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Posts Tagged ‘lágrimas’

Não se trata aqui dum excerto, mas de vários, tirados de capítulos diferentes do romance. Em todo o caso, espero que agradem aos meus leitores habituais.

Não custou tanto a Teresa percorrer descalça o caminho até ao carro como tinha custado à vinda. Tinha outra questão a preocupá-la: se o facto de ter posto um soutien por baixo da blusa transparente constituía ou não uma desobediência, e em caso afirmativo que punição iria receber. No carro ficou silenciosa: discutir esta questão com Raul seria indigno se não a discutisse primeiro consigo própria. Quando ele lhe tinha estabelecido a regra de nunca usar soutien na sua presença, isto aplicava-se em todos os casos, ou só a quando a roupa era opaca? Em todos os casos, é claro: se assim não fosse, ele tê-lo-ia dito. Decidiu não mencionar a transparência da blusa: isso seria uma mera desculpa e rebaixá-la-ia aos olhos dele e dos seus próprios. O facto que tinha que assumir é que não tinha tido coragem e por isso tinha desobedecido. Isto, sim, podia ser dito, porque era a verdade.

− Vais-me castigar, meu senhor, não vais?

Raul, que estava a manobrar para entrar na garagem do prédio, demorou um pouco a responder.

− Porque é que achas isso? – perguntou.

− Pois, porque eu mereço…

− Mereces, sem dúvida. Mas diz-me uma coisa: achas que te vou castigar sempre que mereceres?

Pergunta difícil, pensou Teresa. Calou-se para reflectir enquanto saiam do carro e entravam no elevador, e no fim deixou falar a intuição:

− Não, meu senhor. Acho que vai haver vezes em que eu vou merecer castigo e tu não mo vais dar. Sei que não és um homem cruel…

O elevador tinha chegado ao último andar; Teresa interrompeu-se enquanto Raul abria a porta; mas uma vez dentro de casa, e já com os agasalhos despidos, retomou o que tinha a dizer:

− Não és um homem cruel, e tenho a certeza que na altura certa és capaz de perdoar uma desobediência… mas esta não é a altura certa, e tu sabes isso tão bem como eu.

Foi a vez de Raul ficar sem palavras. Sabia que Teresa estava a falar por intuição, mas nem por isso era menos implacável na sua lucidez. Restava-lhe a ele confiar na sua própria intuição, que o mandava ser igualmente lúcido e igualmente implacável.

− Vai tomar um duche – ordenou. – Não te seques. Vem ter comigo toda nua, e ainda molhada. Traz um dos meus chinelos marroquinos. Estarei à tua espera na sala.

Enquanto Teresa se ia preparar, Raul serviu-se dum whisky e começou a beberricá-lo enquanto percorria a sala para trás e para diante, pálido e inquieto. Já tinha aplicado castigos dolorosos a mulheres, sempre a pedido delas ou com o seu consentimento; mas nunca o tinha feito a uma mulher que amasse, e estava agora a descobrir que neste caso o consentimento dela, ou mesmo o seu pedido explícito, não chegavam para que o fizesse de consciência perfeitamente tranquila. Lembrando-se que Teresa ia estar molhada quando viesse, foi ao outro quarto de banho buscar algumas toalhas com que proteger da água um dos sofás de couro. Quando ela se lhe apresentou, deixando um rasto de água no chão atrás de si, trazia, além do chinelo que ia servir para a punir, uma écharpe de seda.

− Meu senhor, desculpa, é para me servir de mordaça, se consentires. Tolero tão mal a dor física… não sei se me poderei impedir de gritar.

Raul acenou com a cabeça. Tinha os lábios apertados um contra o outro e notava-se-lhe uma palidez nas narinas e à volta da boca. Teresa aproximou-se dele e encostou-lhe a cara ao peito, sem se importar de o molhar.

− Não encontrei cordas em parte nenhuma… nem tenho mais écharpes; não me vais poder amarrar, meu querido, mas vou fazer tudo por tudo por não me debater.

