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Archive for the ‘Pessoal’ Category

Hoje estou um bocado cruel

Depois de ter posto a minha protagonista feminina em Milão, apaixonada, num apartamento de luxo, com um emprego fabuloso, e um Mini Cooper S da BMW na garagem, acabo agora de a colocar numa rampa escorregadia que a vai levar a um bordel em Amesterdão, viciada em heroína e quase destroçada.
Como se isto fosse pouco, matei o amor dela num incêndio.
Mas deixei-lhe alguns bons amigos… e tenho à espera dela um amor novo… Afinal não sou assim tão mau.

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Florbela Espanca começa o seu soneto Escrava com as seguintes palavras: “Ó meu Deus, ó meu dono, ó meu senhor”. Ao longo da minha vida várias mulheres me chamaram “meu dono” e “meu senhor”. A primeira que me chamou “meu Deus” foi a dunya: A primeira e a única, porque depois dela não tive outra escrava. E numa fase da vida em que tomei a decisão de nunca mais procurar activamente uma escrava, é improvável que alguma mulher me volte a chamar “meu dono” ou “meu senhor” – e muito menos “meu Deus”: uma coisa que descobri durante a minha relação com a dunya foi que esta forma de tratamento me desagradava e perturbava seriamente.

Duvido que me seja possível explicar todas as razões deste meu desagrado. Se eu acreditasse em Deus, poderia ver nestas palavras uma blasfémia e um sacrilégio, mas não acredito n’Ele. Uma razão que posso explicar é a seguinte: desde que me lembro tenho a noção profundamente enraizada de que todos os seres humanos são imperfeitos, incluindo eu próprio. Esta noção influencia praticamente todas as minhas atitudes em relação aos outros e a mim próprio, e leva-me a não esperar demasiado de ninguém. Como raramente me iludo, raramente sofro desilusões; e perdoar, para mim, não é especialmente difícil.

Não exijo a ninguém a perfeição. Exijo, sim, o aperfeiçoamento constante; mas mesmo isto só a mim próprio e a quem está directamente sob a minha autoridade. E aqui está uma das coisas que me incomodavam nas palavras da dunya: ao chamar-me “meu Deus” estava, ou a exigir-me a perfeição, ou a declarar-me perfeito. E isto, a meu ver, não era expressão de respeito, mas da mais profunda falta dele, porque equivalia a uma negação da minha humanidade. E se é na minha humanidade, com a sua inerente imperfeição, que eu centro a minha dignidade e o meu orgulho, então tanto me insulta quem pretender fazer de mim mais que humano como menos que humano.

Quando disse à dunya que a expressão “meu Deus” me incomodava e me fazia sentir mais diminuído do que homenageado, foi a vez dela de se ofender. Disse-me que com essa expressão estava a exprimir algo de muito verdadeiro e profundamente sentido, e que se eu lha proibisse estaria a negar-lhe uma forma de exteriorização da qual tinha verdadeira necessidade. Que essa necessidade lhe vinha dum sentimento de reverência, de veneração, de adoração que não conseguia guardar inteiramente dentro de si.

De modo que começámos os dois a tentar descobrir quando e em que circunstâncias essa expressão tinha mais tendência a vir-lhe à boca. Descobrimos que nunca a usava nem sentia vontade de usar quando saíamos juntos; nem quando ela me limpava o chão, me fazia a comida ou me passava a roupa a ferro, mesmo que o fizesse toda nua, ou só de avental, sentindo o meu olhar sobre ela; e mesmo na cama, quando eu a possuía, ou na sala, quando eu a vergastava, era muito raro ela dizer “meu Deus”.

Descobrimos que estas palavras lhe costumavam vir à cabeça e à boca numa situação muito específica: quando estava a meus pés, perante o meu sexo descoberto, tomando-o nas mãos ou na boca.

– Afinal o teu Deus não sou eu – acabei por lhe dizer. – É o meu pénis.

