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Posts Tagged ‘obedecer’

Cap. 38: VAIVÉM

[ ... ] Depois da aula, em casa, Teresa serviu o almoço a Raul; à tarde viu um filme, sentada aos pés dele, sem saber o que aconteceria a seguir. À noite, Milena serviu o jantar sozinha porque Teresa recebera ordem de se arranjar com especial cuidado para o jantar.
– Fica de seios [...]

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Quando Rui propôs a Joana que fizessem exames médicos para poderem ter sexo sem preservativo, ela viu nisto a vontade dele de dar estabilidade à sua relação. Ficou contente mas não quis mostrar este agrado; e a cabra que havia nela fê-la perguntar:
– Porquê? Queres fazer-me algum menino, é?
Rui ignorou o sarcasmo:
– Se alguma vez [...]

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Ouçamos o que nos diz uma escrava: «não aceito ser humilhada». Tentemos entendê-la. Ela tem um Senhor, e ama-o. Define a sua escravidão em três palavras: servir, obedecer, sofrer. É assim que ela sabe e quer amar; e como o seu ideal de amor é infinito, sente como uma imperfeição qualquer limite à sua capacidade [...]

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Cap. 32: DISCÍPULOS
[ ... ]
Entre as colegas de Teresa na dança havia uma jovem que também era colega dela no pompoar: chamava-se Ana e ainda não tinha vinte anos. Foi esta jovem que uma tarde convidou Teresa para lanchar. Quando Teresa lhe disse que não podia aceitar este convite sem autorização do namorado, Ana não [...]

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Ao entrar em casa de Raul, Carolina apertou-lhe formalmente a mão e deu um beijo na face da irmã. Ainda no átrio perguntou a Teresa onde podia guardar os sapatos; e entrou descalça no interior da habitação. Não explicou a razão deste gesto, nem deu lugar a que Teresa e Raul conjecturassem. Quando a convidaram [...]

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(Nos últimos tempos tenho descurado muito este meu blog. O último excerto que publiquei foi do capítulo 29, quando depois disso já escrevi mais quinze. Esse trabalho a tempo inteiro explica em parte a minha falta de assiduidade neste site. Como pedido de desculpas aos meus leitores habituais, apresento neste post três passos do romance: [...]

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Final do Capítulo 29

O intervalo estava a chegar ao fim, a aula que ia dar a seguir era a última. Ligou para o telemóvel de Teresa:
− Onde estás?
− No shopping, a fazer umas compras.
− Falta-te muito?
− Não, já saí do supermercado e agora ando aqui a ver umas lojas.
− Então vai já para casa e [...]

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Durante muito tempo vivi a minha orientação sexual de dominante sem a compartilhar com ninguém que não fossem aquelas mulheres, tão ingénuas como eu era, com quem me relacionei desta forma. Só quando descobri a Internet é que verifiquei que há muita gente a fazer muitas das perguntas que eu e elas fazíamos; e que [...]

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(Ao preparar para publicação a colectânea “Histórias de Mariana”, introduzi modificações em alguns dos contos que a constituem, entre eles “Alice”. Não vou publicar aqui de novo este conto, que é muito extenso, mas publico um episódio que desenvolvi bastante: o do aniversário de Alice e da sua dádiva a Harun.)

[ ... ] Harun [...]

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Texto: Polly Peachum.
Tradução: Vanderdecken.
Uma vida assim, obviamente, não pode ser vivida sem ser examinada. As perguntas que as mulheres submissas se fazem, os colóquios interiores a que se entregam, surgem do mar cultural que as rodeia: as perguntas das submissas são em forma invertida as acusações que a sociedade lhes faz. Mas serão estas [...]

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(1. Nota do tradutor: o texto que se segue não é ficcional, mas sim
um ensaio autobiográfico da autoria de Polly Peachum, e é o primeiro de dois que eu tinha prometido traduzir para apresentar neste blog. Pessoalmente considero-o de leitura obrigatória para quem encara as questões de domínio e submissão sexual como algo inseparável dos [...]

