas abertas, o corpo todo oferecido, e gemia:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– És o meu rei… o meu imperador… o meu Príncipe… o tigre que salta sobre mim… a onda que me derruba… o pé que me calca sem me ver… o tornado que me leva… o meu senhor amado…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Mais tarde, quando descansavam nos braços um do outro, Raul lembrou-se:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Porque é que a Milena disse aquilo?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Aquilo, o quê, meu senhor?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Que o nosso amor era <em>molto, molto bello</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– E disse isso – acrescentou Teresa – quando já tinha visto o quarto dos castigos…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Mostraste-lho?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Mostrei-lhe a casa toda – respondeu Teresa. – A maneira como ela olhou para os chicotes e depois para mim, como se para ela o nexo entre eles e o meu corpo fosse visível e evidente&#8230; Quando ela olhou para mim daquela maneira, poucas vezes me senti mais tua escrava. Depois ela sorriu-me, fez-me uma festa na cara e passado pouco tempo fez-me aquela proposta de ser nossa empregada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Renunciou ao amor, mas quer servir o nosso – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Foi o que me pareceu – respondeu Teresa. – E não se vai impressionar com nada que me faças.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Milena integrou-se com facilidade na rotina da casa. Para ela, tudo era novidade e fonte de fascinação. Nunca tinha aprendido a utilizar uma cozinha que consistisse em muito mais do que alguns recipientes improvisados sobre uma fogueira. Depois de Zerberov a ter resgatado das mãos dos nómadas, tinha ganhado uma obsessão pela limpeza que nem sempre pudera pôr em prática entre os veludos desgastados e os dourados corroídos dos bares e dos clubes. Agora, ia a pé quase todas as manhãs ao mercado do Bom Sucesso, ou tomava o autocarro para o mercado do Bolhão. Quando ia para este lado, aproveitava para visitar as mercearias finas da Rua de Sá da Bandeira e comprar os ingredientes para as suas experiências culinárias. Geralmente, quando não tinha aula de <em>pompoar</em>, Teresa limpava e arrumava a casa durante a manhã, mas para Milena havia sempre algo mais a fazer. Raul ralhava com as duas: para quê arrastar móveis, para quê esvaziar estantes, se todos os meses podiam contratar uma empresa que lhes limpasse a casa a fundo? Teresa e Milena aprovavam a ideia, sorriam uma para a outra, e continuavam a fazer como entendiam.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">As lições de dança do ventre chegaram ao ponto em que começavam a ser necessárias roupas e adereços apropriados: saias circulares, saias em painéis sobrepostos, <em>écharpes</em> para as ancas, calças de harém, véus, cintos ornamentados, <em>tops</em>, <em>cholis</em>, colares, brincos, pulseiras, guizos, moedas, ornamentos para os tornozelos. Raul não permitiu que Teresa escolhesse nada disto sozinha: sentados em frente ao computador, foram fazendo a sua selecção. A primeira escolha que tiveram a fazer foi se os enfeites seriam prateados ou dourados: disso iam depender todas as outras escolhas. Optaram pelo dourado, porque a variedade era maior e porque seriam mais fáceis de combinar com as jóias de ouro que Teresa já possuía. Quanto às roupas propriamente ditas, Raul decidiu que deixariam o corpo o mais descoberto possível e que seriam sempre da mais alta qualidade, sem tecidos sintéticos nem costuras mal feitas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Não foi fácil encontrar boleros como Raul os queria: coletinhos curtos e rígidos em veludo, sem mangas, muito caveados, ricamente bordados a ouro, sem botões, e abertos à frente de modo a deixar os seios completamente nus ao menor movimento. Acabaram por ter de os mandar fazer: um num cinzento acastanhado muito escuro, e outro em azul-marinho, ambos bordados a ouro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Há alguns dias tivemos uma conversa engraçada na aula – disse Teresa uma noite, depois de jantar. – Por causa de um vídeo da Ansuya que estávamos a ver.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Quem é essa Ansuya? − perguntou Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− É umas das dançarinas mais famosas do mundo. Trazia um top rígido, como um soutien. A certa altura, ela fez lá um certo movimento e a mim pareceu-me, na minha ignorância, que aquilo era para ser feito com os seios nus. As outras responderam com exclamações do género “ui, eu era lá capaz”, mas para mim a questão não estava em ser capaz ou não, estava em estar certo ou não estar&#8230; para mim era evidente que aquele movimento se tinha desenvolvido durante séculos precisamente para fazer oscilar os seios. A professora achou que isto excitaria os homens em vez de celebrar o feminino, e eu perguntei porque é que uma coisa excluía a outra.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− E ela, o que é que respondeu?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Não respondeu nada. Mas é uma boa professora e eu estou a aprender muito com ela, embora pense que a filosofia dela está cheia de dicotomias arbitrárias. É americana, coitada…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Que dicotomias?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Por exemplo, a diz que se dançássemos nuas ou meio nuas, o que estaríamos a fazer já não seria dança do ventre, mas sim dança erótica; e eu respondo que dança mais erótica do que a dança do ventre não existe. Outro exemplo: a professora diz que a dança do ventre é sensual e não sexual, e eu respondo que não só é sexual, como é intensamente e especificamente heterossexual, e abrange todas as facetas da sexualidade feminina que respondem à masculina. Ela acha que a dança do ventre não é para o olhar dos homens, eu acho que sem o olhar dos homens não haveria dança do ventre. A sensualidade é um elemento indispensável, porque é o elemento agregador disto tudo: é o meio que permite fazer arte do material bruto; mas o material bruto é mesmo o sexo puro e duro, e eu, pela minha parte, não quero excluir dele, nem o desejo feminino, nem o desejo masculino, por mais tosco e insolente que este seja.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− O meu desejo é tosco e insolente? – perguntou Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Insolente, é – respondeu Teresa. – E é assim que deve ser. A beleza do desejo masculino está na sua insolência. E a beleza dos homens, para uma mulher como eu, também. Se é tosco, é outra matéria: em comparação com o de muitos homens, o teu desejo não é tosco, pelo contrário: é requintadíssimo. E até é requintado em comparação com o de muitas mulheres. Mas lamento informar-te, meu senhor querido, que é bastante tosco comparado com o de algumas mulheres.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Tu, por exemplo?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Eu, talvez um dia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Entretanto, foram chegando as roupas encomendadas para Teresa. Finalmente, uma noite, Raul pediu a Teresa uma passagem de modelos e uma demonstração do que já tinha aprendido.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Às tuas ordens, meu senhor – disse Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Nessa noite, Raul jantou sozinho, servido com toda a formalidade pelas suas duas criadas. Depois, enquanto Milena levantava a mesa e arrumava a cozinha, Teresa pediu a Raul que se sentasse na sala. Em seguida desapareceu por um breve minuto para regressar completamente nua: neste preparo pôs a tocar o primeiro dos discos compactos que tinha reservado, serviu um <em>whisky</em> a Raul, acendeu-lhe um dos charutos maiores da charuteira, dispôs velas acesas em vários pontos da sala e completou esta iluminação com um candeeiro de halogéneo que situou por trás e para o lado de Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Está tudo pronto, meu senhor. Só falto eu.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">No quarto, Milena já a esperava para a ajudar a mudar de roupa. O mais demorado foi pôr as jóias, mas estas, uma vez postas, não seriam mudadas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Depressa!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Por cada traje que exibia, Teresa dava alguns passos em direcção a Raul, tornava atrás, volteava sobre si mesma para rodar a saia ou as saias, aproximava-se de novo, meneava um pouco os quadris numa sugestão de dança e terminava dobrando os joelhos numa vénia. No fim, voltou para a sala, de novo nua mas ainda as jóias.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Agora gostava de dançar um pouco para ti, mesmo sabendo ainda tão pouco.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Não te faças humilde demais – respondeu Raul. – Também não sou um espectador perito: terei que aprender a ver à medida que tu vais aprendendo a fazer.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Sim, meu senhor. Mas mesmo assim gostava que escolhesses os trajes com que vou dançar&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Raul reflectiu um pouco e decidiu:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Estive a pensar na nossa conversa de há dias. Quero que dances três vezes com aquela saia azul-água: primeiro o traje completo, incluindo o top, depois a mesma saia com o bolero azul-marinho, e finalmente de seios nus.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Sim, meu senhor.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Antes de se ir vestir para dançar, Teresa baixou a intensidade da luz, pôs mais um pouco de <em>whisky</em> no copo de Raul e mudou a música para algo de mais fácil. Não tentou mostrar um virtuosismo que não tinha, mas soube transmitir emoções autênticas com os movimentos do corpo. No fim, veio ter de novo com Raul, mais uma vez nua e sem jóias:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Que achaste, meu senhor?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Olha para as minhas calças e verás o que o meu corpo achou – respondeu ele, sorrindo. – Mas quanto à minha cabeça e à minha sensibilidade, acho que tens razão na tua maneira de pensar. Tudo o que vi na tua dança era flexível e maleável: o teu corpo, as tuas roupas, o teu cabelo. Os movimentos da dança tiravam claramente partido disso. A única coisa rígida, restritiva, sem movimento, era o top. A dança com os seios nus resultou bem, a dança com o bolero também. Isto, digo-o eu na minha ignorância, que é ainda maior que a tua. Mas de certo modo acho que a tua professora tem alguma razão: se os teus seios fossem maiores, o melhor seria usar qualquer coisa que os contivesse um pouco sem os imobilizar de todo. Os teus são sobre o grande e gosto muito de os ver oscilar livremente, mas numa apresentação profissional talvez conviesse sujeitá-los a alguma espécie de restrição flexível. Outra coisa que eu achei é que tudo o que vi era intensamente físico. Nada na tua dança renuncia ao corpo nem foge ao corpo. Se o ponto a que se quer chegar é algo de espiritual, e eu acredito que seja, não é certamente pela via do ascetismo nem do desprendimento.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Também é o que eu acho e nem sempre consigo dizer. Depois de amanhã tenho outra vez aula: posso dizer às minhas colegas que dancei para ti?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Claro que podes – respondeu Raul. – Porque não? As tuas colegas estão proibidas de dançar para os seus homens?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Sei lá, algumas se calhar acham que estão. Mas vou-lhes dizer que dancei melhor por dançar para ti. Vou dizer que o olhar de um homem só melhora a dança, e que fiz hoje instintivamente e sem esforço certos movimentos que nas aulas só tinha conseguido fazer mecanicamente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Raul sorriu, bebeu o último gole de <em>whisky</em> e perguntou:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− E quanto aos efeitos da dança, aqueles de que falámos primeiro: terá a minha odalisca notado esses efeitos? Terá deduzido deles que o seu dever ainda não terminou?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Teresa baixou a cabeça num arrependimento fingido e respondeu:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Tenho que te confessar, meu senhor, que esses efeitos foram logo os primeiros que a tua odalisca notou, como grande galdéria que é. Não sei se me vais permitir que termine como escrava o que comecei como artista: se calhar não mereço.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">– Talvez não mereças, mas a tua sorte é que eu não sou só um apreciador de arte, sou também um <em>dirty old man</em> impenitente. Por isso, vais ajoelhar-te à minha frente, tirar o meu sexo para fora e chupar-me até eu me vir.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Sim, meu senhor – respondeu Teresa, sorridente. – Às tuas ordens, e com todo o prazer&#8230; mas esta parte, não a vou contar às minhas colegas. Bem&#8230; talvez conte só às que gostam de <em>dirty old men</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">[ ... ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− E por falar em dança – disse Raul. – O que disse a tua professora de dança do ventre sobre a nossa conversa de há dias?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Disse que num mundo ideal eu talvez tivesse razão, mas no mundo realo não há lugar para seios nus. Mas sabes uma coisa? Levei as roupas que tu me compraste e o mulherio ficou todo deslumbrado com o bolero azul-escuro. Fizemos uma passagem de modelos com ele, sem nada por baixo, e não houve nenhuma que não quisesse experimentar, até a professora. Houve algumas que coraram e cruzaram os braços sobre o peito&#8230; mas todas quiseram experimentar.</p>