Raul acenou de novo e disse:

− Abre a boca. Fizeste bem em arranjar uma mordaça. Trinca bem o pano.

Depois de lhe fazer uma festa na cara, amordaçou-a e ordenou-lhe que se debruçasse sobre o braço esquerdo do sofá, com os pés no chão e o peito e a cara apoiados no assento. Teresa assim fez, e Raul, vendo que o corpo dela começava a secar, passou-lhe a borda da mão pelas costas, empurrando para as nádegas as gotas de água que a salpicavam. Teresa, ajoelhada com o rabo para cima, gemeu um pouco, consciente que o castigo sobre a pele molhada seria mais doloroso.

Raul ainda demorou algum tempo a encontrar a melhor maneira de segurar o chinelo na mão. Depois, sem hesitar, deu o primeiro golpe com toda a força que tinha. Teresa deu um salto e deixou-se cair para o chão, mas logo se levantou e voltou a assumir a posição em que estava. Já tinha esquecido a dor provocada por castigos mais severos, e este parecia-lhe quase insuportável; mas estava decidida a não dar parte de fraca. Raul iniciou então uma série de golpes, num ritmo lento e regular que indicava não estar aqui em questão a obtenção de qualquer espécie de prazer, nem para a sua escrava, nem para si próprio. Durante todo o castigo não houve uma única vez em que Teresa se conseguisse manter quieta entre duas pancadas, mas conseguiu ao menos, com um esforço enorme, manter as nádegas em posição. Quando as lágrimas lhe vieram aos olhos, o que aconteceu logo aos primeiros golpes, virou a cara para as costas do sofá para que Raul as não visse; mas a certa altura não conseguiu mais evitar que os ombros se lhe sacudissem em soluços. O facto de Raul continuar o castigo sem ter estes soluços em consideração provocou nela um quase orgulho, um quase alívio: não seria pelas lágrimas que alguma vez o poderia controlar.

Não contou os golpes, nem se deu conta que ele os estivesse a contar. A dor tornou-se a tal ponto uma eternidade que a certa altura Teresa perdeu a expectativa, a esperança, e até o desejo de que ela alguma vez acabasse. Mas acabou: a primeira indicação que teve disto foi sentir a mão de Raul a desatar o nó da mordaça, e depois a mão dele a pegar-lhe no queixo e a virar-lhe o rosto, e depois os lábios dele a beijar-lhe as faces molhadas. Assim que pôde falar, murmurou:

− Meu senhor querido, perdoa-me…

Raul pôs-se muito sério:

− Ouve bem, Teresa D’Ávila. Nunca mais me peças perdão depois de eu te ter castigado. Um castigo decidido por mim e dado por mim apaga tudo, nem que seja só uma reguada na palma da mão: depois de terminar não tenho mais nada a perdoar-te.

Teresa, que entretanto se tinha estendido a todo o comprimento do sofá, ergueu-se sobre um cotovelo e ofereceu-lhe a boca para que ele a beijasse.

− Eu sei, meu senhor – disse-lhe por fim. – Não te estava a pedir perdão por ter ido de soutien, estava-te a pedir perdão por estar ainda a chorar…

Raul beijou-lhe de novo os olhos.

− Isso talvez seja porque este castigo foi um castigo mesmo – sugeriu. – Se tivesse sido para meu prazer ou meu capricho, acho que neste momento estarias já a sentir algum prazer, se é verdade o que me contaste de ti sobre este assunto.

− Sim, estaria a sentir prazer; mas agora não estou. Estou feliz, o que é diferente; mas prazer, não sinto. Era por isso que te estava a pedir perdão.

− Se é por isso, estás perdoada – respondeu Raul, rindo. – Quanto ao prazer, vamos já tratar disso. Pelo menos do meu, que é para o que tu serves.

