Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘noiva submissa’

(Nota: este conto acabou por ocupar treze páginas no Word. Decidi por isso dividi-lo em três partes e publicá-lo aqui três dias seguidos. Espero que gostem.)

– O Rui lá acabou por deixar a mulher – disse Arminda à filha, enquanto punham a louça na máquina.

– Quem é o Rui? – perguntou Joana.

Arminda pôs uma pastilha de detergente na máquina e escolheu o programa.

– Ora, quem é o Rui. Já te falei tantas vezes dele: é o meu colega que costuma aparecer ao almoço… O Rui Tavares, de medicina interna… Aquilo com a mulher já andava muito tremido.

– Ah, já sei: na tertúlia que fazes com as tuas colegas reformadas. Já estou a ver a cena: o homem arranjou outra fulana e saiu de casa. Típico. Não tarda nada, o meu pai faz o mesmo.

– Tomara eu – disse Arminda. – Mas o Rui não saiu por causa de mulher nenhuma. Quer viver sozinho, numa casa em que ninguém mande a não ser ele. Alugou um apartamento, fez a mudança, começou a mobilá-lo, meteu os papéis para o divórcio, e só no fim disto tudo é que nos disse.

Ainda faltava limpar o lava-louças e o fogão, mas Joana deteve-se com o pano na mão para se virar para a mãe:

– E tens a certeza que não foi por causa de outra?

– Se fosse, nós sabíamos. A Carmo e a Lúcia fizeram uns telefonemas e ninguém sabe de nada.

– E não será larilas, esse teu Rui Tavares?

– Só se for, mas não me parece. Com o currículo dele… Mas agora não tem ninguém. O que é estranho é ter sido ele a deixar a mulher, e não ela a ele. Mas sabes como é, ele é que tem o dinheiro… Mas também não é homem para deixar a mulher a passar mal.

Joana, às vezes, não entendia a mãe: estava farta de ver casamentos falhados, a começar pelo seu próprio e pelo da filha; e quando via algum terminar, a primeira coisa que lhe ocorria era organizar outro.

– Já estou a perceber: tu e as tuas amigas estão mortinhas, é por fazer de casamenteiras. Deixem o homem em paz… O que ele quer deve ser sossego.

– É o que ele diz: que já tem idade para aguentar uns meses de celibato, e que tão cedo não quer ver mulher nenhuma dentro de portas. E quando a Carmo começou a insistir demais, ele calou-a logo: mulher, em casa dele, só se fosse uma escrava.

– Bem feito – disse Joana. – Aposto que vos embatucou a todas.

Deram as duas uma última volta à cozinha, até que Joana disse:

– Queres ver um filme que eu trouxe? É com o George Clooney…
O filme, afinal, não era grande coisa, e a certa altura nem a mãe, nem a filha lhe estavam a dar grande atenção. Joana, que tinha ficado a remoer as últimas palavras da mãe, disse por fim:

– Essa coisa da escrava…

– Que escrava? – perguntou Arminda.

– A que o teu amigo disse que deixava entrar em casa. Se calhar era ele o homem para mim: de algum tempo para cá tenho andar a pensar que o que eu preciso, é de dono.

Uma parvoíce destas não merecia resposta, mas Arminda não se conteve:

– Passaste-te de todo, ou quê? Primeiro, o Rui é quase da minha idade. Segundo, é do tipo sonhador e poético, não ia estar para te aturar. E terceiro, depois do que passaste com o Pedro, a última coisa em que devias estar a pensar era em ter dono. Trata mas é de acabar o doutoramento e faz como eu, não penses em homens.

O filme, afinal, começou a ser interessante, e o Clooney era um pedaço de homem. Ficaram as duas absorvidas, mãe e filha, até que começaram a rolar no ecrã os créditos finais. Depois de desligar a televisão e o aparelho de DVD e de ter arrumado o filme, Joana entrou na cozinha, onde a mãe tinha aquecido leite para as duas e aberto um pacote de bolachas.

– Ó mãe, tu sempre és muito ingénua. Conheces-me tão bem, sabes a cabra que eu sou, até para ti…

– Ai, lá isso, és.

– E acreditaste em tudo o que eu te disse sobre o Pedro. A maior parte das sacanices que eu te disse que ele me fez, fui eu que lhas fiz a ele, e tu nem desconfiaste: correste logo em socorro da filhinha.

– É, tens razão, sou uma grande parva – disse Arminda. – Mas se é assim, porque não voltas para ele?

– Isso queria ele. Parece que gosta de levar na cara, o desgraçado. Eu é que nem o quero ver à minha frente. Então o teu amigo chama-se Rui Tavares e é internista, não é?

Arminda pousou a caneca e virou-se para a filha, muito séria:

– É, mas agora sou eu que te digo que o deixes em paz.

Joana sorriu:

– Não tenhas medo, eu sei defender-me.

– Pois é, isso estou eu a ver – disse Arminda. – O meu medo não é por ti, é por ele. Se fizeres mal ao meu amigo, não penses que te perdoo.