<p><span style="font-family:&quot;font-size:12px;"><br />
</span></p>
<br /> Tagged: dança erótica, seios nus <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/344/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=344&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/11/344/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SUGVPvHM2OI/AAAAAAAAApo/_vn79LZQl9E/s400/Afsana__s_Garden_by_keylalbr.JPG" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 15)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/09/romance-excerto-5-2/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/09/romance-excerto-5-2/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 14:19:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[aos pés do dono]]></category>
		<category><![CDATA[criada]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[servir o dono]]></category>
		<category><![CDATA[trajo de escrava]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=335</guid>
		<description><![CDATA[VOTO DE CASTIDADE Raul conhecia finalmente a história de Milena Cavic desde o dia em que tinha sido raptada, aos onze anos, em Pristina. Este conhecimento não lhe deu o prazer da curiosidade satisfeita, tal como a morte horrível de Zerberov não lhe tinha dado o prazer da justiça cumprida. O mundo estava apenas um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=335&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="color:#330000;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ST511f4yzQI/AAAAAAAAApg/26DYCbpc4YQ/s1600-h/aa+02+sk.JPG"><img style="float:right;cursor:pointer;width:121px;height:320px;margin:0 0 10px 10px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ST511f4yzQI/AAAAAAAAApg/26DYCbpc4YQ/s320/aa+02+sk.JPG" border="0" alt="" /></a><span style="color:#330000;">VOTO DE CASTIDADE</span><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Raul conhecia finalmente a história de Milena Cavic desde o dia em que tinha sido raptada, aos onze anos, em Pristina. Este conhecimento não lhe deu o prazer da curiosidade satisfeita, tal como a morte horrível de Zerberov não lhe tinha dado o prazer da justiça cumprida. O mundo estava apenas um milésimo de milímetro mais direito, era tudo. Sentia, como o espectador duma tragédia, piedade e terror. Teresa sentia o mesmo, mas transmutava-os numa solicitude prática de que Raul não seria capaz.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Hoje não vais dormir a casa – disse Teresa. – Dormes aqui, no quarto de hóspedes.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Claro – concordou Raul. – Vou ajudar a fazer a cama.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Não – disse Teresa, peremptória. – A Milena ajuda-me.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Pelo tom de voz de Teresa, Raul reconheceu que esta decisão tinha sido tomada por uma daquelas razões femininas que os homens raramente compreendem mas se não forem estúpidos têm em conta.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Está bem – respondeu. – Eu fico aqui um bocadinho a ler e a ouvir música.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– É melhor – disse Teresa. – Queres um whisky?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">E antes que ele tivesse tempo de responder deitou-lhe um pouco de Laphroaig num copo e serviu-lho de joelhos, formalmente, como se não estivesse na sala mais ninguém além deles.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Quando as duas reapareceram, Raul notou não se tinham limitado a arrumar o quarto: Teresa tinha mudado de roupa e estava agora nos seus mais sumptuosos trajes de escrava; Milena estava vestida de modo semelhante, com roupa de Teresa, e cheirava a sabonete. Mas a transformação mais notória que Raul notou nela foi a expressão do rosto e do corpo: não vinha alegre nem animada, longe disso, mas já não tinha aquela palidez nos cantos da boca que exprime medo ou tensão extrema. Olhando para aqueles olhos enormes, para o rosto de boneca, para o corpo esguio, Raul assombrou-se de novo: como podia alguém aparentemente tão frágil sobreviver àquilo a que ela tinha sobrevivido?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Quando Teresa se sentou no chão aos pés dele, Milena pareceu não ver nisso nada de estranho e imitou-a.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Pronto, meu senhor, aqui estamos – disse Teresa. – O que é que vamos fazer?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Raul nem por um momento tomou à letra esta pergunta. As decisões mais importantes já tinham sido tomadas, de certeza, durante as arrumações e as trocas de roupa, e o que agora se esperava dele era que lhes apusesse a chancela simbólica da sua autoridade masculina.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Milena – começou. – Primeiro quero dizer-te que podes ficar nesta casa os dias que entenderes. Não tens que decidir nada já sobre a tua vida…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– <em>Non voglio mai tornare</em> a Servia – interrompeu-o a jovem. – Os meus pais já não me conhecem. Eu já não os conheço. Deixaram-me com Zerberov. <em>Mio fratello è morto.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Não queres ficar aqui no Porto? Tens uma casa para viver, tens amigos para te ajudar. Tens trabalho? Se não tens, podemos ajudar-te a procurar. Também te podemos ajudar com dinheiro, se precisares.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Serei sua <em>schiava</em>, como Teresa?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Pelo sobressalto de Teresa ao ouvir esta pergunta, Raul percebeu que afinal nem tudo tinha sido combinado com antecedência pelas duas mulheres.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Não, não serás minha escrava – respondeu. – Nunca mais serás escrava de ninguém, se não quiseres. Entendeste? Nunca mais<em>. Mai più.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Milena acenou que sim. Sim, entendia. Era o que Teresa lhe tinha dito, mas custava-lhe a acreditar que algum homem a quisesse ajudar em troca de nada. Tinha um lugar para viver, mas não queria voltar lá sozinha. Não sabia se tinha dinheiro: Zerberov tinha-lhe tirado o cartão do banco quando a tinha deixado em casa do Comendador. Zerberov tinha dinheiro numa gaveta, muito dinheiro, mas a polícia tinha levado tudo quando revistara a casa. Não sabia se ia conseguir arranjar mais trabalho como pianista, era sempre Zerberov quem fazia os contratos. Mas estava disposta a trabalhar fosse no que fosse, só como <em>putana</em> é que não. <em>Mai più. Schiava,</em> sim, se o senhor quisesse, mas só dele; e ficava contente por o senhor não querer.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;color:#330000;" align="center">[…]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;color:#330000;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Tinha pensado em passarmos pelo supermercado para fazermos umas compras para o teu apartamento – disse Raul. – Mas é tarde e estamos todos cansados. Porque não dormes outra vez em nossa casa?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Milena já devia ter discutido o assunto com Teresa, porque acedeu rapidamente. Em casa, Teresa pôs a touca e o avental e fez um jantar rápido, ajudada por uma Milena que depressa revelou não fazer a menor ideia de como se havia de mover numa cozinha, mas que compensava a falta de jeito com uma tocante boa vontade. Depois de jantar, Milena pediu licença e retirou-se para o quarto, alegando cansaço.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Posso ir com ela, meu senhor?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Era óbvio que queriam conversar as duas sem a presença dele.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Vai, disse Raul. – Eu fico aqui a ler.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">A conversa durou seguramente mais do que uma hora. Por fim Teresa regressou à sala e sentou-se aos pés de Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Tenho uma solução completamente louca para a situação da Milena – anunciou. – Porque é que ela não há-de ser a nossa empregada doméstica?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Porque seria uma completa loucura – disse Raul. – Porque duas mulheres numa casa com um homem complicam sempre as coisas, introduzem uma tensão sexual difícil de gerir. Porque eu só quero ter uma escrava. Porque duvido que ela saiba fazer seja o que for numa casa. Dito isto, estou disposto a ouvir-te.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Então vou começar por uma coisa que ela me disse e que eu nunca acreditaria se me tivesse sido dita por outra mulher. Diz ela que até ser velhinha e morrer (foi assim que ela pôs as coisas), nunca mais vai ter relações sexuais com um homem. Nem com um homem, nem com uma mulher, nem com ela própria. Será como se não tivesse órgãos genitais. Fiquei tão espantada que lhe disse, a brincar, que então o melhor era ir a um país africano onde lhe fizessem uma excisão total do clítoris e dos pequenos lábios, e lhe infibulassem a vagina. E foi nesta altura que me assustei a sério com ela: disse-me que não era preciso, que já tinha feito isso tudo aqui, apontando para a cabeça, e aqui, apontando para o coração. Uma miúda de vinte anos a dizer-me isto, e eu acreditei. Podes dizer-me porque é que eu acreditei?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Raul não respondeu imediatamente. Em que pensamentos se estaria a perder? Por fim, como se falasse para si mesmo, disse:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Há sempre quem faça as coisas mais improváveis&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Teresa chamou-o à terra:</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Sim, mas geralmente só acreditamos nessas coisas depois de feitas.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Vou-te contar uma coisa sobre o país de Milena. A população de origem albanesa, especialmente nas zonas rurais, não se rege pelas leis do Estado, mas sim por um código elaborado no século XV pelo príncipe Lekë Dukagjini&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Como tu te consegues lembrar dum nome desses&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Acredita, não é possível viver muito tempo no Kosovo e tentar fazer cumprir as leis sem ficar com este nome na memória. De qualquer modo, este código chama-se o <em>kanun</em>, e estabelece, entre muitas outras coisas, que, numa família onde não haja homens adultos, uma mulher se pode transformar em homem. Para isso precisa de fazer uma jura de abstenção sexual para toda a vida. Com isto adquire todos os privilégios de um homem: governar a família, andar armada, viajar sozinha, entrar nos cafés&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Coisa estranha&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Há coisas mais estranhas no mundo. Ora acontece que a Milena não é, nem de origem rural, nem albanesa, mas sim sérvia e urbana, e portanto em princípio nada disto se lhe devia aplicar. Se tem algum conhecimento do <em>kanun</em>, o mais provável é que seja uma ideia muito vaga, e que nem se dê conta que o voto de castidade que fez se possa inspirar nele&#8230; mas por outro lado andou com os albaneses muito tempo, e estes costumes nunca são completamente estanques. Tu dizes que acreditas nela, e eu penso: porque não hei-de acreditar também? O que não entendo é o que isso tem a ver com ela ser nossa empregada. Ou antes, entendo, talvez resolvesse o problema da tensão sexual aqui em casa, mas diz-me: qual de vocês duas foi a da ideia?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Foi ela.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− E em que condições?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Isso decides tu. A Milena só pediu que lhe deixássemos tempo para continuar a tocar nos bares&#8230; e fez questão de deixar claro que o tal voto de castidade só se aplica a ela própria, que tudo o que visse acontecer entre nós seria como se não tivesse visto nem ouvido.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− E tu, gostavas?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Gostava, meu senhor.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Então, se ela ainda estiver a pé, chama-a cá.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">Milena apareceu, ainda de jeans e blusa, como tinha andado todo o dia desde que tinha trocado de roupa em casa.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− A Teresa disse-me que te tinhas oferecido para nossa empregada. Porque é que queres ser nossa empregada?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Preciso de ganhar dinheiro para viver, senhor. O que ganho a tocar piano não chega.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Então vai ser assim: vais cozinhar, servir à mesa, lavar, limpar, arrumar e mais tudo o que eu ou a Teresa dissermos. Vais usar uma farda de criada, como a Teresa, mas nas horas de serviço também é para usar fora de casa. Em casa andas sempre descalça, na rua usas sapatos brancos sem salto. Não bates às portas, nem à do meu escritório: nada do que esteja lá a acontecer é da tua conta.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Sim, senhor. Se o senhor ou a Teresa estiverem sem roupa&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Se eu ou a Teresa estivermos nus, ou se estivermos a fazer amor, ou se eu estiver a castigá-la, entras na mesma e fazes o que tiveres a fazer. Só tens que ter o cuidado de não nos distrair. Esta é a minha casa, a Teresa é a minha escrava, e quero estar tão à vontade contigo cá dentro como estaria sem ti. Entendeste tudo o que eu te disse?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">− Sim, senhor<em>. Lei vuole che io sia come um gatto,</em> que entre, que saia, e que por minha causa as pessoas não parem de fazer o que faziam. <em>Sì, lo farò, non è difficile per me.