Teresa riu-se também, por entre as lágrimas. Estendeu os braços para o abraçar e disse-lhe ao ouvido:

− Lá por isso, se sirvo só para o teu prazer, de que é que estás à espera para te servires de mim?

E foram os dois abraçados para o quarto, onde ele com efeito se serviu dela tão copiosamente que não adormeceram antes das cinco da manhã.

[ … ]

Nos dias seguintes Manfredi tratou de negócios: não só dos de Teresa, presumiu Raul, mas também dos doutros clientes que pudessem ter interesses no Norte de Portugal. Só no próprio dia da partida teve tempo para aceitar o convite de Raul. Para entrar no quarto dos castigos era necessário subir um degrau: isto, explicou Raul, porque o isolamento sonoro e o revestimento do chão tinham obrigado a levantar o pavimento doze centímetros. Ainda bem que a casa era antiga e o quarto grande, com tecto alto, de outro modo teria ficado minúsculo com a grossura do isolamento. As paredes estavam revestidas a tijolo maciço em cor natural, com um verniz mate.

– Só tive duas dificuldades – explicou Raul. – A primeira foi desmontar o pavimento irradiante para o instalar depois de novo sobre a camada de isolamento. Isto só o vai tornar mais eficiente, é claro, mas deu uma trabalheira. A outra foi explicar estas colunas – e apontou para duas grossíssimas traves de madeira que se erguiam, separadas uma da outra por pouco mais que um metro, do chão ao tecto – aos homens que cá andaram a trabalhar.

– Difícil, porquê? – perguntou Manfredi.

– Tive que as fixar ao chão original e ao tecto original, e isto só podia ser antes das obras. Gastei dezasseis cantoneiras de aço e 96 parafusos de 8x80mm. Quando os homens me perguntaram se eu queria isto para pendurar motores de automóveis, tive que inventar uma coisa qualquer, que ia fixar barras para fazer ginástica… Ficaram a olhar para mim como para um lunático.

Manfredi deu uma pequena risada:

– Pois é, as vicissitudes dum dominante… people have no idea.

[ … ]

O que Raul decidiu, afinal, em relação ao quarto dos castigos, foi construir uma plataforma resistente, assente sobre traves fixas às paredes e às colunas, onde Teresa, de pé, ficasse com as nádegas à altura mais conveniente para a mão dele. Sobre essa plataforma ser-lhe-ia possível fixar dois móveis pesados: num deles, uma espécie de divã abaulado, podia fazer deitar a sua escrava, de barriga para cima, com os quadris e o ventre a um nível meio metro mais alto do que a cabeça e os pés, de modo a poder fustigá-la comodamente no ventre e no peito. As pernas ficariam mais fechadas ou mais abertas conforme as argolas que ele escolhesse para lhe amarrar os tornozelos ou as coxas. A superfície deste móvel seria acolchoada de modo a que Raul não magoasse os joelhos ou os cotovelos quando a possuísse sobre ele. O outro móvel era um banco alto, também acolchoado, onde Teresa se podia debruçar de modo a ficar com o rabo empinado, e do outro lado com a cabeça livre de modo a poder ser possuída pela boca.

Raul, que queria que estes móveis fossem sólidos, bonitos, bem construídos, bem acabados, de madeira nobre e couro da melhor qualidade, não teve outro remédio senão mandá-los fazer em Paços de Ferreira, dizendo que os destinava a uma nova espécie de ginásio. As argolas que serviriam para prender Teresa – anéis metálicos com cinco centímetros de diâmetro e um de grossura, presos à madeira por uma haste em forma de parafuso com seis centímetros de comprimento e sete milímetros de espessura junto à base – teriam que ser de bronze, para que Teresa tivesse a responsabilidade de as manter sempre limpas e brilhantes. Além disso, por razões estéticas de que Raul não prescindia, a parte em forma de anel tinha que ser separada da parte em parafuso por um batente circular com doze ou quinze milímetros de diâmetro. Nas lojas de ferragens e de “faça você mesmo” que Raul visitou não havia nada disto. Foi às lojas de artigos náuticos mais tradicionais de Matosinhos, onde lhe disseram que noutros tempos, talvez, mas que hoje era tudo fibra de vidro e aço cromado. Acabou por ter de mandar fazer o que queria numa oficina de fundição.