Joana levantou-se e beijou a mãe:

– E eu quero lá o teu amigo para alguma coisa? Estou como tu: não quero pensar em homens. Olha, vou para casa. Até amanhã.

– Até amanhã – disse Arminda. – Tranca as portas do carro e guia com cuidado.

Arminda era pediatra a tempo inteiro no hospital de Santo António, o mesmo em que Rui trabalhava. Joana, que não tinha conseguido entrar para Medicina, tirara uma licenciatura enfermagem; mas o trabalho não lhe dava prazer, e por isso continuava a estudar: fizera um mestrado e estava agora a concluir, de forma competente mas sem grande entusiasmo, um doutoramento. O trabalho e a tese quase não lhe deixavam tempo para mais nada, mas quando podia ia a concertos de música clássica ou jazz. Já conhecia de vista os frequentadores mais assíduos da Casa da Música, mas nunca quis travar conhecimento com nenhum; até que um dia, numa das bibliotecas da Faculdade de Medicina, encontrou um deles com uma tarjeta identificadora na lapela: Rui Tavares, médico.

– Conheci o teu amigo Rui – disse mais tarde à mãe. – É muito simpático, e não me parece que seja quase da tua idade. Apresentei-me como tua filha e estivemos a conversar.

– Eu sei – disse Arminda. – Ele disse-me que tomou um café contigo. Diz que te achou doce e sensível, o trouxa. Eu só não o avisei que tivesse cuidado porque não lhe quis pôr ideias na cabeça, mas aviso-te a ti.

Joana não respondeu. Não podia levar a mal à mãe que chamasse trouxa a Rui; ela própria se admirava com o seu comportamento em relação a ele. A ironia estava em que a sua doçura não tinha sido fingida, pelo menos de forma consciente: tinha-se mostrado como realmente era – ou como realmente era junto dele – ou talvez, ainda, como gostaria de ser.

Nos meses que se seguiram, continuou a encontrar-se com Rui para tomar café ou ir a um espectáculo. Porque havia de ir cada um sozinho quando podiam ter companhia? O que sossegava Arminda quanto a estes encontros era que Rui os mencionava quando estava com ela e com as amigas. A filha também não fazia segredo deles; e continuou a não fazer segredo quando ganhou o hábito de ir tomar um copo com Rui depois de irem ao cinema ou a um concerto. Só começou a parecer a Arminda que as coisas estavam a ir longe demais quando estas saídas começaram a ser precedidas de jantares a dois. Rui já não dizia que não queria nada com mulheres e não lhe contava todos os encontros que tinha com Joana, nem esta todos os que tinha com ele; mas, ora por um, ora por outro, lá ia sabendo de quase todos, e se não lhos contavam todos era decerto porque já os tinham como adquiridos.

Uma noite, depois de terem ido à ópera no Coliseu, Joana sugeriu que tomassem um copo em casa dela. Usavam nas suas saídas, alternadamente, os respectivos automóveis, e desta vez tinha-lhe calhado levar o seu. Não chegaram a tomar o tal copo: assim que tiraram os casacos, ela abraçou-se a ele e beijou-o na boca, ao que ele respondeu com entusiasmo. Colada a ele, Joana sentiu-lhe o sexo a intumescer. Levara um vestido muito decotado nas costas, sem soutien, e, quando sentiu a mão dele a insinuar-se por baixo do tecido, afastou-se um pouco e disse:

– Comprei preservativos…

Rui ficou com ela a noite toda. Tinha pedido a aposentação antecipada e não tinha que ir trabalhar na manhã seguinte. Quando Joana se levantou para ir para o hospital de S. João, deixou-lhe um bilhete a dar-lhe um beijo, a dizer-lhe onde estavam as coisas para o pequeno-almoço e a pôr-lhe a casa à disposição. Deixava-lhe uma chave para ele dar quatro voltas na fechadura quando saísse.

À hora de almoço, ele telefonou-lhe para lhe mandar um beijo e marcar novo encontro. Não, nessa noite não podia ser, Joana ia estar de serviço. Na noite seguinte, sim. Jantar? Podia ser, e depois podiam ir ao cinema: havia um filme que ela estava com vontade de ver.

Ao passar por casa, ao fim da tarde, Joana tinha à sua espera, já metido numa jarra com água, um ramo de rosas vermelhas. Sentimentalismo idiota, pensou; este afinal é como os outros. Mas este princípio de decepção passou-lhe quando leu o bilhete: Pedi à florista que não tirasse os espinhos. Espero que gostes. E gosto, pensou Joana. Gosto muito dos espinhos.

– Seduzi o teu amigo – disse Joana à mãe. – Estou a dizer-te isto para que não penses que foi ele.

Arminda sentiu vontade de se atirar à filha e de lhe arranhar a cara toda. Ou então de fazer o mesmo a Rui, que não lhe tinha dito nada. Aquilo parecia-lhe uma espécie de incesto: não sentiria maior revolta se tivesse sido o marido a dormir com a filha. Mas isto era uma idiotice, e é claro que Rui nunca lho poderia dizer: como é que um homem diz a uma mulher, que conhece há anos, que foi para a cama com a filha dela?