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Em teoria, o teu horário é 24 horas por dia, sete dias por semana. Na prática, não terás um horário apertado. Serás dispensada à noite quando precisares. Quando estiveres cansada, podes levantar-te tarde. Terás oito dias livres por mês, ou dez, ou até quinze, não faço muita questão, mas será quando mos pedires e eu tos der. Também terás férias todos os anos, ou várias vezes por ano, conforme mas pedires e eu tas der. Se achares que não te estou a dar tempo livre que chegue, voltamos a falar. Quero que leias todos os dias pelo menos vinte páginas em português: tens livros e dicionários no meu escritório. Tens muitas coisas tuas no teu apartamento?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Não, <em>signore</em>, só a minha roupa, a roupa de cama e algumas coisas pequenas. Ah, e também os meus discos compactos e a aparelhagem, e alguns livros.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Se a Teresa e tu esvaziarem o roupeiro do teu quarto, terás onde pôr todas as tuas coisas?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– <em>Si, signore</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Muito bem. Amanhã de manhã, tu e a Teresa vão comprar as tuas fardas e os teus sapatos. Depois vão ao teu apartamento buscar as tuas coisas. Não é preciso trazerem tudo, o arrendamento só vence no fim do mês. A seguir começam a arrumar tudo aqui em casa para poderes cá ficar.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Sim, senhor – disse Milena.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Sim, meu senhor – disse Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– As refeições serão servidas por ti e pela Teresa, quando eu comer sozinho, ou só por ti, quando eu comer com ela. O teu horário começa de manhã às oito, mas como a Teresa gosta de ser ela a servir-me o pequeno-almoço, a maior parte das vezes poderás ficar até mais tarde na cama. À noite, a cozinha tem que ficar arrumada, ou pela Teresa e por ti, ou só por ti. A limpeza e arrumação do quarto dos castigos é da responsabilidade da Teresa, mas tu também podes ajudar. Os recados, a cozinha, o tratamento da roupa e a limpeza do resto da casa são coisas da tua responsabilidade, embora a Teresa te possa orientar e ajudar. De acordo?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Sim, senhor.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Ganharás quinhentos euros por mês, mais alojamento, mais comida. Comerás o mesmo que nós, na quantidade que quiseres. Com este dinheiro, podes manter o teu apartamento, mas não to aconselho: não precisas dele para nada. Finalmente: como vais ser aqui empregada doméstica, ou seja, uma pessoa livre, e a Teresa é minha escrava, poderás talvez imaginar que vais estar acima dela…</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Oh, não, <em>signore</em>!</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Ainda bem. Para mim, a Teresa pode ser menos do que a poeira debaixo dos meus pés, mas para ti ela é a minha mulher, a mulher que eu amo, e deves obedecer-lhe como se fosse a mim.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– <em>Si, signore!</em></p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Então estamos entendidos. Tens alguma pergunta a fazer-me?</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Não, <em>signore. Ma posso dire una cosa?</em></p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– Diz lá.</p>
<p class="MsoNormal" style="color:#330000;">– <em>A me, mi sembra che il vostro amore è bello. Molto, molto bello</em>.</p>
<p><span style="color:#330000;font-family:&quot;font-size:100%;"><em> </em></span></p>
<br /> Tagged: amor, aos pés do dono, criada, escrava, respeito, servir o dono, trajo de escrava <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/335/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=335&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/09/romance-excerto-5-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ST511f4yzQI/AAAAAAAAApg/26DYCbpc4YQ/s320/aa+02+sk.JPG" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 14)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/09/romance-excerto-14-2/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/09/romance-excerto-14-2/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 00:45:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[aos pés do dono]]></category>
		<category><![CDATA[bar Justine]]></category>
		<category><![CDATA[beijar a mão]]></category>
		<category><![CDATA[coleira]]></category>
		<category><![CDATA[criada]]></category>
		<category><![CDATA[descalça em público]]></category>
		<category><![CDATA[domínio]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[escrava gótica]]></category>
		<category><![CDATA[pompoar]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[roupa transparente]]></category>
		<category><![CDATA[saltos altos]]></category>
		<category><![CDATA[seios nus]]></category>
		<category><![CDATA[servir o dono]]></category>
		<category><![CDATA[submissa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=331</guid>
		<description><![CDATA[Tomaram duche juntos, e a seguir devoraram um enorme pequeno-almoço, suficiente para os manter saciados até à hora de jantar. Era tempo de retomar a vida normal; mas antes de ir despir o roupão para pôr o seu uniforme de criada, Teresa ainda disse: − Meu senhor, sabes qual é a primeira coisa que se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=331&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ST2pM6EVsHI/AAAAAAAAApI/HOP3BjTCfNQ/s1600-h/da+m+g+14+sk.JPG"><img style="float:left;width:132px;height:334px;margin:0 10px 10px 0;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ST2pM6EVsHI/AAAAAAAAApI/HOP3BjTCfNQ/s400/da+m+g+14+sk.JPG" border="0" alt="" /></a> <span style="color:#330033;">Tomaram duche juntos, e a seguir devoraram um enorme pequeno-almoço, suficiente para os manter saciados até à hora de jantar. Era tempo de retomar a vida normal; mas antes de ir despir o roupão para pôr o seu uniforme de criada, Teresa ainda disse:<br />
− Meu senhor, sabes qual é a primeira coisa que se deve fazer quando se cai do cavalo?<br />
− Montar de novo – respondeu Raul. – Para não dar tempo a que o medo se instale.<br />
− Então leva-me esta noite ao Justine. Se não entrar esta noite num bar, acho que nunca mais conseguirei entrar em nenhum sem morrer de medo.<br />
Raul deixou-se ficar sentado à mesa, pensando nestas palavras de Teresa. Se alguém tinha razão para ter medo de entrar num bar ou numa discoteca, era ela. Estranha coincidência: uma pessoa que fazia pouca vida nocturna estar duas vezes na vida em dois bares com o mesmo nome, alguém lhes deitar fogo, e de ambas as vezes ser salva in extremis pelo homem que amava. Raul não era supersticioso, mas decidiu que, enquanto ele mandasse, Teresa nunca mais entraria em bar, discoteca, hotel, restaurante ou café que tivesse por nome Lua Vermelha, fosse em que língua fosse. Quanto a essa noite no Justine, decidiu fazer dela uma ocasião especial: telefonou à Baronesa, contou-lhe por alto o que tinha acontecido na noite anterior, disse que queria proporcionar a Teresa uma noite memorável e pediu-lhe que contactasse alguns frequentadores habituais para a receberem de maneira a fazê-la esquecer. Não, não era uma festa, não queria que preparassem nada de especial, apenas que pusessem Teresa um pouco no centro das atenções. Podia ser?<br />
Quando Teresa reapareceu, Raul disse-lhe:<br />
– Hoje vamos jantar fora, no Majestic, e depois vamos passar o resto do serão no Justine. Para o Justine quero que vás de preto, por respeito aos nossos amigos, mas toda às transparências. Quero que mostres bem os seios…<br />
– Sim, meu senhor – disse Teresa, corando um pouco.<br />
– E descalça, obviamente. Não quero que leves bijutarias, só jóias verdadeiras: rubis, muitos rubis, para que o vermelho contraste com o preto da roupa. Tens rubis que possas pôr nos pés?<br />
– Tenho fios de ouro e anéis para pôr nos dedos dos pés. Com um pendente de rubis que tenho guardado, acho que posso improvisar qualquer coisa… Mas não tenho maneira de fazer o mesmo nos dois pés.<br />
– Muito bem, adornas só o pé esquerdo e deixas o direito completamente nu. As jóias, só as pões antes de entrarmos no Justine. Para o Majestic levas aqueles teus sapatos rasos dourados e um casaquinho que te cubra os seios. Depois, no carro, tiras o casaquinho e os sapatos, e pões as jóias. Quero que fiques linda…<br />
– Estou a pensar nas roupas pretas que tenho. Não faz mal se eu for um bocadinho gótica?<br />
– Não, acho que até vai condizer bem com o ambiente. Mas não te quero gótica na cara nem nas unhas.<br />
– Está bem, meu senhor. Outra coisa: tenho um coletinho de cabedal vermelho que me deixa os seios à mostra. Se o pusesse por cima duma blusa preta transparente…<br />
– Não ficava mal – disse Raul. – Mas o que vais pôr durante o jantar?<br />
– Estava a pensar num casaquinho vermelho com lapelas, que me ia cobrir os seios e o colete… Mas nesse caso, em vez dos sapatos dourados ficavam melhor uns vermelhos… Tenho uns que também são rasos.<br />
– Não, se forem vermelhos, antes quero que sejam de salto alto. Fazem mais o estilo galdéria. Tens alguns?<br />
Teresa riu-se:<br />
– Meu senhor, é o que eu tenho mais. E se me queres galdéria, vais-me ter galdéria.<br />
– Pronto, então está tudo combinado quanto às roupas. Eu vou de jeans pretas e T-shirt: quero que sejas tu a brilhar e não eu. E levo os meus mocassins pretos, sem meias. Só não te esqueças que no Justine eu me chamo Marco Aurélio, e tu selma.<br />
No Justine foram recebidos por Igor, que cumprimentou Raul com um forte aperto de mão. Quando Teresa dobrou os joelhos ligeiramente, fazendo a vénia que Raul lhe tinha ensinado, Igor surpreendeu-a tomando-lhe a mão e beijando-a: não nas costas, evidentemente, mas na palma, como se faz a uma escrava. A Baronesa saudou Raul e aceitou a vénia de Teresa com um sorriso e um beijo.<br />
A sala tinha sido modificada: num dos cantos tinham sido retirados os assentos e as mesas e colocados tapetes.<br />
– É para as submissas se reunirem e conversarem – explicou a Baronesa. – Há algumas que não têm permissão de se sentarem em cadeiras.<br />
– E o teu submisso? – perguntou-lhe Raul.<br />
– Ora, Marco Aurélio – respondeu-lhe a Baronesa. – O meu, nem no chão se senta. Fica de pé, que tem aqui muito que fazer. Os outros, é com as Senhoras deles. Queres ficar nesta mesa? A sua escrava senta-se no chão, se bem me lembro.<br />
Raul sentou-se no lugar que a Baronesa lhe indicara e Teresa ajoelhou-se aos pés dele.<br />
– Tomam alguma coisa? – perguntou a Baronesa.<br />
– Para a selma – disse Raul – uma água sem gás. Para mim, uma água tónica. Mas não nos sirva à mesa, nem mande ninguém servir-nos, que eu hoje só quero ser servido pela selma. Quando tiver as coisas prontas no balcão, faça sinal para ela as ir buscar.<br />
– Isso é que é uma paixão – disse a Baronesa, e afastou-se, rindo, para trás do balcão.<br />
Raul olhou à roda da sala. Lá estava a bondarina, com os seus enormes olhos verdes, aos pés de um homem que Raul não conhecia: devia ser o dono dela, o Mestre De Aviz. Ambos o cumprimentaram com um aceno de cabeça e um gesto a indicar que falariam mais tarde. Também a kathy lhes acenou e lhes sorriu. Quando a Baronesa fez sinal do balcão que as bebidas deles estavam prontas, Teresa pôs-se de pé, corando, dirigiu-se para o bar, tirou do tabuleiro a sua água e o seu copo e voltou para junto de Raul com a bebida dele. Ajoelhou-se, pôs o tabuleiro sobre a mesa, encheu-se de coragem e inclinou-se para lhe beijar os pés, um de cada vez. Só há poucos minutos tinha sido informada que este ritual era a razão de o seu dono vir sem meias. Também ela preferia assim: tirou parcialmente um sapato do pé de Raul para lhe beijar a pele nua, voltou a calçá-lo e repetiu a operação com o outro. Depois voltou a levantar-se, foi buscar a sua própria bebida – desta vez sem tabuleiro – e sentou-se aos pés do dono.<br />
– Bonito – ouviu-se alguém dizer na sala.<br />
A música ambiente parecia ter sido escolhida para ilustrar a relação entre Raul e Teresa: Enya, Lorena McKennit, Sarah Brightman, Leonard Cohen.<br />
Passado tempo suficiente para que Raul começasse a saborear a sua bebida, aproximou-se deles, com bondarina um pouco atrás, o homem bem parecido que tinham visto na companhia dela. Tinha o cabelo muito curto, um casaco de corte clássico em cabedal preto, e não apresentava quaisquer insígnias além de um discreto emblema circular com três semicircunferências a irradiar de um centro. Raul levantou-se para o cumprimentar e Teresa ajustou a posição em que estava para ficar de joelhos.<br />
– Boa noite – disse o homem, dirigindo-se apenas a Raul. – O nome por que sou conhecido aqui é Mestre De Aviz. Creio que já conhece a bondarina: ela pediu-me autorização para falar consigo.<br />
– Passou bem? – disse Raul, apertando-lhe a mão. – Claro que já o conhecia de nome, e tenho muito gosto em conhecê-lo agora pessoalmente. O meu nome aqui é Marco Aurélio. Sente-se, por favor. Esta é a minha escrava selma. Selma, beija a mão do senhor.<br />
Teresa abriu muito os olhos, espantada, mas obedeceu prontamente. Mestre De Aviz sentou-se, enquanto bondarina se lhe ajoelhava aos pés. Raul, que nunca se tinha encontrado com bondarina a não ser de igual para igual, apercebeu-se da perturbação dela quando Mestre De Aviz lhe fez sinal para que o cumprimentasse como Teresa o tinha sido cumprimentado a ele. Pegou na mão de Raul e beijou-lha, de maneira a não deixar ficar mal o dono. Bondarina estava com um vestido vermelho muito curto, de seda ou cetim, meio roto na bainha. Trazia ao pescoço uma coleira de couro gravado, muito bonita, fechada com um cadeado de aço. Estava descalça, como Teresa, o que era perfeitamente compatível com o estilo de submissão estabelecido entre ela e Mestre De Aviz: estavam a tentar uma adaptação do estilo Goreano. Kathy aproximou-se e ficou de pé junto à mesa, hesitante, sem saber se devia sentar-se no chão, como as outras submissas, ou se, por não estar na companhia do dono, deveria sentar-se numa das poltronas, como os dominantes. Bondarina, apercebendo-se desta hesitação, bateu levemente com a palma da mão no chão junto de si, convidando kathy a sentar-se.<br />