Ela achou que isto talvez fosse verdade; e eu achei que se o fosse isto não me desagradaria tanto. Pelo contrário, até me agradaria: não sei se isto se passa com outros homens, mas confesso que tenho uma forte tendência para sentir que o meu pénis, quando erecto, é a única parte de mim que é perfeita. Ousarei dizê-lo? Ouso: há algo em mim que acredita que o meu pénis erecto é a minha parcela de divindade.

Não vale a pena chamar para aqui as várias culturas e religiões espalhadas pelo mundo em que o culto do falo é um elemento importante. Nem me interessam as explicações sociológicas ou antropológicas deste facto. É uma realidade para a qual só quero olhar do ponto de vista do meu imaginário e dos meus afectos: e aqui este culto encontra uma profunda ressonância.

Que também a encontra nalgumas mulheres, provou-mo a dunya. E nos meus leitores e leitoras? Será que alguém que me está a ler já esteve envolvido em algo de semelhante a esta “adoração do falo”? Aguardo com muito interesse os vossos testemunhos e opiniões, quando mais não seja para saber que não estou sozinho.

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A editora Bico de Pena acaba de me informar que as minhas “Histórias de Mariana” não se enquadram no seu projecto editorial, nem mesmo na colecção Pena de Galo, que é especificamente dedicada a textos eróticos.

O remédio é tentar por outro lado. Infelizmente não sou jogador de futebol, nem pivot da televisão, nem namorado de nenhuma actriz de telenovela, nem cometi nenhum crime que me desse direito a tempo de antena (como bater num juiz ou subornar um árbitro), o que asseguraria à partida que fosse o que fosse que eu escrevesse seria publicado. Portanto tenho que ir pelo caminho mais difícil.

Acabo de enviar uma proposta de publicação, acompanhada de um excerto, a uma porção de editoras. Se está por aí alguém que tenha lido as “Histórias de Mariana” e gostado, porque não mandar um mail às editoras que conhece (e às que não conhece) a dizer isso mesmo? E já agora, pedir aos amigos com gostos semelhantes que façam também uma forcinha…

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Já aqui falei do blogue da sarinha: é o Abri a Porta, e merece uma longa visita. Quem é a sarinha? É uma menina que, nas suas próprias palavras, está longe de ser submissa, o que não a impede de ser uma “spankee” entusiástica nem de se ter dado como escrava ao namorado, por quem está apaixonada. Gosto dela por uma infinidade de razões: pelo apurado sentido da observação e do ridículo que a leva a rejeitar tudo aquilo no BDSM que é pré-formatado, pela frescura das suas abordagens, pela perspicácia com que detecta os poseurs, pela alegria com que se diverte à custa deles… A sarinha não gosta lá muito de guiões nem de liturgias impostas de fora. Pelo que escreve, parece-me senhora de um temperamento exuberante e irreprimível, o que provavelmente faz com que mereça umas palmadas no rabo várias vezes por dia… mas isto é assunto dela e do dono dela.

Pois a sarinha fez-me um elogio que me deixou desconcertado. Foi num comentário na versão WordPress deste blogue. Disse-me que o meu blogue era muito fashion e perguntou-me como conseguia.

Ora bem: até agora nunca na minha vida ninguém tinha chamado fashion a nada que eu tivesse feito. Fashion?! Mas eu nunca tive a intenção de ser fashion!

(Por esta altura lembrei-me das páginas finais do Peter Pan de J.M. Barrie, quando o Capitão Hook, que toda a vida se tinha esforçado por fazer tudo segundo as normas da good form, descobre ao lutar com Peter Pan que este tem good form sem nunca se ter esforçado por isso; pior, que tem good form precisamente porque nunca se esforçou por isso; e comecei a fazer uma ideia do que a sarinha queria dizer).