Não compareceu ao almoço com as amigas no dia em que Rui costumava ir, nem na vez seguinte. Quando as amigas começaram a achar isto estranho, telefonou a Rui para o telefone fixo. Era verdade, disse ele. Então Arminda descarregou toda a sua raiva: se ele não achava que estava velho para seduzir meninas, se não tinha nojo de si próprio, se não achava que o que tinha feito era uma traição.

– Traição? – disse Rui. – Estás com ciúmes?

Isto fez com que Arminda se calasse e desligasse o telefone. Ciúmes? Como, ciúmes, se entre eles nunca tinha havido, sequer, um desejo fugidio? Rui era livre, Joana era livre, só ela, Arminda, é que não; e por mais que desprezasse o marido, nunca seria capaz de pagar traição com traição. E contudo, era obrigada a reconhecer que Rui não andava longe da verdade. Ciúmes, inveja ou orgulho ferido: a relação entre Rui e Joana depressa seria conhecida, e Arminda não sabia como havia de encarar os amigos quando eles soubessem.

Tanto ela como Rui passaram a comparecer de novo na sua tertúlia, mas, por um acordo tácito, nunca os dois ao mesmo tempo. Quando as amigas lhes perguntavam o que tinha havido entre eles, ambos respondiam que não tinha havido nada; se não se encontravam ao almoço, era porque não calhava.

Joana, por sua vez, lidava com a mãe como se nada se tivesse passado. Não dava pormenores da sua relação com Rui, mas também não evitava o assunto. Às vezes, se viesse a propósito, dizia-lhe que nessa noite dormia em casa dele; e esta naturalidade, que ao princípio era sal esfregado na ferida, acabou por levar Arminda a aceitar como facto consumado a relação entre o amigo e a filha. Foi ela que informou dela as amigas, antes que soubessem por outras vias, e por fim recomeçou a comparecer na tertúlia ao mesmo tempo que Rui. Isto provocou neles e no grupo um certo constrangimento; mas este, à medida que os dois foram aprendendo a tratar-se em público como uma espécie de sogra e genro, e as dinâmicas do grupo se estabilizaram num novo equilíbrio, acabou por se dissipar: a relação entre Rui e Joana estava, por assim dizer, oficializada.

Anúncios

Read Full Post »

Capítulo 2


Depois desta descrição longa mas necessária chegamos finalmente à história da chegada e estadia do Príncipe Hassan-Khan. O Príncipe veio a casa de Manoubia para comprar uma esposa: a bela Djamila, pérola das pérolas, uma íntima amiga de infância da irmã dele, Kora. Djamila e Hassan já estavam apaixonados, já que a irmã lhe tinha contado da linda escrava, que depois veio a conversar frequentemente com ele na companhia da sua amiga Kora. Como Djamila tinha passado bastante tempo no palácio do Príncipe, tinha podido conhecer os seus futuros sogros e afeiçoar-se a eles; e no que a estes diz respeito, chegaram a endeusar a encantadora jovem. É portanto um amor puro aquele que atrai os dois jovens, misturado sem dúvida com aquele poderoso desejo sensual que só os orientais possuem em grau tão elevado.

O Khan, que tipificava o homem circassiano em toda a sua beleza, tinha uma figura em que a força se combinava com a flexibilidade, o lado sombrio com um garbo encantador. Tinha na verdade a força do tigre e a agilidade da pantera. A sua testa larga e lisa prolongava-se num nariz recto, enquanto os olhos cinzentos como o aço exprimiam, ora uma ternura infinita, ora uma fria crueldade. Envolto no seu caftan negro bordado a prata, com o gorro de astracã enterrado na cabeça até ao meio da testa, sapatos de couro amarelado, tinha um aspecto verdadeiramente belo e majestoso. E quando entrou, montado num nobre cavalo, em casa de Manoubia, houve sem dúvida muitos lindos olhos, escondidos por véus orientais, virados com amor e desejo na direcção deste elegante cavaleiro.

Hassan deixou os soldados da sua escolta a uma certa distância, apeou-se do cavalo cujas rédeas entregou a um servidor, e aproximou-se a pé do portal do palácio. A sua chegada já tinha sido anunciada, pois quando chegou aos pesados portões estes abriram-se e um serviçal apressou-se ao encontro do Príncipe para o aliviar do leve saco de viagem. Hassan tinha naturalmente a intenção de se restabelecer com um banho, depois de descansar algumas horas, dos esforços da longa cavalgada; e para este fim tinha trazido alguns artigos de higiene.

Depois de atravessar a porta, encontrou-se num pátio revestido a mármore e rodeado por uma galeria gótica de colunas a que os arcos, duma irregularidade genuinamente árabe, davam uma impressão de movimento sem que por isso perdessem uma certa graciosidade. E nestas horas do crepúsculo, durante as quais os últimos raios ardentes do dia se perdem no infinito horizonte violáceo que se estende sob o firmamento como um oceano, a vista era com efeito magnífica. Entre as colunas, que a intervalos eram interrompidas por balaustradas semi-circulares, pendiam lâmpadas de ouro de correntes de prata; no meio encontrava-se uma fonte em mosaico, de cuja figura principal, que consistia num grupo de três leões, caía uma água fresca e clara. E as lágrimas destes leões, que talvez chorassem pelas suas belas fêmeas, corriam para um reservatório em que se reflectia a floresta de colunas e os arcos recortados da galeria circundante.