A conversa incidiu sobre o que tinha acontecido no Red Moon. Todos sabiam do que tinha acontecido pelos jornais ou pela televisão, mas só depois de falarem com a Baronesa é que tinham ficado a saber que “Marco Aurélio” e “selma” tinham estado envolvidos. Sabiam que tinha sido encontrado nos destroços o cadáver de um homem carbonizado, mas nem Raul, nem Teresa revelaram a identidade desse homem. Teresa contou apenas que tinha sido raptada por um desconhecido que a tinha levado para o Red Moon sem ela saber para quê. Ninguém se lembrou de perguntar como é que Raul tinha sabido onde havia de a procurar; ou se alguém se lembrou, teve a discrição de não o fazer.<br />
Teresa e bondarina ficaram com a tarefa de servir as bebidas, a primeira beijando os pés de Raul sempre que as trazia, a segunda beijando, ao estilo Goreano, o copo que apresentava a Mestre De Aviz. Kathy, sentindo-se na obrigação de as ajudar, acabou por também servir de joelhos os dois homens, inquieta por não saber se isto representava ou não uma traição ao seu próprio dono.<br />
− Não te preocupes – disse-lhe a Baronesa. – Traição era comportares-te como se estivesses acima da bondarina ou da selma. Isso é que deixaria ficar mal o teu dono. Logo eu falo com ele e explico-lhe.<br />
Raul desviou a conversa para outros assuntos: quando ia sair o número seguinte da Dominium, que festas se preparavam, quem tinha encontrado um novo dono ou dona, ou um novo escravo ou escrava. E assim se passou uma noite no Justine, diferente das outras porque todos se lembraram que, para lá do seu mundo consensual, existia outro, violento e cruel, a que ninguém estava imune.<br />
Raul e Mestre De Aviz tinham os carros estacionados perto um do outro. Saíram ao mesmo tempo e foram pela rua a conversar, seguidos por Teresa e bondarina, ambas descalças. Pelo modo de andar de bondarina, via-se que ainda não estava habituada, mas Teresa caminhava como se toda a vida o tivesse feito – o que era verdade pelo menos um mês por ano.<br />
Em casa, quando Raul penetrou Teresa, ela pediu-lhe que ficasse parado um momento dentro dela:<br />
− Quero mostrar-te uma coisa&#8230;<br />
Raul sentiu que o sexo dela se contraía e alargava; mas desta vez o movimento não envolvia a vagina como um todo: começava na entrada, apertando-lhe a base do pénis, continuava na secção média, acabava no fundo, onde lhe apertava a glande com força, e recomeçava tudo uma vez após outra.<br />
− Que bom, minha escrava! – disse Raul.<br />
− Ainda não aguento fazer isto muito tempo – respondeu Teresa. − Mas a minha professora de pompoar diz que quando estiver treinada serei capaz de continuar durante horas.<br />
− Pois hoje continua até não poderes mesmo mais. E não te venhas.<br />
− Sim, meu senhor – disse Teresa, contente. E concentrou-se com todas as suas forças em dar prazer ao seu dono.</span></p>
<br /> Tagged: amor, aos pés do dono, bar Justine, beijar a mão, coleira, criada, descalça em público, domínio, escrava, escrava gótica, pompoar, respeito, roupa transparente, saltos altos, seios nus, servir o dono, submissa <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/331/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/331/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/331/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/331/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/331/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/331/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/331/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/331/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/331/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/331/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/331/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/331/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/331/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/331/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=331&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/09/romance-excerto-14-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ST2pM6EVsHI/AAAAAAAAApI/HOP3BjTCfNQ/s400/da+m+g+14+sk.JPG" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 13)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/09/romance-excerto-13/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/09/romance-excerto-13/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 00:33:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[aos pés do dono]]></category>
		<category><![CDATA[beijar a mão]]></category>
		<category><![CDATA[beijar os pés]]></category>
		<category><![CDATA[castigo]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[obedecer]]></category>
		<category><![CDATA[pés nus]]></category>
		<category><![CDATA[possuída]]></category>
		<category><![CDATA[prazer]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[servir o dono]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[submissa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=329</guid>
		<description><![CDATA[Ao entrar em casa de Raul, Carolina apertou-lhe formalmente a mão e deu um beijo na face da irmã. Ainda no átrio perguntou a Teresa onde podia guardar os sapatos; e entrou descalça no interior da habitação. Não explicou a razão deste gesto, nem deu lugar a que Teresa e Raul conjecturassem. Quando a convidaram [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=329&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="post-body entry-content"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ST25V1C1D1I/AAAAAAAAApQ/AIH_G2cldPo/s1600-h/euridyke-005-large.jpg"><img style="float:left;cursor:pointer;width:198px;height:174px;margin:0 10px 10px 0;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ST25V1C1D1I/AAAAAAAAApQ/AIH_G2cldPo/s400/euridyke-005-large.jpg" border="0" alt="" /></a><a name="_Toc209450935"><span style="color:#003300;"><em></em></span></a><span style="color:#003300;"><span style="color:#333333;"><span style="color:#333333;">Ao </span>entrar em casa de Raul, Carolina apertou-lhe formalmente a mão e deu um beijo na face da irmã. Ainda no átrio perguntou a Teresa onde podia guardar os sapatos; e entrou descalça no interior da habitação. Não explicou a razão deste gesto, nem deu lugar a que Teresa e Raul conjecturassem. Quando a convidaram a entrar para a sala, pediu:</span><br />
<span style="color:#333333;">– Posso ver a casa primeiro?</span><br />
<span style="color:#333333;">A visita começou pela cozinha, como quase sempre acontece quando tanto a visitante como a anfitriã são mulheres. A sala pareceu a Carolina um pouco nua demais:</span><br />
<span style="color:#333333;">– É fácil de limpar… – comentou.</span><br />
<span style="color:#333333;">O escritório de Raul fez-lhe lembrar o do pai. Tantos livros… Tinha passado horas felizes, em criança, no escritório do pai. No quarto, ao ver o catre aos pés da cama, levou a mão à boca:</span><br />
<span style="color:#333333;">– É aqui que dormes?! – perguntou, incrédula.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Às vezes – respondeu Raul.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Muito raramente – corrigiu Teresa. – O Raul gosta de mimos e eu também, dormimos quase sempre abraçados.</span><br />
<span style="color:#333333;">Restava o mais difícil.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Agora, minha irmã – disse Teresa – só falta o quarto dos castigos.</span><br />
<span style="color:#333333;">Carolina não sabia se queria ver este quarto, mas também não sabia como negar-se a vê-lo.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Quarto dos castigos?! – exclamou, aterrada.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Não se passam lá só castigos – disse Teresa. – Passam-se também outras coisas. O nome, fui eu que o sugeri, e o Raul concordou. Anda ver.</span><br />
<span style="color:#333333;">Carolina ficou à porta, sem ousar entrar mais do que um passo, olhando à volta com uma mão a cobrir a boca.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Além de o apartamento estar todo insonorizado, este quarto, que é interior, tem uma insonorização suplementar – disse Teresa. – Tiveste que subir um degrau para entrar porque instalámos um isolamento no chão por cima do que já existia. Foi instalado por uma firma especializada e é constituído por várias camadas de diferentes materiais, com uma espessura total de doze centímetros. Em cima disso tudo ainda tem o pavimento.</span><br />
<span style="color:#333333;">Carolina continuava a olhar em volta, espantada.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Estás a ver as paredes? – continuou Teresa. – Também foram insonorizadas. Doze centímetros de materiais de alta tecnologia, a toda a volta. O tijolo maciço que reveste tudo foi ideia minha. Ajuda a absorver o som, mas não era preciso porque o que está por baixo é mais do que suficiente.</span><br />
<span style="color:#333333;">– É horrível… – murmurava Carolina. – É horrível…</span><br />
<span style="color:#333333;">– Seria horrível para ti – disse Teresa. – Sei isto porque te conheço bem. Mas tu também me conheces bem. Sabes muito bem que não sou nenhuma vítima inocente. Não te vou mentir, minha irmã: gritei muitas vezes de dor aqui dentro. Gritei e gritei até não poder mais, e não sei se hoje mesmo não voltarei a gritar até ficar rouca: tudo depende da vontade do meu dono e senhor. Também para isso me dei a ele, não foi só para os beijos e para as carícias, nem para lhe lavar a roupa e servir o jantar.</span><br />
<span style="color:#333333;">Carolina não podia suportar aquele lugar. Sentia que a respiração lhe faltava e que as pernas não lhe suportavam o peso do corpo. Não tinha nada contra o facto de Teresa lavar a roupa e fazer o jantar de Raul, ela fazia o mesmo ao Zé Tó e não lhe custava nada – por mais que algumas amigas suas ralhassem contra a sua submissão. Beijos e carícias, tomara ela muitos. Mas tortura?! Um quarto destinado a chicotear a sua irmã dilecta, a sua companheira de infância?! Um quarto que Teresa ajudara, para cúmulo, com a sua inteligência e o seu dinheiro, a adaptar a este fim?!</span><br />
<span style="color:#333333;">– Podemos ir para a sala? – perguntou em voz fraca.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Claro – respondeu Raul, e segurou-a pelo cotovelo.</span><br />
<span style="color:#333333;">Quando se sentaram, serviu vinho do Porto às duas mulheres e um whisky a si próprio. Teresa, sentada no chão, tomou entre as suas as mãos da irmã.</span><br />
<span style="color:#333333;">– É difícil de compreender, não é?</span><br />
<span style="color:#333333;">– De compreender, sim, muito difícil; mas de aceitar, muito mais. Vi-os ontem na televisão e fiquei sem saber o que pensar. Foi por isso que me convidaram para jantar hoje?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Em parte, sim – disse Teresa. – Tínhamos que nos assumir. Mas estamos ambos aterrados com a reacção das pessoas que gostam de nós.</span><br />
<span style="color:#333333;">– O Pai e a Mãe não viram o programa, sabem?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Foi nessa esperança que o fizemos tão tarde.</span><br />
<span style="color:#333333;">– E eu espalhei palavra por toda a gente que o viu que quem falasse dele aos Pais teria que se haver comigo.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Obrigado, por mim e pela Teresa – disse Raul. – E o que é que a Carolina achou?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Achei-os sinceros, e isto é o que me perturba mais. Se fossem dois poseurs à procura do seu quarto de hora de fama, tê-los-ia achado desprezíveis… Achei a Teresa muito corajosa, por ir descalça e por lhe ter beijado a mão em público. Depois comecei a pensar que vocês afinal não eram muito diferentes de outras pessoas que eu tinha visto no mesmo programa, e que eu também tinha admirado pela sua coragem. Aquelas tuas opiniões sobre os vários feminismos pareceram-me muito reflectidas, muito lúcidas… Viam-se que eram tuas, que ninguém te tinha feito a cabeça. Fiquei com a ideia que eras contra todas as leis que impõem submissão ou desigualdade às mulheres…</span><br />
<span style="color:#333333;">– Como no Irão – interrompeu Teresa.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Mas se um homem e uma mulher quiserem ter uma relação desigual, ou mesmo muito desigual, ninguém tem nada com isso…</span><br />
<span style="color:#333333;">– Ou dois homens, ou duas mulheres… – interrompeu Teresa.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Sim – disse Carolina, corando. – É isto que é fácil de entender mas difícil de aceitar.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Se algumas pessoas começarem por entender, para nós já é bom – disse Raul. – O aceitar pode vir depois. Algumas nunca aceitarão.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Mas porque é que duas pessoas hão-de fazer um acordo desses? – disse Carolina. – E mesmo que o façam, quem nos garante que é livre? Pode ser imposto pela força. Um pode ser mais forte fisicamente, ou mais inteligente, ou mais violento, ou mais influente, ou mais integrado na sociedade, ou mais rico, ou mais assertivo…</span><br />