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Provavelmente não há pergunta mais frequente do que esta nos foruns BDSM e nos sites dedicados ao domínio e submissão nas relações amorosas. Durante muito tempo achei que não deveria intervir neste debate, e isto por duas razões: porque o termo “submissa” é geralmente utilizado como substantivo para designar uma opção específica entre os estilos [...]

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As condições da tua Escravidão
Pediste-Me que estabelecesse expressamente e por escrito as condições da tua Escravidão. Eis o que decidi:
1. Em princípio a tua Escravidão já é perfeita e não há nada a alterar n’Ela. Mesmo ao direito de deixar de ser escrava, que era o único que tinhas, quiseste renunciar. Cabe-te agora Amar, [...]

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Duvido que haja muitas escravas ou submissas que nunca se tenham feito esta pergunta. E lembro-me que a certa altura, na História de O, Sir Stephen diz à protagonista que não deve confundir obediência com amor: Você ama René, mas a mim obedecer-me-á sem me amar e sem que eu a ame.
Esta frase sempre me [...]

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Há coisas na vida que já me resignei a não saber, e uma delas é se as mulheres são naturalmente submissas.
As teorias, conheço-as todas mas não acredito em nenhuma. Falarei portanto das mulheres que conheço pessoalmente: umas autoritárias e dominantes; outras comprometidas ideologicamente com o feminismo e a igualdade entre os sexos; outras ainda – [...]

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«Não há duas mulheres iguais», pensou Vítor, um pouco admirado.
Nem mesmo tratando-se de escravas. Seria de esperar que a condição de escrava simplificasse tudo e uniformizasse tudo, afinal todas as escravas são iguais nos seus direitos, que são apenas dois: o de se tornarem escravas e o de deixarem de o ser, sendo que entremeio [...]

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Mariana estava à espera do amante em Bruxelas, na estação de caminhos-de-ferro. Depois de alguns minutos viu-o surgir-lhe apressado de entre os outros passageiros. Vinha embrulhado numa grande gabardina mal abotoada, batida por um vento que parecia soprar só sobre ele; e Mariana lembrou-se que sempre tinha sido assim, que em havendo vento o cabelo [...]

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- Terias que ser minha escrava – disse ele.
Dúnia não hesitou:
- Sempre fui tua escrava…
No outro extremo da ligação telefónica fez-se um longo silêncio. Por fim ouviu-se a voz dele, mais grave, e com um laivo de ternura (ou seria respeito?) que Dúnia nunca lhe tinha ouvido antes:
- Dás-te conta do que estás a dizer? [...]

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Fazer-te minha

Hei-de ordenar-te que Me esperes nua
E ao chegar hei-de olhar-te displicente
Com toda a segurança de quem sente
Que aquela que contempla é coisa sua.
E tu, que Me esperaste impaciente,
Atenta ao menor som vindo da rua,
E que lavaste com champô de lua
Os cabelos e a carne esplandecente,
Sentes, ao ver-Me livre e desprendido,
O coração tão fundamente ferido
Que maldizes [...]

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Vendo-se ao espelho enquanto fazia a barba, Miguel interrogava-se de onde lhe vinham aqueles sonhos – logo a ele, que se orgulhava de ser um homem moderno e progressista, sensível, respeitador das mulheres e incapaz de um gesto de agressão. Miguel era um feminista convicto. No gabinete de arquitectura de que era sócio tinha conseguido [...]

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Felizmente a exposição tinha terminado. Mariana tinha levado para casa os quadros que tinham ficado por vender (poucos, felizmente), e o galerista tinha ficado de entregar os outros aos respectivos compradores. Para já, não estava com vontade de recomeçar a pintar. Brugges, no fim da Primavera, estava florida e verdejante. As trovoadas dos últimos dias [...]

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Os 50 anos de A história de O
Konstantin Gavros (*)
La Insignia. Brasil, janeiro de 2004.

Um incontrolável estranhamento nos assalta ao nos depararmos com o nome de uma personagem que se resume a uma insignificante letra “O”. E a primeira reação que temos, ao empreender a leitura, é de que esse signo vazio, esse [...]

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