Este pátio, a única parte do palácio original que permanecia inalterada, conservava a pura beleza do estilo oriental em todo o seu esplendor e simplicidade; tinha sido construída quando o Grande Mogul ainda residia em Djeli. E nas imediações uma inaudita acumulação de toda a sorte de verdura completava a impressão tão exótica como imponente suscitada por esta residência principesca em quem ainda mal lá tinha entrado…

Manoubia estava à espera do seu visitante. Tinha posto de parte a sua habitual distância majestática para receber o seu hóspede real com a maior amabilidade. Entregou-o com grande dignidade aos cuidados de dois enormes negros com cerca de dois metros de estatura a quem encarregou de conduzir o Príncipe. Estes negros, vestidos de veludo vermelho e verde, assemelhavam-se a dois titãs que tivessem perdido o caminho da ilha de Cítera com os seus ornamentos de festa.

Logo apareceu também o administrador da casa, o genro de Manoubia, que endereçou ao Khan estas palavras:

– Poderoso Senhor! Allah abençoou a nossa casa ao permitir que os teus indignos servos te recebam por um momento – a ti, o grande Hassan-Khan, o Senhor tão amado como temido! Bendita seja a areia calcada pelo teu augusto pé! Que as flores em que descanse o teu olhar misericordioso nunca mais murchem! Que a fonte murmurante que ouvires nunca mais cesse de celebrar esse dia ditoso! Poderoso Senhor! Esta casa é tua, e nós, os teus servos insignificantes, esperamos com respeito as tuas ordens.

O Khan agradeceu com um sorriso e prosseguiu o seu caminho para o pavilhão do meio. Ao chegar ao limiar a porta abriu-se, como que movida por uma força sobrenatural; o Príncipe deu alguns passos para dentro e encontrou-se num enorme vestíbulo, uma espécie de grande salão cujas paredes estavam ornadas com pinturas e tapeçarias artísticas de valor inestimável; os pés afundavam-se nos tapetes macios; sofás estofados a seda rodeavam a sala; banquinhos de pau-rosa, embutidos com madrepérola, espalhavam-se aqui e ali numa aparente desordem.

De cada lado da porta estavam de pé dois rapazinhos, dois jovens Adónis, com bochechas coradas, o denso cabelo preto caindo aos caracóis. As bocas eram como cerejas, os dentes eram, nas palavras do poeta, “uma gota de leite numa rosa”. Estavam ambos ataviados com calções de seda azuis apertados sob os joelhos por bandas elásticas. As pernas roliças e carnudas estavam nuas. Traziam além disso camisas da mais fina cambraia, através das quais lhes reluzia a fresca pele do peito. Boleros escarlates cobriam-lhes as costas e as mangas arregaçadas deixavam ver os braços brancos e roliços. Uns chapelinhos árabes assentavam-lhes meio de esguelha na cabeça e as longas borlas caiam-lhes sobre os ombros.

Enquanto o Khan admirava este quadro encantador, abriu-se lentamente no fundo da sala uma porta, e uma aparição, maravilhosa como um sonho, tornou-se visível. Era a bela Zima, neta de Manoubia, com cerca de vinte e dois anos de idade e duma beleza verdadeiramente invulgar. Poderíamos dar-lhe o nome de uma antiga Bacante ao vê-la assim no seu quimono japonês com ramos de roseira bordados. Dois solitários sumptuosos pendiam-lhe das pequenas orelhas rosadas, e uma fileira de diamantes rodeava-lhe a orgulhosa garganta alabastrina.

O Khan tinha-se virado ao ouvir o fru-fru da seda e ficou imóvel e encantado perante esta bela aparição.

Subitamente, com um movimento gracioso, Zima deixou escorregar para o chão o seu quimono e ficou de pé em todo o esplendor da sua carne nua. Ficou assim, por um momento, nesta pose encantadora e natural. Deixou que os olhos coruscantes do Príncipe lhe percorressem todo o corpo; e então deu três passos em frente, ajoelhou-se-lhe aos pés e beijou-lhe cheia de respeito as pontas dos sapatos. Achando que para exprimir todo o seu respeito não era suficiente ajoelhar-se perante o Khan, estendeu-se toda no chão sobre a barriga, abraçou os tornozelos do Príncipe e cobriu-os de beijos. Este curvou-se e fez deslizar suavemente as mãos sobre todo o corpo da jovem mulher. Experimentou um prazer infinito em beliscar e acariciar esta carne branca e firme, e a cada carícia sentia o corpo divino dela ser percorrido por um tremor lascivo.

Também Hassan começou a dar mostras duma viva excitação. O seu membro ergueu-se por baixo das calças de montar e nos cantos dos lábios apareceu-lhe uma espuma esbranquiçada.