O que eu sempre me esforcei por fazer foi:

a) escolher imagens que ilustrassem minimamente (por vezes de forma muito indirecta ou até a contrario) os textos publicados e que não fossem uma repetição infindável da iconografia BDSM; as imagens podem ser escolhidas num ficheiro que tenho com o mesmo nome do blogue, ou posso pesquisá-las nas imagens do Google usando uma das palavras-chave do texto; por exemplo, no a imagem que escolhi para ilustrar a parte do ensaio de Polly Peachum em que ela se refere ao seu senhor como alguém com a vocação de curar foi encontrada digitando “healer” na pesquisa de imagens do Google;

b) escolher cores de texto que condissessem com os tons predominantes das imagens, mas obedecendo à regra das cores escuras sobre fundo claro – isto, em parte, porque na minha idade já não é muito fácil ler letras vermelhas sobre fundo preto e não quero exigir dos meus leitores que façam o que para mim é difícil.

c) encontrar uma forma de formatar textos do WordPress com recursos do Blogger – por exemplo, o Blogger permite-me determinar a cor do texto enquanto o modelo Mistylook do WordPress não tem botão para isso; então eu formato o texto no Blogger, com as cores que quero, copio o texto em HTML e colo-o, também em HTML, no WordPress. Isto funciona quanto às cores; quanto ao tipo de letra e à formatação dos parágrafos não funciona.

Falhanços: não encontro maneira de sair do menu de fontes muito limitado que tanto o Blogger como o WordPress fornecem. O meu post “Acta” foi feito (com muitas alterações) a partir de um documento que eu tinha no Word e que estava numa fonte toda às voltinhas, para ser impresso num papel tipo pergaminho antes de ser assinado por mim e pela dunya. Gostava de o ter publicado nessa mesma fonte, mas não deu; nem o Blogger, nem o WordPress assumiram essa fonte: ambos a interpretaram como um itálico, e foi assim que ficou.

E pronto, fiquei a saber que sou capaz de fazer uma coisa a que uma leitora que prezo muito chama fashion. Ó p’ra mim, todo inchado!

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close_collarAs condições da tua Escravidão

Pediste-Me que estabelecesse expressamente e por escrito as condições da tua Escravidão. Eis o que decidi:

1. Em princípio a tua Escravidão já é perfeita e não há nada a alterar n’Ela. Mesmo ao direito de deixar de ser escrava, que era o único que tinhas, quiseste renunciar. Cabe-te agora Amar, Servir, Obedecer e Sofrer enquanto tu e Eu formos vivos.

2. Na prática, contudo, ainda há muito que aperfeiçoar. Porque não te empenhas o suficiente; porque Me deixas em exclusivo o cuidado de te fazer escrava e não partilhas esse esforço, ainda há muitos dias em que não és mais escrava do que no anterior. Faltas assim ao teu dever e ao teu compromisso para coMigo.

3. Por vezes és insolente. Por vezes chegas a ser exigente. O teu corpo nem sempre obedece ao teu espírito. O teu Senhor compreende isto e não to leva a mal, mas precisamente porque compreendo é que exigirei de ti cada vez mais.

4. És escrava no teu espírito, que consente; és escrava no teu coração, que ama; és escrava no teu corpo, quando goza; mas ainda não aprendeste a ser cabalmente escrava no teu corpo, quando sofre.

5. Sei que não és masoquista e que a dor física não te dá prazer. Prefiro que assim seja: quando te provoco dor é para te castigar e não para te recompensar; ou então é para Meu prazer e não para o teu.

6. Quando aceitas com submissão a dor que te provoco, sei que estás a sofrer por Mim, e não para teu próprio gozo. É uma dádiva que Me fazes, e Eu tenho perfeita consciência de quão grande ela é.

7. Quando te castigo fisicamente estou a ser generoso. O castigo físico é o menos cruel dos castigos: faz sofrer naquele momento, mas rapidamente termina; as marcas que deixa são no corpo e duram pouco.

8. Por vezes tentas esquivar-te quando és castigada: é o teu corpo a desobedecer ao teu espírito. Isto é indigno de ti e do compromisso que assumiste coMigo. Como esperas obedecer ao teu Senhor se nem a ti mesma obedeces?

9. Quando te deixas amarrar tenho bem consciência do quanto estás a confiar em Mim. É essa confiança que exijo de ti: sei que não sou mau nem estúpido, que me sei controlar, e não te castigarei mais do que mereces e podes suportar.