<span style="color:#333333;">– Achas que o Raul tem essas vantagens todas sobre mim? – disse Teresa.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Só se for a força física – admitiu Carolina. – No resto, se alguém tem vantagem, és tu.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Pois tenho – disse Teresa. – Na força física ele tem vantagem. No resto, ou estamos equilibrados, ou quem tem vantagem sou eu. Violentos não somos, nem eu, nem ele. E embora todos nós sejamos capazes de um acto violento, a verdadeira violência, a violência a sério, é relativamente rara. Eu sei, porque já me encontrei com ela, e sei que não tem nada a ver com aquilo a que a maioria das pessoas chamam violência. E felizmente que é rara, e que a que há está mais ou menos controlada, porque quem é realmente violento faz o que quer de quem quer. Por isso é que o Onoprienko conseguiu fazer de mim o que fez, embora eu não seja fraca. Hoje não conseguiria, mas apesar disso ainda tenho medo dele…. Mas estamos a desviar a conversa: estavas a dizer o que tinhas achado do programa.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Uma coisa que me fez um bocado de confusão – disse Carolina – foi tu dizeres que eras feminista. As feministas que eu conheço não fazem vénias aos homens, nem lhes beijam a mão…</span><br />
<span style="color:#333333;">– Enquanto eu, ao Raul, em privado, até lhe beijo os pés… mas continua.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Achei o teu feminismo muito simples. Ora deixa ver se me lembro do que disseste: que a autoridade pública não deve dar a ninguém direitos ou deveres especiais por ser homem ou mulher; nem deve ser usada para que outros imponham direitos ou deveres diferentes a homens e mulheres; e que cada um deve ter o direito de dispor de si próprio. Se ser feminista é só isto, então eu também sou feminista, e isso é uma coisa que nunca me considerei. E deixaste uma coisa de fora: as famílias não devem ter o direito de treinarem os meninos e as meninas para terem comportamentos diferentes.</span><br />
<span style="color:#333333;">– E se eles quiserem ter comportamentos diferentes? Devem forçados a ter comportamentos iguais? Não, prefiro manter a coisa assim simples, como disse na televisão. Se não for assim simples, torna-se uma coisa totalitária. Eu posso assumir os deveres que entender em relação ao Raul, e posso reconhecer-lhe os direitos que entender sobre mim. Se alguém me impedir disso, estará a forçar-me: a exercer violência sobre mim.</span><br />
<span style="color:#333333;">– E quando a relação é de força…</span><br />
<span style="color:#333333;">– Nesse caso – disse Raul – é irrelevante que a força seja exercida por um parceiro sobre o outro, ou que seja exercida de fora sobre os dois. Trata-se na mesma de violência. Foi o que nós dissemos no programa: não se trata aqui de violência minha sobre a Teresa, nem dela sobre mim, mas sim de uma ameaça de violência duma terceira parte sobre nós os dois.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Terceira parte essa a que eu também pertenço…</span><br />
<span style="color:#333333;">– Podes deixar de lhe pertencer quando quiseres – disse Teresa. – Mas isso é decisão tua: nem eu, nem o Raul te pedimos nada.</span><br />
<span style="color:#333333;">– A apresentadora disse que vos tinha imaginado de cabedal preto, cheios de piercings, e a ti com uma coleira ao pescoço, meias de rede e saltos agulha… E eu confesso que também vos tinha imaginado com esse aspecto, apesar de nunca vos ter visto usar nada do género. Devo ter imaginado isso por ser o que as revistas mostram…</span><br />
<span style="color:#333333;">– As revistas mostram esse estilo por ser o mais vistoso, mas há no nosso meio quem adopte outros estilos, ou até estilo nenhum.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Foi por isso que disseste à apresentadora que a tua coleira de escrava eram os pés descalços?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Foi. Como símbolo de submissão, são uma coisa menos óbvia que uma coleira. E com raízes mais antigas na nossa cultura e nos nossos mitos. E mais ambígua, porque tanto podem significar submissão e humildade, como contestação, liberdade, ligação ao mundo natural… Mas já que me lembraste isso, diz-me uma coisa: porque é que te descalçaste ao entrar aqui?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Não sei bem…Lembras-te que lá para cima, entre a gente do povo, era costume, se a dona da casa estivesse descalça, as outras mulheres que entrassem descalçarem-se também? Era uma questão de boas maneiras. Lembras-te?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Lembro-me bem, sim… E foi por isso que tiraste os sapatos?</span><br />
<span style="color:#333333;">– É… Não sei o que me deu… De repente pareceu-me apropriado.</span><br />
<span style="color:#333333;">Teresa sentiu que lhe vinham as lágrimas aos olhos:</span><br />
<span style="color:#333333;">– Obrigada, mana… Foi um gesto bonito.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Não quer dizer nada, até estou mais confortável assim. Só mais uma coisa: disseste na entrevista que os teus deveres para com o Raul eram servir e obedecer, e que nisso estava também o teu prazer. Mas aquele quarto que me mostraste não é um lugar de serviço nem de obediência, é um lugar de sofrimento. Se não tens prazer em sofrer, porque te submetes?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Tu própria acabas de responder a isso. A palavra-chave é a submissão. Não é a dor que me interessa, é a submissão à dor. Aquele quarto é antes de mais nada um lugar de submissão, e se não fosse isto, não serviria para nada, nem para mim, nem para o Raul. Compreendes isto?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Compreendo. Ou melhor; não, não compreendo. Entendo a lógica, o que é diferente, mas não há parte nenhuma de mim que se identifique com isso. Em minha casa quem manda é o meu marido, e eu nunca tive problemas com isso, mas nunca tirámos disso prazer, parece-me. Apenas nos pareceu mais… confortável. A vossa vida, essa, parece-me uma coisa estranha, uma coisa fora deste mundo.</span><br />
<span style="color:#333333;">– E criminosa, parece-te? Maléfica?</span><br />
<span style="color:#333333;">Carolina ficou alguns minutos silenciosa.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Não – disse por fim. – Criminosa, não. E maléfica também não, Deus me perdoe.</span><br />
<span style="color:#333333;">Depois fez outro intervalo de silêncio, durante o qual Raul voltou a pôr vinho do Porto nos copos.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Aquele quarto, utilizam-no muitas vezes? – perguntou Carolina.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Não muitas – disse Teresa.</span><br />
<span style="color:#333333;">– E como é que fazem quando o utilizam? Combinam previamente?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Não. O Raul decide sozinho. É o meu dono e dono do meu corpo.</span><br />
<span style="color:#333333;">– E és feliz assim?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Só assim.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Sabes o que eu imaginava? Imaginava que a vossa vida juntos consistia numa série ininterrupta de tormentos, que era disso e só disso que vocês tiravam prazer…</span><br />
<span style="color:#333333;">– E tiramos, indirectamente. Mas o meu verdadeiro prazer, a minha felicidade, está em servi-lo, em obedecer-lhe e em ser propriedade dele para todos os efeitos. Para isto não é preciso ele estar sempre a bater-me. Acreditas se eu te disser que ele nunca me chamou um nome feio na vida?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Nem tu a mim – interrompeu Raul.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Mesmo com o Ettore, que no aspecto físico era muito mais duro comigo, que me dava castigos muito mais frequentes e muito mais severos, havia outras dimensões na minha submissão.</span><br />
<span style="color:#333333;">Carolina abanou a cabeça:</span><br />
<span style="color:#333333;">– Então eras mais submissa ao Ettore…</span><br />
<span style="color:#333333;">Teresa ficou um momento a olhar para longe.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Amei-o muito… Mas não: sou incomparavelmente mais submissa ao Raul.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Talvez eu um dia entenda isso – disse Carolina. – E você, Raul, de onde lhe vem o seu prazer?</span><br />
<span style="color:#333333;">– Vem de muitas fontes – respondeu Raul. – É um prazer de homem, e por isso não é fácil explicá-lo a uma mulher.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Nem eu o compreendo inteiramente – interrompeu Teresa. – Limito-me a aceitá-lo sem fazer muitas perguntas.</span><br />
<span style="color:#333333;">– A parte mais simples do meu prazer – prosseguiu Raul – e sem dúvida a mais egoísta, vem de a Teresa ser qualquer coisa de precioso que me pertence exclusivamente, como um quadro ou um livro.</span><br />
<span style="color:#333333;">– E atreve-se a dizer uma coisa dessas?! – Exclamou Carolina.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Há uns meses talvez não se atrevesse – interveio Teresa. – Fui eu, com muito esforço, que o levei a atrever-se. Mas já estava na natureza dele, como a minha submissão está na minha.</span><br />
<span style="color:#333333;">– É verdade, Carolina, devo isso à sua irmã – disse Raul. – Isso, e muito mais. Quanto ao meu prazer: também me vem do prazer dela, mas esta parte funciona um bocado como dois espelhos virados um para o outro: a certa altura já não sabemos onde está a imagem original. É aquilo a que a Teresa e eu chamamos o labirinto. Às vezes entretemo-nos a explorá-lo, mas nunca vamos muito longe. Depois há a parte que me vem da dificuldade, de estar a fazer uma coisa que poucos tentam e menos conseguem.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Nessa parte, sou igual a ele – disse Teresa.</span><br />
<span style="color:#333333;">– A parte principal – disse Raul – vem de sermos um para o outro, de encaixarmos perfeitamente um no outro. Mas aqui já não estou a falar de prazer, mas sim de felicidade.</span><br />
<span style="color:#333333;">Ao ouvir estas palavras, Carolina levantou-se, deu uns passos em direcção à janela e ficou a olhar para a cidade iluminada.</span><br />
<span style="color:#333333;">– Lá tinha a felicidade que vir à baila – disse, como se estivesse a falar para uma quarta pessoa. − Estes dois são completamente loucos.</span><br />
<span style="color:#333333;">E depois, virando-se para Raul:</span><br />
<span style="color:#333333;">− Tenho que lhes agradecer aos dois: aprendi muito hoje. Que a minha irmã era louca, eu já sabia desde criança, e nunca me incomodei com isso. Que o senhor é tão louco como ela, estou agora a saber. Disse-me que a sua loucura combina com a dela: só espero que assim seja. Agora está a ficar tarde: é altura de lhes agradecer e de me despedir.</span><br />
<span style="color:#333333;">À saída, depois de se calçar, beijou a irmã. A Raul, estendeu a mão:</span><br />
<span style="color:#333333;">− Saiba, senhor Raul Morgado, que não vou confiar facilmente em si, e que o responsabilizo pela felicidade da minha irmã.</span><br />
<em>O que também é,</em><span style="color:#333333;"> pensou Raul depois de fechar a porta, </span><em>perfeitamente justo.</em></span></div>
<br /> Tagged: aos pés do dono, beijar a mão, beijar os pés, castigo, escrava, obedecer, pés nus, possuída, prazer, respeito, servir o dono, sofrer, submissa <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/329/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/329/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/329/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=329&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/09/romance-excerto-13/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/ST25V1C1D1I/AAAAAAAAApQ/AIH_G2cldPo/s400/euridyke-005-large.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>E pronto!&#8230;</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/07/e-pronto/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/07/e-pronto/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 12:45:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[Informação]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[roupa transparente]]></category>
		<category><![CDATA[seios nus]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=316</guid>
		<description><![CDATA[Eis o meu livro completo e enviado às editoras, que o publicarão ou não. Para já, tentei só A Fenda Edições, a Cavalo de Ferro e a Difel. Algumas personagens têm nomes novos, e o próprio título é novo: «Uma Escrava nas Luzes». O trabalho foi tanto que nem me deixou dar a devida atenção [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=316&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/STvDq9kMi6I/AAAAAAAAAo4/9Tth5_AmnNk/s1600-h/top+Clo+top+breasts+St+a6+k+top.JPG"><img style="float:left;cursor:pointer;margin:0 10px 10px 0;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/STvDq9kMi6I/AAAAAAAAAo4/9Tth5_AmnNk/s400/top+Clo+top+breasts+St+a6+k+top.JPG" border="0" alt="" width="164" height="240" /></a><span style="color:#336666;">Eis o meu livro completo e enviado às editoras, que o publicarão ou não. Para já, tentei só A Fenda Edições, a Cavalo de Ferro e a Difel. Algumas personagens têm nomes novos, e o próprio título é novo: «Uma Escrava nas Luzes».</span></p>
<p><span style="color:#336666;">O trabalho foi tanto que nem me deixou dar a devida atenção a este blogue. Agora, que não tenho esse trabalho, estou no ar, sem saber bem o que fazer da vida. Acho que vou começar a publicar aqui mais excertos do romance: afinal só os publiquei até ao capítulo 32 e o manuscrito total tem 41 capítulos. Depois, não sei, pode ser que me ocorra outro projecto.</span></p>
<p><span style="color:#336666;">Para já, um grande abraço a todos os meus amigos e um pedido de desculpas por uma tão longa ausência.</span></p>