Finalmente a jovem ergueu-se até ficar de joelhos e o Príncipe, galante, pegou-lhe pelos seios e obrigou-a assim a pôr-se de pé. Por um momento ainda permaneceu ela assim, imóvel sob aquele olhar masculino brilhante de desejo; então Hassan deu um passo para ela, apertou-a contra o peito e disse-lhe baixinho:

– Quero, querida Zima, receber de ti o primeiro beijo que me for dado nesta casa.

Com modo insinuante ela toma-o pela mão, condu-lo com delicadeza a um sofá e faz com que ele se sente. Ajoelha-se diante dele e abre-lhe as calças com cuidado e perícia. Depois de pôr assim a nu o sexo do Príncipe, segura-lhe o membro, sem lhe tocar com as mãos, com a boca e com a língua e mantém-no um momento comprimido entre os lábios: sente como ele fica cada vez mais erecto e como lhe bate contra o céu da boca.

Recua para melhor recomeçar. Inclina o seu lindo, pálido rosto sobre esta vara rígida e avermelhada, comprime-a com as maçãs do rosto contra o ventre do homem e deixa-a percorrer todo o seu rosto. Sucede-se agora sem interrupção uma série das mais deliciosas carícias. Tão depressa introduz no sovaco o membro completamente erecto como o comprime com as mãos contra a maciez da barriga e das coxas, como ainda o envolve no seu exuberante cabelo castanho. Finalmente despe-lhe completamente as calças e senta-se com pequenos gritos fervorosos e suspiros contidos no colo do seu amante.

– Estou contente contigo, Zima – disse ele. – Deita-te agora neste lugar onde já vais servir o meu desejo, e diz-me como te queres entregar a mim. Diz-me que alegria vais experimentar quando eu penetrar o teu corpo esbelto e doce. Diz-me que sensação vais ter quando a prova do meu amor inundar as tuas entranhas. Diz-me também que espécie de abraço preferes, para que no momento do clímax possamos ambos experimentar a mais alta felicidade.

– Poderoso Senhor, – respondeu ela. – Eu não passo da tua escrava, o meu corpo pertence-te, farás com ele o que os teus desejos exigirem, e eu hei-de sofrê-lo, o meu amor por ti só aumentará com isso. Se me penetrares, Poderoso Senhor, ficarei feliz, porque és belo, és como eu te sonhei, o teu membro viril é imponente e atrai na sua direcção todo o meu corpo. Que o nosso abraço dure até à minha morte, de modo a que a prova do teu amor me avassale até à derradeira paixão! Poderoso Senhor, sou a tua escrava!

Com um olhar ordena a um dos dois rapazes presentes que traga uma cadeia de ouro e manda-o prender-lhe os pulsos nas costas, como sinal de submissão ao seu Senhor. Este ergue-lhe gentilmente as pernas e ata-lhe os tornozelos com a ajuda duma fita de seda. Então introduz-lhe o membro entre as barrigas das pernas, que Zima se põe imediatamente a mexer para trás e para diante. Então ele começa a subir pelo corpo dela acima, tão devagar que mal se nota, até lhe chegar ao ventre com a ponta do pénis. Mais uma vez começa a passear a glande dura e vermelha pelo corpo branco da sua escrava, aconchega-a entre os dois seios macios, acaricia-lhe com ela os lábios húmidos, envolve-lha no cabelo. A uma ordem sua os rapazes libertam os rapazes os braços e as pernas de Zima dos seus grilhões, abrem-lhe ligeiramente as coxas e erguem-lhe os joelhos até ficarem encostados ao corpo. Zima espera nesta posição, completamente imóvel, o ataque vitorioso do seu Senhor; mas este não se apressa e oferece a visão do seu falo erecto aos dois rapazes, que observam com curiosidade este monstro que tanto se avantaja em tamanho às suas pilas. Quando Zima se apercebe disto, ordena a um, de seu nome Achmed, que segure na mão o objecto da sua curiosidade. O rapaz obedece imediatamente, mas mal toca o membro do Khan este dá um rugido e lança-se sobre a mulher como uma fera sobre a presa.

Mas apesar deste movimento brusco Achmed não largou o membro, e aproveita para o apontar ao lugar certo, puxando para trás o prepúcio e afastando os pelos púbicos de Zima, que se tinham atravessado parcialmente sobre a entrada. O rapaz parece encontrar um grande prazer neste jogo, e o par permite-lhe que se entregue a ele, tolerando a lentidão intencional com que o faz. O calção de Achmed avoluma-se visivelmente no lugar do membro viril!

Finalmente, no paroxismo da ânsia, o Príncipe introduz-se completamente, com um poderoso movimento das ancas, arrancando à sua escrava um grito de dor. Sem domínio sobre si próprio, morde-a nos ombros, e uma gota de sangue aparece como uma pérola sobre a neve da pele. Puxa o pau completamente para fora para imediatamente o introduzir de novo até ao fundo, enquanto ela executa com o ventre movimentos rotativos que aumentam ainda mais o desejo dos dois. Com a sua rija lança acaricia-lhe repetidamente o clitóris, ora por trás, ora pelos lados. Os seus corpos estão unidos, entrelaçados, pressionados um contra o outro e já constituem um só corpo. Os seus movimentos, apesar de desenfreados, mostram-se cheios de ritmo e harmonia. Ele abraça com as coxas as da escrava e arranha-lhe a pele com as unhas. Os lábios de um estão colados aos do outro e Zima suga com paixão a língua e a respiração do seu Senhor. Ele torna-se brutal, e ela, a escrava, permanece dócil e paciente.