Enquanto esperava que as argolas de bronze ficassem prontas, chegaram mais caixotes de Milão: chicotes, vergastas, canas, vibradores, algemas, correntes, cadeados, pénis de borracha ou silicone, cordas macias de seda ou abrasivas de cânhamo, sapatos, sandálias, botas, roupas de couro, de cetim, de seda, opacas, transparentes, soltas, apertadas, para além de uma série de outros objectos que Raul nem sabia para que serviam. Resolveu pendurar alguns em ganchos nas paredes, dispor numa bancada os que pensava utilizar, e comprar um armário com vitrina para expor os restantes. Para as roupas e sapatos, resolveu comprar um armário fechado, que não podia ser grande demais para não atravancar o aposento. Algumas destas roupas teriam que ficar, juntas com as do dia-a-dia, no roupeiro embutido do corredor, junto ao quarto, que tinha ficado reservado para Teresa e já continha algumas peças de roupa que ela tinha deixado ficar nas visitas anteriores.

[ … ]

Chegados ao apartamento, Teresa ficou encantada com o quarto dos castigos, embora tanto ela como Raul já tivessem a ideia muito nítida de que aquela decoração e aqueles instrumentos não correspondiam exactamente ao tipo de relação que tinham em mente. O que aquele quarto exprimia era um domínio e uma submissão formais, ritualizados, estilizados, balizados por regras e limites, e muito centrados na punição física; enquanto o que eles pretendiam era algo de muito menos formal e muito mais radical e consequente. Como Teresa disse a Raul, não era tanto um estilo de vida como uma opção de vida.

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Uma amiga minha disse-me há pouco tempo que uma escrava só tem dois direitos: o de entrar na relação e o de sair dela. Tudo o que esteja entre uma decisão e outra compete exclusivamente ao seu dono.

Como posição de princípio, esta tem muito que a recomende: é simples, não dá azo a mal-entendidos e se for posta consequentemente em prática acaba por responsabilizar tanto a escrava (que não tem que se estar a perguntar constantemente se determinada ordem é para cumprir ou não), como o senhor (que tem de dosear as suas exigências de modo a não obrigar a escrava a terminar a relação).

E tem também a vantagem de simplificar a velha questão dos limites. O que fazer em relação aos limites duma escrava, isto é, àquilo que ela é ou não capaz de suportar? As respostas que tenho visto escritas falam no «safe, sane and consensual», o que é sem dúvida um bom princípio, mas levanta a questão de saber se os consensos entre dominante e submisso têm um período de validade ou se se vão modificando de minuto a minuto conforme o estado de espírito de um e de outro. A mim parece-me que, se o consenso pode ser posto em causa e renovado a todo o instante, então já não se pode falar verdadeiramente de domínio e submissão.

Há uma corrente minoritária e radical que afirma que numa relação de dominação não há limites, ou se os há existem para serem superados. É uma posição que faz algum sentido em abstracto, mas que na prática pode dar lugar aos piores abusos e que não serve de todo como princípio orientador dos nossos comportamentos.

Outra posição, esta provavelmente maioritária, defende que o senhor deve ter em conta e reconhecer os limites da sua escrava e tentar ir sempre um pouquinho além deles, recuando se necessário e insistindo gentilmente mais tarde. Esta posição, articulada com o princípio atrás referido do «safe, sane and consensual», é uma boa linha orientadora, uma vez que concilia a moderação com um alto nível de exigência; mas, tal como posições as anteriormente referidas, não tem em conta que os limites da escrava podem ser de natureza diversa e que portanto faz sentido tratá-los de formas diversas.