<br /> Tagged: escrava, roupa transparente, seios nus <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/316/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/316/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/316/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/316/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/316/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/316/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/316/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/316/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/316/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/316/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/316/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/316/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/316/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/316/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=316&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/12/07/e-pronto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/STvDq9kMi6I/AAAAAAAAAo4/9Tth5_AmnNk/s400/top+Clo+top+breasts+St+a6+k+top.JPG" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 12)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/10/19/romance-excerto-12/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/10/19/romance-excerto-12/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 19 Oct 2008 14:01:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[nua]]></category>
		<category><![CDATA[obedecer]]></category>
		<category><![CDATA[orgasmo]]></category>
		<category><![CDATA[pénis]]></category>
		<category><![CDATA[penetração]]></category>
		<category><![CDATA[pompoar]]></category>
		<category><![CDATA[prazer]]></category>
		<category><![CDATA[privação do orgasmo]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[roupa transparente]]></category>
		<category><![CDATA[servir o dono]]></category>
		<category><![CDATA[sexo anal]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[submissa]]></category>
		<category><![CDATA[vagina]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=314</guid>
		<description><![CDATA[(Nos últimos tempos tenho descurado muito este meu blog. O último excerto que publiquei foi do capítulo 29, quando depois disso já escrevi mais quinze. Esse trabalho a tempo inteiro explica em parte a minha falta de assiduidade neste site. Como pedido de desculpas aos meus leitores habituais, apresento neste post três passos do romance: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=314&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SPs7S1FI92I/AAAAAAAAAog/xmTNsOVxIiI/s1600-h/__Jul___PS_7_revised_by_WrongState.jpg"><img style="float:left;cursor:pointer;margin:0 10px 10px 0;" src="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SPs7S1FI92I/AAAAAAAAAog/xmTNsOVxIiI/s400/__Jul___PS_7_revised_by_WrongState.jpg" border="0" alt="" width="223" height="237" /></a><span style="font-style:italic;color:#996633;">(Nos últimos tempos tenho descurado muito este meu blog. O último excerto que publiquei foi do capítulo 29, quando depois disso já escrevi mais quinze. Esse trabalho a tempo inteiro explica em parte a minha falta de assiduidade neste site. Como pedido de desculpas aos meus leitores habituais, apresento neste post três passos do romance: um tirado do início do capítulo 31, outro do fim do mesmo capítulo, e finalmente ou tirado do fim do capítulo 32.)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;"><span style="color:#663333;">Nos dias seguintes Teresa pensou muito neste estranho prazer de não ter prazer. Primeiro tentou explicá-lo pelo prazer da escravidão, da submissão, da obediência; mas estes eram prazeres de fundo, de baixa intensidade, e o que ela tinha sentido fora duma intensidade que raiava o insuportável. Depois tentou compreendê-lo através duma imagem: o prazer habitual do amor seria então como uma seta que voa solta, sobe muito alto e cai logo a seguir; enquanto o prazer inaudito que sentira era como um papagaio de papel que se mantinha no alto sem poder escapar ao fio que o prendia. Mas esta imagem não abrangia a diferença qualitativa entre as duas sensações: esta que acabava de descobrir nunca poderia, por mais intensa e prolongada que fosse, substituir a outra. O prazer de pairar, o prazer de nunca mais descer, era de natureza muito diferente do prazer de explodir numa flor de fogo que fugazmente iluminava a noite. O que os dois prazeres podiam ter em comum era o pedido de permissão: este, quando atendido, permitia dar mais brilho e amplitude à explosão e fazê-la durar um pouco mais, mas não a fazia qualitativamente diferente de qualquer outro orgasmo. Teresa sentia-se capaz de renunciar para sempre, sem pena, a ter um orgasmo sem autorização: só se um dia, um dia inimaginável, viesse a amar um outro homem que não fosse Raul. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663333;">De repente ocorreu-lhe que nesta taxinomia faltava, para que fosse exaustiva, o orgasmo obrigatório. Imaginou-se a responder de imediato, com um abalo violento e obediente, à ordem de Raul “vem-te”. Sentia-se capaz de o fazer se a ordem lhe fosse dada a tempo; já o tinha feito uma vez, de resto; mas agora era precisamente na falta de tempo que estava a dificuldade. Desde que era escrava de Raul começara a chegar ao orgasmo cada vez mais rapidamente e com cada vez menos preliminares, de modo que o prolongamento destes acabava por ser, quando Raul queria, uma refinada tortura. A maior parte das vezes, quando ele lhe ordenasse “vem-te”, já ela estaria a vir-se, não por efeito da ordem, mas por imposição do seu próprio corpo. “O que eu sou, é uma grande galdéria”, pensou, com mais comprazimento que remorso; e este pensamento levou-a a dar um passo de dança na rua, rodando a saia e fazendo com que um senhor elegante, de cabelos brancos e bengala de castão, se virasse para trás e lhe sorrisse.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#663333;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">Agora que ia aprender mais, Teresa começou a sentir a necessidade de fazer o balanço do que tinha aprendido até aí como submissa e como escrava. A primeira aprendizagem é sobre a dor e o prazer, e faz-se logo na infância. A dor é um mal a evitar, é o anúncio de um perigo. Vem quando batemos com o joelho na esquina da mesa, ou quando estamos doentes, ou quando nos queimamos no fogão. O prazer é bom: vem de comer quando se tem fome, de dormir quando se tem sono, de correr pelo quintal fora quando a energia transborda, abraçar a mãe, de ser atirada ao ar pelo pai e de ser recolhida de novo nos seus braços, depois de um instante de delicioso terror. Até este ponto a aprendizagem de Teresa foi igual à de qualquer outra criança. A primeira divergência surgiu quando Teresa verificou que o maior prazer dos outros miúdos era dominar os seus parceiros – usando às vezes de métodos tão cruéis e requintados que os adultos, se se apercebessem deles, fugiriam com terror dos seus próprios filhos – enquanto o dela era servir e obedecer. Um dia descobriu que havia muitas pessoas capazes de transmutar a dor em prazer: mas ela própria nunca fez esta aprendizagem. Nunca aprendeu a ter prazer directamente na dor. Aprendeu, sim, com Ettore, a submeter-se à dor; mas era a submissão que ela amava, não a dor em si.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– E o pompoar? [ -perguntou Raul. - ] Não me chegaste a explicar bem o que é isso.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">Teresa franziu um pouco o sobrolho.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Sabes o que é o músculo pubococcígeo?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Não – respondeu Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Pois é… Há uma coisa que tu às vezes fazes quando estás com uma erecção, que é mexer o pénis para cima e para baixo sem mover os quadris… Sabias que não há muitos homens capazes de fazer isso?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Não sabia. Pensava que todos os homens conseguiam.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Pois é, o músculo pubococcígeo é o músculo que te permite fazer isso. É um músculo, ou melhor, um conjunto de músculos, que vai do osso púbico ao cóccix, e se o treinares sistematicamente vais tornar-te capaz de muito mais do que acenar com o pénis: vais ser capaz de orgasmos múltiplos, de controlar a ejaculação, de te protegeres contra doenças da próstata…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Hmmmm… Estou a ver que vou ter que pensar nisso a sério. E para as mulheres, qual é a vantagem?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Ficamos protegidas contra certas doenças e deformações, ficamos mais capazes de controlar os nossos orgasmos, e ficamos capazes de dar muito mais prazer aos homens.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Aha! E já dá para me fazeres uma demonstração?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Talvez – disse Teresa. – Porque não experimentamos?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">E sem esperar pela resposta de Raul tirou a saia e a écharpe transparente que trazia a servir de blusa, ficando nua. Entretanto também Raul se livrou do roupão e do pijama. Teresa trepou para o colo dele, abriu as coxas e começou a descer até ter o membro viril introduzido até ao fundo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Fica quieto um bocadinho, meu senhor, por favor…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">Raul começou a sentir que a vagina de Teresa lhe apertava ritmicamente o pénis. A pouco e pouco começou a mover-se para cima e para baixo dentro dela.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Devagar, meu senhor… ainda não faço isto com facilidade…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">Mas Raul não precisou de movimentos violentos para atingir o prazer. Teresa também não fazia outros movimentos que não fossem o apertar e relaxar rítmico da vagina. Poupou o esforço maior para quando Raul estivesse a atingir o climax, e quando tudo terminou perguntou-lhe, beijando-o:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Foi bom, meu senhor?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">Raul retribuiu-lhe o beijo:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Foi muito bom, meu tesouro. Foi como uma mistura de quando te possuo pela vagina com quando me chupas o sexo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">− E ainda só aprendi a controlar a vagina como um todo, e mesmo assim com muito esforço. Quando aprender a controlar separadamente a entrada, o meio e o fundo, então é que vais ver o que é bom&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">− Mal posso esperar – disse Raul. − Se calhar nunca mais vou querer penetrar-te por outro lado&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;color:#663333;">– Isso não, meu senhor – respondeu Teresa, alarmada. – Sou toda tua, com todas as aberturas do meu corpo. Não me desprezes&#8230; E agora que tenho outra vez o cuzinho bem apertado, vou querer que qualquer dia te sirvas também dele.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.65pt;">
<br /> Tagged: escrava, nua, obedecer, orgasmo, pénis, penetração, pompoar, prazer, privação do orgasmo, respeito, roupa transparente, servir o dono, sexo anal, sofrer, submissa, vagina <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/314/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=314&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/10/19/romance-excerto-12/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://1.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SPs7S1FI92I/AAAAAAAAAog/xmTNsOVxIiI/s400/__Jul___PS_7_revised_by_WrongState.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 11)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/09/30/romance-excerto-11/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/09/30/romance-excerto-11/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2008 19:59:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[aos pés do dono]]></category>
		<category><![CDATA[beijar]]></category>
		<category><![CDATA[beijar a mão]]></category>
		<category><![CDATA[beijar os pés]]></category>
		<category><![CDATA[descalça em público]]></category>
		<category><![CDATA[engolir esperma]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[mamilos]]></category>
		<category><![CDATA[nua]]></category>
		<category><![CDATA[obedecer]]></category>
		<category><![CDATA[penetração]]></category>
		<category><![CDATA[privação do orgasmo]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[seios nus]]></category>
		<category><![CDATA[servir o dono]]></category>
		<category><![CDATA[submissa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=311</guid>
		<description><![CDATA[Final do Capítulo 29 O intervalo estava a chegar ao fim, a aula que ia dar a seguir era a última. Ligou para o telemóvel de Teresa: − Onde estás? − No shopping, a fazer umas compras. − Falta-te muito? − Não, já saí do supermercado e agora ando aqui a ver umas lojas. − [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=311&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:center;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SOKBfjohskI/AAAAAAAAAoY/Lp9_19QbbWU/s1600-h/sub+01.JPG"><img style="float:left;cursor:pointer;width:183px;height:297px;margin:0 10px 10px 0;" src="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SOKBfjohskI/AAAAAAAAAoY/Lp9_19QbbWU/s400/sub+01.JPG" border="0" alt="" /></a><span style="font-style:italic;color:#663333;">Final do Capítulo 29</span></div>
<p><span style="color:#663333;"><br />
O intervalo estava a chegar ao fim, a aula que ia dar a seguir era a última. Ligou para o telemóvel de Teresa:</span><br />
<span style="color:#663333;">− Onde estás?</span><br />
<span style="color:#663333;">− No shopping, a fazer umas compras.</span><br />
<span style="color:#663333;">− Falta-te muito?</span><br />
<span style="color:#663333;">− Não, já saí do supermercado e agora ando aqui a ver umas lojas.</span><br />
<span style="color:#663333;">− Então vai já para casa e espera lá por mim toda nua. Logo que possa vou ter contigo.</span><br />
<span style="color:#663333;">− Sim, meu senhor – disse Teresa. – Meu querido…</span><br />