– Chega o rosto ao meu! – ordena ele – e não te mexas!

Ou então:

– Agora descanso eu, trabalha tu! Faz com que eu me venha, ou és chicoteada!

E ela começa a trabalhar enquanto ele se mantém imóvel sobre ela; movimenta a parte inferior do corpo para a frente, para trás e em círculos, e acaricia-lhe a ponta do membro com os lábios da vulva: uma arte que poucas mulheres dominam.

Subitamente os músculos dele contraem-se como por efeito de uma cãibra; ele entrelaça-se nela ainda mais apertado e aperta num derradeiro beijo os lábios contra o belo pescoço da mulher.

Ela sente o membro dele a engrossar dentro dela – e sente o corpo inundado… Finalmente os nervos dele cedem e ele cai pesadamente sobre ela, onde descansa por algum tempo.

Durante todo o tempo que durou este abraço quatro jovens negras vestidas de cambraia vermelha, verde e amarela, que tinham entrado despercebidas na sala, abanaram grandes leques sobre eles para impedir uma transpiração exagerada. E sobre um tamborete, numa taça de defumar, ardia uma mistura de âmbar e íris que enchia o aposento com um perfume entorpecente.

No momento do climax as núbias largaram os leques, e a primeira tomou uma taça de ouro, a segunda uma esponja, a terceira uma toalha de seda e a quarta um vaporizador de perfume.

O Khan tinha-se erguido e Zima levantou-se do sofá. Ajoelhando-se diante dele, lavou-lhe meigamente o membro com água perfumada e secou-o longamente com infinitos cuidados. E como o Príncipe se tinha libertado a pouco e pouco das suas roupas e estava quase nu, cobriu-o com um roupão longo de seda.

A um sinal seu os dois rapazes ergueram um reposteiro e subiram todos ao primeiro andar, onde uma refeição aguardava o Príncipe: bolos e sorvetes em finas taças de porcelana, bebidas refrescantes em cálices de ouro e prata. Zima, ainda nua, estendeu-se sobre um dos numerosos sofás que davam à sala o seu carácter, enquanto o Príncipe se sentava ao seu lado à maneira turca sobre uma das almofadas de veludo que estavam espalhadas pelo chão.

As quatro escravas núbias dispuseram então sobre o corpo de Zima os vários pratos em que consistia a refeição, e o Khan fez a sua refeição sobre a carne perfumada da sua amada, tomando-lhe um bolo da concavidade do pescoço ou um bombom da barriga, mordendo com os dentes uma peça de fruta que ela segurasse com as coxas. Ela oferecia-lhe por vezes, com os seus dentinhos brancos, um doce, ou então era ele que procurava com os lábios uma amêndoa que se lhe tivesse escondido no monte de Vénus. Os dois rapazes serviam-no de sumo de laranja e xarope gelado em taças de prata.

Chegada ao fim a refeição, ela chegou-lhe, com os dedos rosados dos pés, um cigarro aceso, e ele fumou, fazendo com que se elevassem em direcção ao tecto as nuvens azuladas de tabaco oriental. O Príncipe tinha-se estendido sobre as almofadas, feliz por viver ainda no corpo os mesmos encantos que tão agradavelmente lhe cansavam os músculos…

Demorou-se uma hora bem medida nesta inactividade, durante a qual Zima, para o distrair, mandou vir músicos, cantores e dançarinas mouras. Um alegre prelúdio instrumental abriu o concerto. Então seguiram-se ritmos cada vez mais lentos, cantilenas, odes frívolas e melodias sérias. A um sinal de Zima salta para o primeiro plano uma odalisca de pouco mais de quinze primaveras, retorcendo-se em movimentos lascivos à cadência do «Eoud», e executa uma «Rita», uma dança sensual e lenta. Quantos encantos se alojam nas linhas deste corpo insinuante, que as madeixas negras dos cabelos encobrem parcialmente! Com mais vivacidade do que uma gazela, mais flexível do que um junco, desdobra os membros como as ondas de um riacho sem deixar de transmitir a impressão de uma indolência sensual. Percute com os dedinhos rosados o seu tamborim e move-o para que não o abafem as mangas compridas.

Chega a vez de quatro outras que se tomam pelas mãos, e ora se afastam, ora se aproximam umas das outras, ora se abraçam pelo pescoço e pela cintura, ora se repelem, e assim representam todas as fases do amor.

Este espectáculo encantador espicaça de novo os sentidos do Khan, e nos seus olhos penetrantes brilha o desejo. Zima, atenta, apercebe-se disto e prepara-se para oferecer ao seu Senhor mais uma sessão de volúpia, ainda mais inventiva e lasciva do que a primeira. A sua intenção é que o Príncipe deixe a casa de Manoubia com o espírito enfeitiçado, o corpo exausto e os sentidos saciados; e está disposta para isso a inventar para ele encenações inauditas e requintes antigos. Por ordem sua os músicos e as dançarinas deixam a sala deixando-os sós com as quatro escravas núbias e com os dois rapazes.

