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Archive for the ‘Os meus poemas’ Category

A minha mão aparta os teus cabelos.
É a direita: mão de dono ou mestre
Assim como quem colhe uma flor silvestre.

Evitas os meus olhos. Não queres tê-los
Fixos nos teus. Viras o rosto
E contemplas o chão no lado oposto.

Foges um pouco, indócil, ao meu toque;
Mas os lábios que busco, não mos negas
Na primeira de todas as entregas.

Num gesto mudo, pedes que coloque
No teu pescoço a mão que te domina
Prendendo-a com a cabeça que se inclina.

Sobre o teu ombro uma pressão ligeira
Que tu tão bem entendes. Ajoelhas.
Tens as faces um pouco mais vermelhas.

Olhas para o meu corpo de maneira
Que vês o meu desejo; e então, por fim
Elevas os teus olhos para mim.

(Poema feito para a dunya, a pedido dela, quando tudo não tinha ainda desabado)

(Publicado no Blogger a 19 /01/08 )

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És bela no prazer. Leio-te a boca
Escrita entre dois vincos,

O discurso da carne entre silêncios.

O texto e a textura no decurso

Do sexo. Os passos todos.

É dolorosa a via decorrida.
Como não ter no rosto aberta a marca?

Como não ter no olhar impresso o rasto?

Porém és bela, e dóis-me.
O texto é esse, fundamente escrito

Na nossa carne viva. Doloridos

Os corpos, meu amor.

Macerado parêntesis, tão breve
E tão perfeito o dia entre dois traços.

(Publicado no Blogger a 05/05/07)

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Isto te prometo, minha escrava:

Serás para mim a boca que beija e grita e geme e fala e cala.

Serás o vaso do meu prazer, em que derramo os sumos do meu corpo.

Serás a puta disponível que abre as pernas.

Serás a serva humilde que me serve.

Serás as lágrimas de raiva, as lágrimas de dor, as lágrimas de felicidade e gratidão que eu bebo fascinado.

Serás o riso dos inocentes, tão igual ao dos sábios.

Serás a devota abraçada aos meus joelhos em adoração e prece.

Serás o banco em que descanso os pés, deitada no chão à minha frente.

Serás a carne sofredora que se dá ao chicote ainda marcada do castigo de ontem.

Serás a cadela que me olha com o mesmo olhar afagada ou castigada.

Serás o cabelo de rastos no chão, como o de Madalena.

Serás a poeira que se levanta debaixo dos meus passos, e menos ainda que a poeira; mas também serás tu mesma, unicamente tu, tesouro precioso, mistério indecifrável, anjo de carne irrepetível.

(Publicado no Blogger a 08/09/06)

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Ajoelha-te assim sobre o tapete,
Assim
Mesmo à Minha frente.

…….
……………..Sim, senta-te sobre os calcanhares
Como Eu te ensinei.

Abre as pernas. Mais.
Mais ainda,
Até doerem
Os tendões retesos das coxas.

………
………Mais. Abre mais.
………Quero ver tudo,
………A tua carne rosada e húmida,
………Exibida, mostrada,
Oferecida.

……..

………Não tapes o sexo. Não escondas
Nada.
………Deixa os braços caídos
………Ao lado do corpo,
………As palmas das mãos viradas
………Para Mim.

……………….. ……..Sim, morde o lábio,
…………………. ……Semicerra as pálpebras
………………….. …..Perde-te, por agora,
…………………… ….No teu prazer.

……….. …..Mas não te acaricies.
………… ….Não te pertences.
………… ….Que seja para ti carícia
Suficiente
……………..O Meu olhar.

……………… ….Não soltes o orgasmo.
…………………… ….Olha-Me
……………………….. …..Com os teus olhos atentos,
………………….. ……………..Numa censura muda
…………………………………………………… ….De cadela.

(Publicado no Blogger a 31/08/06)

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Boca de mulher

……..A boca exige
……….a boca pede
……………… beijos.
……….

……….A boca desdenhosa
……….a boca sofrida
………a boca invadida
……….suplicante
……….mas sempre
…………………terna.
……….

……….A boca indefesa
……….vulnerável
……….ferida aberta
……….a boca
………………….pede.
……….

……….A boca oferece
………………..volúpias.
……….

……….A boca macia
……….a boca terna
……….
……………………geme
……….
………….sorri
…………….treme
……………….fala
………………….cala
…………………….suspira.

(Publicado no Blogger a 30/08/06)

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Fazer-te minha

Hei-de ordenar-te que Me esperes nua
E ao chegar hei-de olhar-te displicente
Com toda a segurança de quem sente
Que aquela que contempla é coisa sua.

E tu, que Me esperaste impaciente,
Atenta ao menor som vindo da rua,
E que lavaste com champô de lua
Os cabelos e a carne esplandecente,

Sentes, ao ver-Me livre e desprendido,
O coração tão fundamente ferido
Que maldizes a Minha liberdade.

Pouco tempo, porém; pois na verdade
Ver-Me livre é p’ra ti felicidade
Que compensa o anseio mais sofrido.

Vanderdecken
(Publicado no Blogger a 27/07/06)

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Naquele jardim secreto em que és a minha escrava,
O meu deslumbramento, quando te revejo,
É, como a dor, pungente, e enorme como um beijo
Que começa no fundo do tempo e não acaba.

Ali, envolta em véus translúcidos de linho,
Danças, obediente à voz do meu desejo.
Depois trazes baixelas, pratas, nozes, queijo
E serves-me descalça a fruta, o pão e o vinho.

Ó meu amor querido! Os teus pés nus! Os seios
Que descobres e dás à minha mão de dono!
O teu corpo que se abre em flor à minha frente!

Tu és a água e és a sede; os nós, os veios,
A seiva, a fonte fresca, a boca que abandono
Para beber da taça funda do teu ventre.

Vanderdecken

(Publicado no Blogger a 19/07/06)

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