<span style="color:#663333;">Raul desligou o telemóvel, mal dedicando um pensamento a quem quer que o tivesse sob escuta. Que lhes fizesse bom proveito. Foi dar a sua aula, saiu imediatamente, meteu-se no carro, parou numa florista e foi para casa, onde presenteou Teresa com um ramo de rosas. Teresa, que já tinha planeado recebê-lo de joelhos, ajoelhou-se para receber as flores. Depois correu para o interior da casa para as pôr numa jarra com água, e voltou para junto de Raul, igualmente apressada, para retomar a saudação planeada no ponto em que a tinha interrompido. Ajoelhando-se de novo, beijou-lhe a mão e disse:</span><br />
<span style="color:#663333;">− Aqui estou, toda nua, ao teu dispor. O que queres fazer de mim?</span><br />
<span style="color:#663333;">− Segue-me, minha escrava.</span><br />
<span style="color:#663333;">Teresa seguiu-o até ao quarto, onde ele, detendo-se, lhe ordenou:</span><br />
<span style="color:#663333;">− Agora despe-me.</span><br />
<span style="color:#663333;">Teresa começou por lhe tirar a T-shirt. Como ele era mais alto do que ela, teve que se estirar toda para lha fazer deslizar ao longo dos braços, que ele não esticou para cima, mas sim para a frente. A regra, quando ela o despia, era que lhe fosse beijando cada parte do corpo que fosse ficando a descoberta. Teresa obedeceu à regra beijando-lhe os ombros, chupando-lhe um pouco os mamilos, dando-lhe a volta de modo a poder beijar-lhe as costas ao longo da espinha, regressando por fim ao peito. Aproveitou esta oportunidade para o roçar com os seios sempre que pôde, o que, não sendo exigido, dava prazer aos dois. A seguir tirou-lhe os sapatos e as peúgas, beijando-lhe os pés. Por fim tirou-lhe as calças e as cuecas e beijou-lhe o sexo, que tinha segurado entre as mãos postas como que em oração.</span><br />
<span style="color:#663333;">− Vem dar-me um duche – disse Raul.</span><br />
<span style="color:#663333;">Enquanto ele se dirigia devagar para o quarto de banho, Teresa, numa corrida, deitou no cesto da roupa suja as peúgas, as cuecas e a T-shirt que lhe tinha tirado, e dispôs outras, lavadas, na cadeira ao lado da cama. No quarto de banho pôs o duche a correr, ajustou a temperatura da água e convidou Raul a subir para a banheira, onde começou por lhe molhar o corpo todo. Para o ensaboar teve que subir também para a banheira, e apesar de ter tomado duche meia hora antes também se molhou e ensaboou.</span><br />
<span style="color:#663333;">− Deixa-me esfregar-te, meu senhor…</span><br />
<span style="color:#663333;">E começou a esfregá-lo, não com as mãos, mas com o corpo todo, abraçando-se a ele pela frente e por trás, ajoelhando-se para lhe chupar o pénis ou para lhe lavar os pés. Raul aceitava estas homenagens serenamente, como algo que lhe era plenamente devido, mas nem por isso deixava de sopesar ocasionalmente um seio da sua escrava, ou de lhe introduzir dois dedos entre as coxas para a fazer sobressaltar. Teresa, atenta ao seu dever, não se queria excitar demais. Depois de passar o chuveiro por si própria e por ele, secou-se a si própria à pressa e a ele com todos os cuidados. Só uma coisa a desgostava ligeiramente: depois do seu primeiro duche tinha passado por todo o corpo um creme perfumado e amaciador, que agora se escoara pelo ralo da banheira.</span><br />
<span style="color:#663333;">− Meu dono… − disse. – Eu tinha passado creme no corpo… Queria estar toda macia para ti… Esperas agora um pouco que passe outra vez?</span><br />
<span style="color:#663333;">− Pois sim, minha escrava – consentiu Raul. – Mas antes acompanha-me ao quarto para me ajeitares as almofadas e me deixares confortável.</span><br />
<span style="color:#663333;">− Sim, meu senhor – disse Teresa, com um sorriso aberto. – Às tuas ordens.</span><br />
<span style="color:#663333;">Raul estendeu-se no meio da cama de barriga para cima. Teresa aproveitou o pretexto de o pôr confortável para se roçar levemente nele; mas, quando o viu de sexo completamente erecto, escapou-se, rindo:</span><br />
<span style="color:#663333;">− Vou pôr creme…</span><br />
<span style="color:#663333;">Raul apoiou a cabeça na almofada, sorriu ligeiramente, descontraiu-se e esperou até ficar com o pénis de novo flácido. Teresa, ao entrar, sorriu-lhe; depois, ajoelhando-se no seu catre, aos pés da cama, começou a beijar-lhe os pés, depois os tornozelos, subindo-lhe lentamente, com os lábios e com a língua, pelas pernas acima. Por vezes detinha-se neste progresso e voltava um pouco atrás, para logo depois recomeçar. Ao chegar-lhe às coxas subiu para cima da cama e ficou de gatas por cima dele, baloiçando para os lados os seios pendentes de modo a afagá-lo com os mamilos. Deteve-se por muito tempo a beijar-lhe o sexo, que encontrou de novo erecto. “Não estás menos pronto do que eu,” pensou, “mas se não me deres outra ordem vamos ter os dois que esperar”. Raul não lhe deu outra ordem, e assim Teresa continuou a trepar por ele acima, lentamente, lentamente, voltando atrás de vez em quando, quando ele menos esperava. Porque se submeteria ele, sendo Senhor, a esta tortura, sabendo que a podia fazer cessar a qualquer momento com uma simples ordem? Talvez soubesse que a sua escrava, ao torturá-lo, se estava a torturar ainda mais a si própria.</span><br />
<span style="color:#663333;">− Continua assim, minha escrava.</span><br />
<span style="color:#663333;">“Sim, escrava dele,” pensou. Um ser aberto, sem resistências que tivessem que ser vencidas, pronto para dar e receber qualquer prazer a qualquer momento, capaz de submeter o seu senhor à tortura da espera, mas só ao preço de a sofrer em dobro. Estava pronta. Como estava pronta! Mas primeiro havia os mamilos dele a beijar, as mãos dele a levar aos lábios, o ventre dele a acariciar com os seios, o rosto dele a encher de beijos…</span><br />
<span style="color:#663333;">− Mais devagar, escrava.</span><br />
<span style="color:#663333;">Mais devagar, mas essa palavra, escrava, a penetrá-la como uma lança, como um falo erecto, a fazer com que dentro dela tudo andasse mais depressa, tudo se precipitasse, tudo reclamasse um desenlace.</span><br />
<span style="color:#663333;">− Mais devagar…</span><br />
<span style="color:#663333;">E ela, devagar, chegava-lhe finalmente aos lábios, beijava-lhos com fúria, enrolava a língua na dele, acariciava com o sexo o sexo dele, sem ousar empalar-se como lhe exigia o corpo, aguardando uma ordem, apenas uma ordem que do mesmo passo a trespassasse e libertasse.</span><br />
<span style="color:#663333;">Mas a ordem não veio. Em vez dela veio uma estocada poderosa, dada por ele de baixo para cima com um movimento súbito dos quadris. Tanto bastou para que ela sentisse, eminente, um orgasmo que se anunciava avassalador. E pediu:</span><br />
<span style="color:#663333;">− Meu senhor, posso vir-me?</span><br />
<span style="color:#663333;">E Raul respondeu:</span><br />
<span style="color:#663333;">− Não.</span><br />
<span style="color:#663333;">Não?! Como não?! Como deter a avalanche que já se desprendia, a onda que já se agigantava?! Mas Teresa deteve-a, nunca veio a saber como. Numa escala qualquer que encontrou dentro de si, fez com que o prazer que sentia encontrasse um patamar onde pudesse ficar imóvel, sem subir nem descer, mudando de natureza, tornando-se em parte dor, em parte exaltação, mas continuando a ser algo de desmedido, de sublime. Sem perder um átomo desta estranha volúpia, abraçou o amante, sentiu como ele se movia dentro dela, como se derramava, como arquejava num orgasmo talvez igual ao que lhe negara. Manteve o amante dentro de si enquanto ia ficando flácido. Sentia que a vagina se lhe contraía e distendia como se afinal o orgasmo proibido lhe estivesse a vir, embora sem a sensação correspondente. Beijou Raul, como sempre o beijava depois do amor, mas estes beijos tinham uma urgência diferente. Acariciou-o, mas as carícias eram outras, mais vívidas. Disse-lhe que o amava, e isto era tão verdade como das outras vezes, ou ainda mais. Em vez da frustração inicial começava a sentir outra coisa igualmente intensa, mas agora da ordem da esperança; a excitação sexual era agora, por acréscimo, cerebral. Talvez nem sequer sentisse o desejo de enlaçar o corpo noutro corpo, mas sim de flutuar para sempre neste paraíso novo a que não sabia dar nome. Este estado de exaltação manteve-se enquanto tomou duche com Raul, enquanto se vestiu e arranjou para ir almoçar com ele, e continuou depois durante o resto do dia e para lá dele. Ao sair não pediu, como era norma, que ele lhe permitisse calçar-se, mas sim que a deixasse ir descalça, ao que ele acedeu.</span><br />
<span style="color:#663333;">Almoçaram no restaurante da Fundação de Serralves. Visitaram o Museu. Nalguns lugares do jardim o chão era um áspero e magoou um pouco os pés de Teresa. Quando chegaram a casa ela serviu-lhe o jantar, sentou-se-lhe aos pés enquanto ele lia, serviu-lhe um whisky, acendeu-lhe um charuto. Conversaram bastante, mas nenhum dos problemas práticos que tinham a resolver veio sequer à baila. À meia-noite foram-se deitar. Antes de adormecer, Teresa deu-se conta que aquele talvez tivesse sido um dos dias mais felizes da sua vida.</span></p>
<br /> Tagged: aos pés do dono, beijar, beijar a mão, beijar os pés, descalça em público, engolir esperma, escrava, mamilos, nua, obedecer, penetração, privação do orgasmo, respeito, seios nus, servir o dono, submissa <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/311/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/311/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=311&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/09/30/romance-excerto-11/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://4.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SOKBfjohskI/AAAAAAAAAoY/Lp9_19QbbWU/s400/sub+01.JPG" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 10)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/09/20/romance-excerto-10/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/09/20/romance-excerto-10/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Sep 2008 21:23:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[aos pés do dono]]></category>
		<category><![CDATA[beijar os pés]]></category>
		<category><![CDATA[engolir esperma]]></category>
		<category><![CDATA[escrava]]></category>
		<category><![CDATA[orgasmo]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=304</guid>
		<description><![CDATA[(Início do Capítulo 24) Teresa teve dificuldade em adormecer. Desde que vivia com Raul, sempre dormira com ele; e embora soubesse que o catre aos pés da cama era para ela, e ela própria lhe mudasse os lençóis e as colchas de modo a condizerem com os da cama principal, tinha-se habituado a ver nele [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=304&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SNVnYtp9c3I/AAAAAAAAAn0/96F8-VpbhNo/s1600-h/woman1.jpg"><img style="float:right;cursor:pointer;width:248px;height:94px;margin:0 0 10px 10px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SNVnYtp9c3I/AAAAAAAAAn0/96F8-VpbhNo/s400/woman1.jpg" border="0" alt="" /></a><span style="font-style:italic;color:#660000;">(Início do Capítulo 24)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Teresa teve dificuldade em adormecer. Desde que vivia com Raul, sempre dormira com ele; e embora soubesse que o catre aos pés da cama era para ela, e ela própria lhe mudasse os lençóis e as colchas de modo a condizerem com os da cama principal, tinha-se habituado a ver nele mais uma peça decorativa do que um móvel a ser utilizado. Perguntava a si própria porque é que Raul, logo nessa noite, a tinha mandado pela primeira vez dormir aos pés dele. E não adiantava que ralhasse a si própria, tentando convencer-se que a decisão era prerrogativa dele e não lhe cabia a ela saber as suas razões, porque por mais que o fizesse a pergunta voltava, insistente, ao seu espírito: porquê? Porquê hoje?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">A meio da noite, nunca soube a que horas, acordou. Num primeiro momento não soube onde estava, mas isto acontecia-lhe muitas vezes: às vezes, por um segundo, via-se no apartamento do Corso Magenta, ou em Braga, em casa dos pais, ou, com terror, nalgum dos bordéis em que tinha estado prisioneira. Mas bastava-lhe determinar a posição da cama em relação à fresta de luz que vinha da janela, e sentir ao seu lado o corpo de Raul, para se localizar rapidamente. Desta vez demorou mais: não via a janela; esticando o braço para um lado encontrava, muito próxima, a borda do colchão; do outro lado encontrava, igualmente próxima, uma estrutura de madeira que só identificou ao fim de uns segundos. Eram os pés da cama de Raul, evidentemente. E era ali que ela estava, aos pés dele.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Não tinha frio. O catre tinha colchão, lençóis, um cobertor fino, uma coberta. Não tinha almofada porque Raul tinha decretado que isso estragaria a simetria do conjunto, mas Teresa passava bem sem ela. Não tinha frio, mas sentia qualquer coisa de semelhante: uma desolação, uma desprotecção, como se estivesse nua e sozinha à mercê da chuva e do vento.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Meu senhor querido, deixa-me ir para o pé de ti…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Disse estas palavras em voz muito baixa. Não queria acordar Raul, nem esperava que ele a ouvisse, só queria sentir as palavras a sair-lhe da boca e a pairar no meio do quarto como um cobertor invisível que os abrangesse a ambos. Mas ele, a dormir ou acordado, ouviu; e disse, numa voz tão baixa como a dela:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Vem, minha escrava. Vem para o pé de mim.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Cuidadosamente, sem fazer barulho, orientando-se na escuridão, Teresa contornou a cama. Entendendo que devia um agradecimento a Raul, introduziu-se por baixo da roupa para lhe beijar longamente os pés. Depois, ao senti-lo virar-se de modo a ficar com a barriga para cima, começou a percorrer-lhe o corpo com beijos até lhe chegar ao pénis, que beijou e chupou ternamente até o ouvir dizer:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">− Anda cá, minha escrava.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330000;">Só então se deitou ao lado dele, estendendo-lhe os braços. Ele abraçou-a também. Teresa estava pronta a ser penetrada. Era sempre assim com Raul. Não tinha sido assim com Ettore, e muito menos com qualquer amante de ocasião: com estes tinha necessitado sempre de carícias e de preliminares, como sempre ouvira dizer que todas as mulheres precisam. Com Raul, não: bastava ouvi-lo dizer “anda cá”, ou mesmo vê-lo fazer um sinal com o dedo, para ficar imediatamente molhada, com a vulva em flor e o clítoris intumescido. Era irónico que assim fosse com Raul, que tanto prazer tinha em acariciá-la e beijá-la e se demorava nisso, por vezes, horas inteiras, e nunca dava a impressão de estar a fazer um favor que seria depois pago com outro. Nem desta vez ele deixou de a acariciar; mas desde que a sua relação começara Teresa sentia cada vez menos, na mão que lhe percorria o corpo, a mão do amante que procura despertar os sentidos da amada. Sentia, sim, cada vez mais, e isto era tudo o que precisava de sentir, a mão do dono que explora o que é seu. Se ser escrava era esta prontidão imediata, abençoada escravidão. Deitou-se de costas, toda oferecida, já de pernas abertas, para que ele fizesse com ela o que quisesse, e sem tardança sentiu que ele a montava, lhe afastava as coxas ainda mais com os joelhos, e lhe enfiava na vagina mais que receptiva o pénis erecto. Lembrou-se a tempo que agora tinha que pedir autorização para ter orgasmo; pediu-a, ele deu-lha, e Teresa veio-se como se tinha vindo horas antes: intensamente, e com um orgasmo tão prolongado que ainda durou o suficiente para coincidir com o dele.</p>