10. Mas também não te castigarei menos do que mereceres e puderes suportar.

11. O teu Senhor sabe bem o quanto necessitas de ser amada. Mas não te permite que digas “quero ser amada”, porque nem nisso tens querer. O amor duma escrava aceita com gratidão a sua contrapartida, mas nunca a exige.

12. O mais que podes pedir, quando estás perdida de amor e necessitas absolutamente da atenção do teu Dono, é que Ele te possua. E Eu possuir-te-ei ou não, como entender, e permitir-te-ei ou não que tenhas prazer; e tu ficarás feliz porque é assim que deve ser.

13. Entre ser amada explicitamente e ser possuída vai uma enorme ausência repleta de Sofrimento. Por isso te chamo, com inteira propriedade, a Minha “escrava sofredora”, o que quer dizer que Me deves amar como se Eu não te amasse.

14. Se Eu te amo, raramente to direi, ou nunca. Preencherás tu própria este silêncio, dizendo-Me vezes sem conta, sem mentir nem ocultar seja o que for, tudo o que sentes por Mim: desde o amor até à raiva, desde a gratidão ao ressentimento. Apresentar-te-ás perante Mim tão nua de alma e sentimentos como de corpo. Permitirei assim que mitigues o Sofrimento que o Meu silêncio te possa provocar.

15. Também te imponho, frequentemente, o silêncio. Quero que estas ocasiões sejam para ti a oportunidade de dizeres sem palavras o que muitas vezes não pode ser dito através delas.

16. Às vezes ousas lembrar-Me que tens sentimentos. Eu sei que os tens, mas quero que manifestes os que exprimem a tua Escravidão antes de manifestares os outros.

17. Quando o Eu te perguntar se gostarias de alguma coisa, a tua resposta tenderá a ser “sim, se Tu mo ordenares”.

18. A tua Escravidão não é um jogo, nem uma brincadeira, nem uma fantasia, nem um teatro: é a tua condição de vida, a tua realidade assumida.

19. Quero que sejas feliz na tua Escravidão: obedece-Me também nisto. Não representes o papel de escrava: sê escrava.

20. Junto do teu Senhor estás em terreno sagrado: em Minha casa e no Meu automóvel estarás sempre descalça, esteja Eu presente ou não. Também estarás descalça em tua casa sempre que Eu estiver presente.

21. Na rua e noutros lugares ficarás descalça sempre que Eu to ordene, porque os teus pés nus são a Coleira de escrava que determinei para ti. Se a obediência a esta ordem te causar por vezes embaraço, humilhação ou vergonha, e se estes sentimentos te fizerem sofrer, aceitarás este Sofrimento de bom grado porque te vem de Mim.

(Nota: este texto é pura ficção, embora se modele num documento que a minha dunya me dirigiu há alguns anos. O carácter ficcional vem-lhe das alterações que lhe introduzi, desde logo a transformação de um texto em que a escrava se dirigia ao Senhor noutro em que o Senhor se dirige à escrava. Também aparecem nele mencionados sentimentos meus que na altura não manifestei; se eu algum dia, por algum improvável acaso, voltar a ter uma escrava a quem ame, não voltarei a cometer o erro de não o referir. E é ficcional, finalmente, porque o compromisso para toda a vida referido no original acabou por não se realizar.)

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A minha mão aparta os teus cabelos.
É a direita: mão de dono ou mestre
Assim como quem colhe uma flor silvestre.

Evitas os meus olhos. Não queres tê-los
Fixos nos teus. Viras o rosto
E contemplas o chão no lado oposto.

Foges um pouco, indócil, ao meu toque;
Mas os lábios que busco, não mos negas
Na primeira de todas as entregas.

Num gesto mudo, pedes que coloque
No teu pescoço a mão que te domina
Prendendo-a com a cabeça que se inclina.

Sobre o teu ombro uma pressão ligeira
Que tu tão bem entendes. Ajoelhas.
Tens as faces um pouco mais vermelhas.