− Poderoso Senhor – começa Zima – a tua escrava notou que os teus desejos estão de novo despertos. Queres que estes dois rapazinhos insignificantes te acompanhem a um aposento onde te espera água fresca e perfumada para banhar o teu nobre corpo? Ajudar-te-ão a lavar e servirão também o teu desejo. Os seus lábios, vermelhos como a cereja madura, hão-de beijar respeitosamente as partes mais íntimas do teu corpo. Com as suas mãos ternas e macias hão-de acariciar a tua carne por toda a parte que queiras. Desvendarão ao teu olhar os seus prazeres secretos, mostrar-te-ão o que costumam fazer um com o outro quando estão sozinhos ao meio-dia, quando o Sol do Oriente lhes enerva os sentidos e os conduz à licenciosidade. Queres, Senhor, que nós os três te ajudemos a gozar? Permites esta honra aos teus escravos?

− Vamos – respondeu o Príncipe laconicamente.

Ergueu-se e seguiu a jovem mulher pelos longos corredores até à sala de banho.

Esta sala merece ainda uma breve descrição, pois é verdadeiramente bela na sua simplicidade. O meio consiste num tanque de ónix vermelho, ao qual se desce por alguns degraus. Este tanque está rodeado por uma galeria de arcos redondos sustentados por colunas de mármore branco. As paredes estão ornamentadas com pinturas árabes pintadas à mão sobre a pedra nua. Aqui e ali alguns divãs, e é tudo. Não há cortinas, não há tapetes, só mármore e pedra.

Hasan senta-se sobre um divã e Zima, ladeada pelos dois rapazes, ajoelha-se à sua frente. Puxa para si o rapaz mais novo, de seu nome Ali, despe-lhe o bolero e o calção, e diz, acariciando com os dedos a carne rosada e jovem do tronco nu:

− Vê, poderoso Senhor, como é doce este corpo! Vê estes bracinhos roliços, debaixo dos sovacos já se nota uma pelagem macia. Vê esta barriguinha branca, as pregas amorosas da pele em que qualquer homem desejaria dar um beijo.

Pouco a pouco despe-lhe os calções, e o rapaz, que pela primeira vez se vê despido perante um estranho, fica vermelho de vergonha.

− Vê, Poderoso Senhor, estou-lhe a abrir o calção, e já se lhe entrevê a cabecinha do sexo; já a vais ver toda, Senhor, porque este corpo pertence-te. Ei-lo, aqui está o pauzinho; como é pequeno, meu Amo, em comparação com o teu grande membro, e como é agradável acariciá-lo! Já começa a erguer-se; o teu olhar, ao incidir sobre esta parte do seu corpo, faz com que o seu espírito seja presa de desejos sensuais. Se eu acariciar este pequeno membro, ele ejaculará, se quiseres, diante dos teus olhos; mas vou fazer isso com toda a suavidade para que o prazer dos teus olhos dure mais tempo. Ele está envergonhado mas feliz, porque tu estás a olhar enquanto eu o faço ejacular. Vê, o membro dele está a ficar intumescido e vermelho; puxo-lhe o prepúcio para trás, para que a sua excitação aumente… Agora faço uma pausa para te mostrar o seu lindo cuzinho. Observa esta carne firme e rosada; entre estas bochechas, Senhor, hás-de gozar, se for esse o teu desejo. A abertura é estreita porque ele ainda é virgem, mas tu terás o cuidado de não o rasgar. O teu pénis é tão grosso e o seu corpo tão pequeno.

O Khan observava esta cena com enlevo, o seu membro crescia sob o leve tecido de seda que lhe envolvia o corpo. Mas dominou a sua ânsia ardente por mais um momento e ordenou:

− Ali, tu és um homem! Mostra que o és! Esta mulher é uma cadela, mais do que isso, é a tua escrava, enfia-lhe o teu pau na boca!

O jovem obedece, hesitante.−

− Muito bem. Tira o pau para fora e mete-lhe na boca a tua bolsinha entre os lábios… isso mesmo, e tu, Zima, acaricia-o de novo, ou não estás a ver que ele tem vontade?

A jovem mulher obedece. Passa um braço pela cintura do rapaz e apalpa-lhe com a mão livre os testículos, acaricia-lhe o pequeno membro, aperta-o com os lábios, esfrega-o com as pontas dos seios e toca-lhe com as pálpebras fechadas; depois toma-o ma boca e chupa-o ternamente, ao que o rapaz responde com suspiros entrecortados. Por fim torna-se necessária uma interrupção para evitar uma ejaculação imediata.