<br /> Tagged: aos pés do dono, beijar os pés, engolir esperma, escrava, orgasmo, respeito, Senhor <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/304/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=304&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/09/20/romance-excerto-10/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://3.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SNVnYtp9c3I/AAAAAAAAAn0/96F8-VpbhNo/s400/woman1.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Romance (Excerto # 9)</title>
		<link>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/09/16/romance-excerto-9/</link>
		<comments>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/09/16/romance-excerto-9/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 21:10:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderdecken</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrava nas Luzes]]></category>
		<category><![CDATA[castigo]]></category>
		<category><![CDATA[pénis]]></category>
		<category><![CDATA[prazer]]></category>
		<category><![CDATA[sofrer]]></category>
		<category><![CDATA[vagina]]></category>
		<category><![CDATA[vibrador]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://omarkhayyam2.wordpress.com/?p=302</guid>
		<description><![CDATA[(Do Capítulo 20) O embrulho estava no quarto dos castigos. Teresa manteve-se de joelhos enquanto esperava, e Raul, retomando a solenidade com que tinha recebido a sua prenda, manteve-se de pé para lhe entregar a dela, que a recebeu nas duas mãos. Era um embrulho oblongo, que ela abriu para encontrar um cofrezinho de pau-rosa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=302&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SNAeeIyjhAI/AAAAAAAAAns/M1gvi0bpRkE/s1600-h/3ss.JPG"><img style="float:left;cursor:pointer;width:234px;height:161px;margin:0 10px 10px 0;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SNAeeIyjhAI/AAAAAAAAAns/M1gvi0bpRkE/s400/3ss.JPG" border="0" alt="" /></a><span style="font-style:italic;color:#993399;">(Do Capítulo 20)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;color:#330033;">O embrulho estava no quarto dos castigos. Teresa manteve-se de joelhos enquanto esperava, e Raul, retomando a solenidade com que tinha recebido a sua prenda, manteve-se de pé para lhe entregar a dela, que a recebeu nas duas mãos. Era um embrulho oblongo, que ela abriu para encontrar um cofrezinho de pau-rosa com embutidos de prata. Os embutidos formavam um desenho em <em>trompe l’œil </em>: visto duma maneira representava ramos e flores, visto doutra era uma paisagem de falos erectos que fizeram Teresa corar. No interior forrado a cetim Teresa encontrou, assente num suporte de prata, um vibrador como nunca tinha visto outro: o silicone de que era feito imitava jade, e a base, de enroscar, era em prata embutida com cristais Swarovski.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Meu senhor, obrigada… é lindo…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">Raul agachou-se para lhe dar um beijo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− É lindo mesmo? Gostaste?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Muito, meu senhor. É muito lindo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">E durante muito tempo ficou em silêncio, a passar os dedos pela macieza do silicone e a admirar a perfeição e a beleza do fabrico. Não tinha sido comprado numa sex-shop qualquer, de certeza, era demasiado bem feito e demasiado bonito para isso.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">Raul sentou-se no sofá e ficou a admirar Teresa enquanto ela admirava a sua prenda. Sentia que ela tinha alguma coisa a dizer mas ainda não estava pronta a falar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Meu senhor… − disse ela por fim.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Diz.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Esta prenda… desculpa esta pergunta, é tão parva… Este vibrador é para eu usar, ou é para tu usares em mim?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Nenhum vibrador que exista nesta casa é para tu usares – respondeu Raul. – Nem este, nem nenhum dos que estão guardados no quarto dos castigos. São todos para eu usar em ti. Não sei se já usaste algum, mas se usaste, ficas desde já proibida de o fazer de novo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Sim, meu senhor – disse Teresa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">Seguiu-se outra longa pausa, indicativa, para Raul, de que o assunto não estava encerrado.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Meu senhor…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Diz, meu amor – encorajou-a Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− É que… É que quando estiveres a usar um vibrador em mim, vou ter que te dizer um segredo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Que segredo?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Posso dizer-te só na altura? Posso, meu senhor?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">Raul encolheu os ombros:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Podes, mas a altura vai ser hoje mesmo. Esta noite vou usar em ti este brinquedo. Olha.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">Raul pegou no vibrador, tirou-lhe a tampa, tirou do bolso uma embalagem e introduziu-lhe as pilhas, prestando atenção a que ficassem com as polaridades correctas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Anda – disse por fim. – Vamos para a cama.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">No quarto, o vibrador ficou em cima da mesinha de cabeceira, no seu suporte de prata, enquanto na cama Raul e Teresa se acariciavam e beijavam. Não tinham televisão no quarto, mas tinham música, e Raul tinha posto um CD de Billie Holiday a tocar baixinho. O vibrador era de alta qualidade e muito silencioso: Teresa só o sentiu quando Raul lhe tocou com ele na comissura dos grandes lábios e a começou a massajar com ele ao longo dos grandes lábios, sempre pelo exterior da vulva. Depois, por um instante, sentiu-o nos lábios menores, e desejou que ele se demorasse por lá, mas a intenção de Raul era outra: com o vibrador assim lubrificado, massajou-lhe longamente o períneo antes de voltar a ocupar-se da vulva, que tinha entretanto florescido e apresentava, perfeitamente visíveis, os pequenos lábios e a abertura da vagina. O vibrador começou a percorrer-lhe os pequenos lábios, sempre de trás para a frente, passando ao lado ou por cima da uretra mas detendo-se todas as vezes, cruelmente, logo antes de chegar ao clítoris. Teresa tinha fechado os olhos, aberto as coxas o mais que podia, e entregava-se às sensações de prazer que Raul lhe provocava com sabedoria e crueldade. Por um momento, um momento só, sentiu que a ponta do vibrador lhe tocava o clítoris; só para a sentir recuar e procurar a entrada da vagina, onde começou a introduzir-se.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">Foi neste momento que Teresa recuou com um espasmo e um grito, como se tivesse sido tocada, não por um instrumento de prazer, mas por um ferro em brasa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Que foi, meu amor? Fiz-te doer? – perguntou Raul, alarmado.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Não, não é isso – respondeu Teresa. – É o tal segredo de que te falei…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Diz-me.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Sim, meu senhor. Mas continua a fazer por fora…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">Raul continuou a acariciá-la com o vibrador, interrompendo a carícia apenas quando ela parecia impedir Teresa de falar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Devo ser única – disse Teresa. − Não suporto ser penetrada por um vibrador.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Única? Nem penses – respondeu Raul. – Há muitas mulheres que também não suportam.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">Teresa suspirou de prazer à medida que sentia o vibrador percorrer-lhe a zona genital.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Mas essas não gostam muito de ser penetradas seja pelo que for. Aceitam um pénis um pouco porque tem que ser, desde que haja mais alguma coisa além da penetração. Mas eu gosto de ser penetrada, às vezes com preliminares, às vezes sem eles. Se sinto que pertenço a um homem, nem sequer sou capaz de distinguir o meu prazer do dele… Mas um vibrador na vagina provoca-me uma sensação que não consigo descrever.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Sentes dor?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Não, não é dor. Mas não consigo…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Tenta explicar – decidiu Raul. – E vamos fazer assim: quando eu achar que não estás a conseguir explicar, meto-te o vibrador um pouco na vagina. Quando achar que estás a conseguir, acaricio-te o clítoris ou outros sítios bons…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Não me faças isso, meu senhor…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">Mas estas palavras só lhe valeram que ele cumprisse a sua ameaça. Descrever uma sensação física é sempre difícil, ainda mais quando outras se sobrepõem e embargam as palavras. Por fim Raul teve que se satisfazer com esta explicação: a sensação que Teresa não suportava era muito parecida com o mais intenso dos prazeres, mas era indubitavelmente um sofrimento; e embora não se parecesse em nada com alguma dor que ela alguma vez tivesse sentido, era mais insuportável que muitas delas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Pronto, meu amor – disse Raul, por fim. – Parece-me que já entendi tudo o que podia entender.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">E começou a excitar-lhe o clítoris, entremeando esta carícia com breves incursões na zona da vulva e à sua volta, até a ver sacudir-se num orgasmo que se prolongou por minutos. Depois Teresa abraçou-se a ele, aos beijos:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Agora tu, meu dono… Serve-te de mim…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">− Vem tu por cima – disse Raul.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:26.95pt;color:#330033;">Teresa empalou-se nele, ainda um pouco dorida do orgasmo recente, e começou a fazer os movimentos de que sabia que ele gostava. Quando ele gozou, foi ao quarto de banho para se lavar e para se munir do necessário para o lavar a ele. Depois deitou-se ao lado dele e abraçou-o.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/omarkhayyam2.wordpress.com/302/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/omarkhayyam2.wordpress.com/302/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omarkhayyam2.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omarkhayyam2.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omarkhayyam2.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omarkhayyam2.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omarkhayyam2.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omarkhayyam2.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omarkhayyam2.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omarkhayyam2.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omarkhayyam2.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omarkhayyam2.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omarkhayyam2.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omarkhayyam2.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omarkhayyam2.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omarkhayyam2.wordpress.com/302/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omarkhayyam2.wordpress.com&amp;blog=3472208&amp;post=302&amp;subd=omarkhayyam2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://omarkhayyam2.wordpress.com/2008/09/16/romance-excerto-9/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="" medium="image">
			<media:title type="html">Vanderdecken</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://2.bp.blogspot.com/_UEfhPJXHLPM/SNAeeIyjhAI/AAAAAAAAAns/M1gvi0bpRkE/s400/3ss.JPG" medium="image" />
	</item>
	</channel>
</rss>