Olhas para o meu corpo de maneira
Que vês o meu desejo; e então, por fim
Elevas os teus olhos para mim.

(Poema feito para a dunya, a pedido dela, quando tudo não tinha ainda desabado)

(Publicado no Blogger a 19 /01/08 )

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Há coisas na vida que já me resignei a não saber, e uma delas é se as mulheres são naturalmente submissas.

As teorias, conheço-as todas mas não acredito em nenhuma. Falarei portanto das mulheres que conheço pessoalmente: umas autoritárias e dominantes; outras comprometidas ideologicamente com o feminismo e a igualdade entre os sexos; outras ainda – a maioria – indecisas e contraditórias; e outras, finalmente, possuídas pela paixão de obedecer e servir.

Olho para estas mulheres e todas elas, com excepção das feministas doutrinárias, me parecem «naturais». Mas há uma coisa em que as submissas se distinguem das outras: a intensidade com que vivem a sua escolha.

Não se trata aqui de paixão ideológica, mas de algo muito diferente. As submissas não teorizam, vivem. Não é que não sejam inteligentes: são-no tanto como as outras, ou mais, e usam essa inteligência com uma lucidez que por vezes chega a ser arrepiante. Mas é uma inteligência que tem tudo em consideração, até o mistério; e nunca conheci nenhuma submissa que não reconhecesse e celebrasse o mistério da sua natureza.

Uma amiga minha, muito activa no meio BDSM, diz-me repetidamente que aconteça o que acontecer – saldem-se~as suas experiências e relações futuras em êxitos ou em fracassos – «baunilha» é que nunca mais. Ouço-a e fico maravilhado perante alguém que – coisa rara nos tempos que correm – sabe exactamente o que quer.

Outra boa amiga – em cujo vocabulário não entram, de resto, expressões como «BDSM» ou «baunilha» – põe as coisas de modo diferente. Exprime-se em termos duma epifania, duma iluminação súbita, duma descoberta. Para ela há, muito nitidamente, o «antes« e o «depois». Houve uma vida dita «normal», depois houve o contacto com um mundo de possibilidades centradas no obedecer e no servir; e agora há a convicção inabalável de pertencer a este mundo.

De onde vêm estas mulheres? De que mundos, de que vidas, de que experiências? Sabe-se que para cada acção há uma reacção igual e oposta: tratar-se-á aqui duma reacção aos excessos doutrinários do feminismo radical? A hipótese é tentadora mas pouco convincente, até porque não faltam zonas de intersecção entre certas formas de submissão e certas correntes feministas (veja-se a este respeito a reacção inicial de Andrea Dworkin, que mais tarde mudou de ideias, à História de O). Mais plausível é tratar-se duma reacção à morte do amor romântico anunciada esta semana pela revista Time: Hollywood já não conta histórias de amor; Humphrey Bogart já não se despede, de coração partido, de Ingrid Bergman; Rhett Butler já não beija apaixonadamente Scarlett O’Hara. No mundo de hoje o amor romântico já não tem lugar: quem ama serve, quem ama está preso, e poucos querem servir ou estar presos.

E contudo…

E contudo lembro-me do amor cortês na Idade Média. Olho para as submissas, tão belas e tão nobres na sua servidão, e lembro-me do amor cortês. Os temas estão lá todos: o serviço, a abnegação, muitas vezes a não-consumação ou a consumação adiada do amor físico. A diferença é que hoje quem está sentado no trono é um homem e quem está de joelhos perante ele é uma mulher. É justo.

Porque são apaixonadas; porque mantêm acesa uma chama que não se pode, não se deve apagar; porque vão ao fundo de si próprias e não têm medo do que lá encontram; porque são as guardiãs do Mistério neste tempo de máquinas e simplismos – por tudo isto, quero prestar hoje a minha homenagem à «d», à «k», à «a», à outra «a», à «i» e a todas as outras submissas e escravas com quem tenho aprendido tanto.

(Publicado no Blogger a 27/08/07)

(Publicado no Blogger a 27/08/o7)

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