− Está bem assim – diz o Príncipe. – Ali, é hoje que vais perder todas as tuas virgindades; agora vais-te servir desta mulher, que é tua. Mete-lhe a tua lança na parte de trás, para começar, e faz o que eu fiz: morde-a nas costas, percebes, ela é a tua escrava! Bom, agora entra-lhe pela frente e deita-te em cima dela; ela terá que te fazer como me fez a mim – mas não te venhas, que ainda tens mais coisas para fazer. Agora sai de dentro dela e escuta: tu és o senhor desta mulher, portanto bate-lhe, maltrata-a, a esta cadela que aqui está!

O rapaz faz tudo o que o homem lhe ordena, e na sequência da última ordem bate na sua amiga com tanta força que de vez em quando lhe arranca um grito de dor. Os golpes chovem de todos os lados; primeiro palmadas nas nádegas, depois nas pernas, na barriga, entre as coxas e finalmente na cara…

O príncipe, satisfeito, atira com o roupão para o chão, aproxima-se de Ali e mete-lhe o sexo na boca. Isto traz o rapaz finalmente ao paroxismo, já não se consegue dominar, o esperma esguicha-lhe do sexo e cai sobre as coxas do Khan. Este sorri e ordena a Zima que o limpe com a língua. Puxa para si o rapaz, que está ainda mais envergonhado, e introduz-lhe de novo o membro entre os lábios. Ali lambe com entusiasmo esta nova espécie de chupa-chupa enquanto Hassan lhe acaricia com a mão os longos caracóis castanhos… O Príncipe recua, mas Ali segura-lhe o membro com as mãos e introdu-lo de novo na boca, acariciando os testículos do seu Senhor como antes lho tinha feito Zima. Contudo pode observar-se nos seus movimentos alguma hesitação e uma certa timidez, pois não ousa fazer tudo aquilo a que os seus desejos o impelem: a vergonha modera-lhe ainda o desejo. Subitamente ergue a mão para o peito do seu senhor e os olhos dos dois encontram-se…

Enlouquecido de desejo, o príncipe agarra ali pelas ancas e arremessa-o sobre um divã. Precipita-se sobre ele e tenta penetrá-lo. Mas Ali é virgem, e o obstáculo é tanto maior porque Hassan é fortemente constituído. Mas a dificuldade só lhe aumenta a fúria, o Khan já não se reconhece a si mesmo; Segura o membro com uma mão, e segurando-se assim dá uma estocada tão forte que se introduz completamente no corpo do rapaz. Este dá um salto de dor, o movimento do Príncipe foi tão rápido e brusco que ele se sente assassinado. O terror invade-o e contudo não ousa sequer gritar. Sente o membro do seu Senhor a mover-se dentro dele, e este membro parece-lhe de um comprimeto imensurável. O Khan morde-o na nuca e arranha-o com as mãos em garra, mas não consegue chegar a um clímax. A crise aproxima-se e afasta-se de novo no momento em que ele acredita que está mesmo à beira de se vir. Este impedimento irrita-o ainda mais, fá-lo dar urros, insultar o jovem, ameaçá-lo com as maiores crueldades, e põe nele a culpa da sua momentânea impotência enquanto lhe aperta nas mãos o pequeno pénis. Mas este começa de novo a sentir uma excitação extraordinária, começa a sentir prazer neste amplexo. Move agora por sua vez o cuzinho, mas só ousa fazê-lo docemente porque receia uma censura. Move-se também na mão que lhe segura o membro. Mais um momento, e gozará na mão do seu Amo, sente que está a ficar completamente rígido, e procura deter a ejaculação. Mas subitamente sente-se inundado, sente um líquido quente que jacto a jacto se lhe introduz no corpo, sente-o nas entranhas, e esta sensação é-lhe tão agradável que ele próprio não se contem e liberta na mão do Khan um copioso jacto de esperma.

Assim ficam os dois deitados lado a lado com o corpo cansado e o espírito saciado, e parece que o prolongar deste abraço é para eles um novo prazer. Não querem separar-se, tão agradável é para cada um deles o calor do corpo do outro. Finalmente o Príncipe retira o membro do corpo do rapaz. Este experimenta um sentimento bizarro de dor e vergonha; contudo ergue-se imediatamente para ajudar Zima a lavar o sexo do Senhor. Hassan, sentado no divã, chama o rapaz para o seu lado, acaricia-lhe os caracóis castanhos e cobre-o de palavras ternas, abraça-o com sentimento, grato pelo prazer que Ali lhe deu, e agradece-lhe a oferta do seu corpo. Fazem um belo par: a cabeça rosada do rapaz junto do ombro do homem forma com o rosto severo do Khan um contraste digno do pincel de um artista! A relação entre os dois está estabelecida – e Manoubia acaba de vender mais um escravo. De resto, tudo o que até agora aconteceu tem apenas este único fim: o amor dos sentidos anda sempre nesta casa de mãos dadas com o amor do lucro…

Read Full Post »


Uma das minhas queridas leitoras, que vai casar em breve, viu esta imagem quando a publiquei no Blogger e ficou sonhadora: porque não pode ela ir também assim? Não haverá por aí outra leitora a quem esta imagem faça sonhar? E leitores? Não há por aí nenhum que gostasse de levar a sua noiva assim ao altar?

(Publicado no Blogger a 09/04/08 )

Read Full Post »