A teoria que proponho postula tês tipos de limites e estabelece três formas de lidar com eles. Os limites de tipo 1 são os que resultam das circunstâncias vitais da existência: filhos, estado civil, emprego, situação finenceira, saúde, etc. Estes limites são externos tanto às pessoas envolvidas como à sua relação, e têm que ser absolutamente respeitados: ninguém vai algemar e punir uma escrava em frente das crianças, por exemplo, nem prendê-la em casa no dia e na hora em que tem de se apresentar no lugar de trabalho, nem encher-lhe o corpo de marcas no dia em que está planeado ela ir para a praia com o marido, nem obrigá-la a beber álcool quando está a tomar antibióticos.

Os limites de tipo 2 são limites internos e têm a ver com o essencial da personalidade de cada um. As pessoas têm diferentes graus de resistência à dor física, por exemplo. Ou têm fobias, ou lidam melhor ou pior com o conflito e com o stress, ou têm pudores e inibições profundamente enraizados. É destes limites que geralmente estamos a falar quando dizemos que se deve ir sempre «um pouquinho além».

Há ainda, porém, os limites a que eu chamo de tipo 3. Trata-se também de limites internos, mas radicam, não na personalidade da escrava, mas na sua fantasia. Uma mulher que durante anos ou décadas sonhou ser dominada deu necessariamente um conteúdo a essas fantasias: gostava que me fizessem isto e aquilo, não gostava que me fizessem aqueloutro… Estas fantasias são perfeitamente legítimas, é claro, mas numa situação de dominação real é preciso que a escrava compreenda que o seu senhor não está ao serviço das suas fantasias.

Que uma mulher, sozinha na cama, se ponha a devanear sobre o que gostava de fazer e sobre o que gostava que lhe fizessem, é óptimo e é saudável; mas passar disto para o estabelecimento de limites do género «Até aqui vou porque me dá prazer, até ali já não porque não mo dá», isto já é um passo que uma escrava «no real» não se pode permitir.

O que fazer quanto aos limites de tipo 3? Deve o senhor ignorá-los pura e simplesmente? Penso que não: deve conhecê-los, usá-los para punir ou recompensar, e até pode, se quiser, fazer suas as fantasias da escrava que lhes deram origem. Mas deve consciencializar-se, e consciencializar a sua escrava, que os limites que radicam só na fantasia da escrava não são verdadeiros limites.

Na prática os limites de tipo 3 podem ser bastante difícil de distinguir dos de tipo 2. A escrava terá tendência a considerar que determinado limite de tipo 3 é na realidade de tipo 2; enquanto um senhor a quem falte sensibilidade pode considerar que um limite de tipo 2 que eventualmente não lhe agrade é na realidade de tipo 3.

Mas para que uma relação senhor-escrava seja bem sucedida e não se desmorone ao primeiro abalo é necessário que ambos estudem honestamente a questão de saber quando é que um limite é um limite.

(Publicado no Blogger a 18/09/06)

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Isto te prometo, minha escrava:

Serás para mim a boca que beija e grita e geme e fala e cala.

Serás o vaso do meu prazer, em que derramo os sumos do meu corpo.

Serás a puta disponível que abre as pernas.

Serás a serva humilde que me serve.

Serás as lágrimas de raiva, as lágrimas de dor, as lágrimas de felicidade e gratidão que eu bebo fascinado.

Serás o riso dos inocentes, tão igual ao dos sábios.

Serás a devota abraçada aos meus joelhos em adoração e prece.

Serás o banco em que descanso os pés, deitada no chão à minha frente.

Serás a carne sofredora que se dá ao chicote ainda marcada do castigo de ontem.

Serás a cadela que me olha com o mesmo olhar afagada ou castigada.

Serás o cabelo de rastos no chão, como o de Madalena.

Serás a poeira que se levanta debaixo dos meus passos, e menos ainda que a poeira; mas também serás tu mesma, unicamente tu, tesouro precioso, mistério indecifrável, anjo de carne irrepetível.

(Publicado no Blogger a 08/09/06)

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